Tudo o Que Desejamos

O primeiro filme francês dos cinco filmes que aluguei recentemente. No original ‘Toutes nos envies’, conta a história de Claire, uma jovem juíza que se descobre com um câncer terminal. Apesar do apelo dramático automático, ao ver uma linda e jovem mulher nesta condição, a grande discussão do filme, como o título antecipa, são as coisas que desejamos. E o que mais queremos, diante da percepção clara da nossa finitude geralmente esquecida e ignorada, do que um porto seguro? Alguém para nos sentir importante. Alguém que nos faça sentir que valeu a pena. Mário Sérgio Cortella, filósofo brasileiro define que ser importante é quando uma pessoa nos importa para dentro de si. Portanto, ser importante é sem dúvida uma forma de imortalizar o finito. Estender nossa existência para além do tempo que nos está predestinado. Além do plano físico. ‘Tudo o que Desejamos’ fala sobre finitude e sobre como esta consciência breve, nos provoca urgência de vida. Bonita história, porém bastante melancólica. Se você já está meio borococho, deixa para outro dia.

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O destaque do filme fica certamente para a atuação dos protagonistas. Vincent Lindon no papel de Stéphane, que alterna sua relação com Claire, a belíssima Marie Gillian, entre o amor fraternal de um pai e um amor platônico que não terá tempo de acontecer.

Ficha Técnica

Título Original … Toutes nos envies
Origem … França
Gênero … Drama
Duração .. 120 min
Lançamento … 2013
Direção … Philippe Lioret
Roteiro … Philippe Lioret e Emmanuel Courcol
Baseados no romance de Emmanuel Carrère

Elenco

Vincent Lindon como Stéphane
Marie Gillain como Claire Conti
Amandine Dewasmes como Céline
Yannick Renier como Christophe (as Yannick Rénier)
Pascale Arbillot como Marthe

Filmes Franceses

Hoje tinha que matar um tempo no shopping pois a sessão do filme que eu queria ver iria começar em um hora. Resolvi sair do shopping e ir até a locadora que há em frente, já que ela é maior do que a filial perto da minha casa. Essa por sorte fica perto do trabalho, então não fica fora de mão. Fui na prateleira dos lançamentos, gostei de um filme, peguei, vou levar. Então fui na prateleira de filmes estrangeiros, digamos assim. Filmes de nacionalidades diferentes do usual: americana ou inglesa. Peguei mais quatro filmes. Somente quando eu coloquei eles sobre o caixa, percebi que todos eram franceses. Prova de que meu gosto pela França não é mero acaso.

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Depois de assistir cada um deles, volto para fazer uma resenha.

Inverno em Paris

Já disse isso inúmeras vezes, a França tem algo que me hipnotista, que mexe comigo de alguma forma particular e única. Talvez seja esta sensação das possibilidades, de ser tão historicamente bonita, mas ter abrigado movimentos contemporâneos importantes ao longo de toda sua história. Tenho uma sensação que Paris é uma cidade mais permissiva para as mulheres, o que para mim soa como sinônimo de evolução, de liberdade, de possibilidades. Talvez seja apenas uma impressão infundada, mas talvez seja exatamente assim. Fico me imaginando, caminhando no frio do rigoroso inverno, com um vento frio sobre o rosto, observando as pessoas e sentado em algum banco qualquer escrevendo um livro. Ouvindo alguma composição qualquer com violino, violoncelo ou piano. Quem sabe os três. Quem sabe Bach e suas Cello Suites.

Queria que fosse assim, em câmera lenta, quieto, devagar, sem pressa, sem tempo, sem fim.

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Apenas uma Noite

Para falar deste filme, terei que recorrer novamente a seção ‘spoilerando’, onde eu comento tudo que achei do filme, no fim da postagem. Começar apenas com a indicação do filme não basta, precisa de um porém, um ‘ps’, um aposto, que só pode ser lido se você já assistiu o filme ou somente após assisti-lo. De qualquer forma, ‘Apenas uma Noite’, título que recebeu no Brasil, distorce a intenção original do título ‘Last Night’. Acredito que ‘Ontem a noite’ é uma expressão que faz muito mais sentido. Li algumas críticas do filme e talvez neste caso, o título além de ser um spoiler, conduz o expectador a outra linha de pensamento. Você concorda que o que você faz em ‘apenas uma noite’, nada tem a ver com o que você fez na noite passada. Apenas uma noite define um tempo, dá uma ponto final. O que você fez na noite passada, pode se repetir por uma vida inteira e talvez seja esta a grande reflexão do filme.

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‘Last Night’ traz Sam Worthington em uma atuação muito diferente dos filmes de ação/aventura como Avatar e Fúria de Titãs e apresenta o ator em uma temática completamente diferente, de onde ele se sai muito bem. Eva Mendes como sempre faz o papel da mulher irresistível que corromperia o mais fiel dos homens, mas também aparece inicialmente como uma mulher contida e sutil. Keira Knightley vem na sua zona de conforto, naquilo que ela sabe fazer bem. Guillaume Canet é a novidade para mim. Ator francês, certamente é o primeiro filme que assisto de sua filmografia. A direção é da estreante Massy Tadjedin, que já tinha uma experiência maior como roteirista. A bela trilha sonora é assinada por Clint Mansell, o experiente compositor que antes deste filme fez nada menos que a trilha de Cisne Negro (Black Swan).

