Criolo vs Emicida

Obviamente que o combate aqui é apenas comparativo em seus significados e interpretações, afinal um é o criador da ‘Rinha dos Mc’s’ e o outro é a criatura, desta manifestação cultural.

Sempre achei muito interessante essas duas citações, já que uma poderia contrariar a outra. Talvez alguém possa me responder se elas fazem referência entre si? Criolo diz que você não precisa morrer para ver Deus, uma reflexão sobre a fé, que não exige provas materiais, no caso ver Deus, para acreditar na sua existência, a base fundamental da crença. A outra frase, do Emicida, fala sobre violência e um paradoxo humano: temos fé em um Deus, mas a maneira mais direta de encontra-lo, ninguém de fato quer enfrentar, a morte.

É um duelo não apenas de ideias, mas serve para nossa própria reflexão pessoal. E você, acha que é preciso ou não, morrer para ver Deus?

Mariô Quaiô

Demorou mas a primeira bola fora do Criolo chegou, justamente tentando fazer o que já estava escrito que não deveria ser feito. O novo clipe na canção ‘Mariô’ caiu no mesmo erro do Emicida com ‘Zica, Vai Lá’. Se você já escutou a expressão: ‘Não se mexe em time que está ganhando’, se prepare porque eu vou usa-la.

Os comentários no Youtube resumem bem a realidade do clipe. Nada tem haver com nada, ninguém soube explicar e quem tentou piorou. Os efeitos especiais além de estarem anos luz atrás do que já nos acostumamos a ver em qualquer filmeco americano, não tem nenhuma utilidade na história. Apesar de uma fotografia interessante em algumas cenas, o clipe de Mariô é um amontoado de captações sem qualquer significado interessante. Uma música com uma temática tão simples e original, merecia um clipe simples e original. Muito longe do que foi produzido em ‘Subirusdoistiozin’, ‘Freguês da Meia-Noite’ e ‘Que Bloco é Esse?’, não entendi a motivação do Criolo em ir tão longe do seu trabalho.

Apesar da interpretação do Criolo nas cenas ser muito bacana, na pós-produção é que nata quaiô. Subirusdoistiozin por exemplo, mostra a periferia de São Paulo, em duas linhas de tempo, nos remetendo a infância e um saudosismo de memórias de outra época. Sem contar que a história faz valer o seu título, já que subir é gíria para morte. Não, não estou querendo explicar gíria, só para constar.

Em Freguês da Meia-Noite, outro belo clipe, com todo o clima da canção: cabaré, paixão, drogas, crime, prostituição, cafetão, malandro, máfia, ciúmes, traição e obviamente, belas cenas sensuais. Com o Ilê Aiyê, nada mais justo que o reduto do grupo afro lá na Bahia, com o batizado de Criolo acontecendo de fato.

Agora, alguém por favor, me explica o que aconteceu com o Criolo. Pelo amor, volta para a Terra Criolo. Queremos ver São Paulo, queremos ver periferia, queremos ver arte e não essa bobagem tecnológica digna de Mutantes da Record.

O que mais me entristeceu em tudo isso foi constatar a alienação dos fãs do Criolo, achando realmente que essa baboseira tem alguma coisa de sensacional. Me desculpe os mais empolgados, mas este não é o Criolo que eu virei fã, esta não é uma faceta do Criolo que eu realmente admiraria. Prefiro muito mais o vídeo amador da poesia ‘Lantejoula’ que toda essa bobagem e efeitos.

Prefiro acreditar que o Criolo fez seu papel, mas que os culpados por deixarem o leite ferver e transbordar da panela, foi a equipe de produção.

Festival Rinha dos Mc’s – 6 anos

A famosa Rinha dos Mc’s, criada por Dj DanDan e Criolo Doido em 2006 completa seus 6 anos em grande estilo. No auge do sucesso do Criolo e da grande popularização do hip hop encabeçada por ele e Emicida pelos quatro cantos do país, o festival contará com a apresentação de uma galera de fé:

Criolo, Flora Matos, Projota, Rashid, Pentagono, Rodrigo Tuchê, Mc 100%, DaRealBeat Company e convidados.

Levanta a mão quem acha que o Emicida queria estar no evento… Infelizmente ele está em uma tour internacional com shows na Alemanha.

