Sob o Efeito da Água

No original ‘Little Fish’ possui um significado importante que infelizmente, apesar do bonito título em português, acabou se perdendo. Basicamente, Sob o Efeito da Água fala sobre ser um ‘peixe pequeno’, alguém insignificante para o restante das pessoas e o quanto um peixe pequeno é muitas vezes descartado socialmente, alheio as portas sempre abertas para os ‘peixes grandes’.

Cate Blanchett interpreta Tracey Heart, uma ex-viciada em heroína, limpa há quatro anos, tentando reconstruir sua vida diante da indiferença da sociedade. Ainda que a droga não habite seu corpo, habita seu passado e a condena a ser uma eterna ‘ex’. É um retrato importante de como é difícil reconstruir uma vida perdida, onde estar livre do vício de drogas começa a parecer o menor dos problemas a ser superado, onde uma sociedade capitalista e preconceituosa acaba muitas vezes sendo a responsável por empurrar a pessoa de volta ao vício. Sair de uma situação como esta não envolve apenas ficar longe do consumo, mas ficar longe de pessoas e situações do passado, envolve apagar parte da sua vida que esta intrinsecamente ligada a tudo que levou a pessoa por estes caminhos tortuosos.

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É assim que sua mãe, Janelle (Noni Hazlehurst), percebe o retorno de Jonny (Dustin Nguyen), traficante e ex-namorado de Tracey. Você passa a condenar a atitude grosseira de Janelle, já que imagina que todo mundo merece ter uma segunda chance, como Jonny merece. Porém, novamente você aprende que “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Hugo Weaving mostra mais uma vez seu poder camaleônico ao viver o irreconhecível padrasto de Tracey, Lionel Dawson, um ex-jogador de futebol americano, bissexual, consumido pelo vício em heroína, em uma Sydney decadente, suja, viciada e corrompida, muito diferente da imagem da Austrália como o único país desenvolvido dos trópicos.

Eles vivem no subúrbio de Sydney que tem o apelido de Little Saigon, devido a grande quantidade de vietnamitas que moram lá, além de ser a capital da heroína na Austrália, mostrando que todo lugar vive problemas iguais aos que vivemos em nossas periferias de país de ‘terceiro mundo’.

Sob o Efeito da Água é o segundo filme da carreira do diretor australiano Rowan Woods, o primeiro foi The Boys. Ele no entanto possui uma longa carreira com séries de televisão. O filme é interessante, apesar de trazer Cate Blanchett, o filme tem todo aspecto de filme estrangeiro, em uma produção aparentemente mais crua, sem a plasticidade hollywoodiana. Essa atmosfera Little Saigon foi tão bem captada que muitas vezes achei que o filme parecia ter uma alma vietnamita mesmo. Nas cores, nas locações, na qualidade. É um filme que você vai entendendo aos poucos. Ele faz mais sentido agora para mim, do que fez no instante que acabou.

Ficha Técnica

Título Original … Little Fish
Origem … Australia
Gênero … Drama
Duração .. 114 min
Lançamento … 2004
Direção … Rowan Woods
Roteiro … Jacquelin Perske

Elenco

Cate Blanchett como Tracy Heart
Dustin Nguyen como Jonny
Martin Henderson como Ray Heart
Sam Neill como Brad
Hugo Weaving como Lionel Dawson

Bem-Vindo à Vida

Pelas minhas pesquisas, Bem-Vindo à Vida é o primeiro longa dirigido por Alex Kurtzman, que deve ter se cansado de ficar apenas com o gostinho da produção. Um fato muito engraçado. Quando vi Elizabeth Banks eu pensei: ‘Nossa, como ela é parecida com a Rachel McAdams’, e não é que McAdams foi sondada para o papel? Particularmente acho que a escolha foi acertada, acho Banks melhor atriz que McAdams, que só sabe chorar em seus filmes, achando que isto basta para ser considerado uma boa atuação.

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Também muito bem em sua atuação está Chris Pine, a belíssima Olivia Wilde, que possui nada menos que 10 longas em pré e pós produção anunciados para 2013 e 2014, além de Michelle Pfeiffer, infelizmente já fazendo papel de mãe de um cara na faixa dos 25 a 30 anos. O tempo passa, fazer o que? As mulheres bonitas que eu conheci pelas telas dos cinemas estão fazendo mães e avós. O que também indica que eu estou ficando velho. O roteiro é de escrito a seis mãos: o diretor Alex Kurtzman e Roberto Orci que já escreveram juntos inúmeros filmes de ação, contando desta vez com a participação do estreante Jody Lambert. A direção de fotografia traz no entanto alguém muito experiente. Salvatore Totino fez a direção de fotografia de filmes como: A Luta pela Esperança, O Código Da Vinci, Frost/Nixon, Anjos e Demônios e O Dilema, além de documentários e clipes para bandas como Radiohead, R.E.M., U2 e Bruce Springsteen.