Ficha Técnica

Título Original … Last Night
Origem … Estados Unidos / França
Gênero … Drama / Romance
Duração .. 93 min
Lançamento … 2012
Direção … Massy Tadjedin
Roteiro … Massy Tadjedin

Elenco

Keira Knightley como Joanna Reed
Sam Worthington como Michael Reed
Guillaume Canet como Alex Mann
Eva Mendes como Laura

Spoilerando

As críticas ao filme não são das melhores, mas lendo algumas delas, preciso discordar e elevar a nota do filme. Quando o assunto é traição, fidelidade, valores, dificilmente se encontra uma unanimidade de opiniões. Cada um possui sua visão particular do assunto e apresentar um situação digna de avaliações e interpretações é a proposta do filme. Sem mocinhos ou bandidos, sem julgamentos e punições, o filme deixa a cargo do expectador criar seus próprios julgamentos.

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Busca Implacável 2

Nunca havia assistido um filme por causa do Liam Neeson. Para mim ele era só mais um daqueles atores que a gente conhece, reconhece, mas que não presta muita atenção na carreira. Resolvi arriscar alugando ‘Desconhecido’ e gostei tanto do filme e da sua atuação que passei a procurar todos os filmes dele que ainda não havia assistido, em especial filmes policiais. Do ótimo ‘Desconhecido’, fui assistir ‘Busca Implacável’ que é magnificamente angustiante. A cena inicial da filha sendo sequestrada e a frieza calculada do ex-agente do governo americano Bryan Mills (Liam Neeson) é épica. òtima sequência, ótima ideia, definitivamente entra para a lista de thriller de tirar o fôlego.

Quando vi as primeiras notícias de Busca Implacável 2, fiquei animado e apreensivo ao mesmo tempo. Quando um roteiro é muito bom, uma continuação dificilmente consegue ser tão bom quanto. Acho que continuações só são eficazes quando pensadas como uma coisa só. Como é a trilogia do Senhor dos Anéis, a série Harry Potter e a trilogia de Piratas do Caribe. A prova de que essa afirmação é em parte verdade, que no quarto filme da franquia, foi uma porcaria.

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O filme é muito bom, segue a mesma temática do primeiro, com uma ótima motivação para sua continuação: a vingança do pai de um dos sequestradores mortos por Bryan Mills no primeiro filme. O ponto fraco é o exagero nas cenas de ação que em vezes ficam inverossímil. As relações pessoais são tratadas de maneira muito superficial, deixando claro que a preocupação do filme são as cenas de ação. Para quem gosta de pancadaria, o filme é perfeito, para quem acredita que precisa existir um desenrolar mais complexo, motivações mais intensas e ações mais pautadas na realidade, o filme deixa a desejar um pouco. Essa diferente forma de encarar as histórias e como elas acontecem, certamente é explicada pela dança da cadeira na direção do filme.

Enquanto ‘Busca Implacável’ é dirigido por Pierre Morel, ‘Busca Implacável 2’ é dirigido por Olivier Megaton. Um fato interessante é que este é o segundo filme que Megaton dá continuidade a um projeto precedido por Morel. A outra franquia foi com Carga Explosiva (por Pierre Morel) e Carga Explosiva 3 (por Olivier Megaton). Li uma entrevista em que Megaton se diz amigo de Morel, mas fez questão de fazer um filme diferente. Sinto em dizer Mr. Morel, diferente ele ficou, melhor jamais. Uma sugestão boa seria dar um novo nome, ainda que mantendo o mesmo personagem e a mesma linha condutora. Não vejo lógica em fazer uma continuação se não se tem vontade em dar continuidade a história. O homem solitário por conta do passado como agente secreto, porém sensível e preocupado com a família, se perde diante de um novo personagem ciumento e mais violento do que o necessário. Sua personalidade bondosa só se revela no fim do filme, quando resolve poupar uma vida.

Destaque para a beleza da atriz holandesa Famke Janssen.

Ficha Técnica

Título Original … Taken 2
Origem … França
Gênero … Ação / Suspense
Duração .. 91 min
Lançamento … 2012
Direção … Olivier Megaton
Roteiro … Luc Besson

Elenco

Liam Neeson como Bryan Mills
Maggie Grace como Kim
Famke Janssen como Lenore
Leland Orser como Sam

Intocáveis

Intocáveis é um filme francês muito interessante. As polêmicas em torno desta comédia dramática vieram da imprensa americana que classificou o filme de racista e da francesa que presumiu que a obra propaga estereótipos. Me parece estranhas as acusações, já que nada é subliminar e as diferenças étnicas e sociais são claras e necessárias para ilustrar a indiferença dos protagonistas sobre as mesmas diferenças. É exatamente esta neutralidade que une os personagens. Se alguém acusou o filme de racismo, sabe lá…

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No início do filme demorei para me acostumar com o personagem Driss (Omar Sy), um claro anti-herói. Arrogante, problemático, cafajeste, grosseiro. No entanto é necessário perceber que a personalidade indiferente e pedante de Driss é exatamente a personalidade de alguém transgressor e inadequado que poderia tirar Philippe (François Cluzet) de seus status quo, de sua vida aristocrata e igualmente sem graça e chata. Se você estranha a relação de Philippe e Driss, se você acha improvável, o preconceito, racismo e estereótipo estão na sua cabeça, capiche? Simples assim…

O filme é bom, mas fiquei com a sensação de que o roteiro passou superficialmente sobre a história, ainda assim é um bom filme. O destaque fica por conta do talentoso François Cluzet que ficou extremamente convincente no papel de um tetraplégico, consequência de um acidente de parapente.

Ficha Técnica

Título Original … Intouchables
Origem … França
Gênero … Comédia Dramática
Duração .. 112 min
Lançamento … 2011
Direção … Eric Toledano e Olivier Nakache
Roteiro … Eric Toledano e Olivier Nakache

Elenco

François Cluzet como Philippe
Omar Sy como Driss
Anne Le Ny como Yvonne
Audrey Fleurot como Magalie

 

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