Busca Implacável 2

Nunca havia assistido um filme por causa do Liam Neeson. Para mim ele era só mais um daqueles atores que a gente conhece, reconhece, mas que não presta muita atenção na carreira. Resolvi arriscar alugando ‘Desconhecido’ e gostei tanto do filme e da sua atuação que passei a procurar todos os filmes dele que ainda não havia assistido, em especial filmes policiais. Do ótimo ‘Desconhecido’, fui assistir ‘Busca Implacável’ que é magnificamente angustiante. A cena inicial da filha sendo sequestrada e a frieza calculada do ex-agente do governo americano Bryan Mills (Liam Neeson) é épica. òtima sequência, ótima ideia, definitivamente entra para a lista de thriller de tirar o fôlego.

Quando vi as primeiras notícias de Busca Implacável 2, fiquei animado e apreensivo ao mesmo tempo. Quando um roteiro é muito bom, uma continuação dificilmente consegue ser tão bom quanto. Acho que continuações só são eficazes quando pensadas como uma coisa só. Como é a trilogia do Senhor dos Anéis, a série Harry Potter e a trilogia de Piratas do Caribe. A prova de que essa afirmação é em parte verdade, que no quarto filme da franquia, foi uma porcaria.

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O filme é muito bom, segue a mesma temática do primeiro, com uma ótima motivação para sua continuação: a vingança do pai de um dos sequestradores mortos por Bryan Mills no primeiro filme. O ponto fraco é o exagero nas cenas de ação que em vezes ficam inverossímil. As relações pessoais são tratadas de maneira muito superficial, deixando claro que a preocupação do filme são as cenas de ação. Para quem gosta de pancadaria, o filme é perfeito, para quem acredita que precisa existir um desenrolar mais complexo, motivações mais intensas e ações mais pautadas na realidade, o filme deixa a desejar um pouco. Essa diferente forma de encarar as histórias e como elas acontecem, certamente é explicada pela dança da cadeira na direção do filme.

Enquanto ‘Busca Implacável’ é dirigido por Pierre Morel, ‘Busca Implacável 2’ é dirigido por Olivier Megaton. Um fato interessante é que este é o segundo filme que Megaton dá continuidade a um projeto precedido por Morel. A outra franquia foi com Carga Explosiva (por Pierre Morel) e Carga Explosiva 3 (por Olivier Megaton). Li uma entrevista em que Megaton se diz amigo de Morel, mas fez questão de fazer um filme diferente. Sinto em dizer Mr. Morel, diferente ele ficou, melhor jamais. Uma sugestão boa seria dar um novo nome, ainda que mantendo o mesmo personagem e a mesma linha condutora. Não vejo lógica em fazer uma continuação se não se tem vontade em dar continuidade a história. O homem solitário por conta do passado como agente secreto, porém sensível e preocupado com a família, se perde diante de um novo personagem ciumento e mais violento do que o necessário. Sua personalidade bondosa só se revela no fim do filme, quando resolve poupar uma vida.

Destaque para a beleza da atriz holandesa Famke Janssen.

Ficha Técnica

Título Original … Taken 2
Origem … França
Gênero … Ação / Suspense
Duração .. 91 min
Lançamento … 2012
Direção … Olivier Megaton
Roteiro … Luc Besson

Elenco

Liam Neeson como Bryan Mills
Maggie Grace como Kim
Famke Janssen como Lenore
Leland Orser como Sam

O Monge

Filmes com temas religiosos são em geral iconoclastas. Dificilmente fogem dos clichês básicos sobre o questionamento da fé, os segredos, as tentações e o julgamente e a punição divina sobre tudo isso. Vou pontuar logo no início: o filme não é bom. Ainda assim, não me arrependi de assistir. A sensação que fica é que o livro que o inspirou possa ser muito bom (escrito por Matthew G. Lewis e publicado em 1796), já que a direção do filme é que deixa a desejar. Tecnicamente O Monge é bem produzido, belas cenas, ótima fotografia, mas o roteiro é fraco, sem um grande propósito, sem fio condutor, sem grandes consequências. A mensagem mais forte é colocada diretamente no início do filme:

Satanás só tem o poder que você lhe permite ter

Seria mais correto dizer que seus erros não são culpa de um ser que vive no inferno e usa um tridente. A invenção de um demônio que atenta as pessoas é sem dúvida a criação mais oportuna e covarde que a sociedade já criou, colocando a culpa de suas atrocidades em algum poder oculto. Nossa natureza humana já é por si torta, selvagem, sem controle. Não precisamos de nenhum agente para nos tentar a nada. O que fica confuso para mim no filme é se existe ou não a tentativa de mostrar que Deus é punitivo.

