Carne de Segunda

Ontem fui ao mercado e me deparei com um sentimento estranho.
Estamos tão habituados a certas realidades do dia-a-dia, de forma tão inconsciente, passando despercebidos entre detalhes sutis.
O mercado repleto de clientes, misturados entre homens, mulheres e crianças, se esbarrando entre as prateleiras abarrotadas de infinitas opções.

Me chamou a atenção, observar a diferença entre os carrinhos de compra.
Nem sempre a família mais numerosa era aquela que empurrava o caminho mais cheio.
Nem sempre o carrinho mais cheio era o carrinho mais caro.

Haviam pessoas no entanto, que nem carrinho usavam.
Não tinham muita escolha, em uma das mãos, um simples pacote de macarrão barato, daquela marca que você nem conhece, da embalagem feinha. Na outra mão, um punhado de carne de segunda, sabe lá quantas bocas teria que alimentar.

Um pouco adiante, um grupo de mulheres muito distintas, produzidas de forma mais conveniente a um evento social do que uma simples ida ao mercado. Dialogavam sobre um livro de Sidney Sheldon. Eu naquele lugar, tentando entender estes contrastes, tentando organizar meus pensamentos como peças de um quebra-cabeça incompleto. Lembrando de quem tem fome, diante da fartura, sem ter acesso ao básico.

A indiferença dianta da situação que transforma pessoas em seres invisíveis. Que mundo será este que construímos, onde alguns pedaços de papel alternam os direitos de cada ser. Usamos a praticidade do cartão de crédito enquanto outros usam apenas velhas moedas, sujas, miúdas e numerosas, sem valor, encarando os olhares tortos, pelo dinheiro que parece valer menos.

Desenvolvemos de forma eficaz, um mecanismo de tolerância só acionado diante das diferenças quando estas se tornam antagônicas. Enxergamos em preto e branco, só diferenciamos gritos de gemidos, esquecemos dos sussurros. A riqueza ostentada ou a pobreza miserável. Vemos aqueles que não comem e ignoramos aqueles que comem pouco ou mal. Vemos a favela, o mendigo, ignoramos as famílias que vivem na corda bamba, nos aluguéis atrasados, nas prestações vencidas, na luz cortada, na comida escassa.

Familias onde sobram dias no fim do salário. E independente da distância que todos estamos uns dos outros, nos encontramos entre corredores de supermercados, fingindo que somos todos iguais, fingindo que nos alimentamos da mesma comida. O pão talvez seja o mesmo, mas o que colocamos dentro não é.

Compramos carne, mas nem todas são de primeira.
A carne de segunda, alimenta terça, quarta, quinta, sexta.

Este foi o mundo que criamos.

J.R. Wills

post scriptum: Escrito originalmente em 10 de fevereiro de 2008.

Aberração cromática

Na madrugada de sábado para domingo, finalmente o Altas Horas desencantou e por alguns instantes voltou a parecer o velho Programa Livre, mostrando de fato o que de bom estava acontecendo no cenário da música nacional. Mas infelizmente temos que entender que a Globo, infelizmente é a Globo. A participação justa e pontual do Nenhum de Nós, em pleno lançamento do melhor trabalho produzido pela banda, mostra que talvez ainda reste alguma esperança de enxergar algo bom.

O que não é bom é a pergunta clássica para toda banda que não usa cabelo escorrido ou usa roupas coloridas: ‘O que você acha do cenário atual da música’.

A pergunta por si só já denota uma crítica velada, mas também um claro sinal de ignorância. O cenário da música não é, nunca foi e nunca será, graças a Deus, aquilo que aparece nos principais meios de comunicação. E o erro parte sempre do princípio de tentar transformar em coletivo, uma experiência que POR FAVOR, precisa e sempre será individual. E nem sei se podemos condenar os meios de comunicação por isso, existe tanta diversidade, tanta gente que quer ter seu espaço, que necessariamente precisa existir uma seleção, e talvez seja neste critério de seleção que pousa nossa indignação.

Como podemos de fato classificar o que é bom e o que é ruim? Sertanejo é bom ou é ruim? Rock é bom ou é ruim? Se levarmos em conta apenas questões mais técnicas, como a qualidade vocal e a qualidade da execução de cada instrumento que compõe uma banda, existirá o bom e o ruim em todos os estilos musicais. Talvez esta seria a única forma justa de classificar alguma coisa. Mas peraí, se dependesse disso, todos os finalistas do Ídolos deveriam de fato se tornar um, então não depende apenas da qualidade musical para algo ser considerado bom. Na verdade mesmo, a única realidade aceitável é que o conceito de bom e ruim, nunca será algo delimitado, imutável, aceitar a mudança constante é a única maneira de aceitar a evolução natural da vida.

E como não existem perguntas com respostas certas, apenas julgamentos equivocados, lá está o Restart. Que virou a sensação da gurizada e o terror da galera que nasceu antes da virada do século. E foi com aquela pergunta clássica que o Thedy Correa, vocalista do Nenhum de Nós, respondeu de forma inteligente e diplomática, que a culpa de estarem em evidência, não seria deles.

A crítica velada está aí como sempre. Se você cita a palavra culpa, já denota o fato de que algo está errado, isso é simples. Ninguém precisa dizer: ‘Eu acho uma bosta!’ para você entender a intenção. E essas críticas que se propagam na internet, sempre usando o Restart como motivo de chacota, já ficou repetitivo, chato e limitador. Precisamos nos aprofundar mais no assunto se quisermos que algo fique diferente e a explicação é simples.

Partimos do princípio básico, como diriam os Titãs:

Acima dos homem, a lei.
Acima da lei dos homens, a lei de Deus.
E acima da lei de Deus, o dinheiro.

Se o dinheiro está no topo desta cadeia, abaixo desta cadeia está a mídia de massa. As grandes empresas de comunicação do país, televisão, rádio, jornal. Quem comanda essa ligação entre mídia e dinheiro estão os profissionais e empresas de marketing e propaganda. Hoje, em qualquer agência consideravelmente grande, existe um grande assunto em pauta que é a INTERNET. Se o assunto da vez é a internet, passamos a criar uma via de mão dupla entre mídia e internet, onde tudo que aparece na internet vai para a tv, rádio e jornal, e consequentemente tudo que é mostrado nestes veículos de informação, voltam para a internet em uma espécie de ação e reação. Lembram da lei da física? Toda ação tem uma reação de igual intensidade…blá blá blá.

É inegável o fato de que a grande maioria dos usuários da internet e tecnologia em geral é formada por adolescentes. Se não é uma maioria física, é no mínimo uma maioria em despendimento de tempo na rede. Sem qualquer responsabilidade com a vida adulta, que exige por regra que você trabalhe para pagar suas contas e assim poder viver, fica mais fácil perder muito tempo na internet fazendo coisas inúteis. Se inventaram o termo família, para os fãs de um artista, é nítida a idéia que o termo perdeu um pouco seu significado original, afinal hoje em dia, família com pais e filhos como sinônimo de união não é infelizmente uma realidade.

Então é simples imaginar que enquanto as empresas de propaganda, que tem seu lucro mais substancial nas comissões de mídia, que acreditam que a internet seja o grande e novo campo fértil para os investimentos, tudo que é maioria na internet, por ação e reação se torna maioria nos canais de tv, nas rádios do país e nor jornais e revistas. E será que no passado foi diferente?

Existiu um tempo em que a bossa nova era o campo fértil, a mpb, a jovem guarda, o rock, o sertanejo, o pagode, o axé, o emocore (?), o sertanejo universitário e também os coloridos da vez. Você sabe porque ainda se toca Roberto Carlos na Globo? Porque ainda existe gente, de uma outra geração, que acredita que ainda existe solo fértil ali.

Se você perguntar para minha mãe, as referências musicais dela, certamente estarão aqueles solos ferteis da sua juventude. Assim como você é saudosista com os da sua geração. Temos um problema muito grande com solo fértil, somos em grande parte, partidários da monocultura.

O grau de insatisfação no entando, está em ser ou não o solo fértil da vez. Enquanto nascem e morrem estilos como este tocado pelo Restart, o Nenhum de Nós não deixou de gravar seus cds e não precisou ser considerado o solo fértil da vez, para estar em evidência nos grandes canais de tv, para continuar uma bela carreira. Não existe merecimento nenhum em ser uma unanimidade. Não existe merecimento algum em ser a trilha sonora que toca a boiada em frente.

O Restart é apenas um grupo que se beneficiou de uma nova realidade comercial, assim como todos os outros, o que vai determinar se eles possuem algo de positivo e sólido, é continuar fazendo música quando os ventos mudarem de direção e não esqueça, eles sempre mudam.

 

 

Bruna Surfistinha

Atenção: Leia somente após assitir o filme.

Acabei de assistir Bruna Surfistinha, confesso que eu não botava muita fé. A Deborah Secco me parece ser uma pessoa bacana, mas como atriz ela ainda não acertou o papel e tenho certeza que ela pensou que seria desta vez.

Não vou dizer que o filme é ruim, mas se sustenta muito mais em uma curiosidade voyeur que temos de saber da vida alheia, do que necessariamente em um filme bem feito. A minha sensação é que a produção do filme achou a história tão fantástica que ela faria o filme sozinha, bastava filmar. Não tem como mentir que a história se vende sozinha, mas não sustenta o filme. Um dos problemas na minha opinião, começa pelo fato da Deborah Secco não ter qualquer semelhança física com a própria Bruna. Ela é mais bonita do que a Bruna (ou Raquel) é de fato, ainda mais sendo uma história recente. Todos nós conhecemos a Bruna Surfistinha de programas de televisão e entrevistas em geral. Tem gente que conhece ela ainda melhor, afinal ela fez um ou dois filmes pornôs.

Para mim, essa diferença estética cria uma desconexão com alguns momentos do filme, fazendo a história parecer fake. Fica difícil entender porque ela não era tão popular na escola. Nos momentos dramáticos a interpretação da Deborah Secco deixa a desejar, você não se envolve com a personagem, não se compadece, não simpatiza, não cria nenhum sentimento. Talvez não fosse uma preocupação, afinal sentimento é algo que na sua vida real, Bruna Surfistinha teve que renegar para se transformar em prostituta.

A história da Raquel Pacheco (nome verdadeira da Bruna Surfistinha), é como tantas outras, uma história triste, mostrando todo o lado obscuro de quem opta pela prostituição. Afinal o sexo, de prazeroso para nojento é simples, não precisa de muitos ingredientes. Me surpreendeu o excesso de nudez da Deborah Secco, o que acaba tirando um pouco o lado sensual que poderia ter. É em resumo, liberal demais para ser sensual e liberal de menos para ser excitante. Ficou no meio do caminho.

Tive a plena sensação que esta entrega toda da Deborah Secco para o filme, afinal ela aparece várias vezes em cenas de sexo, ao menos uns 20 atores puderam ver ela nua, tinha a pretenção de transformar o filme em um marco da sua carreira, me perdoe, mas não é. No fundo, no fundo, até hoje me pergunto por quê essa história tomou proporções nacionais e até internacionais. Uma prostituta que tinha um blog, que transava com milhares de clientes, gastou 90% do que ganhou em droga, escreveu um livro contato tudo e ficou famosa. Na verdade a Raquel Pacheco, mais precisamente a Bruna Surfistinha é um resultado da realidade da internet brasileira, que transforma em celebridade, qualquer porcaria que acumula muitos acessos. O que criou a Bruna Surfistinha é o mesmo que criou Felipe Neto, gaga de Ilhéus, a louca do chip, Jeremias. A diferença é que a Raquel Pacheco tinha uma história para contar, não tinha pudor de contar e tinha um jornalista esperto para colocar isso no papel.

E só para você saber, o filme custou R$ 4 milhões, que foram pagos adivinhe? Com subsídio do Ministério da Cultura.

O maior erro no entanto, fica com o desfecho do filme, que não explica como a Bruna Surfistinha de fato se tornou filme. Como ela deixou de ser uma prostituta com um blog conhecido pelos seus clientes e passou a ser conhecida popularmente. Segundo a Wikipedia, seu site tinha 10.000 acessos por mês. Isso é menos do que o Gelo Negro tem. Acontece que no Brasil, ninguém se torna conhecido sem fazer alguma M…

 

Lady Gaga – Not the Same Anymore

Ela continua a mesma, mas os seus cabelos… (quem me dera se fossem somente os cabelos).
Muita água passou por debaixo da ponte desde que escrevi este artigo sobre Lady Gaga há três anos.  E quanta mudança…

Fazer resenha da cantora mais famosa da atualidade é chover no molhado, então vou listar algumas das suas qualidades que eu achava interessante e avaliar se mudou realmente muita coisa desde a última vez que falei sobre a Lady Gaga aqui no blog. Na época ela havia recém lançado seu cd, The Fame (2008), e digamos que ela ainda não era tãããão famosa assim, pelas terras tupiniquis.

Vejam alguns trechos daquela publicação:

“…o mais bacana é que ela é tem um corpão bem no estilo ‘gostosona’, muito longe da magresa esquelética e sem graça de muitas das celebridades atuais…”
Atualizando: Infelizmente não dá mais para afirmar a mesma coisa.

“…com um vestuário para lá de estiloso, capaz de causar inveja as mais estravagantes artistas pop dos anos 80…”
Atualizando: Ultimamente até o Marilyn Manson já está com inveja do excentrismo dela. As roupas extravagantes já até perderam o colorido perto das esquisitices que ela inventou nos últimos tempos.

“Lady Gaga já vendeu cerca de 1,3 milhão de Cds”
Atualizando: The Fame vendeu mundialmente 12 milhões de cópias. Ela já chegou a vender em 5 dias, 1 milhão de singles.

Não tem como não perceber o sucesso que Lady Gaga está fazendo no mundo, é realmente uma máquina de hits, mas para mim suas manias perderam a linha e acabaram ficando sem graça. Eu realmente acreditava que ela preencheria um papel que nunca foi ocupado, uma cantora pop, com estilo e principalmente talento, caiu na mesmice de sempre, a la Madonna, cantando musiquinhas que ensaiam uma blasfêmia e a velha tentativa iconoclasta de chocar os babacas conservadores que se importam com a profanação de símbolos religiosos.

Sinceramente, se existe um ‘castigo divino’ para quem faz isso, pouco me importa, não sou eu o ‘pecador’ e muito menos o juiz, no fundo acho algo extremamente blasé, principalmente nos dias atuais. Se ela voltasse uns 50 anos no tempo, talvez eu até pensaria que tem alguma atitude transgressora em tudo isso, hoje acho pura palhaçada. Tem uma frase de um publicitário muito famoso, que poderíamos aplicar para a Lady Gaga.

Ultimamente, se colocarmos um muro ao redor da sua carreira, vai parecer hospício. Se colocarmos uma lona vai virar um circo. Eu achava extremamente divertido as roupas coloridas e o jeitão todo diferentão, parecia alguém que se sentia livre de modismos. Agora fica nítida a intenção de apenas provocar polêmica, de um jeito no mínimo apelativo. Estão fazendo piada de uma carreira que poderia ser bastante sólida. É provável que ela trilhará o mesmo caminho de Madonna, protestando, enlouquecendo, virando santa, virando benevolente, enlouquecendo mais uma vez, entrando para alguma ceita qualquer, adotando crianças africanas. Brincando de quente e frio, morde e assopra.

Minha opinião obviamente não vale nada, mas para mim, Lady Gaga do jeito que está hoje, virou motivo de piada e esta limitando seu público a mesma gurizada idiota, que no Brasil ouve Dulce Maria, Luan Santana, Ivete Sangalo, Babado Novo, Selena Gomez. É aquele público que vemos em todo show aos gritos, meninas de 10 a 14 anos e garotos da mesma idade, com uma delicadeza acentuada, digamos assim.

Bom, a própria Lady Gaga se considera a rainha do público LGBT. E não venham com esse papo de preconceito, mas sinceramente, o público gay é igual ao público evangélico, qualquer porcaria eles engolem. Desde que seja do ‘movimento’ deles, qualquer coisa vale. Senso crítico vale para qualquer pessoa, independente de opção sexual.

Em anos e anos de parada gay, nunca conseguiram absolutamente nada. Quando mandaram um representante com instrução para o congresso, a coisa andou. E por favor, chega dessa idéia de que falar qualquer coisa contra o público gay é preconceito.

Sucesso nada planejado…

Se você está se perguntando até agora, se “A Banda Mais Bonita da Cidade” planejava ficar famosa em todo país, a resposta vem em forma de música. Eles gravaram uma música chamada “Caderno G”, que mais tarde, passou a se chamar “Submundo Autofágico”. A mudança é simples, poucas pessoas no Brasil vão entender que “Caderno G”, é uma das colunas do jornal Gazeta do Povo, o maior jornal do Paraná, terra da banda que é de Curitiba. Que tal você entender as outras referências regionais que eles citam na música?

Submundo Autofágico

A Banda Mais Bonita da Cidade

O que é ser famoso pra você?
Um Oscar, um Grammy,
Um Nobel, um Emmy.
A capa da Rolling Stone,
A capa da Veja, da Istoé.
É ser o maior hit do verão,
maior do que foi o axé
Mas nesse submundo autofágico,
(autofagia é alimentar-se de si mesmo)
Não tem carona no Balão Mágico
E quem sabe tudo o que você pode querer…
A capa do Caderno G
(Caderno de cultura do jornal Gazeta do Povo)
A capa do Caderno G
A capa do Caderno G
A capa do Caderno G
Minha foto sorrindo
Na capa do Caderno G
E na edição de domingo
O que é ser famoso para você?
Entrar na faixa, furar a fila
Aparecer no Viver Bem
(Viver Bem também é um dos cadernos do jornal Gazeta do Povo)
Ou lotar o Guaíra
(Guaíra se refere ao Centro Cultural Teatro Guaíra, muito usado para shows musicais)
Se o seu mundo é só sua cidade
Então a sua chance pra posteridade é estourar no sul
(Aqui eles se referem a cena musical que acontece no sul do país e que muitas vezes não chega ao eixo Rio/São Paulo)
Quem sabe ganhar um Gralha Azul
(Gralha Azul é um prêmio de Teatro cedido pelo Teatro Guaíra desde 1974)
Mas esse mundo é uma fossa
Não tem carona nessa carroça
Quem sabe tudo que você pode querer…
É aparecer no Paraná TV
(Paraná TV, também conhecida como RPC TV é a afiliada da Globo para o estado do Paraná, para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a afiliada é a RBS TV)
Aparecer no Paraná TV
Aparecer no Paraná TV
Aparecer no Paraná TV
Pra minha vó chorar de emoção
Quando eu aparecer no Paraná TV
Principal matéria da Segunda Edição
(Segunda Edição se refere a um programa jornalistico da Paraná TV)
Na capa do Caderno G
Aa capa do Caderno G
Na capa do Caderno G
Aparecer no Paraná TV
Aparecer no Paraná TV
Aparecer no Paraná TV
Você vai ver…

Felipe Neto, a coisa tá piorando…

Sinceramente eu achei que todas as maiores insanidades e cretinices já tivessem saído da mente do Felipe Neto. Ledo engano, achei que não poderia piorar. Mas ao contrário do que disse Tiririca: ‘Pior que tá, fica’.

O mote do Felipe Neto foi sempre o mesmo, chovendo no molhado, usando um assunto que já é polêmico para atrair atenção de gente com pouca capacidade de discernimento, o que na internet está cheio. O acesso gigante em seus vídeos não me deixam mentir. Talvez o único momento de genialidade do Felipe Neto, tenha sido mesmo, dar ao seu vlog, o nome de ‘Não Faz Sentido’ que é exatamente o que acontece. Nada, absolutamente nada que ele possa elaborar faz algum tipo de sentido.

Seu último vídeo é de uma ignorância que beira o absurdo. Imaginar que mais de 400.000 pessoas perderam seu tempo para apoiar uma idéia desta, mostra que o futuro do Brasil é pior do que imaginávamos. Se depender dessa juventude que está chegando, estamos igual ao aquecimento global, certamente o resultado é pior do que se planeja.

O cara faz um vídeo chamando político de filho da puta e se declarando revolucionário por exigir ‘Preço Justo’ para comprar iPod? iPad? iPhone? PlayStation? Ele inicia o vídeo falando de impostos em geral, usa alguns termos técnicos, fala sobre outras questões que influenciam o governo a praticar impostos abusivos, mas no fundo, o que lhe interessa é comprar bugingangas americanas. Mais um golpe idiota do capitalismo que convence um bando de gente sem propósito de vida, que comprar um iPhone ou um Playstation é um objetivo de vida a ser alcançado, como se a vida preta e branca só ficasse colorida com os dpis de uma tela em alta resolução.

Eu também gostaria de comprar um iMac pelo mesmo preço que um americano paga por ele, mas eu também gostaria de pagar um preço mais justo, por tudo na minha vida. Um aluguel mais acessível, uma conta de energia mais em conta, queria poder usar o celular de verdade, sem gastar fortunas em créditos, queria colocar R$ 50,00 de gasolina no carro e poder andar mais com ele. Mas antes de pensar nos impostos que eu pago sobre produtos, teríamos que exigir ao menos, que tudo que pagamos, seja aplicado.

Se tivessemos um transporte público descente, nao precisaríamos tanto de combustível. Se tivessemos um hospital descente, não precisaríamos de plano de saúde. Se tivessemos impostos menores na comida, na energia, nos aluguéis, talvez, até sobraria dinheiro para comprar um Playstation, pelo preço que quisessem cobrar, sem precisar reclamar.

Pode parecer piegas, mas por favor, tem gente morrendo de fome, tem gente morrendo em fila de hospital, tem gente morrendo por falta de saneamento básico. Estamos em um país pobre demais, para um imbecíl mobilizar gente na internet para comprar produtos da Apple mais baratos. Nem sei qual a preocupação do Felipe Neto, sendo que ele já tem iPhone, iTouch, iMac e provavelmente deva ter um Playstation 3.

É demais para mim aturar isso e o pior, ver que existem pessoas que apoiam isso. Na verdade, 400.000 pessoas, estão cagando e andando para quem nem sabe o que é um iPhone. Já dizia Caio Blinder: ‘A classe média brasileira só quer saber de bujinganga, quem sabe um dia vão querer saber de política e economia’.

Para muita gente, comprar uma cozinha nas Casas Bahia, é inclusão. Para muitas pessoas, comprar um celular, é inclusão. Para muitas pessoas, ter internet em casa em um computador vagabundo da Positivo, parcelado no Magazine Luiza, é inclusão. Para o Felipe Neto, ter um iPhone é inclusão.

Alheio a tudo isso o Brasil vai continuando a ser a mesma merda de sempre. Já que ele citou Renato Russo eu também cito: ‘O Brasil é o país do futuro’…
Só não sabemos quando esse futuro, vai enfim, virar presente…

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