Revólver – Plot Twist

Guy Ritchie é conhecido por seus filmes que misturam gangsters, tiros e pancadaria. Foi assim com ‘Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes’ (1998 – Lock, Stock and Two Smoking Barrels) e Snatch – Porcos e Diamantes (2000 – Snatch). Parecia que seria igual com Revólver: muita trapaça, dinheiro sujo, mulheres, tiros, mortes, porém o estilo que o consagrou serve como um belo plano de fundo para uma história inteligentemente complicada. Para ser prático, seria como juntar Christopher Nolan em ‘A Origem’ (Inception) e Quentin Tarantino em um dos seus filmes onde ‘o pau come’.

Dizem por aí que Guy Ritchie é injustiçado por não ter o mesmo reconhecimento de ícone do cinema, como Tarantino possui, e preciso concordar. Gosto obviamente de diretores autorais, que criam novas fórmulas ou que ao menos recriam da sua maneira particular. Diretores que deixam sua assinatura no filme com seu estilo marcante. É assim com Tim Burton, é assim com Tarantino e certamente é assim com Guy Ritchie. Apesar das comparações entre os dois, talvez pela violência que ambos imprimem em seus filmes, porém com direções opostas. Tarantino é o profissional, o cool, o clássico, enquanto Ritchie é o tosco, o amador, o sujo, o inconveniente e por isso genial.

Agora estou na dúvida se é uma referência, se existe uma amizade e admiração mútua ou o Tarantino copiou na cara dura a música tema de ‘Rock’n’Rolla’ (Guy Ritchie), para colocar no seu novo ‘Django’. Achei muito esquisito. É óbvio que a música é tema para qualquer pauleira, mas é muito ‘moderna’ e marcante, me remete a Rock’n’Rolla na hora e um filme de faroeste tem que aproveitar a oportunidade para tocar música ‘véia’ de faroeste.

Pausa para explicação teórica

Na teoria psicanalítica, desenvolvida por Freud, nosso aparelho psíquico é sustentado por uma tríade: a ID, o EGO e o SUPEREGO. Basicamente, uma parte de nós é formado pela nossa ID, inerente a nós humanos, nascemos com ela, é nossa fonte psíquica, digamos assim, na sua forma bruta, pura. Porém, segundo Freud, nossa ID tem como características fundamentais a morte e a sexualidade. Somos agressivos e sexuais por natureza por assim dizer. Socialmente estas duas vertentes humanas precisam ser controladas. Não podemos agredir e matar quem queremos e não podemos aplicar nossa sexualidade de forma libertina. Em nossa mente, estes valores, que variam claramente de pessoa para pessoa, são representados pelo SUPEREGO. O Superego portanto é a nossa versão social mais perfeita. É como acreditamos que seríamos aceitos da forma mais eficaz. Nestes papéis contrários entre a ID e o SUPEREGO está o agente do EGO, que tem a função de adequar as necessidades ou pulsões (instintos, impulsos, desejos) da ID, que nos gera consequentemente prazer, sem afetar a integridade do SUPEREGO.

Acredito que não seja difícil de entender este funcionamento, ao menos de forma superficial. Acontece, que tempos um pequeno problema nesta tríade tão bem arquitetada em nossa mente. Esta busca de equilíbrio, feita pelo EGO, guarda um pequeno detalhe importante. Parte do funcionamento do EGO é feito de forma inconsciente. Segundo Freud, a mente bloqueia desejos, sentimentos e motivações, que a mente acredita serem dolorosas ou problemáticas demais para se tornarem conscientes. Ainda assim, esta parte inconsciente continua atuando e influenciando o consciente, através de atos falhos, comportamentos irracionais, emoções sem explicações, medos, depressão e sentimento de culpa. Freud ainda descreveu que estas informações são alógicas, podem não fazer um sentido lógico, são atemporais e não-espaciais, ou seja, acontecimentos de épocas diferentes podem influenciar pensamentos atuais.