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O filme começa com um diálogo forte. Um pedófilo confidenciando ao monge Ambrósio (Vincent Cassel), sobre seus casos de pedofilia, em especial sobre as sessões de estupro a sua própria sobrinha, o qual confessa acontecer há muito tempo e muitas vezes, repetidamente ao longo de um dia. O que deveria ser levado as autoridades para um julgamento correto, fica confidenciado a igreja e ao monge que reage as confissões, quase como se ouvisse um conto erótico, pouco se importando com os detalhes sórdidos e aparentemente até gostando deles, quando pergunta ao fiel sobre a sua próxima vida. O filme é repleto de insinuações e atitudes dúbias, nada mais coerente diante desta dualidade da igreja católica e essa inegável vontade de esconder dentro de suas igrejas aquilo que deveria ser público e condenado pelo estado. Além de pedofilia o filme fala sobre inveja, fanatismo, gravidez, elitismo, preconceito, dogmas, tabus, paixão e incesto. Precisamos contextualizar a história, lembrando que o livro foi escrito há 217 anos o que para a época deveria ser algo extremamente forte. O livro era um conto gótico, o que no filme passa de forma muito sutil e pouco explorada, poderia ter esta aura mais bizarra, mais dark, mais sombria. ‘O Monge’ foi a obra mais importante de Lewis, que viveu entre 1775 e 1818.

A atuação de Cassel é sempre boa e apesar de já ter lhe visto em inúmeros papéis de personagens de caráter duvidoso, ele convence como um monge da Ordem dos Capuchinhos. Claro que sua escalação para o papel já é um spoiler, pois sabemos que nenhum dos seus filmes pode ficar sem alguma fornicação. Cassel é naturalmente e obrigatoriamente a personificação do contraventor, do conquistador, do mal caráter. É assim em ‘Cisne Negro’, é assim em ‘Um Método Perigoso’, em ‘Fora de Rumo’,  em ‘Irreversível’ (filme excelente para quem estuda cinema com ótimas cenas de plano sequência).

Já que o filme fala obviamente de tentação (que filme de religião não falaria), vou destacar a beleza da atriz belga ‘Déborah François’ e da francesa Joséphine Japy. Outra participação muito especial é de Geraldine Leigh Chaplin, filha de ninguém menos que? que? que? Ele mesmo, Charles Chaplin.

Ficha Técnica

Título Original … Le Moine
Origem … Espanha/França
Gênero … Drama/Suspense
Duração .. 101 min
Lançamento … 2011
Direção … Dominik Moll
Roteiro … Dominik Moll baseado no livro de Matthew Lewis

Elenco

Vincent Cassel como Capucin Ambrosio
Déborah François como Valerio (o mascarado)
Joséphine Japy como Antonia
Sergi López como Le débauché
Catherine Mouchet como Elvire
Jordi Dauder como Père Miguel
Geraldine Chaplin como L’abbesse

Amor e Ódio – La Rafle

Amor e Ódio (La Rafle) é um interessante filme francês que conta uma passagem desconhecida por mim e provavelmente por você, sobre a segunda guerra mundial, mostrando que a Alemanha Nazista não foi a única responsável pelas atrocidades cometidas durante esta triste parte da nossa história. O filme faz um mea culpa contanto fatos reais passados em 1942, quando a França que era tida como uma terra livre para os judeus, acabou entregando mais de 25.000 refugiados para o exército nazista. Destas 25.000 pessoas, uma grande parte foi protegida e escondida por moradores franceses, apesar das ameaças do governo alemão e francês, o que evitou um massacre ainda maior.

O filme retrata o triste acontecimento do dia 16 de junho onde um trem repleto de crianças foi mandado para o campo de Auschwitz-Birkenau. Os campos localizavam-se no território dos municípios de Auschwitz e Birkenau, versões em língua alemã para os nomes polacos de Oswiecim e Brzezinka, respectivamente, área distante cerca de 70km da cidade de Cracóvia, capital da região da pequena Polônia.

Eram 3 campos de concentração principais, 1 de extermínio e outros 39 campos de concentração menores. Entre os três principais estavam:

Auschwitz I – Campo de concentração original que serviu de centro administrativo para todo o complexo. Neste campo morreram perto de 70.000 intelectuais polacos e prisioneiros de guerra soviéticos.
Auschwitz II (Birkenau) – Era um campo de extermínio onde morreram aproximadamente 1.000.000 de judeus e perto de 19.000 ciganos.
Auschwitz III (Monowitz) – Foi utilizado como campo de trabalho escravo para a empresa IG Farben.

