Lianne La Havas – O novo grande nome da música internacional

Lianne La Havas é uma sumidade (tenho usado muito essa palavra ultimamente). Eu arriscaria dizer, para tentar explicar o tamanho da sua importância para a música, que ela é uma mistura bem equalizada do timbre e potência vocal da Adele, com o swing e a musicalidade de Amy Winehouse.  Misturando soul e folk, o álbum de debut da jovem cantora de 24 anos, intitulado ‘Is Your Love Big Enough?’ é uma obra prima.

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A inexistência de um artigo em português na Wikipédia e a escassa lista de canções no site Letras.Mus, denota que ela ainda é pouquíssima conhecida dos brasileiros. Mas é apenas uma questão de tempo. Mesmo seu álbum ter sido lançado em 2012 e ter recebido no mesmo ano, o título de álbum do ano pela iTunes.

O início

Lianne La Havas (23 de agosto de 1989), nasceu Lianne Charlotte Barnes. É uma cantora, compositora e multi-instrumentista inglesa.

La Havas nasceu em Londres, Inglaterra, filha de pai grego e mãe jamaicana. Ela foi criada em Tooting e Streatham, ficando a maior parte de seu tempo com os avós após a separação de seus pais quando era criança. La Havas começou a cantar aos sete e cita diversos gostos musicais de seus pais como tendo a maior influência em sua música. Sua mãe tocou com Jill Scott e Mary J. Blige e seu pai, um talentoso multi-instrumentista, lhe ensinou o básico de guitarra e piano.

Lianne escreveu sua primeira canção aos 11 anos de idade, mas não aprendeu a tocar violão, o que só fez aos 18 anos. Lianne estudou arte na escola A-Level, mas deixou a faculdade para perseguir uma carreira na música em tempo integral. Apesar de ter nascido Lianne Barnes, seu nome artístico é uma adaptação derivada do sobrenome do seu pai grego, Henry Vlahavas = La Havas.

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Is Your Love Big Enough?

Antes do seu álbum de estreia, La Havas lançou um EP, Lost & Found, em 21 de outubro de 2011, que já contava com a participação do cantor americano Willy Mason.

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  1. Don’t Wake Me Up – La Havas e Matt Hales – 3:43
  2. Is Your Love Big Enough? – La Havas, Hales e Willy Mason – 3:22
  3. Lost & Found – La Havas e Hales – 4:28
  4. Au Cinéma – La Havas e Halee – 4:18
  5. No Room for Doubt (feat Willy Mason) – La Havas, Mason e Hales – 4:05
  6. Forget – La Havas – 3:52
  7. Age – La Havas e Hales – 2:43
  8. Elusive – Scott Matthews – 3:56
  9. Everything Everything – La Havas e Hales – 3:50
  10. Gone – La Havas e Hales – 4:25
  11. Tease Me – La Havas – 3:37
  12. They Could Be Wrong – La Havas e Hales – 3:21

Total: 45:31

A versão DELUXE da iTunes ainda traz como extra uma versão lindíssima para o clássico do Leonard Cohen ‘Hey, That’s no Way to Say Goodbye’, que eu conheci com o Renato Russo no álbum The Stonewall Celebration. Além disso temos ‘Arms of Danger’ e uma versão mega-ultra-power (muito melhor que a original) de ‘He Loves Me’ da cantora Jill Scott. Para finalizar, uma versão ao vivo, em Paris, de ‘Forget’ da própria La Havas.

Ps.: Thanks Lis, for Havas.

Johnny Cash – Especial

Só pelo nome eu já compraria um álbum. Se você ainda não o conhece, vai passar a conhecer e certamente vai coloca-lo na sua lista particular de preferências musicais. Cash foi um cantor de sucesso nos anos 50 e 60 e fazia parte da mesma leva do rock que revelou Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, inclusive ambos chegaram a gravar músicas juntos.

