O Fantástico Sr. Raposo

Para mim, existem filmes que existem uma importância sensorial, emocional, plástica, intelectual. Alguns podem ser confusos, desagradáveis, mas se você não ve-los, perdeu uma grande oportunidade de evoluir, de mudar paradigmas.

Algumas coisas, fogem da nossa compreensão, mas não quer dizer que não fazem sentido. O ser humano tem por necessidade, entender, encontrar lógica, nexo. Quando isso não acontece, repudiamos. O mocinho morrer no final? Não, não faz sentido. O que dizer de obras como escrita pelo incrível Roald Dahl?

A ‘Fantástica Fábrica de Chocolates’, ‘Matilda’, ‘James e o Pessego Gigante’, ‘Os Gremlins’… Precisa dizer mais? (leia mais sobre Roald aqui).

São histórias que beiram o que poderiamos classificar erroneamente de bizarro, de estranho. Mas pergunta se existe uma pessoa que não conheça Gremlins ou A Fantástica Fábrica de Chocolates? O excentrismo do Mr. Wonka, na verdade se explica pela sua história, sua infância, suas tristezas, sua solidão. Assim como todo ser humano.

E para o cinema, as adaptações pedem outros gênios do ‘diferente’, da ousadia, do novo, do plástico, da quebra de paradigmas, como Tim Burton em Sweeney Todd.

Wes Anderson que adaptou o livro de Roald, ‘Raposas e Fazendeiros’, para o filme de stop-motion ‘O Fantástico Sr. Raposo’. É certamente um filme que causa estranheza, tira você do lugar comum e é bem provável que a dificuldade de entender as entrelinhas, pode fazer você achar ruim.

O filme na verdade, faz um paralelo, da raposa, tão conhecida como símbolo de astuta e maliciosa, afinal, é uma predadora. Wes transporta para a animação, em um stop-motion tão duro, que parece mal feito, faz você pensar que usaram frames de menos. O choro dos personagem, é completamente fake.

A história que traz um antropomorfismo (semelhante a forma humana) dos personagens muito forte, transformando raposas em verdadeiros humanos, com problemas, fraquesas e demais mazelas humanas, em um paradoxo de fundir a ‘cuca’, pois na verdade, o objetivo todo, é mostrar que aquela pose de gente, esconde a verdadeira natureza animal, sua vontade e direito de ser assim.

Onde em meio a grandes problemas existenciais, a única coisa realmente divertida e vigorosa é caçar galinhas, algo meio sem glamour para alguém tão inteligente e de tão autoestima, que se autointitula ‘O Fantástico Sr. Raposo’. De uma certa modo, mostra de forma subliminar, a capacidade que temos de ser cada dia menos humanos, preocupados com tantas coisas, que na verdade, não alimentam nossos desejos, apenas ocupam nossas vidas, deixando o que realmente importa, reprimido, nos tornando cada dia mais frustrados e repletos de problemas que só a psicologia ou a psiquiatria poderão responder.

Talvez uma boa forma de refletir agora, em que todo mundo acha o suficiente, ficar duas semanas em férias, após passar um ano inteiro em um trabalho toma toda sua vida, e você pensando que com dinheiro, você pode comprar uma compensação.

Ficha Técnica

título original: The Fantastic Mr. Fox
gênero: Animação
duração: 1h27m
ano de lançamento: 2009
site oficial: www.ofantasticosrraposo.com.br
estúdio:

  • American Empirical Pictures
  • 20th Century Fox Film Corporation
  • Blue Sky Studios
  • Indian Paintbrush
  • 20th Century Fox Animation

distribuidora: 20th Century Fox
direção: Wes Anderson
roteiro: (baseado em livro de Roald Dahl)

  • Wes Anderson
  • Noah Baumbach

produção:

  • Wes Anderson
  • Allison Abbate
  • Jeremy Dawson
  • Scott Rudin

música: Alexandre Desplat
fotografia: Tristan Oliver
direção de arte:
edição: Andrew Weisblum
efeitos especiais:

  • Lip Sync Post
  • Stranger

Elenco

George Clooney (Sr. Raposo)
Meryl Streep (Sra. Raposa)
Adrien Brody (Rickity)
Owen Wilson (Técnico Skip)
Willem Dafoe (Rato)
Jason Schwartzman (Ash)
Bill Murray (Texugo)
Brian Cox (Boggis)

Roald Dahl

O escritor Roald Dahl nasceu no distrito de Llandaff no País de Gales em 13 de Setembro de 1916.

