Che I e Che II

Na terça-feira gravei uma cópia que tinha do filme Che, na época que chegou as locadoras. Por sorte não assisti o filme, pois se tivesse feito isso na época, iria ficar chateado esperando a segunda parte. O filme acaba assim, como se fizesse um corte no meio de um filme.

Me lembro na adolescencia de ler uma matéria sobre Che Guevara e o que mais me chamou a atenção, foi sua foto morto. Aquele homem magro, de aparência forte, mas tão fragilizado e um leve sorriso, como se soubesse seu destino.

A sua imagem, talvez tenha se tornado um símbolo pop, mas acredito que poucas pessoas que usam uma camiseta com sua foto, sabem de fato como nasceram suas ideologias libertárias. Estes dois filmes, vieram talvez para fazer justiça a sua memória, desvincular sua imagem do que Fidel transformou Cuba e entender que se trata de uma vida de heroísmo, mas na minha percepção, ele morreu por uma causa perdida.

Quem incorpora a forte imagem de Che é Benicio Del Toro. Talvez a sua grande atuação na carreira. Sua atuação é realmente primorosa, dificilmente ele encontrará outro papel com a mesma intencidade e importância.

Che (Parte 1)

O filme inicia com a data de 26 de novembro de 1956, quando Fidel Castro (Demián Bichir) viaja do México para Cuba com oito rebeldes, entre eles Ernesto “Che” Guevara (Benicio Del Toro) e seu irmão Raul (Rodrigo Santoro), que praticamente nem aparece no filme. Guevara era um médico argentino, que tinha por objetivo ajudar Castro a derrubar o governo de Fulgêncio Batista, um Ditador que transformou Cuba em um país de miseráveis. Ao chegar ele logo se integra à guerrilha, participando da luta armada, contra a ditadura imposta por Batista, mas também cuidando dos doentes por onde passavam. Aos poucos ele ganha o respeito de seus companheiros, e torna-se um dos líderes da revolução que está por vir. O filme acaba com o momento em que a revolução está pronta para eclodir.

Ficha Técnica

título original … Che: Part One
gênero … Drama
duração … 02h06m
ano de lançamento … 2008
site oficial … www.che-movie.co.uk
estúdios … Wild Brunch – Morena Filmes
estúdios … Estudios Picasso – Section Eight
estúdios … Laura Bickford Productions – Telecinco
distribuidoras … IFC Films e Europa Filmes
direção … Steven Soderbergh
roteiro … Peter Buchman
referência … Baseado no livro de memórias de Ernesto “Che” Guevara
produção … Laura Bickford e Benicio Del Toro
música … Alberto Iglesias
fotografia … Steven Soderbergh
direção de arte … Laia Colet e Maria Clara Notari
figurino … Sabine Daigeler
edição … Pablo Zumárraga

Elenco

Benicio Del Toro … Che
Julia Ormond … Lisa Howard
Rodrigo Santoro … Raul Castro
Catalina Sandino Moreno … Aleida March

Che 2 – A Guerrilha

Na continuação do primeiro filme, Che 2 – A Guerrilha, mostra o pós Revolução Cubana. Ernesto “Che” Guevara (Benicio Del Toro) está no auge de sua popularidade e poder. Até que, repentinamente, desaparece. Che ressurge incógnito na Bolívia, onde organiza um pequeno grupo de cubanos e bolivianos para dar início à grande revolução latino-americana. Che apenas não contava com a diferença entre Cuba e um continente inteiro contra ele. Movido visivelmente pelo sucesso da Guerrilha em Cuba e pelo incansável desejo de justiça, Che parte para sua última luta armada.

Este segundo filme visivelmente foi feito com mais dedicação e melhores participações. Como a mínima aparição de Matt Damon em um breve diálogo, filmado de tão longe que se não soubesse da sua participação, mal teria reconhecido. Me espantou a aparência de Lou Diamond Phillips, que tá igual aos tempos de Labamba, com seus quase 50 anos. Rodrigo Santoro conseguiu um feito incrível, aparecer menos que no primeiro filme.

