Hotel Transilvânia

Hotel Transilvânia é outro filme que assisti recentemente no formato 3D. A direção é do experiente diretor russo Genndy Tartakovsky. Genndy é criador de dois desenhos animados famosos mundialmente: O Laboratório de Dexter e Samurai Jack, ambos através dos estúdios Hanna-Barbera. Além da criação destes famosos personagens, esteve envolvido com outros desenhos importantes como As Meninas Superpoderosas (The Powerpuff Girls) e já produziu o Storyboard para produções como o filme Homem de Ferro 2.

Apesar de ser uma tendência os longas de animação terem forte direcionamento ao público adulto, Hotel Transilvânia é nitidamente uma produção mais infantil ou talvez mais ingênua, o que não considero algo ruim, o público infantil é carente de produções específicas de qualidade, que tenham uma temática mais suave mas inteligente e bem produzida. Geralmente temos um enorme abismo entre produções mais adultas e infantis, onde crianças são tratadas como idiotas. O filme certamente vai agradar mais mulheres que homens,como disse, é uma produção mais fofa e menos irônica. Um ponto claro neste direcionamento é a dublagem do ícone teen Selena Gomez.

É talvez a primeira produção de animação que assisto legendado, pois seções em português só existiam durante a tarde, enquanto a noite eram todas legendadas. Talvez a estratégia tenha sido acertada, já que a dublagem do personagem principal, o Drácula é feita por Adam Sandler, com um sotaque bastante particular, algo semelhante com o russo, meio húngaro, meio turco, muito provavelmente inspirado no romeno, onde fica de fato a histórica região da  Transilvânia, que inspirou todas as histórias de vampiros que conhecemos. Vi agora a versão em português do filme e realmente está longe da interpretação de Sandler.

Parece que este segmento mais infantil que estava sendo deixado um pouco de lado, desde a união da Disney com a Pixar, foi aproveitado pela inteligente Sony Pictures Animation. Que desde 2006 trouxe filmes como: a trilogia de ‘O Bicho Vai Pegar’, ‘A Casa Monstro’, ‘Tá Dando Onda’, ‘Tá Chovendo Hamburguer’, ‘Os Smurfs’, ‘Operação Presente’ e o mais recente ‘Piratas Pirados’.

Sinopse

Conde Drácula (voz de Adam Sandler) é o dono e o criador do Hotel Transilvânia, um hotel cinco estrelas onde os monstros ao redor do mundo se abrigam para se esconderem dos humanos. Ele convida alguns dos mais famosos monstros, como Frankemstein (Kevin James) e a sua mulher Eunice (Fran Drescher), Murray, a múmia (Cee Lo Green), Wayne e WandaLobisomem (Steve Buscemi e Molly Shannon), Griffin, o Homem Invisível (David Spade), Pé-grande e a Bolha para comemorar o aniversário de 118 anos de sua filha Mavis (Selena Gomez). No entanto, ela prefere explorar o mundo com a ‘permissão’ de seu pai. Ela voa até uma aldeia próxima e é atacada por humanos. Na verdade uma farsa elaborada por seu pai para assustá-la e convencê-la que os humanos são perigosos.

O filme traz uma reflexão bonita sobre preconceito e como muitas vezes culpamos as pessoas erradas pelas nossas tristezas.

Ficha Técnica

Título Original … Hotel Transylvania
Origem … Estados Unifos
Gênero … Longa de Animação
Duração .. 91 min
Lançamento … 2012
Direção … Genndy Tartakovsky
Roteiro … Genndy Tartakovsky

Elenco

Adam Sandler como Drácula – dono do Hotel Transilvânia
Andy Samberg como Jonathan – um humano mochileiro
Selena Gomez como Mavis – a filha adolescente de Drácula
Steve Buscemi como Wayne – o Lobisomem
Kevin James como Frank – o Frankenstein
Fran Drescher como Eunice – mulher de Frank
Jon Lovitz como Quasímodo – o Corcunda de Notre Dame
Cee Lo Green como Murray – a Múmia
David Spade como Griffin – o Homem Invisível
Molly Shannon como Wanda – a mulher de Wayne

Meu Malvado Favorito

Desta vez, o título em português até faz sentido, quando na verdade você precisa escolher, qual é o seu ‘Malvado Favorito’. Talvez o primeiro desenho que não tenha um Herói ou um mocinho. A briga desta vez é pela maior maldade, entre dois ‘terríveis’ personagens do mal.

