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Continuecurioso

março 20th, 2013 by , under documentario, video. No Comments

Segundo o próprio site do projeto, Continuecurioso é uma web série documental sobre buscas e questionamentos. Nele, os produtores conversam com pessoas que se desprenderam de um jeito convencional de levar a vida pra caminhar em direção ao desconhecido.

“Sem saber muito bem o porquê, entendemos que quando é o próprio destino que tá em jogo ninguém entra pra perder. Ao avesso das coisas é que descobertas são feitas no trabalho, nas pessoas próximas e principalmente em si mesmo. Não sabemos qual jeito é o melhor ou se existe um jeito certo. Durante o caminho pra achar respostas, o que encontramos foram perguntas. e não importa quais foram, o que importa é que a gente ainda segue perguntando”.

“O caminho aguarda os pés, que enveredam por outro caminho.”

De alguma forma, talvez diferentemente da forma que você se identificará com os filmes produzidos para esta web série, o projeto é bastante interessante. Se sua vida possui mais dificuldades que a insatisfação profissional, se para você um emprego que lhe traga algum sustento já seria de bom grado, não podemos esquecer que infelizmente ou não, pessoas vivem em conflito, sejam os conflitos que for, baseados na realidade de vida de cada um. Você pode achar superficial, piegas ou pode aplicar aos seus conflitos pessoais e a dificuldade que todos temos em ser feliz, dentro e ao redor de nós.

Thiago Frias – Artista Plástico

Marilia Pedroso – Fotógrafa

#LingerieDay2012 – Entrevista #01 – Géssica Gineli

julho 26th, 2012 by , under documentario. No Comments

Depois do grande sucesso das entrevistas realizadas em 2011, o Gelo Negro tinha que repetir a dose. No dia 26/07, o dia do #lingerieday2012, vamos desvendar o que passa pela cabeça destas belas mulheres que fazem um dos dias mais atraentes da internet brasileira. Você vai perceber quantas mulheres diferentes em suas formas, conceitos, atitudes e percepções estão por detrás destas fotos provocantes. Vai perceber que o #lingerieday além de um dia de muita diversão para todos, pode também ser um momento para rever seus próprios conceitos e preconceitos.

A primeira a responder esta série de entrevistas é a bela fotógrafa de Vitória, Géssica.

Perfil

Nome .. Géssica Gineli
Idade .. 20 anos
O. Sexual .. Hetero
Profissão .. Fotógrafa
Cidade .. Vitória – ES
TwitterFacebook

Entrevista

Você tem namorado?
Qual foi a reação dele ou da família?
Gess: Sim. Ele achou super divertido, me incentivou a mandar para alguns sites, usou a foto em um post em seu blog e foi o responsável por tirar as fotos.

Você teve algum receio de expor sua intimidade na internet ou acredita que participar do #lingerieday é algo normal nos dias atuais?
A foto foi feita especialmente para este dia?
Gess: Confesso que inicialmente eu tinha um pouco, mas ao observar toda a movimentação no twitter, os comentários, percebi que era uma brincadeira saudável nas redes sociais. Claro, gera um retorno, um comentário, mas até agora nada ofensivo. Tô achando bem bacana. Sim, a foto foi produzida especialmente para este dia.

Quando o #lingerieday surgiu, muitos questionamentos vieram agregados, principalmente sobre as motivações pessoais: Ativismo, idealismo, vaidade, exibicionismo ou apenas brincadeira? Qual a sua motivação?
Gess: A minha foi por apenas brincadeira. Eu achei a proposta divertida, a movimentação para esse dia é muito interessante, dai falei com o namorado e resolvi entrar na brincadeira. E claro, rola uma vaidade sim.

Independente da motivação pessoal, você acha que esse tipo de manifestação contribui positivamente para uma maior igualdade sexual?
Onde o #lingerieday ajuda e onde atrapalha?
Gess: Acredito que possa sim, não me sinto segura em afirmar com 100% de certeza. Mas acredito que tem um potencial para isso sim. Acho que o meio termo entre atrapalhar e ajudar fica a critério de cada um, enquanto isso for levado de forma leve e tranquila, ajuda. No momento que começa a rolar algum tipo de ofensa, atrapalha.

Qual a sua relação internet + sexualidade?
É válido usar a internet para se relacionar de forma mais íntima?
Você já usou a internet para isso ou encontrar alguém é online e se relacionar só offline?
Gess: Minha relação internet+sexualidade é num nível normal. Acho válido, afinal, tu faz o que te dá prazer de alguma forma. Até porque, quem namora a distância acaba usando a internet para sentir-se um pouquinho mais próxima do amor nos dias que estão distantes um do outro.

Qual a importância da sua sexualidade em sua vida, no seu relacionamento, como você se relaciona com seu corpo?
Gess: Sexualidade é fundamental. Eu me dou bem com ele, somos bons amigos. Mas eu sou magrela, pratiquei esportes, lutas, comecei a dar valor ao meu corpo faz até pouco tempo hahaha.

Já que o #lingerieday mostra os atributos físicos, qual a parte do seu corpo que você mais gosta e qual você mais gosta em mulheres e/ou homens?
Gess: Cintura (eu e meu namorado adoramos, haha). Em mulheres e/ou homens não consigo pensar em uma parte específica, acho que seria o conjunto, o porte. A postura coportal da pessoa.

Gostou da sua participação, dos elogios, da repercussão?
Vai voltar em 2013?
Gess: Ah, eu tô curtindo, primeiro ano que participo e estou achando bem divertido. Voltarei em 2013 sim! :)

#LingerieDay 2012

julho 26th, 2012 by , under documentario. No Comments

No ano passado eu realizei uma entrevista com algumas garotas que participaram do #lingerieday e a repercussão foi muito interessante. Principalmente para mudar algumas opiniões de quem não tinha uma opinião tão amigável sobre esta iniciativa. Dentro de toda nerd safada bate um coração. Brincadeiras à parte, foi bem bacana saber como cada garota se relaciona com a sua sexualidade e descobrir que as fotos mais picantes, traziam as personalidades menos libertinas.

Vou novamente em busca desta missão, encontrar garotas que aceitem falar sobre o assunto abertamente. Fique atento. Quem participou, deseja participar das entrevistas ou recebeu um convite pelo twitter do @gelonegro, entre em contato no gelonegro@gelonegro.com.br

Créditos: Imagens do #lingerieday retiradas do site oficial do evento, mantido pelo Não Salvo.

Como Água

junho 3rd, 2012 by , under documentario, filmes. No Comments

Desta vez vou sair do formato normal que uso para falar de filmes, onde coloco as informações técnicas e por fim comento o que achei. Não gostei e portanto vou direto ao ponto. Não será nenhum spoiler, já que a história toda é conhecida.

Como Água (Like Water) é um documentário americano produzido por Pablo Croce. Croce apresenta o cotidiano de treinamento de Anderson ‘Spider’ Silva, lutador brasileiro de MMA, iniciando com a luta contra o também brasileiro Demian Maia, sem dúvida a luta mais controversa da carreira de Anderson Silva, que foi fortemente vaiado após o combate onde saiu vencedor. Após a reprovação do público e do presidente do UFC, Dana White, o documentário acompanha Anderson Silva durante os três meses que antecedem a luta contra Chael Sonnen.

Infelizmente, para mim o UFC é uma grande fraude. Todos os lutadores são na verdade contratados pelos mesmos produtores do evento, sendo assim, funcionários de um mesmo patrão. Em diversos momentos, todas as polêmicas criadas por Chael Sonnen parecem parte de um plano midiático. Uma luta de UFC não teria o mesmo efeito, se antes de cada luta, os adversários não ficassem fazendo essa espécie de esquenta, cutucando um ao outro. O estranho é que toda essa rivalidade parece acabar no exato instante do fim da luta, tentando mostrar um respeito pelo adversário, que deveria soar como honroso e mais parece galhofa.

