Não Consigo Odiar Ninguém – Engenheiros do Hawaii

Uma canção que passou despercebida…
Para lembrar da minha vida que passou desapercebida…

Não quero seduzir teu coração turista
Não quero te vender o meu ponto de vista
Eu tive um sonho e há muito não sonhava
Lembranças do futuro que a gente imaginava
Nem sempre foi assim, outro mundo é possível
Pode até ser o fim, mas será que é inevitável?

O tempo parou, feito fotografia
Amarelou tudo que não se movia
O tempo passou, claro que passaria
Como passam as vontades que voltam no outro dia

Eu tive um sonho, o mesmo do outro dia
Lembranças do futuro que a gente merecia
Não vá dizer que eu estou ficando louco
Só porque não consigo odiar ninguém

Música Inédita – Pouca Vogal

Você já parou para analisar a idiotice e ineficácia desta mania de falar de coisas que não gostamos? Foi no Orkut que o ódio passou a se materializar  através de comunidades ‘Eu odeio…(alguma coisa)‘. Existiam mais comunidades de declaração de ódio que comunidades para reunir pessoas com gostos em comum. O que é no mínimo estranho, passou a ser a comprovação de que estamos utilizando a tecnologia para ‘emburrecer’, quando deveria ser o contrário. Nunca a informação esteve tão facilmente ao nosso alcance e de forma decepcionante, nós, brasileiros principalmente, estamos jogando essa oportunidade ralo abaixo.

Ao invés de escrever linhas e linhas sobre alguma piadinha repetitiva e sem graça sobre o Restart e seu Happy Rock, não é mais simples eu falar somente daquilo que eu curto? Se você colocar o nome do Restart no sistema de pesquisa e não achar nenhuma recomendação, fica óbvio que não sou fã, simples assim. E o inverso está longe de ser verdade, não odeio o Restart e não tenho nada para falar dos garotos coloridos, que agora nem estão mais tão coloridos assim. Tudo bem, no início do sucesso da piazada, talvez existia algo de legítimo em falar, fazer uma piadinha ou outra, mas já deu. Tudo que poderia ser dito já foi dito, não acham?

Se você tem mais de 15 anos e quer ouvir algo bacana, a dica é excelente. Ainda lembro do dia em que o produtor (na época), me ligou para dizer que Duca Leindecker e o Humberto Gessinger estavam pensando em um projeto juntos. Lembro de quando me ligou para dizer o nome, ainda em segredo: ‘Pouca Vogal’. Humberto fez história no rock nacional com os Engenheiros do Hawaii e Duca Leindecker é um dos talentos mais injustiçados do rock nacional, comandou por anos uma das melhores bandas do rock nacional, a Cidadão Quem.

Neste vídeo, eles tocam a canção ‘Música Inédita’, gravada no álbum ‘Cidadão Quem no Theatro São Pedro’. Era de fato a única música inédita do álbum de regravações em formato acústico. Nesta versão com o Pouca Vogal, resgataram o irmão do Duca, Luciano Leindecker, o talentoso baixista da Cidadão Quem, para tocar o seu instrumento ‘Quince’, que acredite, ele mesmo confeccionou. Talento puro em três músicos incríveis, para você que espera mais do rock.

Humberto Gessinger e os Mapas do Acaso

Ontem fomos a Blumenau/SC para participar de um encontro com o Humberto Gessinger eterno líder dos Engenheiros do Hawaii, atualmente tocando ao lado de Duca Leindecker (Cidadão Quem), no projeto intitulado ‘Pouca Vogal’. Paralelo ao projeto musical, Humberto tem percorrido o país divulgado seu mais recente livro, ‘Mapas do Acaso – 45 variações sobre um mesmo tempo’ que sucede ‘Pra ser Sincero – 123 variações sobre um mesmo tema’, lançado em 2009.

Como era de se esperar, as pouquíssimas cadeiras disponibilizadas pela organização não atenderam a 1/5 do público que compareceu, neste aspecto, as Livrarias Catarinense pecaram um tanto, mas digamos que isso fica alheio ao fato de promoverem o evento, o que é sempre tão raro em Blumenau e na nossa região. No fundo, todo o transtorno e reclamações só servem para dar ainda mais glamour de fama ao artista. Fui em outras noites de autógrafo e a facilidade de acesso tiram todo o clima.