O longa de animação produzido pela mesma produtora de A Era do Gelo é uma das melhores de 2010, mas infelizmente, pela primeira vez no Brasil, escorregaram feio na escolha dos dubladores. A dupla mais sem graça do país, Leandro Hassum e Marcius Melhem dividindo a dublagem de Gru e Vetor na versão brasileira, me fez lembrar o tempo inteiro de ‘Os Caras de Pau’, certamente o programa mais idiota que a Globo já fez nos últimos anos. Nem o Zorra Total é tão ruim.

Suas vozes são muito marcantes e é impossível não lembrar o tempo todo quem está dublando. Sinceramente, pela primeira vez o Brasil errou feio em um longa de animação, quase estragou o filme que foi salvo pelos divertidos Mínions (abaixo) e pela impagável Agnes.

Você também vai acabar gostando das maldades naturalmente executadas pelo vilão Gru. Não vou falar mais do filme, você precisa ver e rir um pouco, faz bem.

Ficha Técnica

título original … Despicable Me
gênero … Animação
duração … 1h35m
ano de lançamento … 2010
site oficial … www.meumalvadofavorito.com.br
estúdio … Illumination
distribuidora … Universal Pictures
direção … Pierre Coffin, Chris Renaud
roteiro … Ken Daurio e Cinco Paul
produção … John Cohen, Janet Healy e Christopher Meledandri
direção de arte … Eric Guillon
efeitos especiais … Mac Guff Ligne

Elenco

Steve Carell … Gru
Julie Andrews … Mãe de Gru
Leandro Hassum … Gru – BR
Jason Segel … Vector
Marcius Melhem … Vetor – BR

O Fantástico Sr. Raposo

Para mim, existem filmes que existem uma importância sensorial, emocional, plástica, intelectual. Alguns podem ser confusos, desagradáveis, mas se você não ve-los, perdeu uma grande oportunidade de evoluir, de mudar paradigmas.

Algumas coisas, fogem da nossa compreensão, mas não quer dizer que não fazem sentido. O ser humano tem por necessidade, entender, encontrar lógica, nexo. Quando isso não acontece, repudiamos. O mocinho morrer no final? Não, não faz sentido. O que dizer de obras como escrita pelo incrível Roald Dahl?

A ‘Fantástica Fábrica de Chocolates’, ‘Matilda’, ‘James e o Pessego Gigante’, ‘Os Gremlins’… Precisa dizer mais? (leia mais sobre Roald aqui).

São histórias que beiram o que poderiamos classificar erroneamente de bizarro, de estranho. Mas pergunta se existe uma pessoa que não conheça Gremlins ou A Fantástica Fábrica de Chocolates? O excentrismo do Mr. Wonka, na verdade se explica pela sua história, sua infância, suas tristezas, sua solidão. Assim como todo ser humano.

E para o cinema, as adaptações pedem outros gênios do ‘diferente’, da ousadia, do novo, do plástico, da quebra de paradigmas, como Tim Burton em Sweeney Todd.

Wes Anderson que adaptou o livro de Roald, ‘Raposas e Fazendeiros’, para o filme de stop-motion ‘O Fantástico Sr. Raposo’. É certamente um filme que causa estranheza, tira você do lugar comum e é bem provável que a dificuldade de entender as entrelinhas, pode fazer você achar ruim.

O filme na verdade, faz um paralelo, da raposa, tão conhecida como símbolo de astuta e maliciosa, afinal, é uma predadora. Wes transporta para a animação, em um stop-motion tão duro, que parece mal feito, faz você pensar que usaram frames de menos. O choro dos personagem, é completamente fake.

A história que traz um antropomorfismo (semelhante a forma humana) dos personagens muito forte, transformando raposas em verdadeiros humanos, com problemas, fraquesas e demais mazelas humanas, em um paradoxo de fundir a ‘cuca’, pois na verdade, o objetivo todo, é mostrar que aquela pose de gente, esconde a verdadeira natureza animal, sua vontade e direito de ser assim.

Onde em meio a grandes problemas existenciais, a única coisa realmente divertida e vigorosa é caçar galinhas, algo meio sem glamour para alguém tão inteligente e de tão autoestima, que se autointitula ‘O Fantástico Sr. Raposo’. De uma certa modo, mostra de forma subliminar, a capacidade que temos de ser cada dia menos humanos, preocupados com tantas coisas, que na verdade, não alimentam nossos desejos, apenas ocupam nossas vidas, deixando o que realmente importa, reprimido, nos tornando cada dia mais frustrados e repletos de problemas que só a psicologia ou a psiquiatria poderão responder.

