Vera Loca

O início

Diego Dias, teclado e Fabricio Beck, guitarra e vocal, são amigos desde moleques. Já faziam covers em Santa Maria, cidade distante 290km da capital gaúcha, Porto Alegre. Tocavam com uma banda chamada Rescue, mas Santa Maria estava pequena demais. A garotada resolveu fazer as malas em direção a POA, nessa convidaram Mumu para integrar a banda. Com esta formação tocaram por um tempo em barzinhos da cidade, mas já começava ali as primeiras composições próprias. Parte do pessoal desistiu do sonho de viver de música. Voltaram para Santa Maria, sobraram Diego, Fabrício e Mumu. Hernán entrou para a banda de um jeito diferente, começou a namorar a irmã do Mumu. Por último chegou Leandro Schirmer para fechar formação original da banda.

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As primeiras gravações já haviam começado e a banda ainda não tinha nome. Os ensaios para a gravação aconteciam no apartamento onde a galera vivia, para o desgosto de uma vizinha que não estava muito afim de ouvir rock’n’roll. Conta a história que a maior briga aconteceu durante os ensaios de Kioske 40, foi o que bastou para a criação do nome da banda: ‘Vera Loca’, em homenagem a senhorinha pouco receptiva. A data oficial de nascimento da banda foi 10 de fevereiro de 2002.

 

O álbum de estreia com o sugestivo título: ‘Meu Toca Discos se Matou’, foi lançado ainda em 2002. Gravado no estúdio Submarino Amarelo, com produção do meu amigo Duca Leindecker (Cidadão Quem e Pouca Vogal). A banda tinha um amigo em comum, Rogério, operador de som da Cidadão e Ultramen. Eles apresentaram as músicas ao Duca que curtiu o som, a parceria estava feita. ‘Meu Toca Discos se Matou’ traz ótimas canções: ‘Maria Lúcia’, ‘Cine Car’ e a bela canção nonsense ‘Bailarina’. Em ‘Floresta’, Fabrício divide o vocal com outro cara que eu gosto demais, Nei Van Soria, ex-Cascavelettes e ex-TNT (lendárias bandas do rock nacional). Para finalizar a listaa melancolia de ‘Meu Toca Discos se Matou’. Melhor estreia impossível.

Eu e a Vera

Em 2004 passei a desenvolver a campanha de internet da banda Cidadão Quem. A banda era agenciada pela mesma produtora da Vera Loca. Em 2004 viagei para Porto Alegre, a convite da Cidadão, para a premiere de lançamento do cd e dvd ‘Cidadão Quem no Theatro São Pedro’. Acabei conhecendo todos os Veras, um mais maluco que o outro.

Foi também em 2004 que a banda viveu seu primeiro momento nacional. No quadro ‘Um Dia de Banda’ do Jornal Hoje da Rede Glóbulo, a banda teve uma enorme repercussão. A matéria contava o início da banda e a curiosa história sobre o nome ‘Vera Loca’. O público gostou tanto da banda, que pediu bis. Motivados pelos inúmeros elogios, a Globo resolveu fazer mais uma matéria. Desta vez, promovendo um encontro entre a banda e a Vera, a ‘vizinha louca’ que inspirou o nome.

Também foi em 2004 que surgiu minha primeira parceria com a banda. Já na produção do novo álbum, eles decidem lançar um single e me convidaram para produzir o site de divulgação de ‘Palácio dos Enfeites’, ‘A Vida é de Graça’ e ‘Suadinha’. O resultado foi esse:

Distúrbios do Amor e Rock’n’Roll

Em 2005 a banda lança seu segundo álbum, novamente com produção de Duca Leindecker. O álbum traz músicas com temas diferentes do álbum de estreia. Músicas como ‘A vida é de graça’, ‘Anos 60’, ‘As coisas que eu te disse ontem’, ‘Betania’, ‘Cara Cabeludo’, ‘Cara de Louco’, ‘Palácio dos Enfeites’, ‘Prato Predileto’ e ‘Suadinha’. Para o lançamento do cd na internet, a banda novamente me convidou para produzir seu novo site.  Aproveitei que o projeto gráfico já havia sido lançado e adaptei a capa do cd para um site em animação.