A infância

John Ray Cash, conhecido como Johnny Cash, nasceu em Kingsland no estado do Arkansas, pertencente ao condado de Cleveland, em 26 de fevereiro de 1932. Tinha muitos problemas com seu pai, um fazendeiro pobre e alcóolatra que abusava fisicamente e emocionalmente dos filhos. Com cinco anos de idade começou a trabalhar em um campo de algodão, cantando com sua família enquanto cultivavam. Em 1944 um acidente tirou a vida de seu irmão Jack, fato que o afetou pelo resto da vida pois deixou seu irmã sozinho no cultivo do algodão para ir pescar escondido. Na sua infância predominavam as canções gospel.

A carreira

Começou a compor e tocar violão ainda muito jovem. Serviu a Força Aérea Americana e enquanto servia na Alemanha, Cash compôs uma das suas mais famosas canções: ‘Folsom Prison Blues’. Depois de dispensado da aeronáutica, casou-se com Vivian Liberto com quem teve quatro filhas, se mudou para Memphis no Tennessee, onde vendia ferramentas e estudava para trabalhar no rádio. Tinha de fato voz para locutor. Durante a noite tocava com Luther Perkins e Marshall Grant enquanto tomava coragem de se apresentar na Sun Records.

Ele se apresentou a Sam Philips com algumas músicas gospel ao que foi aconselhado a ‘voltar para casa e pecar um pouco, para que pudesse voltar com uma música mais comercial’. Ele voltou e apresentou ‘Hey Porter’ e ‘Cry,Cry,Cry’, lançadas em 1955 e que se tornaram um grande sucesso. No início da década de 60 ele se divorcia. As próximas canções que ele gravou foram ‘Folson Prison Blues’ que chegou ao Top 5 do country e ‘I Walk the Line’ que se tornou Top 1. Em 1957 ele foi o primeiro artista contratado da Sun Records a lançar um álbum completo. Após ser o cantor mais lucrativo, passou a achar que estava muito limitado pela gravadora, Elvis Presley já havia deixado a Sun e Philips estava destinando muita atenção para Jerry Lee Lewis.

Cash saiu da Sun para assinar com a Columbia. O primeiro compacto, ‘Don’t Take Your Guns to Town’ se tornaria um dos seus maiores sucessos na carreira. Quando sua carreira começou a decolar nos anos 60, assim como Elvis, viciou-se em anfetaminas e barbitúricos. Apesar do vício descontrolado, ele continuava a compor hits como ‘Rings of Fire’, sendo Top 1 do gênero country e Top 20 o gênero pop, música co-escrita com June Carter, outra cantora famosa na época. Ele mantinha cuidadosamente uma fama de fora-da-lei, apesar de nunca ter cumprido pena, seu único problema com a polícia foi em 1965 quando o esquadrão anti-narcóticos de El Paso, Texas, o pegou em flagrante. Achavam que ele fazia tráfico de heroína, mas eram anfetaminas. Ele também foi preso em Starkville, Mississippi, ao invadir uma propriedade para apanhar flores.

Nos anos 60 lançou diversos álbuns conceituais, como Bitter Tears (1964) e Ballads of The True West (1965).

Comprou uma casa em Old Hickory Lake, Handersonville, Tennessee onde se tornou vizinho e amigo de Roy Orbison, cantor que gravou os sucessos o e que perdeu dois filhos com o desabamento de sua casa. Esse episódio marcou sua vida e iniciou a sua tentativa de se livrar dos vícios, para isso contou principalmente com a ajuda de June Carter, sua companheira de profissão e pela qual ele mantinha uma paixão não correspondida. ‘Flesh and Blood’ foi uma das primeiras músicas que fez para June.

Após uma tentativa de suicídio, com o apoio de June que acabou cedendo a insistência de Cash, que conseguiu o livrar dos remédios para dois anos depois gravar seus maiores sucessos. Os álbuns ‘Johnny Cash at Folsom Prison’, de 1968 e ‘Johnny Cash at San Quentin’, de 1969, mesmo ano do nascimento de seu primeiro e único filho homem, John Carter Cash.