Humberto garantiu atender todo mundo. Não sei precisar, mas acredito que ao menos umas 500 pessoas estavam na fila esperando por um autógrafo. Tinha de tudo, de bandeira do Grêmio, cds, antigos vinis, camiseta, livros e tudo que um fã pode trazer na tentantiva de provar ‘eu sou o mais fã de todos’. Teve quem se contentou com uma foto ou apenas um autógrafo no livro recém comprado.

Quando cheguei ao evento, brevemente atrasado, tenho a sorte de encontrar em meio a multidão, a sempre doce amiga Ve (@v_demarchi). Para minha surpresa, a filhota e o maridão, o Marcão (@MarcoDemarchi), meu amigão, tudo com ão, porque ele é grandão e com um grande coração, ostentavam um belo lugar na primeira fila de cadeiras, gentilmente eles me concederam um lugar para sentar, é ou não é sorte?

Minha mãe pediu ao intermediador do evento, um minuto para falar com o 1berto ao microfone, ele negou pois somente quem estava com as primeiras 25 senhas tiveram chance, minha mãe com a senha 190 e alguma coisa, passou longe. Mas sempre dizem que os últimos serão os primeiros. Ela foi sorteada para receber um vale presente da livraria, tascou o microfone da mão do intermediador do bate papo e contou sua história particular com Humberto e os Engenheiros do Hawaii, quando em 1990, ela pediu para sua amiga secreta, uma fita k7 da banda, ‘O Papa é Pop’ que trouxe aquela música que seria cantada por todas as idades, ‘Era um garoto que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones’. Quando ganhou o disco ela disse ter gritado: Uhuuuuuuuuu! Espantando todos os conservadores professores da sala. Para finalizar disse: ” – Não é para qualquer pessoa, reunir uma mulher de 55 anos e ao mesmo tempo diversas crianças pelo mesmo objetivo. Todo mundo aplaudiu o comentário com uma força diferente do restante do tempo, gritos e assobios encerrando o evento. Para você ver que determinação gera oportunidade. É só acreditar.

Quando me aproximei do Humberto, vem aquela sensação de nunca saber ao certo o que dizer, na tentativa inútil de tentar transformar em ‘Para sempre’ o que é somente ‘Por Enquanto’. Talvez ele mesmo tenha sugerido, que: ‘…se for para sempre, seja breve…’. Disse que não iria cobrar que tivesse alguma lembrança de mim, então expliquei que por cinco anos atendi a banda Cidadão Quem, a qual ele tem ligação através do Duca Leindecker, vocalista da banda e hoje, a parte vermelha do arco-íris de duas cores que compõe o Pouca Vogal. Fiz inclusive algumas coisas para o Pouca Vogal e continuo obviamente mantendo contato com o Duca, outro ídolo que virou um amigo, na medida do possível de nossas realidades tão distantes.

Ele mesmo disse, durante o bate papo, que será sempre uma relação desigual, a do fã e do seu ídolo. Não tem como mudar, e nem sei ao certo qual a importância de ela um dia ser igualitária. Talvez é justamente a utopia que a alimenta, o comum, o dia a dia, não é tão importante. Para minha surpresa ele me perguntou: “- Você é o Jeff Skas?”, completou dizendo ser muito legal me conhecer pessoalmente. Nós já havíamos nos esbarrados em momentos que ele nunca saberá, mas por diversas vezes estive no meio da multidão em shows por aí. E nem do nosso último encontro no camarim, antes do show em Indaial/SC.

A minha relação com o Engenheiros é longa. Envolve muitas fazes da minha vida, algumas ruins, que se fundem entre músicas que hoje, nem gosto mais de ouvir, como as músicas de Tchau! Radar que me lembra demais os primeiros meses após perder meu pai, em 2000. Mas que contrastam com ‘10.000 Destinos’ que eu ouvia no Discman que ganhei da minha recente namorada e ouvia no ônibus que me levava toda sexta-feira ao seu encontro, cerca de 40km de onde eu morava.

Quem não pode ir, pode acompanhar o vídeo que eu fiz:

 

VIP’s

Fiquei sabendo deste filme por acaso, vendo uma entrevista do Wagner Moura. O filme é inspirado no livro de Mariana Caltabiano, que por sua vez, conta no seu livro homônimo, a história real de Marcelo Nascimento da Rocha, um cara difícil de definir. Uma mistura de bandido, estelionatário, golpista, malandro, traficante e bon vivant.