Vamos pegar as últimas 3 lutas de Anderson Silva, um cara que já foi dançarino, que vive pagando de boa gente, virou garoto propaganda onde ele mesmo se ridiculariza, mas que tem sérios problemas de entendimento com seus próximos adversários. Foi assim com Demian que após a luta aparece no treino de Anderson, aconteceu com Sonnen, onde após vencer o combate ele ajoelha em frente ao adversário e lhe da um abraço e foi assim com Vitor Belford, onde trocaram inúmeras acusações e provocações durante as prévias e ao final da luta, se abraçaram e disseram que são amigos.

O UFC talvez fosse um produto legítimo, quando a pancadaria quase não tinha regras. Dana White adaptou o evento, mudou as regras, tornou a coisa comercial, mais digerível e resgatou um produto que estava fadado ao fracasso, criando toda essa atmosfera de rivalidade forjada, que convence todo mundo. As trocas de acusações com adversários e o desentendimento de Anderson Silva com Dana White não poderia ser mais fake, ninguém bateria de frente contra o chefe que lhe banca um gigantesco salário. Se Anderson Silva fosse expulso do UFC, ele faria o que da vida? Daria aula em alguma academia? Até poderia ser verdade, o sucesso sobe à cabeça de qualquer atleta que vira celebridade, mas ninguém é idiota de perder esse filé.

Não duvido que Sonnen e Anderson sejam amigos por traz dos holofotes. Você acha que é teoria da conspiração? Quando surgiu a história do acidente do Nelsinho Piquet ter sido forjado para beneficiar Fernando Alonso, 99% das pessoas duvidou que algo pudesse ser forjado com tamanha dedicação. É muita grana envolvida e neste meio, ninguém é santo ou bobo. Esse sucesso repentino do UFC não é por acaso.

Você realmente achou que a assessoria do Steven Seagal foi por acaso? Essa jogadinha era usada no boxe há muitos anos. Pense você se Chuck Norris aparecesse treinando um lutador de UFC, você consegue imaginar o quanto isso geraria de mídia espontânea? Pegaram o Steven Seagal para dar mais veracidade, já que ele realmente é mestre em artes marciais.

O documentário não é ruim, mas para mim serviu para dar embasamento ao que sempre imaginei sobre o UFC. Vai dizer que você não está ansioso para ver Anderson Silva ganhar de Sonnen, apenas para ‘vingar’ tudo o que ele disse sobre o Brasil? O maior erro humano é ser previsível.

Infelizmento o documentário parece mais uma matéria de A Liga ou Profissão Repórter do que um documentário. Imaginei que conhecia sua infância, os primeiros anos, como iniciou a carreira no UFC, as dificuldades, no fundo revelou um cara que ficou milionário, gosta de ostentar e por muitas vezes parece ter esquecido do seu passado. Anderson Silva pode ser exemplo e ídolo para muito gente, para mim não é.

 

A Ponte – Documentário

agosto 24th, 2011 by , under documentario. No Comments

Este documentário tem um sentido importante para mim. ‘A Ponte’ se refere a ponte do Rio Pinheiros, um ponto de partida, uma linha imaginária e simbólica que divide ricos e pobres.

Meu pai nasceu na zona leste de São Paulo, bairro da Mooca, corinthiano e pobre. Meu pai se orgulhava em contar que viveu na pobreza, conviveu com a violência, com drogas e que nunca usou nada, nunca se envolveu em crime. Meu pai se quer fumou um cigarro, conhecia a cidade inteira como poucos, trabalhou, estudou e fez a sua vida como pode. Minha família em São Paulo sempre foi bastante humilde e portanto convivi muito com esta realidade na minha infância e adolescência, mesmo tendo nascido em Santa Catarina e viver minha vida inteira aqui, sempre viajei muito para São Paulo com meu pai. Aprendi com ele a amar essa cidade tão cheia de contrastes.