Vera Loca III

Em 2008 a banda já amadurecida pela estrada, com repercussão nacional em tv e internet, além do sucesso nas rádios do sul do Brasil, grava o terceiro álbum. Assim como seus dois primeiros cds, gravados no estúdio Submarino Amarelo em Porto Alegre, desta vez sob a produção de Ray-Z. Vera Loca III mostra o evidente crescimento musical da banda. As composições mais intensas e reflexivas trazem um clima mais sério que seus antecessores, que tinham uma levada mais pop. Falando de amores e relacionamentos: ‘Preto e Branco’, ‘Pense Bem’, ‘Foi’, ‘Madrugada’ e ‘Fiz de Tudo’, contrastam com a regravação de ‘Borracho y Loco’, versão de ‘Lamento Boliviano’, música da banda argentina Enanitos Verdes. A regravação leva a banda por uma tour pelo país. Surpreendente é a densidade de ‘A Culpa’ e a poética nonsense de ‘Serenata’. Ao velho estilo Vera Loca ainda tem ‘Por Causa do Calor’, ‘Velocidade’ e ‘Sem Sair do Lugar’. A saideira fica por conta de ‘Aos Meus Amigos’, música para curtir acompanha de uma breja e um bom papo.

Melhores capas de 2008

A coluna ‘Faz Caber’ da revista Época, elege todos os anos, as dez melhores capas de discos nacionais. Entre os escolhidos, a capa de Vera Loca III.

Em meio a bandas coloridas e outras ‘porcarias mas’, mesmo em tempos onde o rock não vive seus tempos áureos de décadas atrás, a banda começa a atravessar as fronteiras do sul do país. O ideal no entando é nos acostumarmos com a ideia de que o significado de sucesso é relativo e não está ligado a números. Na verdade nunca esteve, precisamos fazer o que já se faz fora do Brasil, classificar o som como Indie/Rock e curtir um sucesso que não precisa estar na Globo para ser importante. Você não precisa esperar uma aparição Global, para colocar a Vera Loca na sua playlist preferida.

Em 2011 a banda voltou a lançar um novo trabalho, mas isso é assunto para outro post.

Formação

Diego Floreio – Teclados
Fabrício Beck – Vocal e guitarra
Hernán González – Guitarra
Luigi Viera – Bateria
Mumu – Contrabaixo

Ex-Integrantes

Leandro Schirmer – Bateria (três primeiros álbuns)

Discografia

Para quem ficou interessado, não vai fazer muito esforço para ter os três cds em casa. A própria banda disponibilizou os cds em seu site oficial. Então segue os links:

2002 – Meu Toca Discos se Matou – baixar cd completo
2005 –  Distúrbios do Amor & Rock’n’Roll – baixar cd completo
2008 – Vera Loca III – baixar cd completo

Seguir

Twitter: @veraloca
Clipes: YouTube
Site Oficial: www.veraloca.com

Pública

Sem dúvida alguma, uma das melhores surpresas, para mim, no cenário do rock nacional, ou como já estão começando a classificar, no indie rock, foi a banda gaúcha Pública. Eu que sou de Santa Catarina, tenho obviamente uma proximidade maior das bandas que tocam por aqui, mas foi justamente pelo Multishow, um programa nacional, que fui conhecer estes caras.

A banda é formada desde 2001, em Porto Alegre.

Formação

Pedro Metz … Guitarra e Voz
‘Guri’ Assis Brasil … Guitarra
Guilherme Almeida … Baixo
Cachaça … Bateria
João Amaro … Piano

A primeira música que me chamou atenção foi ‘Long Plays’, que faz parte do primeiro álbum, Polaris, de 2006.  Poderia ser mais uma música melancólica do amor perdido e tudo mais. Mas a grande sacada de tudo é como a história se desenrola. O cara termina com a garota e para ‘curtir’ a fossa,  ele resolve ouvir os discos dos artistas que ela gostava e acaba assim, vendo que existe um lado muito mais interessante em tudo isso, sem precisar dela. Ou não? rs (…)

Os caras possuem ótimas composições, não foi por nada que em 2009, levaram com seu último álbum: ‘ Como num Filme sem um Fim ‘, três prêmios: Disco do Ano, Disco de Pop/Rock e Compositor (Pedro Metz) no prêmio mais respeitado da música e arte de Porto Alegre/RS, o Prêmio Açorianos.

Além disso, levaram o VMB 2009 de Rock Alternativo. Não sei qual é da MTV de classificar os caras como alternativo, mas, desculpe a falta de educação: ‘Foda-se a MTV’.