Voltando ao filme…

Todo este embaralhamento é o tema de Revolver, que infelizmente é um filme muito subestimado. Talvez porque a maioria do público, na época em que foi lançado, achou que iria para o cinema apenas para se entreter com muita pancadaria e saiu sem entender nada. Mas com esta base, talvez você poderá entender melhor este filme de ação misturado com um belo thriller psicológico. Prepare-se para o plot twist que vai ser paulera. Não vou fazer sinopse do filme porque ou ela seria ineficiente ou teria que dar spoiler.

Quero apenas salientar que um ator que entrou para a minha lista de admirados é o Sr. Jason Statham que eu podia jurar que era só mais um brucutu idiota, mas com Os Especialistas e Revólver já provou que é fera, aliás está irreconhecível de cabelo comprido. Ray Liotta também manda muito bem no papel de gangsterarrogantebabaca e Mark Strong é impecável no papel do assassino frio e letal.

Ficha Técnica

Título Original … Revolver
Origem … USA
Gênero … Ação / Thriller Psicológico
Duração .. 115 min
Lançamento … 2005
Direção … Guy Ritchie
Roteiro … Guy Ritchie

Elenco

Jason Statham como Jake Green
Ray Liotta como Dorothy Macha
André Benjamin como Avi
Mark Strong como Sorter

Um Olhar do Paraíso

Este filme tem um importante ‘cartão de visitas’. Foi dirigido por ninguém menos que Peter Jackson, diretor da trilogia ‘O Senhor dos Anéis’.

‘Um Olhar do Paraíso’ é o último filme de Jackson antes do lançamento da trilogia ‘O Hobbit’. A obra, uma adaptação para o cinema do romance homônimo da escritora Alice Sebold. No Brasil recebeu o nome de ‘Uma Vida Interrompida’. Tanto no lançamento literário e cinematográfico não tiveram ‘coragem’ de usar uma tradução literal que seria algo como ‘Os Amáveis Ossos’. Toda a história tem uma densidade muito grande, abrandada pela percepção de um pós-vida. Em momentos o filme chega a parecer uma obra espírita, porém agrega uma grande parte de drama policial.

Infelizmente as traduções feitas no Brasil, tiram esta dualidade da obra e a agressividade e densidade da história e da escrita de Alice Sebold que por muitas vezes soa como algo mórbido. A representação do céu no entando não fica evidente, ao menos no filme, já que a protagonista está em uma espécie de limbo, onde ainda tenta voltar a vida, inconformada com sua morte. Este é o núcleo do romance, uma menina de 14 anos que é estuprada e morta, sendo que ela é a narradora da sua própria vida e consequentemente de sua morte. Alice Sebold tem uma característica muito específica de escrever, tratando de um assunto bastante denso, porém de forma muito poética, figurativa, simbólica e fantasiosa.

Para você gostar do filme, precisa estar preparado para uma história nova, algo que caminha por inúmeras vertentes diferentes. Se você é muito preso(a) a formatos clássicos de filme, se possui restrições religiosas ou alguma necessidade de explicações mais fundamentalistas, talvez você não goste do filme.

No papel da protagonista Susie, está a talentosa Saoirse Ronan que eu já havia elogiado pela atuação no filme Hanna. Saoirse Ronan é uma jovem atriz muito comedida nas suas atuações. Não é o típico talento precoce que está em uma obra porque sabe chorar com facilidade ou coisas do tipo. As diferentes atuações nestes filmes completamente diferentes entre si, prova que é uma atriz com muitos recursos e que provavelmente se tornará um dos grandes nomes de uma nova geração.

Além da jovem atriz, o filme traz atores conhecido do público:  Mark Wahlberg é o pai de Susie, Jack Salmon. Stanley Tucci está irreconhecível no papel do estuprador e assassino George Harvey. Rachel Weisz está perfeita no papel de Abigail Salmon, mãe de Susie e Susan Sarandon é a avó. Para completar a família, as irmãs na vida real Lynn e Rose McIver interpretam a irmã Lindsey Salmon, pois existe uma passagem de tempo na história.