Talvez uma boa forma de refletir agora, em que todo mundo acha o suficiente, ficar duas semanas em férias, após passar um ano inteiro em um trabalho toma toda sua vida, e você pensando que com dinheiro, você pode comprar uma compensação.

Ficha Técnica

título original: The Fantastic Mr. Fox
gênero: Animação
duração: 1h27m
ano de lançamento: 2009
site oficial: www.ofantasticosrraposo.com.br
estúdio:

  • American Empirical Pictures
  • 20th Century Fox Film Corporation
  • Blue Sky Studios
  • Indian Paintbrush
  • 20th Century Fox Animation

distribuidora: 20th Century Fox
direção: Wes Anderson
roteiro: (baseado em livro de Roald Dahl)

  • Wes Anderson
  • Noah Baumbach

produção:

  • Wes Anderson
  • Allison Abbate
  • Jeremy Dawson
  • Scott Rudin

música: Alexandre Desplat
fotografia: Tristan Oliver
direção de arte:
edição: Andrew Weisblum
efeitos especiais:

  • Lip Sync Post
  • Stranger

Elenco

George Clooney (Sr. Raposo)
Meryl Streep (Sra. Raposa)
Adrien Brody (Rickity)
Owen Wilson (Técnico Skip)
Willem Dafoe (Rato)
Jason Schwartzman (Ash)
Bill Murray (Texugo)
Brian Cox (Boggis)

Mary e Max – Uma Amizade Diferente

Este final de semana consegui assistir alguns filmes e felizmente todos muito interessantes. Um deles é a animação “Mary e Max – Uma Amizade Diferente” que particularmente eu não havia visto nenhuma publicidade, estava lá abandonadinho na prateleira dos filmes infantis, irônico, já que ele não é recomendado para menores de 12 anos. Não entendo porque continuam classificando filmes de animação como infantil.

Utilizando a famosa técnica de stopmotion, é um dos primeiros longas do gênero que realmente gostei. As limitações impostas pelo uso desta técnica, aqui foram usadas em favor da animação, criada com maestria. Você tem a nítida sensação que, caso feita em computação gráfica, não teria o mesmo impacto. A produção Australiana/Americana foi escrita e dirigida por Adam Elliot. Mary e Max possui características interessantes, como a ausência de diálogo e as tonalidades das animações, por hora em sépia e em outros momentos em preto e branco – geralmente usado para retratar situações externas, tristes ou tensas, ressaltando os poucos detalhes coloridos, em cores bem vibrantes como vermelho.

Sinopse

O longa se passa entre os anos de 1976 a 1998 e conta a história de amizade pouco provável de 22 anos, entre Mary Daisy Dinkle, uma menina gordinha e solitária de 8 anos que mora em Mount Waverley, no subúrbio de Melbourne, na Austrália e Max Jerry Horowitz, de 44 anos de idade, severamente obeso, judeu secular, porém ateu, com síndrome de Asperger, residente da cidade NY. A narrativa se desenvolve através das cartas compartilhadas entre Mary e Max (entre as idades de 8 até 26 anos e 44 até 62 anos, respectivamente) e as histórias e pessoas por trás de suas vidas.

O filme diz se tratar de uma animação baseada em fatos reais e foi em uma entrevista concedida em abril de 2009, que Elliot (Escritor e Diretor), esclareceu que o personagem de “Max” foi inspirado por um pen-friend’ (uma espécie de amigo de cartas) de Nova York, que ele se corresponde há mais de vinte anos.

Como muitas animações, o filme traz um forte tom de reflexão, neste caso o assunto tão falado do bulling na escola, a dificuldade de lidar com as diferenças, a estranhesa do mundo ao nosso redor e o poder de uma amizade. Embora a maioria do desenvolvimento da trama ocorra no final dos anos 70, existem vários anacrônicos* de referências culturais populares, que derivam da década de 80. Por exemplo:

– O caracol chamado de Stephen Hawking (Físico que ficou famoso somente na década de 80)
– A Síndrome de Asperger (Somente catalogada em 1994)
– Os Noblets (Personagens aparentemente baseado nos “Smurfs”, criada em 1981)

Na produção original, os atores que dão voz aos personagens são: Toni Collette, Philip Hoffman e Eric Bana. O filme tem um humor negro que eu sempre detestei, mas que em Mary e Max é feito de forma tão leve que se torna engraçadíssimo.

Atenção: para você gostar do filme é necessário ter um pouco de simpatia por gente maluca e suas esquisitices.

