Tese Sobre um Homicídio

Hoje acordei tarde e perdi o belo dia de sol em Florianópolis. Resolvi sair para ainda tentar fotografar um pôr-do-sol, mas era tarde demais. Retornei do sul da ilha e resolvi fazer umas fotos noturnas da ponte. Depois de quase congelar, fui até o shopping tentar encontrar um filme para não ter que voltar para casa e ficar aqui sem fazer nada. Fui no caixa automático de compra de ingressos e só tinham sessões esgotadas e alguns filmes bem ruinzinhos disponíveis. Bateu até um desânimo quando vi uma pessoa ao lado comprando um ingresso para um filme que não aparecia na minha tela. Só então percebi que existia uma segunda página de filmes. Para minha agradável surpresa, nada menos que um filme protagonizado pelo Ricardo Darin, que considero um dos melhores atores do mundo. Já assisti quase todos os seus filmes e não existe um, que posso dizer que não gostei.

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‘Tese sobre um homicídio’ possui um título que só não é spoiler, porque o título é que dá sentido ao final do filme. O desfecho deste filme é para poucos, pela cara das pessoas no cinema, nem todos gostaram do final ou por assim dizer, a falta dele. Incrível pensar que filmes com roteiros tão ousados são feitos na Argentina. Prova de que o Brasil só não faz coisa melhor por pura falta de talento mesmo. Não sei até quando o filme fica em cartaz, mas se você gosta de filmes que correm pela beirada, fogem do eixo Hollywoodiano, assista. E aproveite para ver todos os filmes do Ricardo Darin, começando por ‘Um Conto Chinês’, que foi exatamente por onde passei a admirá-lo.

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O segundo filme apenas da carreira do diretor Hernán Golfrid, mostra um filme muito bem dirigido e uma belíssima fotografia, mostrando todo o encanto de Buenos Aires. O filme é um Thriller psicológico sensacional e vai deixar você decidir o final do filme, de uma forma muito inusitada, afinal, pela primeira vez assisto um filme onde este recurso é extremamente coerente.

Ficha Técnica

Título Original … Tesis sobre un homicidio
Origem … Argentina
Gênero … Suspense
Duração .. 106 min
Lançamento … 2013
Direção … Hernán Goldfrid
Roteiro … Patricio Vega baseado no romance de Diego Paszkowski

Elenco

Ricardo Darín como Roberto Bermudez
Alberto Ammann como Gonzalo Ruiz Cordera
Arturo Puig como Alfredo Hernández
Calu Rivero como Laura Di Natale
Fabián Arenillas como Máuregui
Mateo Chiarino como Villazán

 

 

Hummingbird – Redenção – Filme

Aluguei o filme por sugestão do atendente da locadora. Resolvi botar fé, já que gostei muito da atuação de Jason Statham no excelente Revólver, do diretor Guy Ritchie. Imaginei que seria outro filme com muito tiroteio, quebra-quebra e pouca história, mas o filme se mostra muito mais denso do que eu esperava.

O filme traz um dilema muito relevante, o resultado psicológico causado na vida de um ex-combatente do exército americano. Os conflitos internos de saber as próprias monstruosidades que cometeu em uma situação onde é matar ou morrer, mesmo que você não queira matar ninguém. Já dizia o saudoso capitão Nascimento: ‘Missão dada é missão cumprida’.

Joey Jones (Jason Statham), lutou na guerra do Afeganistão. Desertor, após fugir do hospital, ele se vê morando nas ruas de Londres. Sua namorada que também era moradora de rua é assassinada após ser explorada sexualmente e ele buscará sua vingança pessoal. Para isso, ele se afunda ainda mais em seus conflitos, usando suas habilidades militares para trabalhar para a máfia. Ele então conhece a freira Cristina, que ajuda moradores sem rua distribuindo alimentos. É a partir do envolvimento com Cristina (interpretada pela belíssima atriz polonesa Agata Bronis?awa Buzek), que o thriller toma um rumo bem interessante e delicado.

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Infelizmente, o título original Hummingbird = Beija-Flor/Colibri recebeu a versão brasileira de ‘Redenção’. Paciência, é Brasil. Imagine você chega na locadora, dá de cara com a capa do filme estrelado pelo Jason Statham, com o nome de Beija-flor. Não seria muito mais instigante?

O diretor é Steven Knight de ‘Coisas Belas e Sujas’.