A prova da importância de Che, foi a tentativa sempre bem sucedida do governo Boliviano de nunca revelar que Che realmente estava no país, com medo de aumentar sua popularidade e simpatia, além do fato de ninguém ter tido coragem de matá-lo, deixando o ato para um soldado completamente desconhecido. Talvez ninguém quis carregar o peso de matar um verdadeiro revolucionário.

Ficha Técnica

título original … Che: Part Two
gênero … Drama
duração … 2h15m
ano de lançamento … 2008
site oficial … www.cheofilme.com.br
estúdios … Wild Bunch – Laura Bickford
estúdios … Morena Films – Telecinco
distribuidora … URD Pictures e Europa Filmes
direção … Steven Soderbergh
roteiro … Peter Buchman e Benjamin A. Van der Veen
produção … Laura Bickford e Benicio Del Toro
música … Alberto Iglesias
fotografia … Steven Soderbergh
direção de arte … Juan Pedro de Gaspar
figurino … Sabine Daigeler
edição … Pablo Zumárraga

Elenco

Benicio del Toro … Ernesto “Che” Guevara
Joaquim de Almeida … Presidente René Barrientos
Lou Diamond Phillips … Mario Monje
Franka Potente … Tania
Catalina Sandino Moreno … Aleida March
Rodrigo Santoro … Raul Castro
Matt Damon … Schwartz

Em resumo vi que as críticas brasileiras ao filme, foram ruins, apesar dos prêmios que conseguiram. Eu assisti eles mais interessado na história que na produção. Talvez as pessoas não entendam, que o filme foi feito de forma real, sem a ‘beleza’ e o ‘glamour’ dos filmes de guerra americano, onde tudo parece fantástico e até da vontade de querer empunhar uma arma por amor ao país. Che e Che 2 são filmes verdadeiros, mostram a verdade como ela é, não tem nada de glamouroso em morrer por uma causa em que as pessoas não acreditaram. Você definitivamente não gostaria de estar ali.

Assistam e conheçam uma das mais fascinantes histórias reais da nossa atualidade. Che certamente foi um grande herói. Talvez como eles mesmo dizem: ‘Se um governo pode usar a força e a violência para nos oprimir, temos o direito de usar a mesma força e violência para nos libertar’.

Não foi por liberdade que os USA mataram milhões de pessoas? Porém, acredito que os princípios e motivações de Che eram legítimos.

pS. Uma referência especial ao poster do segundo filme. Bela imagem.

Noivas do Cordeiro

Sem dúvidas, o post mais controverso e mais comentado neste blog é o artigo que fiz sobre o documentário ‘Noivas do Cordeiro’ exibido pelo canal GNT.
Muitas pessoas vieram admiradas pela beleza da história, enquanto outras, motivadas pela repulsa.

A dúvida paira no ar. Porém, um detalhe é importante. Se a história de Noivas do Cordeiro não foi contada como de fato ocorreu, tudo bem, teríamos que saber todas as verdades e meias verdades. Se foi exatamente como ocorreu, está registrado aqui, em vários depoimentos, todos de moradores da região, tudo o que elas documentam no filme, a repulsa, o preconceito e a injustiça.

Eu vou tentar entrar em contado com os produtores para saber, como eles levantaram esta história. Pois quero mostrar a verdade aqui em fatos.

121110 – Ayrton Senna

No dia 12 e novembro de 2010 todas as pessoas poderão conhecer um lado ainda maior de Ayrton Senna. Dos jovens que não tiveram a possibilidade de vê-lo correr, ou que as lembranças são apenas vagas memórias do passado, vão entender porque, Ayrton Senna estava acima do simples fato de ser um bom piloto de F1.

Ele profetizou a sua vida, das vitórias até o último dia. Ele sempre soube tudo que seria, e como toda lenda, teve que partir cedo demais, para que pudesse ocupar na eternidade, o lugar que era seu por direito.

“Afastar-se das forças negativas, não é uma opção”

Assistam o trailer, arrepie, chore, se emocione, mas não esqueça de estar lá, dia 12 de novembro de 2010.