O filme é muito bom, posso até dizer que um dos melhores que vi ultimamente. Eu iria colocar uma sinopse, mas me pareceu spoiler. Basicamente, San (Chris Pine), fica sabendo através de sua namorada Hannah (Olivia Wilde), que seu pai faleceu. San recebe a notícia de forma indiferente, o que deixa no ar qual seria a relação que mantinha com sua família. Ele retorna a cidade natal e sua relação distante com sua família fica ainda mais evidente. Então ele conhece Frankie (Elizabeth Banks), que faz parte do seu passado de uma forma que ele não poderia imaginar.

Queria chamar a atenção para o ‘ator mirim’ Michael Hall D’Addario que é extremamente cativante.

Ficha Técnica

Título Original … People Like Us
Origem … USA
Gênero … Drama
Duração .. 114 min
Lançamento … 2012
Direção … Alex Kurtzman
Roteiro … Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jody Lambert

Elenco

Chris Pine como Sam
Elizabeth Banks como Frankie
Michael Hall D’Addario como Josh
Michelle Pfeiffer como Lillian
Olivia Wilde como Hannah

Um Método Perigoso

Parece que Freud resolveu se apresentar para mim, referências sobre ele tem aparecido frequentemente. Sempre acreditei que nada acontece por acaso e se tratando de filmes, de fato aparecem na minha vida em momentos muito oportunos. ‘Um Método Perigoso’ traz uma passagem na vida dos maiores nomes da psicanálise mundial: Carl Jung e Sigmund Freud, discípulo e mestre respectivamente.

Fiquei feliz ao ler a crítica de Lucas Salgado no site Adoro Cinema e saber que não estou sozinho ao pensar que Keira Knightley é o ponto fraco do filme. Sua magreza sempre me incomodou profundamente e sua beleza exótica funciona muito mais na fotografia do que nas telas do cinema. Ela é uma boa atriz, é cheia de caras e bocas, mas precisava perder essa magreza esquelética. Nas primeiras cenas do filme, ela desenvolve uma mania para a protagonista que a deixa ainda mais esquisita e muito longe de ser uma personagem que cause desejos e fantasias.

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Michael Fassbender no papel de Carl Jung ficou de forma quase incômoda, a cara do ator brasileiro Marco Ricca. Tirando estes detalhes o filme é muito interessante, estranhamente muito mais pela relação entre Jung e Freud do que pela relação íntima entre Jung e Sabina Spielrein. Apesar do amor tórrido e proibido de Jung e sua amante, contrariando não somente os preceitos básicos da sociedade, como também a ética profissional entre paciente e médico, a ideia de imaginar como a psicanálise nasce da parceria entre estes grandes nomes, o romance acaba ficando em segundo plano.

Viggo Mortensen no entando é impecável no papel de Freud. O que talvez ficou vago para mim, foi a diferença de idade entre Jung e Freud. Não sei se Mortensen estava novo demais ou Fassbender estava velho demais. Este papel rendeu a Mortensen uma indicação de Melhor Ator Coadjuvanete no Globo de Ouro. A pequena passagem de Vincent Cassel não deixa de mostrar o quanto é um grande ator.

A direção é de David Cronenberg que fez recentemente o estranhíssimo ‘Cosmópolis’.

Ficha Técnica

Título Original … A Dangerous Method
Origem … Alemanha / Reino Unido / Canadá e Suíça
Gênero … Drama
Duração .. 99 min
Lançamento … 2012
Direção … David Cronenberg
Roteiro … David Cronenberg

Elenco

Keira Knightley como Sabina Spielrein
Michael Fassbender como Carl Jung
Viggo Mortensen como Sigmund Freud
Vincent Cassel como Otto Gross

Para Sempre – The Vow

Para Sempre é um filme do praticamente estreante Michael Sucsy. Em 2009 ele dirigiu um longa para a HBO chamado Grey Gardens, que pelo que me parece, não chegou ao Brasil ainda. O filme foi lançado diretamente pelo canal e não consegui achar referências dele em dvd por aqui. Michael Sucsy é um bom diretor tecnicamente, mas ainda lhe falta um pouco mais de criatividade. Talvez o roteiro não tenha sido dos melhores, não sei. O filme é bom, mas fica a sensação de que poderia ser ainda melhor.