Segundo Wagner Moura, apesar de baseado nos fatos ocorridos com Marcelo N. da Rocha (nome que ele mesmo tem repúdio), as motivações do seu personagem (vou continuar escrevendo errado, da ‘sua’ personagem é estranho) são diferentes e a índole também.

A História Real

Marcelo teve mais de 16 identidades falsas. Quando participou do exército, já se passava por uma patente maior do que realmente tinha. Vendeu motos que na verdade seriam leiloadas. Fingiu ser guitarrista dos Engenheiros do Hawaii, produtor musical, olheiro da seleção, campeão de Jiu-Jitsu, Policial e até líder do PCC. Quando preso em Bangu, liderou uma rebelião, passando por integrante do PCC e mesmo sem armas, conseguiu as reinvindicações dos presos e com a mesma lábia e habilidade, fugiu da cadeia.

Apesar de ter passado grande parte da sua vida fazendo crimes e trapaças, só ficou conhecido em 2001, quando foi ao Recifolia, na capital pernambucana, e se passou pelo filho do dono da Gol Linhas Aéreas. Exibiu-se ao lado de modelos e celebridades, saiu com algumas e fez amizades com atores globais. Ficou em camarote VIP e aproveitou todas as mordomias do Resort Nannau Beach.

Por dois dias usou um jatinho e um helicóptero. Sem gastar um real do seu bolso, consumiu mais de R$ 100.000 em diversões. Chegou a dar entrevista para o Amaury Jr. Quando foi preso no Rio estava abordo do Jatinho Citation 5 (PT-OSD), a quem deu carona a Carolina Dieckmann, Marcos Frota e Ricardo Macchi e o empresário Walter Sá Cavalcante.

Já foi indicado também como um grande comparsa de Fernandinho Beira Mar. Ele admite ter feito negócios juntos, eram vizinhos de fazendas, no Paraguai, mas não diz ser um braço direito, apenas um ‘amigo’.

A escritora Mariana Caltabiano compilou esse e outros “causos” de Marcelo Nascimento durante um ano gravando depoimentos seus na prisão do centro de triagem de Curitiba, o fruto das entrevistas é o livro: ‘Vips – Histórias Reais de um Mentiroso’.

O Filme

No filme, Marcelo (Wagner Moura) não consegue conviver com sua própria identidade, o que faz com que assuma a dos outros. Isto faz com que passe a ter diversos nomes, nos mais variados meios, onde aplica seguidos golpes. Um dos mais conhecidos é quando finge ser Henrique Constantino, filho do dono da Gol, durante um carnaval fora de época em Recife. Apesar de incluir fatos reais, a personalidade do pratagonista é diferente da vida real.

Wagner Moura diz que não gostou de conhercer o personagem real, que não quis se inspirar nele, disse que é um cara perigoso e que não merece ter sua história contada em um filme. Também disse que tem preocupação de como o filme vai ser recebido, para que as pessoas não pensem que tentaram amenizar os fatos reais ou a periculosidade de Marcelo, que pilotou aviões durante muitos anos para o tráfico, e  já conseguiu enganar a DEA (Drug Enforcement Administration), polícia americana de repressão ao tráfico de drogas, o que sengundo ele, transformou-o em uma Ferrari do crime. Adquirindo muito respeito e popularidade dentro do tráfico.

Ficha Técnica

título original: VIPs
gênero: Drama
duração: 1h36 m
ano de lançamento:  2010
estúdio: O2 Filmes/Focus International
direção:  Toniko Melo
roteiro:  Baseado em livro de Mariana Caltabiano

  • Bráulio Mantovani
  • Thiago Dottori

produção:

  • Fernando Meirelles
  • Paulo Morelli
  • Bel Berlinck

fotografia: Mauro Pinheiro Jr.
direção de arte: Fred Pinto
figurino: Verônica Julian

Números … 100.000 acessos

A medida de amar, é amar sem medida…

Não lembro ao certo em quem Humberto Gessinger dos EngHawaii se inspirou para parafrasear essas palavras, se não estou enganado, foi Gandhi que disse isso.
Sempre que penso em números, lembro desta música, então resolvi colocar a letra aqui para você curtir também.

Hoje com a internet, sentimentos são medidos assim, em números, e só passamos a ter algum valor quando passamos dos seis digitos. Ainda estou anos luz disso, mas para um blog que fala de sentimentos, de amores, tristezas, dores, ao invés de falar mal de alguém, ao invés de fazer piada com a desgraça alheia, é certamente uma vitória contra a ignorância, provando que apesar da internet estar contaminada pela imbecilidade e despropósitos, ainda resistimos.

Obrigado por todos os comentários e mensagens de apoio, faço isso por cada um que acessa este site. Um forte abraço para todos… Força Sempre!

Números
Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger

Última edição do Guiness Book
Corações a mais de mil
E eu com esses números?
Cinco extinções em massa
Quatrocentas humanidades
E eu com esses números?
Solidão a dois
Dívida externa
Anos luz
Aos 33 Jesus na cruz
Cabral no mar aos 33
E eu… o que faço com esses números?
Eu… o que faço com esses números?
A medida de amar é amar sem medida
Velocidade máxima permitida
A medida de amar é amar sem medida
Nascimento e Silva 107
Corrientes, tres, cuatro, ocho
E eu com esses números?
Traço de audiência
Tração nas 4 rodas
E eu… o que faço com esses números?
Sete vidas
Mais de mil destinos
Todos foram tão cretinos
Quando elas se beijaram
A medida de amar é amar sem medida
Preparar pra decolar
Contagem regressiva
A medida de amar é amar sem medida
Mega, Ultra, Híper, micro, baixas calorias
Kilowatts, Gigabytes…
E eu… o que faço com esses números?
Eu… o que faço com esses números?
A medida de amar é amar sem medida
A medida de amar é amar sem medida
Velocidade máxima permitida
A medida de amar é amar sem medida

Acima que qualquer radar…

Se você tem acompanhado a série ‘Som e Fúria’ da Rede Globo, deve ter ouvido a música ‘Na paz e na Pressão’ do duo ‘Pouca Vogal’, formado por ninguém menos que os líderes de duas das maiores bandas do rock nacional, Duca Leindecker da Cidadão Quem e Humberto Gessinger do Engenheiros do Hawaii.

A música embalou o primeiro beijo de Kátia (Maria Flor) e Jaques Maya (Daniel de Oliveira) nos telhados do Teatro Municipal.

Na Paz e na Pressão

Autoria: Duca Leindecker e Humberto Gessinger
Artista: Pouca Vogal

Um pássaro na mão, um pássaro no ar
Um pássaro que vem
Um pássaro que vai voltar pro seu lugar

E pelo mar do sul
Azul imensidão bem longe daqui
Livre de toda pressão da minha mão

Na paz do vôo só, na paz da imensidão
A luz quase se vai e eu vou com ele viajar
No vento me deixar levar

Eu vou acima de qualquer radar
Eu vou aonde ninguém mais possa me achar
Eu vou abaixo de qualquer radar
Eu vou aonde ninguém mais possa me achar

O tempo já passou é hora de voltar
Sobre a imensidão um pássaro vai me levar
Vai me deixar

Na paz do vôo só, na paz da imensidão
A luz que já se vai, eu vou com ele viajar
No vento me deixar levar, eu vou.

Para quem ainda não conhece a Cidadão Quem, banda liderada por Duca Leindecker é uma famosa banda de rock que faz muito sucesso no sul do país. A banda já teve a música ‘Os Segundos’ incluída na trilha sonora de Malhação, mas possuem 7 cds e 15 anos de banda. São 7 cds do melhor rock nacional, uma das poucas bandas que você ouve cada cd do início ao fim.

O Engenheiros do Hawaii apesar de ser também de Porto Alegre, manteve uma carreira mais sólida nacionalmente. A banda passou por inúmeras mudanças em sua formação, a maior mudança foi o fim da formação original com a saída de Carlos Malts (Batera) e Augusto Licks (Guitarra). O líder da banda Humberto Gessinger continuou com outras formações e segundo alguns fãs, mudanças relevantes no estílo de suas músicas, claro se mantendo sempre dentro do rock.

Acesse os sites para saber mais:

www.cidadaoquem.com.br
www.engenheirosdohawaii.com.br
www.poucavogal.com.br

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