Ficha Técnica

Gênero: Documentário
Tema: A trajetória de Ayrton Senna
Direção: Asif Kapadia
Roteiro: Manish Pandey
Produção: James Gay-Rees, Tim Bevan e Eric Fellner

Sinopse

Pontuado por suas realizações nas pistas e fora delas, sua busca por perfeição e o status de mito que ele alcançou. O filme abrange os anos da lenda do automobilismo como piloto de Fórmula 1, desde sua temporada de estreia em 1984 até sua morte precoce uma década depois. O filme faz uso imagens inéditas, tiradas dos arquivos da F1.

Entre os Diretores Executivos, está KEVIN MACDONALD, diretor de filmes como ‘Intrigas de Estado’ (State of Play), ‘Um dia em Setembro’ (One day in September), ‘O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland) e ‘Tocando o Vazio’ (Touching the Void).

Noivas do Cordeiro

O canal GNT® está transmitindo nesta semana (olhe a data da postagem), o documentário ‘Noivas do Cordeiro’, uma fantástica, emocionante e trágica história real existente até hoje na cidade mineira de Belo Vale. A comunidade rural ‘Noiva do Cordeiro’, é formada em sua maioria por mulheres, que há muitos anos sofrem uma grande discriminação que fadaram todas elas a uma vida singular.

A história

Tudo começou no fim do século 19, quando Maria Senhorinha de Lima, natural de um povoado chamado Roças Novas, casou-se forçadamente, como era o costume da época, com um descendente de franceses Arthur Pierre. Porém seu coração pertencia a outra pessoa e em nome do seu amor, três meses depois, sentindo-se infeliz com o matrimônio, ela abandonou sua casa para viver com Chico Fernandes, no local onde mais tarde se tornaria a comunidade de Noiva do Cordeiro. O seu ato deixou a população escandalizada, já que as mulheres naquela época não tinham o direito de abrir mão de um casamento arranjado pela família.

Começaria ali uma história que condenaria toda uma geração a décadas de preconceito e isolamento. A igreja católica excomungou o casal e os condenou à difamação suas próximas 4 gerações. Chamada de prostituta, Maria Senhorinha de Lima criou sua família e filhos totalmente isolada de outras comunidades próximas. Com o passar do tempo, o preconceito e o isolamento aumentavam ainda mais.

Para piorar a situação, por volta de 1940, o Pastor Anísio Pereira se mudou para o povoado e lá criou uma nova religião, como nome de ‘Noivas do Cordeiro’ com suas próprias regras e preceitos, rígidos e limitadores, que só fortaleceram a discriminação da comunidade e alimentaram o imaginário popular.

Assim passaram-se mais de 100 anos de preconceitos, de isolamento, de calúnias. Fadadas a uma dura exclusão social, tiveram que criar uma forma de vida sustentável e comunitária, imposta pelas restrições as quais os moradores foram submetidos, principalmente as mulheres. Com o tempo a comunidade quebrou seu vínculo e dependência com a religião e passou por novos preceitos, menos autoritários, antes definidos pela religião.

O fim da história é fantástico e não vou contar para não estragar todas as surpresas que ele reserva, mas posso dizer que ‘Noivas do Cordeiro’ é uma das mais belas histórias que eu já vi, em uma comunidade que mantém uma forma de vida quase utópica. Ninguém mantém posses, tudo que se cultiva é dividido na comunidade, todos usam a roupa de todos, todos almoçam e jantam juntos, criam seus filhos juntos. O que a igreja católica julgou como heresia, se mostrou na verdade, uma história de amor ao próximo sem precedentes.

Você precisa conhecer a história de ‘Noivas do Cordeiro’.

Ps.: Esta matéria foi publicada originalmente em outro blog que eu era colunista, mas como não faço mais parte deste site, agora estou republicando algumas materias mais importantes aqui. Minha publicação em 2008 referindo-se ao documentário, trouxe muitos acessos e mensagens pois era uma das poucas referências na internet sobre ‘Noivas do Cordeiro’. Portanto espero que todos continuem mandando suas mensagens por aqui agora.

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