Falar mais do filme é dar spoiler, portanto nem colocarei uma sinopse. Assista, recomendo e volte para dizer se eu estava certo.

 

À Queima Roupa

Esse filme francês estava guardado aqui faz muito tempo e ainda não havia assistido. Então prometi para mim mesmo que iria começar a assistir todos os filmes que estavam gravados aqui, antes de alugar novos filmes. O filme é dirigido pelo talentoso diretor francês Fred Cavayé que dirigiu e escreveu a ótima trama do filme francês Pour Elle (Anything for Her), filme que recebeu uma versão americana dirigida por Paul Haggis, com Russell Crowe, Elizabeth Banks e Liam Neeson, que recebeu o nome de 72 Horas (The Next Three Days). Inclusive falei deste filme aqui no site.

Assim como em Pour Elle, À Queima Roupa é uma ótima trama policial, que traz um homem comum, me arriscaria a dizer que até um tanto bobão, que de repente se vê envolvido com pessoas perigosas, tendo que tomar coragem para fazer coisas que jamais imaginaria fazer, para salvar a vida da esposa. Ambos os filmes tem esta temática central.

Gostei demais das atuações de Roschdy Zem que tem todo o perfil para o personagem, um criminoso perigoso e enigmático. Durante todo o filme você não consegue prever qual será a atitude do personagem, deixando a situação ainda mais tensa. Gérard Lanvin faz outra fantástica atuação como um comandante de polícia corrupto. Também não posso esquecer da beleza da atriz Claire Perot.

Sinopse

Samuel Pierret (Gilles Lellouche) é um assistente de enfermagem que em um ato de coragem e heroísmo, salva a vida da pessoa errada. O paciente foi atropelado na fuga de um assalto e já no hospital alguém tenta matá-lo quando Samuel consegue salvar sua vida efetuando os primeiros socorros e reestabilizando as funções vitais do paciente, que até aquele momento tem sua identidade desconhecida. O ato de heroísmo de Samule no entanto lhe coloca na mira das pessoas que queriam matar o paciente anônimo.

Ficha Técnica

Título Original … FR: À Bout Portant EN: Point Blank
Origem … França
Gênero … Policial / Ação / Suspense
Duração .. 84 min
Lançamento … 2010
Direção … Fred Cavayé
Roteiro … Fred Cavayé, Guillaume Lemans

Elenco

Gilles Lellouche como Samuel Pierret
Roschdy Zem como Hugo Sartet
Gérard Lanvin como Commandant Patrick Werner
Elena Anaya como Nadia Pierret
Mireille Perrier como Commandant Fabre
Claire Perot como Capitaine Anaïs Susini

O Profissional – Léon

Ontem finalmente tirei um tempo para assistir este filme que habitava meu imaginário há muito tempo. ‘O Profissional’ traz no elenco o excelente ator Jean Reno e a então estreante Natalie Portman,então com 12 anos. De alguma forma estranha, toda a Natalie Portman que conhecemos hoje já estava dentro daquela pequenina garota de 12 anos que aparentaria até menos. O mais confuso é você ver nos olhares provocantes e nas investidas daquela pequena garota, toda a malícia que você vê em Closer, exatos dez anos depois. Apesar de não fazer nenhum sentido, de alguma forma você consegue aceitar que os protagonistas nutrissem um sentimento de amor, mesmo diante da grande diferença da idade e da extrema delicadeza e bom senso de eles não se envolverem sexualmente no filme. É muito mais um sensação do que um dia poderia ser e não do que era naquele momento.

Sinopse

Leone ‘Léon’ Montana (Jean Reno) é um assassino profissional ou um ‘cleaner’ (limpador) como ele refere a si mesmo, que vive uma vida solitária na cidade de Nova York. Seus trabalhos vem de um mafioso chamado Tony (Danny Aiello), que opera a partir do restaurante Supreme Macaroni. Léon passa o seu tempo ocioso dedicando-se a exercícios físicos, alimentando uma planta de casa que no início ele descreve como seu ‘melhor amigo’ e assistindo velhos musicais de Gene Kelly.

Em um determinado dia, ele encontra Mathilda Lando (Natalie Portman), uma menina de doze anos com um olho negro e fumar um cigarro, vivendo com sua família disfuncional em um apartamento no corredor. Seu pai abusivo e a madrasta egoísta nem sequer notam que Mathilda deixou de frequentar as aulas em sua escola para meninas com problemas.

Seu pai atrai a ira de agentes corruptos do DEA (Drug Enforcement Administration), que pagam para que ele esconda carregamentos de cocaína em sua residência, quando descobrem que ele está retirando 10% da droga pura para seu faturamento e substituindo por outras substâncias. Toda a família é morta pelos policiais corruptos liderados por Norman ‘Stan’ Stansfield (Gary Oldman), menos Mathilda que havia saído para fazer compras.

Mathilda retorna para casa e diante da cena do crime segue em frente até a porta de Léon, fingindo ser sua filha para evitar ser morta com sua família. Quando descobre que Léon é um assassino profissional ela enxerga nele a possibilidade de vingar a morte do irmão mais novo, de apenas 4 anos e o único em sua família que ela realmente amava. Assim, diante desta situação Léon e Mathilda se unem em todas as suas perdas e seus vazios.

Ficha Técnica

Título Original … Léon (FR)
Título Inglês … Léon: The Professional
Gênero … Suspense Policial
Duração … 110 min
Lançamento … 1994
Direção … Luc Besson
Roteiro … Luc Besson
Nacionalidade … França/USA

Elenco

Jean Reno como Léon
Gary Oldman como Stansfield
Natalie Portman como Mathilda
Danny Aiello como Tony
Michael Badalucco como pai de Mathilda
Ellen Greene como a mãe de Mathilda

Spoilerando

Read More…

Os homens que não amavam as mulheres

Os homens que não amavam as mulheres é o primeiro livro da trilogia Millennium, do aclamado escritor sueco Stieg Larsson. Larsson infelizmente faleceu muito jovem, aos 50 anos, em 2004 e não pode acompanhar o sucesso mundial de seus livros:

Millennium 1 – Os homens que não amavam as mulheres (Män som hatar kvinnor)
Millennium 2 – A menina que brincava com fogo (Flickan som lekte med elden)
Millennium 3 – A rainha do castelo de ar (Luftslottet som sprängdes)

O primeiro e o segundo livro tiveram seus títulos traduzidos do sueco, enquanto o terceiro livro, em uma tradução livre seria ‘O castelo de ar que explodiu’. O primeiro livro da trilogia já foi adaptado ao cinema em duas versões. A produção sueca saiu em 2009, enquanto a produção americana chegou aos cinemas no final de 2011.  Na versão hollywoodiana o filme recebe o nome de ‘The Girl with the Dragon Tattoo’.

Sinopse

Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, um acidente fechou o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada — o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer ou ser morta. Henrik está convencido de que ela foi assassinada – quase quarenta anos depois o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mas as inquirições de Mikael não são bem-vindas pela família Vanger.

Ficha Técnica

Título Original … The Girl with the Dragon Tattoo
Direção … David Fincher
Lançamento … 2011
Nacionalidade … EUA
Gênero … Suspense / Policial
Duração … 158 min

Elenco

Daniel Craig como Mikael Blomkvist
Rooney Mara como Lisbeth Salander
Christopher Plummer como Henrik Vanger
Stellan Skarsgard como Martin Vanger

Se você já assistiu o filme, veja o post completo para comparar suas impressões com as minhas, além de outras informações sobre a trilogia.

Read More…