A atuação de Jean Reno é sempre impecável, na medida, sem sobressaltos e de forma muito convincente. Também é muito interessante a participação da bela atriz francesa Mélanie Laurent A jovem atriz de 29 anos e até então desconhecida para mim, tem mais de 26 filmes na carreira. Apesar de não lembrar dela de outros filmes, ela fez Bastardos Inglórios e uma outra cambada de filme francês que infelizmente não terei a oportunidade de encontrar em alguma prateleira de locadora.

Sinopse

O ano é 1942. Joseph tem 11 anos e nesta manhã de junho deve ir para a escola. Uma estrela amarela é presa em seu peito. Ele tem o apoio de um comerciante de mercadorias e por outro lado, a ironia e zombaria de um padeiro. Entre bondade e desprezo, Joseph, seus amigos Judeus, suas famílias, aprendem a viver numa Paris ocupada, sobre a colina de Montmartre, onde eles se abrigavam. Pelo menos é o que achavam, até a manhã de 16 de Julho de 1942, quando sua frágil felicidade desmorona. Em um velódromo 13.000 judeus estão espremidos, sem comida, sem água, sem lugar para dormir, sem atendimento médico suficiente para tratar as doenças que se proliferam. Após o primeiro momento de sofrimento extremo, são levados para o campo de Beaune-la-Rolande, de Vichy (cidade francesa ao sul de Paris). Todas estas ordens são dadas por um alegre e descontraído Hitler, do terraço da bela casa em Berghof, sua residência nos Alpes da Bavária. O filme segue os reais destinos das vítimas e de seus carrascos. Daqueles que orquestraram tudo, daqueles que confiaram neles, daqueles que fugiram, daqueles que se opuseram. Cada personagem desse filme existiu. Cada evento, até os mais extremos, infelizmente ocorreram naquele verão de 1942.

Ficha Técnica

Título Original … La Rafle
Origem … França
Gênero … Drama / Guerra
Duração .. 115 min
Lançamento … 2010
Direção … Rose Bosch
Roteiro … Rose Bosch

Elenco

Jean Reno como Dr. David Sheinbaum
Mélanie Laurent como Annette Monod
Gad Elmaleh como Schmuel Weismann
Raphaëlle Agogué como Sura Weismann
Hugo Leverdez como Jo Weismann

À Queima Roupa

Esse filme francês estava guardado aqui faz muito tempo e ainda não havia assistido. Então prometi para mim mesmo que iria começar a assistir todos os filmes que estavam gravados aqui, antes de alugar novos filmes. O filme é dirigido pelo talentoso diretor francês Fred Cavayé que dirigiu e escreveu a ótima trama do filme francês Pour Elle (Anything for Her), filme que recebeu uma versão americana dirigida por Paul Haggis, com Russell Crowe, Elizabeth Banks e Liam Neeson, que recebeu o nome de 72 Horas (The Next Three Days). Inclusive falei deste filme aqui no site.

Assim como em Pour Elle, À Queima Roupa é uma ótima trama policial, que traz um homem comum, me arriscaria a dizer que até um tanto bobão, que de repente se vê envolvido com pessoas perigosas, tendo que tomar coragem para fazer coisas que jamais imaginaria fazer, para salvar a vida da esposa. Ambos os filmes tem esta temática central.

Gostei demais das atuações de Roschdy Zem que tem todo o perfil para o personagem, um criminoso perigoso e enigmático. Durante todo o filme você não consegue prever qual será a atitude do personagem, deixando a situação ainda mais tensa. Gérard Lanvin faz outra fantástica atuação como um comandante de polícia corrupto. Também não posso esquecer da beleza da atriz Claire Perot.

Sinopse

Samuel Pierret (Gilles Lellouche) é um assistente de enfermagem que em um ato de coragem e heroísmo, salva a vida da pessoa errada. O paciente foi atropelado na fuga de um assalto e já no hospital alguém tenta matá-lo quando Samuel consegue salvar sua vida efetuando os primeiros socorros e reestabilizando as funções vitais do paciente, que até aquele momento tem sua identidade desconhecida. O ato de heroísmo de Samule no entanto lhe coloca na mira das pessoas que queriam matar o paciente anônimo.