Este filme reforça a minha tese: Se você estiver dentro de um filme, nunca dirija cantando alegremente, com a música alta ou dando sorrisos para a pessoa amada, em dias de chuva, neve ou neblina. Necessariamente você sofrerá um acidente grave. Não precisa ser gênio para deduzir isso. Regra básica de drama ou romance. Se um casal já começa junto, ele vai se separar. Novamente o título estraga um pouco, pois ninguém entende que ‘Para sempre’ é um voto matrimonial.

Channing Tatum surpreendentemente é mais convincente em cenas de drama do que em cenas mais leves. Acredito que seu porte físico muito avantajado, tire um pouco das nuances do personagem. Em nenhum momento você vê ele se exercitando no filme, o que para alguém com seu físico, deveria ser uma parte importante da rotina diária. Poderiam ter colocado ele correndo, fazendo algo que denote que ele é um atleta, enfim. Rachel McAdams está como sempre cativante. Novamente acho que faltou explorar ela mais sentimentalmente. Como dondoca ela se encaixa rapidamente no papel, como alguém que você se apaixonaria, fica por conta das cenas mais densas. O papel que mais gostei dela foi em ‘Diário de uma Paixão’, porque ela chorava o tempo todo e nisso ela é extremamente convincente.

Assista o filme. O conflito emfrentado pelos protagonistas é muito interessante, lhe faz pensar como você agiria na mesma situação.

Ficha Técnica

Título Original … The Vow
Origem … USA
Gênero … Drama / Romance
Duração .. 104 min
Lançamento … 2012
Direção … Michael Sucsy
Roteiro … Abby Kohn / Marc Silverstein / Michael Sucsy

Elenco

Rachel McAdams como Paige
Channing Tatum como Leo
Jessica Lange como Rita Thornton
Sam Neill como Bill Thornton
Wendy Crewson como Dr. Fishman
Scott Speedman como Jeremy
Sarah Carter como Dian

360 – O Filme

Confesso que fui carregado de preconceito para assistir 360, dirigido por Fernando Meirelles. Fiquei um tanto decepcionado com ele como diretor, após assitir toda sua explicação sobre o processo de criação da campanha da Nextel, para depois saber que se tratava de uma cópia de um outro comercial. Também vinha da decepção com ‘Ensaio sobre a Cegueira’, que definitivamente não gostei. Posso estar enganado, posso estar sendo injusto, mas tenho a sensação de que nunca devemos ser maiores que nossa obra. Fernando Meirelles virou um cara muito pop, muito midiático e tenho a sensação de que isso é prejudicial a uma espécie de humildade necessária para saber fazer as melhores escolhas.  Por incrível que possa parecer, a melhor obra de Fernando Meirelles não é ‘Cidade de Deus’ na minha opinião, pois contar um filme sobre a violência nas favelas cariocas não é algo original. Eu prefiro o despretencioso ‘As Domésticas’ de 2001. Acho que este filme é um lado mais amador e menos profissional de Meirelles. Menos técnico, menos pirotécnico, menos plástico, mais verdadeiro.

Vou parecer preconceituoso agora, mas o ponto fraco do filme é o ator brasileiro Juliano Cazarré. Fica evidente de que Juliano não dividiria a mesma cena com Rachel Weisz, se o diretor não fosse brasileiro. Está tudo errado, principalmente assistir o filme após ver Juliano interpretando um papel em novela da Globo. Acho que é ruim para um ator, trabalhar em uma longa série ou e uma novela e depois entrar em um filme. Não fica verocímel. Por outro lado ele está com a cara a qual o vemos em programas de televisão, arrumadinho, de óculos de grau, fazendo papel de intelectual, certamente se contrapondo ao personagem um tanto ignorante Adalto. Depois da cena da ‘chupetinha’, a sua credibilidade foi pelo ralo. Maria Flor é uma atriz muito bonita, fofinha, delicadinha, mas ela é a mesma coisa sempre. Acho que falta recurso ou ousadia. É sempre a garota delicadinha/descolada/desencanada, que me parece ser na realidade ela mesma.

Não estou sendo xenófilo, mas não tem como achar que Maria Flor e Juliano Cazarré estão no mesmo nível de atuação de Anthony Hopkins, Rachel Weisz, Jude Law, Jamel Debbouze e até Ben Foster. Ainda assim o filme consegue ser bom. Como o título sugere, as pequenas histórias contadas no filme,  possuem alguma ligação entre si, criando um circulo fechado de 360 graus. O interessante é que elas vão se imendando e não se entrelaçando. Uma dá continuidade a outra e não se misturando e influenciando uma a outra. Juliano Cazarré no entanto será eternamente grato ao Fernando Meirelles, por o permitir a dar uns beijos na Rachel Weisz.