Você provavelmente nunca ouviu falar de Roald, mas com certeza conhece algumas de suas obras. A principal obra que lhe rendeu fama mundial foi o livro ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’ (Charlie and the Chocolate Factory).

Sua imaginação foi muito estimulada na infância pelas histórias que sua mãe lhe contava sobre os trolls, as míticas criaturas das lendas norueguesas. Oriundo de uma família de comerciantes noruegueses, o pai faleceu quando tinha apenas quatro anos. Para que tivesse uma boa educação, a mãe vendeu as suas jóias e o enviou a um colégio particular em Derbyshire, que o marcou pela brutalidade instituída.

Concluídos os seus estudos aos dezoito anos de idade, preferiu juntar-se a uma expedição pesqueira Terra Nova’ (Terra nova é uma ilha no noroeste do Oceano Atlântico) em vez de prosseguir para a universidade.

Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Royal Air Force, voando em missões sobre a Grécia, sobre a Síria (onde ficou ferido) e a Líbia (onde fraturou o crânio após a sua aeronave ter sido abatida). Em convalescença do seu traumatismo, terá tido sonhos estranhos cuja recordação procurou anotar. Assim, instigado por C.S. Forester (Pseudônimo de Cecil Louis Troughton Smith um escritor Britânico que escrevia livros com temas de guerra), publicou o seu primeiro conto ‘A Piece of Cake’, no Saturday Evening Post (revista publicada nos Estados Unidos entre 1821 e 1969).

Em 1942 foi destacado para Washington como adido de aeronáutica para o Serviço de Segurança Britânico, sendo promovido a comandante de esquadrão no ano seguinte. Nesse mesmo ano de 1943 publicou o seu primeiro livro infantil, The Gremlins, destinado a servir de roteiro para um filme dos estúdios de Walt Disney.

O livro ‘Charlie and the Chocolate Factory’ (A Fantástica Fábrica de Chocolate) recebeu duas adaptações para o cinema. A última transposição do conto para a telona foi com o filme homônimo do diretor Tim Burton, com o ator Johnny Depp no papel de Willy Wonka. A primeira adaptação ao cinema foi dirigida por Mel Stuart em 1971, com adaptação feita pelo próprio escritor. Essa primeira versão para o cinema teve Gene Wilder como o polivalente Mr. Wonka.

De sua autoria são também, outros livros que ficaram famosos na telinha como:

‘Os Gremlins’ (The Gremlins) – escrito em 1943 – Adaptado para o cinema por Chris Columbus
‘Matilda’ – escrito em 1988 – Adaptado para o cinema em 1996
‘James e o Pêssego Gigante’ (James and the Giant Peach) – escrito em 1961 – Adaptada por Tim Burton

Escreveu outros livros importantes como  ‘O Pároco de Nibbleswicke’ (The Vicar of Nibbleswicke), com ilustrações de ‘Quentin Blake’, que teve seus direitos totalmente destinados ao tratamento de crianças com síndromes neurológicas. Seu livro ‘As Bruxas’ (The Witches) foi censurado e consta da lista de livros censurados. Roald morreu em em 1990, decorrente de uma doença no sangue. Seus livros porem, não perderam a popularidade. Somente as edições no Reino Unido já alcançaram 30 milhões de exemplares, com mais de um milhão a cada ano.

A preocupação de Roald Dahl em ajudar crianças que necessitavam de cuidados médicos, foi perpetuada pela sua esposa, que continuou seu projeto após sua morte, com a Fundação Roald Dahl com doações para as áreas de alfabetização e neurologia.

Atualizando (17.12.10)

Seu último livro adaptado ao cinema, foi o longa de animação ‘O Fantástico Sr. Raposo’ (Fantastic Mr. Fox) – escrito em 1970 e adaptada ao cinema em 2009 pelo diretor Wes Anderson.