Ficha Técnica

Título Original … FR: À Bout Portant EN: Point Blank
Origem … França
Gênero … Policial / Ação / Suspense
Duração .. 84 min
Lançamento … 2010
Direção … Fred Cavayé
Roteiro … Fred Cavayé, Guillaume Lemans

Elenco

Gilles Lellouche como Samuel Pierret
Roschdy Zem como Hugo Sartet
Gérard Lanvin como Commandant Patrick Werner
Elena Anaya como Nadia Pierret
Mireille Perrier como Commandant Fabre
Claire Perot como Capitaine Anaïs Susini

Contra o tempo – Source Code

Sempre gostei de escrever dicas de filmes, fazer uma avaliação aqui e ali, mas hoje isso é algo tão comum, que por vezes parece desnecessário e repetitivo. Bom, vou continuar falando dos filmes que assisto e espero que sirva ao menos como uma sugestão de locação.

Jake Gyllenhaal surgiu para todo mundo com o controverso ‘O Segredo de Brokeback Mountain’ (Brokeback Mountain), engatou inúmeros filmes que, caso você não tenha visto, também são ótimas pedidas. Entre eles: O Suspeito, Zodíaco, Entre Irmãos, Amor & Outras Drogas. Vera Ann Farmiga, a sedutora Alex Goran de Amor Sem Escalas está irreconhecível.

Sinopse

O capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) faz parte de um projeto ultrasecreto denominado Código Fonte (Source Code), capaz de transportar um homem para o corpo de outro, assumindo a sua identidade nos sete minutos restantes da vida do receptor, que necessariamente precisa morrer, pois é neste tempo de atividade cerebral pós morte que se estabelece a ‘conexão’. Apesar disso, Stevens não se recorda como foi recrutado para esta operação militar.

A técnica criada tem a intenção de transportar alguém para um evento do passado, sem que exista a possibilidade de altera-lo. Na realidade não se trata necessariamente de uma viagem no tempo, mas do acesso as memórias de uma pessoa que já morreu, revivendo todos os acontecimentos ainda registrados em sua memória.

A missão do capitão Colter Stevens começou após um atentado terrorista explodir um trem nos arredores de Chicago, matando todos os passageiros. A missão é voltar no tempo, no corpo de uma das vítimas e tentar descobrir o autor do crime, sabendo que um novo atentado acontecerá dentro de seis horas, onde o número de vítimas pode ser ainda maior. Stevens precisa identificar o criminoso para evitar novas mortes, repassando a informação para seus superiores. Durante a missão ele acaba se envolvendo com Christina (Michelle Monaghan), uma das vítimas do trem e pretende mudar a história, alterando as regras da sua missão e tentando algo que parece não ser possível, mudar o passado e consequentemente o futuro.

Ficha Técnica

título original … Source Code
gênero … Ficção Científica
duração … 93min
lançamento … 2011
origem … França / USA
direção … Duncan Jones

Elenco

Jake Gyllenhaal como Capitão Colter Stevens
Michelle Monaghan como Christina Warren
Vera Farmiga como Colleen Goodwin
Jeffrey Wright como Dr. Rutledge

Cópia Fiel

Apesar de Cópia Fiel trazer como protagonista a belíssima atriz francesa Juliete Binoche, tive interesse em alugar o filme após ver ele figurando em listas de melhores de 2011. Quando terminei de assistir Cópia Fiel, fui buscar referências na internet, críticas, avaliações, para me certificar que eu tinha entendido o filme, porque ele é um tanto confuso, porém não é um filme angustiante e claramente você percebe que a confusão é intencional e não falta de capacidade de ser mais claro.

Tive a infelicidade de ler inúmeras bobagens, avaliações que claramente querem parecer mais intelectuais que o filme. Não gosto da ideia de que, ‘falar difícil’ é sinônimo de inteligência, no fundo acredito que sinônimo de inteligência é ter capacidade de síntese. No caso de Cópia Fiel, acredito que o próprio diretor Abbas Kiarostam (Teerã, Irã),  não quis parecer intelectual demais e nem mesmo complexo demais. A história em si é um lugar comum, uma mulher bonita, encontra um homem charmoso e acabam vivenciando uma breve história pelas ruas da Toscana.

O interessante no filme no entanto, é o diálogo meio paradoxal entre James Miller (William Shimell), filósofo e escritor inglês e Elle (Juliete Binoche). James em determinado momento do filme, fala sobre o quanto não é simples, ser simples. Em diversos momentos, James fala sobre a grande beleza que existe na ignorância, no desconhecimento, na forma rasa de enxergar a vida, sem tornar tudo tão profundo, sendo que ao mesmo tempo ele filosofa sobre o assunto, o que em determinado momento é contraditório, afinal você não pode vivenciar de fato da simplicidade se tem consciência desta existência.