O Festival temático contará com tudo que uma festa da Rinha dos Mc’s tem direito, além dos shows das feras já citadas, participação do grupo de graffiti OPNI (Objetos Pixadores Não Identificados), discotecagem lembrando os tradicionais bailes de Hip Hop com os djs DanDan e Marco, batalha de Mc’s com uma premiação especial para o vencedor e apresentação de breaking com o grupo danças urbanas ‘Darealbeat Company’.

A festa rola no Estúdio Emme, na Vila Beatriz, São Paulo/SP, próximo as ruas Cardeal Arcoverde, Teodoro Sampaio e Metrô Faria Lima. Das 15hs as 23hs.

 

Nó na Orelha – Internacional Tour E#8

De Milão para Roma. O show do dia 06 de julho aconteceu no Rome Incontra Il Mondo Fest.

Durante a gravação, Criolo lembrou o Pagode da 27 e a comemoração dos 6 anos de existência da Rinha dos Mc’s, que revelou inúmeros talentos, entre eles o Emicida. A comemoração acontecerá no dia 15 de julho, no próximo domingo. Como eu gostaria de estar lá, infelizmente Santa Catarina tá meio longe. Vou fazer um post especialmente para falar disso. Por enquanto fique com o oitavo episódio. Próxima parada é no fantástico festival Roskilde na Dinamarca.

Nó na Orelha – Internacional Tour E#6 + E#7

Dia 04 de julho foi a vez do Mixité Festival – Carroponte em Milão, Itália. Parece realmente que aquilo que eu havia comentado anteriormente se confirma novamente. As declarações feitas por Caetano Veloso em referência ao trabalho do Criolo possuem uma grande parcela de importância na tour internacional do Nó na Orelha. Ou isso ou apenas uma forma de situar o Criolo dentro de um contexto internacional, usando Caetano como uma referência brasileira de expressão mundial. Todo mundo queria curtir o show do Criolo, até mesmo a chuva que não arredou o pé da primeira fila.

E#6

To be Continued… E#7

Mostrando novamente a vontade de fazer música a qualquer custo, em uma rara demonstração de respeito ao público, incomum nos dias de hoje, a galera colou no Criolo mesmo com show cancelado. O que eu fico imaginando é: Em que lugar no Brasil, um restaurante aceitaria um show de improviso de um artista?

Nó na Orelha – Internacional Tour E#5

Imagens do show que aconteceu no dia 3 no Cabaret Sauvage. O show teve a participação especial do rapper congolês Baloji, nascido na cidade de Lubumbashi, na República Democrática do Congo. Baloji significa ‘bruxo’ no idioma Swahili, idioma nativo no Congo. Baloji se apresentou no Brasil em março deste ano.

Baloji

Apesar de ter nascido no Congo, o som de Baloji que hoje é carregado de ritmos africanos é um resgate cultural, já que ele se mudou para a Bélgica coma apenas 4 anos e durante muito tempo renegou o passado musical. O grande sucesso de Baloji veio com o álbum ‘Kinshasa Succursale’, seu segundo álbum solo, lançado em novembro do ano passado. O projeto despretencioso consistia em voltar ao Congo e convocar músicos locais para regravar ‘Hotel Impala’, o seu disco de debut gravado em 2008. Foi este trabalho inclusive que o trouxe para o Rio de Janeiro para três shows em novembro de 2010.

O que era para ser uma regravação do primeiro trabalho, desta vez com uma pegada mais rutz, acabou gerando um trabalho praticamente novo. Seu encontro com os músicos ‘Konono N°1’, ‘Kasai Allstars’ e ‘Zaïko Langa Langa’ foi tão produtivo que somente sete das quinze músicas originais foram regravadas e outras seis composições novas surgiram. Baloji é fã de Chico Buarque, Maria Gadú, Seu Jorge e Sérgio Mendes, entre outras ‘figuras divinas’, como ele costuma chamar os cantores brasileiros.

Durante sua tour pelo Brasil no primeiro semestre de 2012, ele declarou:

Gostaria de convidar o Criolo para cantar comigo. Mas nunca se sabe o que pode acontecer sob os holofotes. Só é preciso que seja algo espontâneo.

Parece que seu desejo se realizou.

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