Apostando no desconhecido Bob Dylan

De 1969 a 1971 Cash estrelou seu próprio programa televisivo pela rede ABC, que contava com a participação de vários astros da música, como Neil Young e Bob Dylan. Cash apoiava o trabalho de Dylan antes mesmo de conhecê-lo, e os dois tornaram-se amigos depois de morarem na mesma vizinhança de Woodstock, em Nova Iorque, no final dos anos 60. Em complemento às aparições de Dylan em seu programa, Cash gravou um dueto com ele em ‘Nashville Skyline’, além de escrever o encarte do álbum vencedor do Grammy.

Cash se apresentava na maioria das vezes vestido de preto, calçando uma bota igualmente preta de cano longo, o que o levou a ser apelidado de “O Homem de Preto”. Em meados dos anos 70 a popularidade e as canções de sucesso de Cash começaram a diminuir, mas ainda assim sua autobiografia, intitulada Man in Black de 1975, vendeu 1,3 milhão de cópias.

Em 1980, aos 48 anos de idade, Cash tornou-se o mais jovem indicado ao ‘Hall da Fama da Música Country’. Apesar disso, durante os anos 80 suas gravações não conseguiram provocar um impacto signficativo nas paradas musicais; ainda assim, ele continuava suas turnês bem-sucedidas. Durante esta década ele gravou e viajou com Waylon Jennings, Willie Nelson e Kris Kristofferson no grupo The Highwaymen.

O retorno do vício

Cash recaiu no vício no começo dos anos 80 depois de um ferimento no estômago, que o fez começar a abusar de drogas para aliviar as dores. Durante sua recuperação em 1986, ele se tornou amigo de Ozzy Osbourne, um dos cantores favoritos de seus treze filhos. Durante outra visita ao hospital – desta vez por causa de Waylon Jennings, que recuperava-se de um infarto – Cash decidiu, por sugestão de Jennings, fazer um check-up. Os médicos indicam uma cirurgia cardíaca preventiva. Durante sua recuperação Cash se recusou a tomar qualquer tipo de remédio, temendo viciar-se novamente.

O retorno ao sucesso

Sua carreira ganhou novo fôlego nos anos 90. Embora indesejado pelas grandes gravadoras, Cash se aproximou do produtor Rick Rubin e ganhou um contrato com seu selo, American Recordings, mais conhecido por seus lançamentos derap e hard rock. Sob a supervisão de Rubin, ele gravou em 1994 o álbum American Recordings em sua sala, acompanhado apenas do violão. O álbum foi aclamado pela crítica, enquanto as versões de Cash para sucessos de artistas modernos como Tom Waits e a banda de heavy metal Danzig ajudaram-no a conquistar um novo público. Foi o começo de uma década de recordes de vendas e grande sucesso comercial.

Para seu segundo álbum com Rubin, Unchained de 1996, Cash convocou o acompanhamento da banda de Tom Petty: o “The Heartbreakers”. Em complemento às diversas composições de Cash, Unchained apresentava canções do Soundgarden ‘Rusty Cage’ e Beck ‘Rowboat’, assim como a participação especial do baixista Flea, do Red Hot Chili Peppers. Embora tenha sido virtualmente ignorado pelas rádios de country e pelo meio musical de Nashville,Unchained ganhou um Grammy como o ‘Melhor Álbum Country’. Cash e Rubin compraram um anúncio de página inteira na revista Billboard aonde sarcasticamente agradeciam à indústria da música country por seu apoio irrestrito, acompanhado de uma fotografia de Cash mostrando seu dedo médio, aquele mesmo dizendo ‘Fuck You’.

O Fim?

Em 1997 Cash foi diagnosticado com Síndrome de Shy-Drager, uma doença neuro-degenerativa – diagnóstico que mais tarde seria alterado para problemas no sistema nervoso associados à diabetes. Seu estado de saúde o forçou a encurtar uma turnê; ele foi hospitalizado em 1998 com grave pneumonia, que prejudicou seus pulmões. O álbum American III: Solitary Man, lançado em 2000, apresentava sua resposta à doença, representada por uma versão de “I Won’t Back Down” de Tom Petty assim como uma releitura poderosa de “One”, do U2.

Cash lançou American IV: The Man Comes Around em 2002, que consistia metade de material original e metade de covers, algumas bem surpreendentes.