Achei providencial assistir ao filme, após eu e a Lu, minha noiva, discutirmos sobre nossa incapacidade de nos entendermos, quando eu tento sempre ser tão profundo, enquanto ela prefere se alimentar de coisas mais simples, pouco complexas. E não se trata de uma comparação de capacidades intelectuais, já que ela é uma pessoa bastante inteligente, mas da simples falta de necessidade de ser sempre tão complexo e o quanto podemos tornar tudo tão pesado, denso e porque não, chato, sendo sempre assim, tão analítico.

‘Não é simples ser simples’

Ontem então, após assistir Cópia Fiel, fiquei refletindo sobre esta ideia, novamente paradoxalmente. Fiquei me questionando sobre esta necessidade de tanta reflexão que fiz ao longo da vida, tudo me parece mais complexo do que é para muitas outras pessoas, o que me toma tempo e muitas vezes a paz. Me parece que a vida é mais leve para quem não se aprofunda tanto, por vezes me sinto um idiota se incomodando com coisas banais, sofrendo por motivos irrelevantes.

Sempre vive neste paradoxo, mas com os acontecimentos da minha vida nos últimos anos, tenho pensado seriamente em me tornar mais raso, aceitar mais a escolha alheia, aceitar o simplório e a limitação como uma escolha inteligente, diante de outros e me incluo neste grupo, que se julga de alguma forma melhor, por dedicar tempo remoendo coisas que em geral, são imutáveis, não passando assim de meras causas perdidas. Não seria isso na realidade uma grande prova de ignorância?

Me sinto o maior de todos os imbecis, quando imagino o tempo que perdi: pensando, analisando, refletindo, discorrendo, remoendo e dissecando coisas intangíveis. Aceitar o óbvio, se contentar com pouco e não falo do pouco físico, mas do pouco intelectual, tentando passar pela vida sem fazer mal a ninguém e por fim morrer sem grandes sofrimentos, deveria ser um bom plano de vida.

Afinal, o TER e o SER, na maior parte do tempo, é sofrimento e angústia. Julgamos quem busca TER: roupas novas, casa própria, eletrônicos, carro zero, bom emprego, status social, pelo sofrimento que se colocam, quando estas buscas materiais não são alcançadas, mas esquecemos do sofrimento que nos colocamos na busca do SER: ser feliz, encontrar o sentido da vida, ser amado, ser aceito socialmente, ser inteligente, ser divertido, ser amigo das pessoas, ser lembrado, ser cuidado, ser tratado com respeito, ser reconhecido pelos seus esforços, seu caráter, sua dedicação.

Dedicamos uma vida inteira, a única para algumas crenças, por coisas passageiras e fugazes. Dizem que caixão não tem gaveta, para carregar dinheiro e riquezas materiais, mas do que valerá todos os livros, todos os filmes, todo seu conhecimento em informática, todas as causas pelas quais você lutou, na sua vida após a morte? Direito a uma vaga no céu? Fugir do inferno? A custa de qual preço?

Perceberam a contradição? Estou filosofando justamente sobre a necessidade que sinto em não filosofar. Aceitar tudo de forma natural, sem grandes buscas, sem grandes esforços, aceitar simplesmente o que é e não como deveria ser, na minha provavel, equivocada opinião. O mundo é um só, apesar de que cada um dos 7 bilhões de pessoas existentes no mundo, tenham certamente uma versão própria de como ele deveria ser.

Não é simples ser simples, estou em busca deste evolução contrária e analisando grosseiramente a quantidade de texto deste post, ainda estou longe do meu ideal.

Era o que eu gostaria de falar sobre este filme, talvez se foi interessante para mim, seja interessante para você.

Ficha Técnica

título original .. Copie Conforme
gênero .. Drama
duração .. 106 min
ano de lançamento .. 2010
direção .. Abbas Kiarostami
roteiro .. Abbas Kiarostami
fotografia .. Luca Bigazzi
direção de arte .. Ludovica Ferrario
edição .. Bahman Kiarostami

Curiosidades

Abbas Kiarostami apesar de não ser conhecido do grande público, como eu também não o conhecia, já recebeu um Leão de Ouro em Veneza por ‘O Vento nos Levará’ e uma Palma em Cannes por ‘Gosto da Cereja’.