Discografia

Download de Polaris (2006)
Downlod de Como num Filme sem Fim (2008)

ps … Estes são links do 4Shared, se alguns deles estiverem quebrados, deixe um comentário que eu publico outro.

ps2 …  Pesquisando aqui a capa do primeiro álbum, achei esta ‘incrível’ crítica sobre a banda. Tem gente que além de não saber o que dizer, insiste em propagar sua idiotice. A credibilidade da crítica se perde em meio a falta total de clareza. Comparar Pública com Cidadão Quem é que foi de matar. Eu por acaso sou webdesigner dos últimos três sites da Cidadão Quem, então posso garantir que conheço toda a discografia da banda ‘by heart’ e nada, em nenhum aspecto lembra Cidadão Quem.

The National

Sabe quando você ouve uma música e pensa: legal, vou ler um pouco sobre essa ‘revelação musical’, então descobre que os caras já são famosos há tempos? Aí você fica pensando: Onde eu estive esse tempo todo? Impossível imaginar que algo tão bom possa te passar em branco assim.

The National é uma das melhores bandas que eu já ouvi nos últimos anos e não é força de expressão. Os caras são sensacionais mesmo, é um som diferente de tudo que eu ouvi até hoje. A melhor definição que ouvi deles é: ‘eles possuem uma melancolia doce’. E é exatamente assim que você sente a música. Uma melancolia que não te deixa para baixo, que não te traz uma carga de tristeza. Como Radiohead (isso não é uma comparação de qualidade, não se compara uma banda a outra, música é música), posso estar falando besteira, mas é uma música que ficou no meio do caminho, da música densa e da música pop. Acho que embarcaram na melancolia e encontraram o momento certo de parar, aquele momento onde a melancolia te faz refletir, pensar, avaliar mas que ainda te sobra forças pra lutar, seguir em frente, fazer diferente.

A história

O The National é uma banda americana, de indie/rock. Nasceram no final dos anos 90, em Ohio, mas mudaram-se para NY. Depois do período de apresentações ao vivo para poucas pessoas, conseguiram gravar seu primeiro álbum. A banda é formada pelo vocalista e compositor Matt Berninger, barítono, que tem voz de trovão, ao melhor estilo Johnny Cash. O resto da banda é formada por um detalhe interessante, são dois pares de irmãos: Aaron e Bryce Dessner e Scott e Bryan Devendorf. Aaron vai de baixo, guitarra e teclados, Bryce toca guitarra e teclados, Scott toca baixo e guitarra, e Bryan é o baterista. Padma Newsome, da banda ‘Tamancos’, muitas vezes contribui nas cordas, teclados e outros arranjos instrumentais.

O sucesso continuou apenas para o público que curtia indie/rock  durante os álbuns ‘The National’ (2001), ‘Sad Songs For Dirty Lovers’ (2003) e o EP ‘Cherry Tree’ (2004). Somente em 2005, ‘Alligator’, que o público começou a crescer e o sucesso se popularizar, foram apontados pelo Los Angeles Times como o dísco da década.

Depois de ‘Alligator’ veio ‘Boxer’ (2007), também sucesso de crítica. A canção ‘Slow Show’ foi destaque nas séries Chuck e Southland. Além disso o disco levou músicas para as séries ‘One Tree Hill’, ‘Battle in Seattle’, ‘Hung’, ‘Start a War’ e ‘Brothers and Sisters’.

Em 2008 eles gravam um dvd, com um documentário sobre a gravação de ‘Boxer’, dirigido por Vincent Moon, contando a vida deles de gravação e terminando com um show em Londres. O DVD gerou um EP homônimo chamado ‘A Skin, A Night and The Virginia’. O projeto porém foi totalmente ignorado pelos fãs que queriam algo mais autoral.

Em 10 de maio deste ano, a banda lança o excelente ‘High Violet’. Em 13 de maio eles já tocavam no ‘David Letterman’. Foi este cd que me apresentou a banda, na verdade, eu vi o cd em uma imagem do iPad no site da Apple. Eu baixei todos os cds que estão nessa imagem e vou colocar todos eles aqui. Para baixar.

A música que para mim apresenta a banda é ‘Runaway’.

Serenata

Vi um lual sem fogueira
Uma praia sem areia
Uma mágoa passageira
Vi Santo dizer não

Vi a loucura no papel
Serenata sem canção
Um adeus virar até logo
Foram lágrimas em vão

Vi quase tudo que eu queria ver
Só não vi você, só não vi você
Vi quase tudo que eu queria ver
Só não vi você, só não vi você

Vi a lua de chapéu
Vi o céu virando rua
Vi uma garota nua
Uma noiva sem o véu

Vi a riqueza ficar pobre
Vi ladrão e causa nobre
Achei graça na tristeza
E na beleza, desilusão

Vi quase tudo que eu queria ver
Só não vi você, só não vi você
Vi quase tudo que eu queria ver
Só não vi você, só não vi você

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