Foi nesta época que Cash gravou o emocionante e indescritível videoclipe de “Hurt”, canção composta por Trent Reznor do Nine Inch Nails, sendo indicada em sete categorias do Video Music Awards da MTV, ganhando o prêmio de ‘Melhor Fotografia’. Em 2004 ‘Hurt’ também venceu o Grammy de ‘Melhor Videoclipe’. A esposa de Johnny, June Carter, faleceu de complicações decorrentes de uma cirurgia do coração em 15 de maio de 2003, aos 73 anos de idade. Menos de quatro meses depois Johnny Cash morreu devido ao diabetes aos 71 anos.

O Filme

A história de Cash virou filme, ‘Johnny e June’ (Walk the Line), estrelado por Joaquin Felix e Reese Whiterspoon, rendendo o Oscar® à Reese, como melhor atriz. O filme mostra apenas os primeiros anos da infância, da carreira de Cash terminando com sua recuperação.

William Fitzsimmons

Leu bem este nome? Pois grave em sua mente, você certamente vai ouvir falar muito nele. Como não existe nenhum site brasileiro contando sua história, eu resolvi apresentar este incrível cantor aqui, no Gelo Negro.

Fitzsimmons é o filho mais novo de dois pais cegos, e foi criado em Pittsburgh, Pensilvânia. Ele diz ter desenvolvido suas habilidades em vários instrumentos por conta de seus pais, ambos os quais eram músicos amadores. Na casa onde nasceu, os instrumentos serviam como uma forma de identificar os locais, por culpa da cegueira dos pais. Na casa  ainda existe um órgão de tubos em pleno funcionamento, que segundo ele foi construído à mão pelo seu pai.

Ele aprendeu a tocar piano e trombone durante o ensino fundamental e começou a tocar guitarra sozinho durante a adolescência. Ele também tem habilidade de tocar banjo, escaleta (uma mistura de instrumento de teclado e sopro), cavaquinho e bandolim. É conhecido por misturar a música folk com eletrônica em algumas canções. Além das capacidades como músico, Fitzsimmons desenvolveu e produziu seus dois primeiros álbuns. Ele é muitas vezes comparado aos contemporâneos Iron & Wine, Sufjan Stevens e do falecido Elliott Smith.

Fitzsimmons só assumiu a carreira de músico após completar um mestrado em Counseling, Genebra, e atuar como terapeuta de saúde mental (Counseling é uma especialização que diferentemente da Psicoterapia tem a intenção de aconselhar, de traçar e executar metas que ajudem na solução de problemas pessoais). Antes de seus estudos de pós-graduação, Fitzsimmons trabalhou com pacientes com problemas psicológicos por vários anos. Foi durante uma pausa de verão, no meio de sua pós-graduação, que Fitzsimmons gravou uma coleção de canções com os equipamentos de gravação, que tinha em casa e que posteriormente tornou-se seu álbum de estréia.

Fitzsimmons faz muitas referências a pessoais e familiares nas suas músicas. Dizem que seu álbum lançado em 2006, Goodnight, faz referências em grande parte, ao divórcio de seus pais durante a sua adolescência, e seu trabalho de 2008, The Sparrow And The Crow, foi escrito inteiramente sobre seu próprio divórcio. Seu trabalho ficou conhecido principalmente através do MySpace e turnês com outros artistas como Ingrid Michaelson e Cary Brothers, entre outros, além de programas de televisão muito famosos como a série Grey’s Anatomy.

Fitzsimmons vive atualmente em Jacksonville, Illinois e está atualmente em turnê nos Estados Unidos e Europa. Ele lançou três álbuns até hoje, sendo dois independentes.

Until When We Are Ghosts(2005)
Goodnight(2006)
The Sparrow and the Crow (2008)
Heartless – Single (2009)

Para você ter uma idéia do talento do William Fitzsimmons, você precisa ouvir o que ele fez com a música ‘Heartless” do Kanye West. Para você comparar você vai poder baixar as duas juntas. A versão do William Fitzsimmons não está disponível em nenhum lugar da internet, é bem difícil de encontra-la porque ainda é só um single.

Download – Fitzsimmons / Kanye West