Ficha Técnica

Título Original … Hummingbird
Origem … Reino Unido / Estados Unidos
Gênero … Ação / Suspense
Duração .. 100 min
Lançamento … 2013
Direção … Steven Knight
Roteiro … Steven Knight

Elenco

Jason Statham como Joey Jones
Agata Buzek como Cristina
Vicky McClure como Dawn
Benedict Wong como Mr. Choy

O Legado Bourne

A trilogia Bourne com ‘A Identidade Bourne’ (2002), ‘A Supremacia Bourne’ (2004) e ‘O Ultimato Bourne’ (2007), soam para mim como um 007 da minha geração. Também é a franquia que me fez prestar atenção no Matt Damon. É sem dúvida uma das melhores franquias de thriller de ação e espionagem que eu conheço.

O Legado Bourne é no entanto um novo filme, que cita Jason Bourne, mas não dá continuidade a história. Fazem referências para contextualizar a história e mostrar que não se trata de uma refilmagem, mas também não poderia ser considerado um Bourne 4. Os produtores queriam Matt Damon neste novo filme, mas Damon recusou todas as propostas alegando que só estaria no projeto se o diretor fosse Paul Greengrass, diretor de ‘A Supremacia Bourne’ (2004) e ‘O Ultimato Bourne’ (2007). O primeiro filme teve como diretor Doug Liman, que não ficou distante nas sequências, já que entrou como produtor em ambas. O elo entre os quatros filmes no entanto, continua sendo o roteirista Tony Gilroy, presente em todas as produções, assumindo neste também a direção.

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O Legado Bourne traz então como protagonista o ator Jeremy Renner que se sai muito bem no papel. É o segundo filme que assisto com ele e acho realmente que o cara é bom ator. Em ‘Os Vingadores’ como Gavião Arqueiro, sua participação foi muito pequena ao ponto de fazer grandes avaliações, por isso estou ansioso para ver ‘João e Maria: Caçadores de Bruxas’ e tirar a prova definitiva. A belíssima e talentosa Rachel Weisz que me conquistou com o belíssimo Ágora, também divide bem a protagonização do filme. Assim como li em uma crítica do site Adoro Cinema, achei apenas que a cena da fuga na moto ficou um tanto exagerada e poderia ter ficado de fora.

Sinopse

Jason Bourne é o agente dissidente que se torna um inimigo para o governo americano e seus projetos sigilosos. Após suas revelações públicas sobre o projeto Treadstone, Eric Byer (Edward Norton) é encarregado de apagar os rastros que possam incriminar o governo dos Estados Unidos neste e em outros projetos sigilosos que possam vir a tona após a delação de Bourne. Um deles projetos chama-se Outcome, que pretende suprimir a dor e aumentar a sensibilidade, inteligência e força de agentes secretos, através de drogas ministradas periodicamente. Com o fim do Outcome, seus agentes passam a ser eliminados a mando do próprio governo. Aaron Cross (Jeremy Renner) é um deles, mas consegue escapar sem que Byer perceba. Em busca de respostas, ele vai em busca da doutora Martha Shearing (Rachel Weisz), a cientista responsável pela condução do projeto. Assim como seus agentes, todos os envolvidos no projeto devem ser eliminados, incluindo a Dra. Martha Shearing que salva da morte por Cross, poderá retribuir o favor fazendo o mesmo por ele. Juntos, eles precisam encontrar um meio de sobreviver ao mesmo tempo em que Aaron, sem seus remédios habituais, começa a sentir os efeitos colaterais da abstinência forçada.

Ficha Técnica

Título Original … The Bourne Legacy
Origem … Estados Unidos
Gênero … Espionagem / Ação / Suspense
Duração .. 135 min
Lançamento … 2012
Direção … Tony Gilroy
Roteiro … Tony Gilroy

Elenco

Jeremy Renner como Aaron Cross
Rachel Weisz como Dra. Marta Shearing
Edward Norton como Eric Byer
Scott Glenn como Ezra Kramer

Busca Implacável 2

Nunca havia assistido um filme por causa do Liam Neeson. Para mim ele era só mais um daqueles atores que a gente conhece, reconhece, mas que não presta muita atenção na carreira. Resolvi arriscar alugando ‘Desconhecido’ e gostei tanto do filme e da sua atuação que passei a procurar todos os filmes dele que ainda não havia assistido, em especial filmes policiais. Do ótimo ‘Desconhecido’, fui assistir ‘Busca Implacável’ que é magnificamente angustiante. A cena inicial da filha sendo sequestrada e a frieza calculada do ex-agente do governo americano Bryan Mills (Liam Neeson) é épica. òtima sequência, ótima ideia, definitivamente entra para a lista de thriller de tirar o fôlego.

Quando vi as primeiras notícias de Busca Implacável 2, fiquei animado e apreensivo ao mesmo tempo. Quando um roteiro é muito bom, uma continuação dificilmente consegue ser tão bom quanto. Acho que continuações só são eficazes quando pensadas como uma coisa só. Como é a trilogia do Senhor dos Anéis, a série Harry Potter e a trilogia de Piratas do Caribe. A prova de que essa afirmação é em parte verdade, que no quarto filme da franquia, foi uma porcaria.

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O filme é muito bom, segue a mesma temática do primeiro, com uma ótima motivação para sua continuação: a vingança do pai de um dos sequestradores mortos por Bryan Mills no primeiro filme. O ponto fraco é o exagero nas cenas de ação que em vezes ficam inverossímil. As relações pessoais são tratadas de maneira muito superficial, deixando claro que a preocupação do filme são as cenas de ação. Para quem gosta de pancadaria, o filme é perfeito, para quem acredita que precisa existir um desenrolar mais complexo, motivações mais intensas e ações mais pautadas na realidade, o filme deixa a desejar um pouco. Essa diferente forma de encarar as histórias e como elas acontecem, certamente é explicada pela dança da cadeira na direção do filme.

Enquanto ‘Busca Implacável’ é dirigido por Pierre Morel, ‘Busca Implacável 2’ é dirigido por Olivier Megaton. Um fato interessante é que este é o segundo filme que Megaton dá continuidade a um projeto precedido por Morel. A outra franquia foi com Carga Explosiva (por Pierre Morel) e Carga Explosiva 3 (por Olivier Megaton). Li uma entrevista em que Megaton se diz amigo de Morel, mas fez questão de fazer um filme diferente. Sinto em dizer Mr. Morel, diferente ele ficou, melhor jamais. Uma sugestão boa seria dar um novo nome, ainda que mantendo o mesmo personagem e a mesma linha condutora. Não vejo lógica em fazer uma continuação se não se tem vontade em dar continuidade a história. O homem solitário por conta do passado como agente secreto, porém sensível e preocupado com a família, se perde diante de um novo personagem ciumento e mais violento do que o necessário. Sua personalidade bondosa só se revela no fim do filme, quando resolve poupar uma vida.

Destaque para a beleza da atriz holandesa Famke Janssen.

Ficha Técnica

Título Original … Taken 2
Origem … França
Gênero … Ação / Suspense
Duração .. 91 min
Lançamento … 2012
Direção … Olivier Megaton
Roteiro … Luc Besson

Elenco

Liam Neeson como Bryan Mills
Maggie Grace como Kim
Famke Janssen como Lenore
Leland Orser como Sam

O Monge

Filmes com temas religiosos são em geral iconoclastas. Dificilmente fogem dos clichês básicos sobre o questionamento da fé, os segredos, as tentações e o julgamente e a punição divina sobre tudo isso. Vou pontuar logo no início: o filme não é bom. Ainda assim, não me arrependi de assistir. A sensação que fica é que o livro que o inspirou possa ser muito bom (escrito por Matthew G. Lewis e publicado em 1796), já que a direção do filme é que deixa a desejar. Tecnicamente O Monge é bem produzido, belas cenas, ótima fotografia, mas o roteiro é fraco, sem um grande propósito, sem fio condutor, sem grandes consequências. A mensagem mais forte é colocada diretamente no início do filme:

Satanás só tem o poder que você lhe permite ter

Seria mais correto dizer que seus erros não são culpa de um ser que vive no inferno e usa um tridente. A invenção de um demônio que atenta as pessoas é sem dúvida a criação mais oportuna e covarde que a sociedade já criou, colocando a culpa de suas atrocidades em algum poder oculto. Nossa natureza humana já é por si torta, selvagem, sem controle. Não precisamos de nenhum agente para nos tentar a nada. O que fica confuso para mim no filme é se existe ou não a tentativa de mostrar que Deus é punitivo.

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O filme começa com um diálogo forte. Um pedófilo confidenciando ao monge Ambrósio (Vincent Cassel), sobre seus casos de pedofilia, em especial sobre as sessões de estupro a sua própria sobrinha, o qual confessa acontecer há muito tempo e muitas vezes, repetidamente ao longo de um dia. O que deveria ser levado as autoridades para um julgamento correto, fica confidenciado a igreja e ao monge que reage as confissões, quase como se ouvisse um conto erótico, pouco se importando com os detalhes sórdidos e aparentemente até gostando deles, quando pergunta ao fiel sobre a sua próxima vida. O filme é repleto de insinuações e atitudes dúbias, nada mais coerente diante desta dualidade da igreja católica e essa inegável vontade de esconder dentro de suas igrejas aquilo que deveria ser público e condenado pelo estado. Além de pedofilia o filme fala sobre inveja, fanatismo, gravidez, elitismo, preconceito, dogmas, tabus, paixão e incesto. Precisamos contextualizar a história, lembrando que o livro foi escrito há 217 anos o que para a época deveria ser algo extremamente forte. O livro era um conto gótico, o que no filme passa de forma muito sutil e pouco explorada, poderia ter esta aura mais bizarra, mais dark, mais sombria. ‘O Monge’ foi a obra mais importante de Lewis, que viveu entre 1775 e 1818.

A atuação de Cassel é sempre boa e apesar de já ter lhe visto em inúmeros papéis de personagens de caráter duvidoso, ele convence como um monge da Ordem dos Capuchinhos. Claro que sua escalação para o papel já é um spoiler, pois sabemos que nenhum dos seus filmes pode ficar sem alguma fornicação. Cassel é naturalmente e obrigatoriamente a personificação do contraventor, do conquistador, do mal caráter. É assim em ‘Cisne Negro’, é assim em ‘Um Método Perigoso’, em ‘Fora de Rumo’,  em ‘Irreversível’ (filme excelente para quem estuda cinema com ótimas cenas de plano sequência).

Já que o filme fala obviamente de tentação (que filme de religião não falaria), vou destacar a beleza da atriz belga ‘Déborah François’ e da francesa Joséphine Japy. Outra participação muito especial é de Geraldine Leigh Chaplin, filha de ninguém menos que? que? que? Ele mesmo, Charles Chaplin.

Ficha Técnica

Título Original … Le Moine
Origem … Espanha/França
Gênero … Drama/Suspense
Duração .. 101 min
Lançamento … 2011
Direção … Dominik Moll
Roteiro … Dominik Moll baseado no livro de Matthew Lewis

Elenco

Vincent Cassel como Capucin Ambrosio
Déborah François como Valerio (o mascarado)
Joséphine Japy como Antonia
Sergi López como Le débauché
Catherine Mouchet como Elvire
Jordi Dauder como Père Miguel
Geraldine Chaplin como L’abbesse

Bem Me Quem, Mal Me Quer

Bem Me Quem, Mal Me Quer ou À la folie… Pas du Tout (na tradução livre seria algo como: ‘Na loucura…De modo algum’), é o primeiro longa da carreira da atriz e diretora Laetitia Colombani. E a estreia de Colombani começou com o pé direito. A escolha de Audrey Tautou foi muito acertada para o papel de uma protagonista de personalidade dúbia. Com suas feições angelicais, que fizeram sucesso no inesquecível ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’, Tautou é a atriz perfeita para lhe colocar em dúvida sobre a realidade, com uma imagem acima de qualquer suspeita.

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O filme tem um plot twist fantástico e não cabe a mim lhe trazer qualquer spoiler, portanto me limitarei a indicar o filme como um ótimo thriller. Talvez o ponto mais mediano do filme seja o ator Samuel Le Bihan, que passa muito anônimo. Não é o ator que você conhece e sai pesquisando sua filmografia.

Bem Me Quem, Mal Me Que inicia com Angélique (Audrey Tautou) em uma floricultura, combinando com sua aura de doçura angelical. Angélique é uma artista plástica que trabalha em uma lanchonete durante o dia, além de cuidar da casa de uma família enquanto viajam. Ela desenvolve uma grande paixão pelo seu vizinho, o médico Loïc (Samuel Le Bihan). A despeito da opinião de seus amigos, Angélique persiste na idéia de que Loïc também a ama da mesma maneira, transformando o que de início parecia ser relacionamento amoroso em uma perigosa obsessão.

Ficha Técnica

Título Original … À la folie… Pas du Tout
Origem … França
Gênero … Romance / Suspense
Duração .. 92 min
Lançamento … 2003
Direção … Laetitia Colombani
Roteiro … Laetitia Colombani

Elenco

Audrey Tautou como Angélique
Samuel Le Bihan como Loïc Le Garrec
Isabelle Carré como Rachel
Clément Sibony como David

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