Vida sobre rodas – Documentário

Existe uma verdade indubitável, há um mundo particular que se esconde em cada história. Passamos pela vida sabendo muito superficialmente sobre as coisas. Só sabemos a riqueza dos detalhes quando nos envolvemos de forma muito particular. O skate por exemplo. Todo mundo sabe o que é, como se pratica, provavelmente lembra de alguns nomes como Bob, Mineirinho, Ueda, mas são poucas as pessoas que de fato conhecem a história do skate nacional. Este documentário é simplesmente sensacional. Não tem como você assistir e não querer sair correndo para comprar um skate. Que história fantástica destes caras, que mostra muito mais que a história do skate nacional nas últimas décadas. Mostra a história de jovens que muitas vezes tinham em comum apenas a paixão pelo skate. Mundos que nunca se cruzariam se não vivessem todos eles sobre as quatro rodas.

Os personagens centrais do documentário são as lendas do skate atual: Bob Burnquist, Cristiano Mateus, Lincoln Ueda e Sandro Dias. A direção é de Daniel Baccaro e tem na direção musical o fantástico Daniel Ganjaman que mais recentemente ficou conhecido pelo trabalho que faz ao lado do rapper Criolo.

 

“Vai na fé doido”

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Eu Maior

Não sei porquê ainda não havia compartilhado isso aqui no blog. EU MAIOR é um documentário brasileiro, com personalidades brasileiras, sobre autoconhecimento e a busca da felicidade. O projeto tem muito tempo, mas acredito que encontrou grandes dificuldades, lamentavelmente, para finalizar a sua produção. O resultado é uma reunião de várias doses de lição de vida. Quem ‘me apresentou’ este projeto foi a busca por matérias do Marcelo Yuka. Mostrei estes vídeos para todos que eu pude e continuo me emocionando ao rever cada um deles. Reuni as melhores entrevistas para você iniciar uma nova etapa em sua vida, prestando atenção em cada palavra, cada pensamento.

Marcelo Yuka

Mário Sérgio Cortella

Professor Hermógenes

Marcelo Gleiser

Flávio Gikovate

Araquém Alcântara

Rubem Alves

Paulo de Tarso Lima

Roberto Crema

Continuecurioso

Segundo o próprio site do projeto, Continuecurioso é uma web série documental sobre buscas e questionamentos. Nele, os produtores conversam com pessoas que se desprenderam de um jeito convencional de levar a vida pra caminhar em direção ao desconhecido.

“Sem saber muito bem o porquê, entendemos que quando é o próprio destino que tá em jogo ninguém entra pra perder. Ao avesso das coisas é que descobertas são feitas no trabalho, nas pessoas próximas e principalmente em si mesmo. Não sabemos qual jeito é o melhor ou se existe um jeito certo. Durante o caminho pra achar respostas, o que encontramos foram perguntas. e não importa quais foram, o que importa é que a gente ainda segue perguntando”.

“O caminho aguarda os pés, que enveredam por outro caminho.”

De alguma forma, talvez diferentemente da forma que você se identificará com os filmes produzidos para esta web série, o projeto é bastante interessante. Se sua vida possui mais dificuldades que a insatisfação profissional, se para você um emprego que lhe traga algum sustento já seria de bom grado, não podemos esquecer que infelizmente ou não, pessoas vivem em conflito, sejam os conflitos que for, baseados na realidade de vida de cada um. Você pode achar superficial, piegas ou pode aplicar aos seus conflitos pessoais e a dificuldade que todos temos em ser feliz, dentro e ao redor de nós.

Thiago Frias – Artista Plástico

Marilia Pedroso – Fotógrafa

Como Água

Desta vez vou sair do formato normal que uso para falar de filmes, onde coloco as informações técnicas e por fim comento o que achei. Não gostei e portanto vou direto ao ponto. Não será nenhum spoiler, já que a história toda é conhecida.

Como Água (Like Water) é um documentário americano produzido por Pablo Croce. Croce apresenta o cotidiano de treinamento de Anderson ‘Spider’ Silva, lutador brasileiro de MMA, iniciando com a luta contra o também brasileiro Demian Maia, sem dúvida a luta mais controversa da carreira de Anderson Silva, que foi fortemente vaiado após o combate onde saiu vencedor. Após a reprovação do público e do presidente do UFC, Dana White, o documentário acompanha Anderson Silva durante os três meses que antecedem a luta contra Chael Sonnen.

Infelizmente, para mim o UFC é uma grande fraude. Todos os lutadores são na verdade contratados pelos mesmos produtores do evento, sendo assim, funcionários de um mesmo patrão. Em diversos momentos, todas as polêmicas criadas por Chael Sonnen parecem parte de um plano midiático. Uma luta de UFC não teria o mesmo efeito, se antes de cada luta, os adversários não ficassem fazendo essa espécie de esquenta, cutucando um ao outro. O estranho é que toda essa rivalidade parece acabar no exato instante do fim da luta, tentando mostrar um respeito pelo adversário, que deveria soar como honroso e mais parece galhofa.

Vamos pegar as últimas 3 lutas de Anderson Silva, um cara que já foi dançarino, que vive pagando de boa gente, virou garoto propaganda onde ele mesmo se ridiculariza, mas que tem sérios problemas de entendimento com seus próximos adversários. Foi assim com Demian que após a luta aparece no treino de Anderson, aconteceu com Sonnen, onde após vencer o combate ele ajoelha em frente ao adversário e lhe da um abraço e foi assim com Vitor Belford, onde trocaram inúmeras acusações e provocações durante as prévias e ao final da luta, se abraçaram e disseram que são amigos.

O UFC talvez fosse um produto legítimo, quando a pancadaria quase não tinha regras. Dana White adaptou o evento, mudou as regras, tornou a coisa comercial, mais digerível e resgatou um produto que estava fadado ao fracasso, criando toda essa atmosfera de rivalidade forjada, que convence todo mundo. As trocas de acusações com adversários e o desentendimento de Anderson Silva com Dana White não poderia ser mais fake, ninguém bateria de frente contra o chefe que lhe banca um gigantesco salário. Se Anderson Silva fosse expulso do UFC, ele faria o que da vida? Daria aula em alguma academia? Até poderia ser verdade, o sucesso sobe à cabeça de qualquer atleta que vira celebridade, mas ninguém é idiota de perder esse filé.

Não duvido que Sonnen e Anderson sejam amigos por traz dos holofotes. Você acha que é teoria da conspiração? Quando surgiu a história do acidente do Nelsinho Piquet ter sido forjado para beneficiar Fernando Alonso, 99% das pessoas duvidou que algo pudesse ser forjado com tamanha dedicação. É muita grana envolvida e neste meio, ninguém é santo ou bobo. Esse sucesso repentino do UFC não é por acaso.

Você realmente achou que a assessoria do Steven Seagal foi por acaso? Essa jogadinha era usada no boxe há muitos anos. Pense você se Chuck Norris aparecesse treinando um lutador de UFC, você consegue imaginar o quanto isso geraria de mídia espontânea? Pegaram o Steven Seagal para dar mais veracidade, já que ele realmente é mestre em artes marciais.

O documentário não é ruim, mas para mim serviu para dar embasamento ao que sempre imaginei sobre o UFC. Vai dizer que você não está ansioso para ver Anderson Silva ganhar de Sonnen, apenas para ‘vingar’ tudo o que ele disse sobre o Brasil? O maior erro humano é ser previsível.

Infelizmento o documentário parece mais uma matéria de A Liga ou Profissão Repórter do que um documentário. Imaginei que conhecia sua infância, os primeiros anos, como iniciou a carreira no UFC, as dificuldades, no fundo revelou um cara que ficou milionário, gosta de ostentar e por muitas vezes parece ter esquecido do seu passado. Anderson Silva pode ser exemplo e ídolo para muito gente, para mim não é.

 

A Ponte – Documentário

Este documentário tem um sentido importante para mim. ‘A Ponte’ se refere a ponte do Rio Pinheiros, um ponto de partida, uma linha imaginária e simbólica que divide ricos e pobres.

Meu pai nasceu na zona leste de São Paulo, bairro da Mooca, corinthiano e pobre. Meu pai se orgulhava em contar que viveu na pobreza, conviveu com a violência, com drogas e que nunca usou nada, nunca se envolveu em crime. Meu pai se quer fumou um cigarro, conhecia a cidade inteira como poucos, trabalhou, estudou e fez a sua vida como pode. Minha família em São Paulo sempre foi bastante humilde e portanto convivi muito com esta realidade na minha infância e adolescência, mesmo tendo nascido em Santa Catarina e viver minha vida inteira aqui, sempre viajei muito para São Paulo com meu pai. Aprendi com ele a amar essa cidade tão cheia de contrastes.

Quando as pessoas ouvem hip-hop ou o depoimento de quem vive na favela, fica a percepção de que se tratam de pessoas sem vontade, sem força de reação, que só sabem fazer filhos e reclamar da desigualdade, mas se você não nasceu nesta realidade, você não pode fazer nenhum julgamento. Só quem nasce em uma realidade onde para qualquer lugar que você olhe, só se enxerga doença, pobreza, violência, descaso do poder público, sabe o poder destrutivo que isso causa, na capacidade de enxergar uma saída.

No ano passado levei minha noiva para São Paulo e ficamos em um hotel ao lado da Marginal Pinheiros, bairro do Morumbi, exatamente neste ponto de partida, entre as maiores empresas de tecnologia, agências de propaganda e outras grandes empresas. Andando pelas ruas ao redor do hotel, falei para ela: ‘- Essa não é a São Paulo que eu conheço’. Por mais bonitas que eram as ruas onde estávamos, os belos e imponentes shoppings, não me senti à vontade, não reconheci naquelas ruas a cidade que meu pai me ensinou a amar, com todos os seus problemas e a mistura do povo. Ele me ensinou a não julgar as pessoas pela sua realidade social, pela roupa que veste, pelo lugar que vive, pela origem que possui. Também fomos pobres em Santa Catarina, mas o pobre daqui é diferente do pobre de lá.

Eu já havia assistido um documentário sobre a Casa do Zezinho e a incrível história da tia Dag, mas não consigo deixar de me surpreender. A Casa do Zezinho fica exatamente entre as comunidades do Capão Redondo, Jardim Ângela e Parque Sto Antônio, que já foi chamado de ‘Triângulo da Morte’. O Capão Redondo foi considerado pela ONU na década de 90, o lugar mais perigoso do mundo. E exatamente no meio deste ‘triângulo do esquecimento’ que está a sede da Casa do Zezinho.

Este documentário mostra uma inteligência, um manual de sobrevivência, uma malandragem, que só quem vive o problema sabe. Pare uma hora do seu dia e veja um projeto que realmente tem uma função social. Vivemos cercado de programinhas humorísticos, programas de auditório, novelas e infelizmente, projetos tão belos como este, não aparecem tanto quando deveriam. Mas você tem escolha, na ponta do dedo e no espaço de um clique.

 

Existem inúmeras frases emblemáticas durante todo o documentário como:

“A ponte do Rio Pinheiros, virou um muro de Berlin, para separar o rico do pobre”

Mano Brown do Racionais Mc’s, diz que é um muro bem pior que o de Berlin, pois lá a divisão era entre territórios, aqui a divisão é social. Vale lembrar que a divisão erguida durante a guerra fria, separava capitalistas de socialistas, o que mais tarde também acabou se transformando em uma divisão social, diante do desenvolvimento da Alemanha Ocidental e a estagnação da Alemanha Oriental.

“Como não vai dá? Tem que dá meu. Pro preto, pro favelado, pro pobre não tem essa história de não dá, não dá não existe, tem que dá ou então não sobrevive”

Isso é muito pertinente e emblemático, estamos tão acostumados a julgar, a reclamar, a esmorecer. Então você percebe que a única vantagem de estar no fundo do poço, é saber que não tem como descer mais. Então o caminho é só para cima.

“Construímos muros demais e pontes de menos”

Essa frase foi dita por Isaac Newton. Lembrei de Várias Variáveis, cd lançado em 1991 pelos Engenheiros do Hawaii, segundo o próprio Humberto, seu trabalho mais paulista. O álbum traz a canção Muros e Grades, que diz assim:

Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia…
Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido…

Senna – Filme/Documentário

Estou ainda perturbado após assistir o documentário sobre o Ayrton Senna. É estranho, mas de alguma forma, sua morte me comove como se fosse uma relação recíproca. Tenho um problema em aceitar histórias contadas pela metade, histórias que terminam antes do que deveriam, mas como profetizou Renato Russo: ‘Os bons, morrem jovens’.

Até para escrever é difícil. Realmente fiquei bastante abalado com o documentário, nenhuma relação com sua qualidade ou a forma com que contaram as passagens na vida profissional do Ayrton, mas incrivelmente, reviver aquele fatídico dia me doeu na alma. Sabe quando nem a lágrima consegue escorrer pelo seu rosto. Tudo paraliza em você, sentimentos confusos, falta de saber o que de fato pensar.

Dói ouvir uma pessoa fazer planos e saber que eles não vão acontecer. Lembrei do Cazuza, que em várias entrevistas declarava estar confiante em encontrar uma cura para a AIDS. Lembrou meu pai que foi embora também, rápido demais. Talvez a lembraça do meu pai se misture a tudo isso mesmo. Meu pai tinha uma vida difícil, andava quilômetros e quilômetros de carro, vendendo materiais esportivos. O esporte era uma grande paixão e os poucos momentos que tínhamos juntos, era em frente à TV, assistindo alguma coisa que usasse bola, ou ainda, Fórmula 1 aos domingos. A única circunstância onde meu pai me permitia ficar acordado de madrugada, era diante da TV esperando começar a Fórmula 1.

Lembro realmente com muita tristeza aquele dia, pois assim que o acidente aconteceu, eu falei: ‘Pai, o Senna morreu’. Meu pai respondeu gritando: ‘Cala Boca Muleque, não sabe, não fale’. Eu entendo sua irritação, afinal, ninguém poderia acreditar que isso iria acontecer, ou ao menos não queríamos.

Como documentário é um filme excelente, muito claro, fácil de entender, de juntar as peças, entender as dificuldades políticas que envolvem a F1, problemas como já enfrentaram Barrichello, Fittipaldi, Felipe Massa, mas que foram resolvidos de maneira diferente a qual ele resolveu.

Senna é uma experiência de vida, de acreditar nos nossos objetivos, de traçar metas, de ter coragem, honra, determinação, ousadia, petulância. O Ayrton era no mínimo tudo isso. Talvez não entendemos hoje os propósitos de suas atitudes. Porque ele não parou no momento certo, porque tanta obcessão pela vitória. Mas se você pensar um pouco, vai entender, que uma missão existe para ser cumprida. Difícil entender, mas tinha que ser assim, exatamente assim, para que o mundo pudesse girar um pouco mais.

Não se trata uma questão de dizer que é bom e que você deveria alugar este filme, Assistir ‘Senna’ é uma obrigação.

Ficha Técnica

título original … Senna
gênero … Documentário
duração … 90 min
ano de lançamento … 2010
site oficial: www.sennaofilme.com.br
estúdio … Working Title Films / Midfield Films
distribuidora … Universal Pictures
direção … Asif Kapadia
roteiro … Manish Pandey
produção … Tim Bevan, Eric Fellner e James Gay-Rees
música … Antonio Pinto
fotografia … Gregers Salt
edição: Chris King e Gregers Sall

Premiações

Sundance Festival 2011
Ganhou Melhor Documentário – Júri Popular

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