Detalhe: Apesar de Maria Flor ter um dos papéis mais longos no filme, na divulgação americana seu nome se quer aparece. Eu posso não gostar da atuação dos brasileiros no filme, mas o diretor não enaltecer a atriz é a prova de que, ou Meirelles também não curtiu o resultado final ou não foi capaz de se impor diante dos padrões americanos.

Ficha Técnica

Título Original … 360
Origem … Reino Unido/Áustria/Brasil/França
Gênero … Drama
Duração .. 105 min
Lançamento … 2012
Direção … Fernando Meirelles
Roteiro … Peter Morgan

Peter Morgan talvez seja o grande responsável pela qualidade do filme. Morgan já roteirizou filmes como: ‘O Último Rei da Escócia’, ‘A Rainha’, ‘A Outra’, ‘Frost/Nixon’, ‘Além da Vida’ e ‘O Espião que Sabia Demais’.

Elenco

Anthony Hopkins como John
Jude Law como Michael Daly
Rachel Weisz como Rose
Ben Foster como Tyler
Jamel Debbouze como Argelino
Lucia Siposová como Mirkha
Johannes Krisch como Rocco
Gabriela Marcinkova como Anna
Maria Flor como Laura
Dinara Drukarova como Valentina
Vladimir Vdovichenkov como Serguei
Marianne Jean-Baptiste como Fran
Moritz Bleibtreu como Empresário alemão
Juliano Cazarré como Rui

O Segredo dos Seus Olhos

Sou suspeito ao abordar um filme que seja protagonizado por Ricardo Darin. Após assistir ‘Um Conto Chinês’, minha empatia pela geniadidade de Darin foi instantânea. Mesmo que o filme seja péssimo, ter a oportunidade de vê-lo atuando já vale. Você pode achar que estou exagerando, mas ele realmente é um ator diferenciado e você irá constatar isso a cada filme que você assiste.

O Segredo dos Seus Olhos é dirigido por seu grande parceiro de boas produções, o diretor Juan José Campanella. Juntos eles estivem em ‘Clube da Luta’, o elogiadíssimo ‘O Filho da Noiva’ e ‘O Mesmo Amor, A Mesma Chuva’. O filme fala sobre inúmeros aspectos da natureza humana, mas citando um trecho do filme, mudamos muitos aspectos de nossas vidas ao longo dos anos, mas somos incapazes de mudar nossas verdadeiras paixões. Seja ela um grande amor, um time de futebol ou um hábito de vida, que mesmo que nos causa mal é paradoxalmente necessário para nossa existência. O filme também fala de escolhas, de termos uma postura mais ativa e menos passiva diante da vida, diante de decisões que podem mudar nossos rumos. E como o nome do filme sugere, dos segredos que nossos olhares escondem. O olhar apaixonado, o olhar de compaixão, o olhar de obsessão, que sempre revela uma intenção oculta.

O Segredo dos Seus Olhos possui o que chamam de plot twist, quando existe inúmeras reviravoltas na história e os acontecimentos possuem uma relação mais importante e correlacionados do que realmente imaginávamos. É talvez um dos filmes que possui um dos melhores finais que já assisti, ao ponto de sozinho aplaudir o filme ao terminar exatamente quando eu pensei: para ser perfeito o filme deveria terminar agora, no mesmo instante que os créditos começam a sumir.

Desta parceria de sucesso entre Darin e Campanella renderam duas indicações ao Oscar de ‘Melhor Filme Estrangeiro’ e o segundo filme argentino a ganhá-lo, sendo o terceiro filme latino-americano a receber esta premiação. Não posso esquecer de falar da belíssima atuação da atriz Soledad Villamil que se torna extremamente apaixonante sem precisar em nenhum momento ter uma postura sensual ou provocante.

Ficha Técnica

Título Original … El Secreto de Sus Ojos
Origem … Espanha/Argentina
Gênero … Drama
Duração .. 127 min
Lançamento … 2010
Direção … Juan José Campanella
Roteiro … Juan José Campanella

Elenco

Soledad Villamil como Irene Menéndez Hastings
Ricardo Darín como Benjamín Espósito
Guillermo Francella como Pablo Sandoval
Pablo Rago como Ricardo Morales
Javier Godino como Isidoro Gómez
Carla Quevedo como Liliana Colotto Morales
Barbara Palladino como Chica

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