Quando as pessoas ouvem hip-hop ou o depoimento de quem vive na favela, fica a percepção de que se tratam de pessoas sem vontade, sem força de reação, que só sabem fazer filhos e reclamar da desigualdade, mas se você não nasceu nesta realidade, você não pode fazer nenhum julgamento. Só quem nasce em uma realidade onde para qualquer lugar que você olhe, só se enxerga doença, pobreza, violência, descaso do poder público, sabe o poder destrutivo que isso causa, na capacidade de enxergar uma saída.

No ano passado levei minha noiva para São Paulo e ficamos em um hotel ao lado da Marginal Pinheiros, bairro do Morumbi, exatamente neste ponto de partida, entre as maiores empresas de tecnologia, agências de propaganda e outras grandes empresas. Andando pelas ruas ao redor do hotel, falei para ela: ‘- Essa não é a São Paulo que eu conheço’. Por mais bonitas que eram as ruas onde estávamos, os belos e imponentes shoppings, não me senti à vontade, não reconheci naquelas ruas a cidade que meu pai me ensinou a amar, com todos os seus problemas e a mistura do povo. Ele me ensinou a não julgar as pessoas pela sua realidade social, pela roupa que veste, pelo lugar que vive, pela origem que possui. Também fomos pobres em Santa Catarina, mas o pobre daqui é diferente do pobre de lá.

Eu já havia assistido um documentário sobre a Casa do Zezinho e a incrível história da tia Dag, mas não consigo deixar de me surpreender. A Casa do Zezinho fica exatamente entre as comunidades do Capão Redondo, Jardim Ângela e Parque Sto Antônio, que já foi chamado de ‘Triângulo da Morte’. O Capão Redondo foi considerado pela ONU na década de 90, o lugar mais perigoso do mundo. E exatamente no meio deste ‘triângulo do esquecimento’ que está a sede da Casa do Zezinho.

Este documentário mostra uma inteligência, um manual de sobrevivência, uma malandragem, que só quem vive o problema sabe. Pare uma hora do seu dia e veja um projeto que realmente tem uma função social. Vivemos cercado de programinhas humorísticos, programas de auditório, novelas e infelizmente, projetos tão belos como este, não aparecem tanto quando deveriam. Mas você tem escolha, na ponta do dedo e no espaço de um clique.

 

Existem inúmeras frases emblemáticas durante todo o documentário como:

“A ponte do Rio Pinheiros, virou um muro de Berlin, para separar o rico do pobre”

Mano Brown do Racionais Mc’s, diz que é um muro bem pior que o de Berlin, pois lá a divisão era entre territórios, aqui a divisão é social. Vale lembrar que a divisão erguida durante a guerra fria, separava capitalistas de socialistas, o que mais tarde também acabou se transformando em uma divisão social, diante do desenvolvimento da Alemanha Ocidental e a estagnação da Alemanha Oriental.

“Como não vai dá? Tem que dá meu. Pro preto, pro favelado, pro pobre não tem essa história de não dá, não dá não existe, tem que dá ou então não sobrevive”

Isso é muito pertinente e emblemático, estamos tão acostumados a julgar, a reclamar, a esmorecer. Então você percebe que a única vantagem de estar no fundo do poço, é saber que não tem como descer mais. Então o caminho é só para cima.

“Construímos muros demais e pontes de menos”

Essa frase foi dita por Isaac Newton. Lembrei de Várias Variáveis, cd lançado em 1991 pelos Engenheiros do Hawaii, segundo o próprio Humberto, seu trabalho mais paulista. O álbum traz a canção Muros e Grades, que diz assim:

Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia…
Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido…