Um dia com Jovem Nerd, Azaghâl, Abu Fobiya e Harald ‘Android’ Stricker
outubro 15th, 2012 by Jeff, under dia-a-dia. No Comments
Na última quinta-feira peguei a estrada rumo a Curitiba/PR, lembrando que moro em uma pequena cidade catarinense chamada Pomerode, do ladinho de Blumenau. A intenção era participar da tarde de autógrafos dos livros ‘Independência ou Mortos’ e ‘Branca dos Mortos’, ambos lançamentos da Nerdbooks, editora criada para lançamentos de livros exclusivos do site Jovem Nerd. Se você não conhece o site, perdeu o trabalho mais original, profissional, lucrativo e evangelizador que a internet brasileira já foi capaz de criar. Não estou exagerando de dizer que o Jovem Nerd se tornou o melhor case da internet nacional e me arrisco a dizer da internet mundial também.
Começaram como blog, adicionaram um podcast, incrementaram com o webisode NerdOffice e fecharam o pacote com o NerdPlayer e a agregação da galera do MRG (Matando Robôs Gigantes), outro podcast de muito sucesso. Para ser um pacote completo, só mesmo com um vlog de maquiagem da Sra. Jovem Nerd e da Portuguesa. Eles já eram famosos quando trouxeram Anderson Gaveta, amigo das antigas, até então editor da respeitadíssima produtora carioca Seagulls Fly, para trabalhar integralmente no projeto e elevar o nível de desenvolvimento dos programas em vídeo.
Feita as devidas apresentações, fui a Curitiba após convencer minha noiva, para conhecer pessoalmente esta galera que eu acompanho há algum tempo. Não sou um fã dos primórdios, infelizmente, mas sou um admirador fiel. Meu interesse pelo site começou de forma muito interessante, após ouvir o Nerdcast de Natal de 2010, quando o brilhante Guilherme Briggs narrou o programa dublando os personagens Grinch e o famigerado Scrooge. Foi identificação à primeira vista. Ironicamente o mais divertido de tudo foi ouvir a frase ‘Recados da Paróquia’, que automaticamente lembrou minha infância e o momento que eu mais gostava ao ir para a igreja, já que a frase ‘Vamos aos recados da paróquia’ determinava que a cerimônia tinha, enfim, acabado. Quando ouvi esta frase, a lâmpada da genialidade acendeu: tem coisa boa aí. Como todos que ficam fãs do site, sai ouvindo todos os programas anteriores. Hoje em pordcasts já são 346 episódios até o momento.
Eu já imaginava que o público seria grande na tarde de autógrafos, mas ainda assim vale a brincadeira com a imagem que foi publicada no site anunciando o evento:

Após me espantar com a quantidade de pessoas e me irritar um pouco com a permanência dos que não arredavam o pé mesmo após receberem seus autógrafos, fiquei surpreso com a gentileza de várias pessoas. Tirando alguns seres estranhos, encontrei várias pessoas educadas e solidárias. Quando cheguei, após uma hora de início do evento, os autógrafos ainda estavam na senha 40. A minha? 210. Mesmo ficando para trás na fila, quando chegou minha vez, me deixaram passar na maior gentileza. Participar de um evento nerd tem suas vantagens. Se fosse um show de rock, acredito que a resposta seria mais contundente.
Minha mais grata surpresa foi com a simpatia, paciência e extrema gentileza das esposas de nossos queridos Azaghâl e Jovem Nerd, Portuguesa e Sra. Jovem Nerd respectivamente. Mal chegaram ao evento e já foram paradas no meio do caminho. Começaram a autografar os livros em pé mesmo, em meio a vários fãs sedentos por atenção. Mesmo diante do assédio continuaram a manter o bom humor. Falei com o Almôndega, filho da Portuguesa, que por alguns instantes era apenas mais um na multidão, até que descobriram sua identidade. O Sr. Gaveta eu desisti de conversar, cercaram ele e dali ninguém arredava o pé. Ele só conseguiu respirar quando o chamaram para gravar algumas cenas para o próximo NerdOffice. O que ajudou a aliviar um pouco da pressão em cima da mesa de autógrafos com Allotoni, Azaghâl, Fabio Yabu e Harald. Novamente fiquei feliz com a simpatia de todos, Abu Fobiya, heterônimo dark do talentosíssimo e doce Fabio Yabu, que logo perguntou meu nome para dar o seu autógrafo. Jovem Nerd me reconheceu do email lido no podcast que antecedeu o evento, quando avisei que iria até Curitiba para que o Azaghâl me desbloqueasse no Twitter. Harald não falou nada, mas não precisava, seu talento basta. E o Azaghâl infelizmente não engana. Toda a tentativa de criar a imagem do escrotizador, troll ou pedante/mal educado, se desfaz diante da visível personalidade de um cara gentil por natureza. Mas entendo o personagem que funciona como antagonia do Alottoni/Jovem Nerd que escancara a benevolência.
O que pude constatar, mesmo que por muitas vezes uma inveja tenha me feito refém, é que eles estão no lugar que mereceram estar e todas as conquistas do mundo para eles será sempre justa e coerente. Se cercaram de gente do bem. Valeu a pena, valeu a viagem e valeu a experiência. Certamente estarei em outras oportunidades.
Email encaminhado ao físico Marcelo Gleiser
julho 24th, 2012 by Jeff, under dia-a-dia. No Comments
Talvez um dos meus maiores defeitos seja minha necessidade de manter uma opinião pessoal sobre tudo. Fico angustiado em casa quando assisto a algum debate, um assunto polêmico e me vejo diante da incapacidade de dizer o que penso. Neste aspecto a internet é mais libertadora, não na medida justa, mas menos unilateral. Eu mantenho muito a distãncia e calada, uma admiração muito grande pelo físico brasileiro Marcelo Gleiser e após sua participação em um programa de televisão, resolvi lhe escrever. Me senti honrado de receber sua resposta e saber que ele leu o email, o que apenas fortalece essa admiração.
O email
From: Jeff Skas
Sent: Monday, July 23, 2012 4:32 AM
To: mgleiser@dartmouth.edu
Caro Sr. Marcelo,
Tenho 29 anos e moro em uma pequena cidade no interior de Santa Catarina chamada Pomerode.
Hoje tive a oportunidade de ver sua participação no programa Canal Livre.
Já lhe conhecia de inúmeras outras oportunidades e já alimentava uma grande admiração pessoal, certamente por valorizar a união entre conhecimento e eloquência que você possui.
Hoje no entando, entre tantas curiosidades interessantes abordadas no programa e essa inundação de conhecimento que você sempre traz, uma frase me atingiu diferente.
Quem sabe algum ‘oscilação dos neutrinos’ (tentei fazer uma piada com o assunto do programa, ele nem deve ter entendido, porque provavelmente não faz sentido). Trabalhei toda a minha vida, desde os 15 anos, como profissional de criação. Sempre me senti uma pessoa repleta de respostas e convicções.
Com o passar do tempo, estas certezas passaram a perder força e utilidade, dando espaço a uma completa desorientação pessoal, filosófica e ideológica.
Confesso que essa sensação por muito tempo me trouxe muito receio, como se tudo estivesse perdendo sentido e importância.
Aos poucos tento me convencer que esta dificuldade de visualizar um caminho delimitado seja na verdade uma libertação, parte de alguma evolução pessoal, resultante da minha inquietação pelo desconhecido.
Você como físico certamente vivenciou isso com muito mais intensidade e naturalidade que eu. É confortante ouvir palavras como as suas, quando você afirma que o desconhecimento de inúmeros questionamentos seja na verdade uma espécie de propulsor ao encontro da evolução humana.
Me sinto menos estranho e menos sozinho. Infelizmente, devido a inúmeras circunstâncias, não consigo conviver com pessoas que queiram mais de suas vidas, além de aceitar o já estabelecido, as respostas já formuladas, aceitando as regras impostas.
Incrivelmente, diante da internet e sua capacidade de quebrar qualquer tipo de barreira física, parece que na chamada era da comunicação, falamos cada dia menos, discutimos cada dia menos, usamos cada dia mais com resultados cada vez menores.
Apesar do que disse até aqui, a frase que mais me chamou a atenção foi quando você disse: Por que um quadro é pintado? Qual a sua utilização prática? Sua analogia para justificar o estudo da física, não apenas justificou uma motivação, mas teve um efeito catártico em mim.
Mantenho um blog pessoal há alguns anos e diante do número de acessos pouco expressivos para os números atuais e a completa falta de aplicação ou resultado prático e efetivo, passei a questionar sua relevância e pior, passei a questionar minhas motivações.
Você sintetizou todos os meus questionamentos sob a ótica daquilo que não possui uma lógica óbvia e direta. A capacidade de entender e aceitar o que será e não o que é.
Temos dificuldade como seres humanos, comuns e limitados, em lidar com o tempo: o passado, o presente e o futuro. Ações, reações e motivações.
É estranho ou talvez enigmático que para mim, quanto mais a ciência se aprofunda em seu conhecimento, mais evidente me parece a certeza de que conviveremos eternamente (essa é uma palavra que você não deve usar com frequência), com um grande desconhecido. Talvez conseguiriamos conviver melhor com esta ilha de conhecimento e este oceano de desconhecimento, se aceitarmos que a função de uma pergunta é apenas gerar outras. Respostas não deveriam ser um objetivo ou uma meta a ser alcançada quando, de fato, são elas as responsáveis por todas as nossas limitações.
Obrigado pelos ensinamentos e parabéns por tudo que você representa.
Jeff Skas
Resposta
From: Marcelo Gleiser
Sent: Monday, July 23, 2012 8:24 AM
To: Jeff Skas
Isso mesmo, Jeff, respostas fecham portas; perguntas as abrem…encontrar a paz que vem do questionamento é muito gratificante, mesmo que às vezes difícil.
um abraço,
Marcelo
A medida de amar é amar sem medida…
junho 20th, 2012 by Jeff, under dia-a-dia. No Comments
O título deste post não tem necessariamente relação com seu conteúdo, ou tem em parte, mas a intenção é apenas mentalizar algo positivo. Infelizmente a internet nos levou a um fenômeno muito estranho. Vi em alguma pesquisa, que 60% dos tweets publicados no Brasil, possuem alguma conotação de reclamação. Todo problema exige necessariamente um tempo de assimilação. Quanto mais intolerante você é, menor é seu tempo de assimilação da adversidade. Alguns problemas exigem segundos, contar até 10 sabe? Já ouviu isso não é mesmo? Outros problemas levam muitos anos ou até uma vida inteira para se solucionarem, existem até mesmo aqueles que nunca terão uma resolução, cabe talvez o ditado: ‘O que não tem solução, solucionado está’.
Já fui alguém extremamente intolerante, hoje percebo o que era defeito virar qualidade. Ainda estou muito distante da tolerância que desejo ter na vida, mas sei que estou no caminho certo, e acredite, a tolerância é sem dúvida a resposta par seus maiores problemas. Tudo tem um tempo para acontecer, nem antes, nem depois.
Espere… Seja prudente…
E espere mais, se for necessário…
Estudio i e Criolo
março 8th, 2012 by Jeff, under dia-a-dia. No Comments
Há muitos anos que eu assisto tv através de tv por assinatura e como aqui onde moro, a Globo não faz parte dos pacotes, assisto a transmissão local usando uma anteninha interna. Enfim, há alguns dias estou assistindo a transmissão da Globo pela parabólica e assim, pude conhecer o excelente ‘Estúdio i’, apresentado pela agradável ‘Maria Beltrão’, aquela jornalista que apresenta a cerimônia do Oscar na Rede Globo.
O Estúdio i é um programa jornalístico de entrevistas, debates e comentários, com uma condução bem informal. Para meu espanto, buscando informações sobre o programa, descobri que na realidade ele é originalmente produzido e exibido pelo canal Globo News, mostrado diariamente de segunda a sexta às 14h. Na parabólica, ele é transmitido as 6h:30 da manhã. Eu nunca entendi essa visão da Globo, de passar programas interessantes em horários completamente ‘alternativos’. Se não passa de madrugada, passa em um sábado ou domingo de manhã. Parecem serem feitos para ninguém assistir. Não sei se subestimam a capacidade do brasileiro de se interessar por cultura e educação, se apenas querem preencher a grade de horários ou se ainda não querem de fato promover o conhecimento. Já dizia Renato Russo: ‘Nos querem todos iguais, assim é bem mais fácil nos controlar e mentir’.
Hoje o programa trouxe a emocionante participação do Criolo. Emocionante porque é extremamente bonito e revigorante, perceber um artista que não esqueceu suas motivações, mesmo diante de tantos holofotes apontados para si. É visível o esforço que Criolo faz, para se manter fiel a sua estrada, sua caminhada e me encorajo dizer: sua missão. Criolo é o artista que entendeu e vivenciou o papel tranformador que a arte pode ter, para aqueles que não possuem perspectivas, como ele mesmo diz, pessoas, crianças que não possuem direito ao acesso de suas necessidades fisiológicas simples, como alimentação e higiene básica.
Cadar participação que ele faz em um programa de televisão, aproveita para ‘vender’ seus princípios, suas crenças e motivações. Sinceramente não consigo lembrar de nenhum artista que tivesse essa capacidade de se manter inerte a toda afetação que a fama pode causar. Criolo não é nenhum maluco que resolveu renegar o mundo capitalista, que foi viver de sol e brisa em algum lugar perdido no interior.
É um cara que diante de todas as dificuldades, da dura realidade de uma cidade metropolitana brasileira como São Paulo, ainda consegue falar sobre amor, sobre fé, sobre compaixão, sobre a importância e relevância de uma mudança de foco, percebendo todos que sofrem, todos que faltam, todos aqueles esquecidos por um país pautado e enraizado dentro de uma política pública irresponsável.
Queria muito que alguém disponibilize o vídeo deste programa porque Criolo está cada dia mais afiado em sua palavra.
Mallu Magalhães
fevereiro 28th, 2012 by Jeff, under dia-a-dia, musica. 1 Comment
Impossível ser uma pessoa atenta aos assuntos que acontecem no país e nunca ter ouvido falar em Mallu Magalhães, que tem o sugestivo nome Maria Luiza de Arruda Botelho Pereira de Magalhães, eu não sabia isso obviamente, achei na Wikipédia. Brincadeiras à parte, sempre acompanhei a carreira dela um tanto distante, não tenho nenhum dos seus três álbuns lançados, mas foi impossível não saber um pouco da sua vida, sendo a grande aposta da MTV em 2008. Não se falava em outra coisa e por um tempo achei que o Brasil iria descambar para este estilo musical. Além de MTV, teve Programa do Jô, Altas Horas e inclusive grandes festivais como o Planeta Atlântida e apresentações internacionais.
Apesar da grande aposta na jovem cantora, que em 2008 tinha apenas 16 anos, Mallu Magalhães sempre dividiu opiniões. Instrumentalmente acredito que é indiscutível seu talento, musicalmente já acho que mereça ressalvas, mas o que sempre dividiu opiniões foi seu jeito pessoal, infantil e por vezes estranho de ser. Pelo ‘barulho’ que fizeram sobre seu trabalho, acredito que a carreira dela não decolou à altura do que se prognosticava. Será que estou sendo injusto? Não sei, mas parece que seu hiato midiático esfriou todo frenesi criado em 2008 quando ela surgia para o grande público. Vivemos um momento em nossa sociedade onde o tempo costuma ser cruel em um período cada vez menor.
Além de intercalar o tempo todo entre opiniões positivas e outras extremamente contrárias, seu relacionamento com Marcelo Camelo foi outra grande polêmica. Ela com apenas 16 anos e jeito de 12, ele, um músico consagrado, com 30 anos, quase o dobro da idade, tudo isso unido a personalidade bastante particular de Camelo, um cara digamos…introspectivo.
Posso, quase que certamente estar sendo preconceituoso, mas este relacionamento nunca me convenceu de ser algo bom. Duas personalidades introspectivas juntas não é definitivamente uma boa combinação. No início tudo parece muito bom, ambos se identificam nas ‘maluquices’, em um certo grau de ‘fobia social’ e tudo mais que faria você deixar de ser ‘um bom partido’. Pessoas incompreendidas tendem a encontrar alento em outras pessoas incompreendidas. Não estou atirando a pedra muito longe, falo com certo conhecimento de causa. Mas acredite, a longo prazo a relação tende a se transformar em algo ruim para ambas as partes. O mal se alimenta do mal, seja lá qual a definição que você dê para ele. Todos precisamos de vigas de sustentação emocional ao longo da vida e apesar da identificação inicial, construir um relacionamento sobre vigas que já sofreram abalos é bastante arriscado.
Assistindo ao novo clipe de Mallu Magalhões, da música ‘Velha e Louca’, só consigo encontrar ainda mais sustentação na minha tese. Impossível não perceber as mudanças físicas e a personalidade que já era bem particular, ser ainda mais gritante. A magreza que convencionaram chamar de ‘esguia’, como forma de elogio, parecendo uma modelo cabide de roupa, para mim, continua carregando o estigma da ‘anorexia’, de alguém doente, de alguém em falta, de alguém em déficit. Nem para cima nem para baixo, sinônimo de saúde física e mental é definida pela palavra EQUILÍBRIO. Eu sei, talvez eu seja o sujo falando do mal lavado, mas ainda assim prefiro enxergar com clareza que as coisas não podem estar bem.
Não precisa ir longe, quando Amy Winehouse apareceu ‘esguia’, abandonando o perfil ‘gostosa’, grande parte das fãs estavam achando tudo lindo. Se fosse esquecer tudo isso, ainda teria esta vivência simbiótica entre ela e Marcelo Camelo. Ele como produtor do álbum dela enquanto o álbum dele vem com o título ‘Toque Dela’, uma clara referência a influência dela sobre o trabalho e a vida dele. O que pelos fãs seja visto como uma prova de amor, para mim continua sendo uma supressão de personalidades e a criação de uma terceira personalidade, híbrida.
Sempre ouvi aquela máxima de que existem pessoas que nascem com ‘alma velha’. Gente jovem que gosta de coisas de outras décadas, que desde muito jovem ouvem temas mais densos. Não existe nada de original nisso. Mallu Magalhães sempre foi influenciada por Johnny Cash e Bob Dylan, daí a cantar uma música que diz:
Pode falar que eu não ligo,
Agora, amigo,
Eu tô em outra,
Eu tô ficando velha,
Eu tô ficando louca.
Parece que ela tem ciência da própria realidade e do julgamento alheio, mas ainda assim, temos que lembrar que Mallu tem apenas 19 anos.
Veja as mudanças físicas que comentei acima:





