Nó na Orelha – Internacional Tour E#4

Após o show com Mulatu no Back2Black Festival em Londres no dia 30, Criolo e sua trupe embarcaram em direção a Paris através do Eurostar, um trem-bala que liga Bruxelas (Bélgica), Londres (Inglaterra) e Paris (França) por baixo do mar, para o show do dia 03. A participação aconteceu durante um Festival de Hip-Hop no Cabaret Sauvage, inaugurado em 1997 no Parc de la Villette, na Jean Haures Avenue 211.

Nó na Orelha – Internacional Tour E#3

Criolo na BBC de Londres com participação especial do músico Mulatu Astatke. Nitidamente a influência internacional do nome do Caetano Veloso pesou bastante durante a entrevista.

Nó na Orelha – Internacional Tour E#2

Saiu o segundo vídeo da tour internacional do Criolo. O cara está levando sua música para outros países enquanto a Globo continua a ignorar sua importância musical e enquanto o sul do país ainda não acordou para a vontade de realizar shows dele por aqui. Que me desculpe a iconoclastia da opinião, mas me parece preconceito, como se o rap/hip-hop fosse música para pobre, negro e bandido. Aquele mesmo preconceito que sempre rondou a música feita nas periferias do país, mas que por aqui parece oferecer mais resistência.

A música que Criolo batuca no início do vídeo é ‘Casa de Mãe’, canção que ele apresentou em um especial que fez para a TV Folha. Tem o download dos áudios aqui no site, só colocar Criolo na pesquisa que você acha rapidão. Gostei de um comentário deixado no Youtube e vou registrar aqui junto com minha resposta, também deixada por lá.

Nó na Orelha – Internacional Tour E#1

Após o teaser de apresentação do videocast da Internacional ‘Nó na Orelha Tour’, o Episódio 1 já está disponível. O senhor de bigode grisalho, com cara de libanês, que aparece no vídeo é ninguém menos que Mulatu Astatke. Como explica Criolo, Mulatu é citado na canção Mariô:

Atitudes de amor devemos samplear
Mulatu Astatke e Fela Kuti escutar
Pregar a paz, sim, é questão de honra

Mulatu Astatke é um compositor nascido na Etiópia, em 1943, considerado o pai do Ethio-jazz. Suas influências musicais remetem à sua juventude na Inglaterra e nos Estados Unidos, onde aprendeu a tocar piano, percussão e clarinete, seu retorno à sua terra natal no final da década de 60 o levou a uma carreira sólida. Sua música é considerada única, com influências diretas de cool jazz, salsa, funk e uma sonoridade que remete a toques árabes e indianos. Mulatu já fez trilha para filme hollywoodiano, em Flores Partidas (Broken Flowers), quatro canções suas integram o álbum original.

Mulatu também produziu canções para muitos artistas da África Oriental, incluindo Mahmoud Ahmed. Em 2007 e 2008, Mulatu recebeu uma bolsa no Instituto Radcliffe da Universidade de Harvard, onde trabalhou na modernização dos instrumentos tradicionais etíopes e estreou uma parte da ópera: ‘The Yared Opera’, que conta a história de Saint Yared, uma figura semi-lendária da cultura etíope, creditado como inventor da música sacra na tradição da Igreja Ortodoxa da Etiópia. Recentemente, Mulatu serviu como um artista residente do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge.

Além de realizar palestras e workshops, Mulatu foi conselheiro do MIT Media Lab na criação de uma versão moderna do Krar, um instrumento tradicional da Etiópia. Em 1 de fevereiro de 2009, Mulatu Astatke apresentou-se no Auditório Luckman em Los Angeles com uma banda de notáveis músicos de jazz, incluindo artistas como Bennie Maupin, Azar Lawrence e Phil Ranelin.

Fela Kuti que também é citado em Mariô é Fela Anikulapo Ransome Kuti, nascido em Abeokuta, em 1938 e falecido na Nigéria em agosto de 1997. Fela Kuti foi um multi-instrumentista, músico e compositor, pioneiro da música afrobeat, ativista político e dos direitos humanos. Politicamente Fela Kuti foi muito importante para o povo nigeriano, denunciando injustiças cometidas no país contra seu próprio povo. Sua mãe foi assassinada por soldados nigerianos, o que levou Fela Kuti a tentar se candidatar a presidente do país, infelizmente sua candidatura nunca foi aceita. Fela Kuti teve 27 esposas e morreu em decorrência da Aids.

A canção que Criolo canta durante o vídeo de autoria de Mulatu chama-se Assiyo Bellema (no vídeo foi escrita errada ‘Asseyo’).

Mais que poesia…

Criolo sem dúvida é o artista do ano e pelo que tem mostrado, o assunto só começou. Realizando sua primeira Tour internacional, ele registrará todos seus passos em terras estrangeiras em formato de webisode. Todos os dias um vídeo novo será lançado em seu canal, como um diário de bordo. É incrível perceber que a humildade continua firme. É disso que estávamos precisando.

“Dependendo do CEP que você se encontra, a vida te exige mais que poesia.”

Criolo

Criolo – TV Folha – Novas canções

E você? Será que vai aprender a viver só depois que morrer? As palavras densas da canção “Gelo no Inferno” mais parecem profecia. Criolo estava para morrer artisticamente quando além de ressuscitar, renasceu ou nasceu para o público distante da cena do hip hop paulista.  No post anterior eu falei sobre a belíssima canção “4 da Manhã”, detalhe: o 4 é escrito assim mesmo, como numeral e não ‘quatro’. Tem gente que ainda comete a canelada de mudar o título da música “Não existe amor em SP” para “Não existe amor em São Paulo”.

Mal sabia eu, que o vídeo da Tv Folha com as canções ‘inéditas’: “Casa de Mãe” e “4 da manhã” eram apenas parte de outros três vídeos. Revolvi transformar tudo em um ‘unofficial album’, como costumam chamar lá na gringa. Peguei os vídeos e transformei em arquivos de mp3. Estou pensando em fazer isso com todos os vídeos que tenho do Criolo, mas dá um trampo. Quando destaquei a palavra inédita para estas canções, trata-se do fato de serem na realidade músicas antigas não gravadas anteriormente, para nós então, são inéditas.

É fantástico pensar a quantidade expressiva de canções que o Criolo deve possuir, que poderão constar de próximos álbuns e que apesar de terem permanecidas incognitas nas últimas duas décadas, não fazem parte de gravações antigas que não fizeram sucesso midiático. Não repousam sobre elas, o peso do tempo que se foi, do sucesso que passou, da carta fora do baralho. Sem realizar registros, permaneceram intáctas no tempo, intocadas, desconhecidas e por consequência, soarão como novas. Criolo é talvez o primeiro artista que conheço, que poderia lançar uma coletânea sem ao menos regravar uma canção. Como ele conduzirá esse futuro incerto eu não sei, mas certamente, se feito com a mesma paciência com a qual tem conduzido toda a exposição na qual passou a protagonizar, teremos pela frente a crianção de uma das mais ricas discografias da nossa música. Da mesma forma que o tempo cuidou para que o sucesso do Criolo fosse moldado durante longos vinte anos antes de qualquer maior relevância popular, bastará continuar bater o bolo na mesma cadência, para a receita não desandar.

Baixe as canções e não esqueça de pesquisar tudo que já falei sobre o Criolo aqui no site.

Download do Álbum

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