Ficha Técnica

Título original: Mary and Max
Gênero: Animação
Duração: 01 hs 20 min
Ano de lançamento: 2009
Site oficial: www.maryandmax.com
Estúdio: Melodrama Pictures
Distribuidora: PlayArte
Direção: Adam Elliott
Roteiro: Adam Elliott
Produção: Melanie Coombs
Música: Dale Cornelius
Fotografia: Gerald Thompson
Direção de arte: Craig Fison
Edição: Bill Murphy

Roald Dahl

O escritor Roald Dahl nasceu no distrito de Llandaff no País de Gales em 13 de Setembro de 1916.

Você provavelmente nunca ouviu falar de Roald, mas com certeza conhece algumas de suas obras. A principal obra que lhe rendeu fama mundial foi o livro ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’ (Charlie and the Chocolate Factory).

Sua imaginação foi muito estimulada na infância pelas histórias que sua mãe lhe contava sobre os trolls, as míticas criaturas das lendas norueguesas. Oriundo de uma família de comerciantes noruegueses, o pai faleceu quando tinha apenas quatro anos. Para que tivesse uma boa educação, a mãe vendeu as suas jóias e o enviou a um colégio particular em Derbyshire, que o marcou pela brutalidade instituída.

Concluídos os seus estudos aos dezoito anos de idade, preferiu juntar-se a uma expedição pesqueira Terra Nova’ (Terra nova é uma ilha no noroeste do Oceano Atlântico) em vez de prosseguir para a universidade.

Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Royal Air Force, voando em missões sobre a Grécia, sobre a Síria (onde ficou ferido) e a Líbia (onde fraturou o crânio após a sua aeronave ter sido abatida). Em convalescença do seu traumatismo, terá tido sonhos estranhos cuja recordação procurou anotar. Assim, instigado por C.S. Forester (Pseudônimo de Cecil Louis Troughton Smith um escritor Britânico que escrevia livros com temas de guerra), publicou o seu primeiro conto ‘A Piece of Cake’, no Saturday Evening Post (revista publicada nos Estados Unidos entre 1821 e 1969).

Em 1942 foi destacado para Washington como adido de aeronáutica para o Serviço de Segurança Britânico, sendo promovido a comandante de esquadrão no ano seguinte. Nesse mesmo ano de 1943 publicou o seu primeiro livro infantil, The Gremlins, destinado a servir de roteiro para um filme dos estúdios de Walt Disney.

O livro ‘Charlie and the Chocolate Factory’ (A Fantástica Fábrica de Chocolate) recebeu duas adaptações para o cinema. A última transposição do conto para a telona foi com o filme homônimo do diretor Tim Burton, com o ator Johnny Depp no papel de Willy Wonka. A primeira adaptação ao cinema foi dirigida por Mel Stuart em 1971, com adaptação feita pelo próprio escritor. Essa primeira versão para o cinema teve Gene Wilder como o polivalente Mr. Wonka.

De sua autoria são também, outros livros que ficaram famosos na telinha como:

‘Os Gremlins’ (The Gremlins) – escrito em 1943 – Adaptado para o cinema por Chris Columbus
‘Matilda’ – escrito em 1988 – Adaptado para o cinema em 1996
‘James e o Pêssego Gigante’ (James and the Giant Peach) – escrito em 1961 – Adaptada por Tim Burton

Escreveu outros livros importantes como  ‘O Pároco de Nibbleswicke’ (The Vicar of Nibbleswicke), com ilustrações de ‘Quentin Blake’, que teve seus direitos totalmente destinados ao tratamento de crianças com síndromes neurológicas. Seu livro ‘As Bruxas’ (The Witches) foi censurado e consta da lista de livros censurados. Roald morreu em em 1990, decorrente de uma doença no sangue. Seus livros porem, não perderam a popularidade. Somente as edições no Reino Unido já alcançaram 30 milhões de exemplares, com mais de um milhão a cada ano.

A preocupação de Roald Dahl em ajudar crianças que necessitavam de cuidados médicos, foi perpetuada pela sua esposa, que continuou seu projeto após sua morte, com a Fundação Roald Dahl com doações para as áreas de alfabetização e neurologia.

Atualizando (17.12.10)

Seu último livro adaptado ao cinema, foi o longa de animação ‘O Fantástico Sr. Raposo’ (Fantastic Mr. Fox) – escrito em 1970 e adaptada ao cinema em 2009 pelo diretor Wes Anderson.