Contos Acústicos de Água e Fogo

Depois do fantástico ‘Contos de Água e Fogo’, o Nenhum de Nós volta a gravar um novo álbum. ‘Contos Acústicos de Água e Fogo’ mistura canções da discografia da banda, muitas canções do último álbum de inéditas, uma regravação e uma canção inédita: ‘Aquela Estação’. A releitura é da balada ‘Crimen’ de Gustavo Cerati, da cultuada banda argentina Soda Stereo, que já foi regravada pelo Capital Inicial com ‘A Sua Maneira’ (De Música Ligera).

Entre os clássicos estão ‘Julho de 83’ (Gravada originalmente no album Histórias Reais, Seres Imaginários de 2001), ‘Vou Deixar que Você Se Vá’ (Gravada originalmente no álbum Mundo Diablo de 1996), ‘Paz e Amor’ (Gravada originalmente no álbum homônimo de 1998) e ‘Feedback’ (Gravada originalmente no álbum Pequeno Universo de 2005, a letra é de ninguém menos que Martha Medeiros). Todas as outras canções constam do álbum ‘Contos de Água e Fogo’, que segundo minha avaliação pessoal é sem dúvida o melhor da carreira da banda.

Aproveite para curtir o vídeo da canção ‘Aquela Estação’

Faixas

  1. Último Beijo
  2. Outono Outubro
  3. Tu Vício
  4. Exatamente Igual
  5. Água E Fogo
  6. Crimen
  7. Julho De 83
  8. Um Pouquinho
  9. Primavera No Coração
  10. Aquela Estação
  11. Pequena
  12. Feedback
  13. Vou Deixar Que Você Se Vá
  14. Paz E Amor
  15. Início Fim

Onde Comprar

Há algum tempo o Nenhum de Nós se tornou uma banda independente. Atualmente quem comercializa os álbuns da banda é o site Stereophonica, que começou com um projeto junto ao duo Pouca Vogal e hoje atende: Humberto Gessinger, Duca Leindecker, Erasmo Carlos, Pouca Vogal, Esteban, Leoni, Nenhum de Nós, Ultramen, Bidê ou Balde, Cidadão Quem e Buenas e M’Espelho. Não recebi nada pela propaganda, mas certamente eles não precisam disso. Acessa lá que tem tudo que um fã precisa:

www.stereophonica.com.br

Ps: Esta publicação contém um link externo. Se o link estiver quebrado, por gentileza, deixe um recado.

Em algum lugar, pra relaxar…

Durante o minha adolescência, o Rappa lançava o ótimo álbum ‘Lado B Lado A’, o último de inéditas com o genial Marcelo Yuka, lembrando que todas as músicas deste álbum foram compostas por ele. Era uma época boa, onde as danceterias ainda tocavam música boa e ‘Me Deixa’, ‘O Que Sobrou do Céu’ e ‘Minha Alma’ era a Soundtrack da época, com a galera cantando em coro e se divertindo pacas. Outros tempos, onde pegar mulher em balada era acaso e não objetivo.

Confesso que peguei um ranço da banda com a injusta saída de Yuka da banda, que se não pudesse estar na bateria, que ao menos fosse mantido no projeto, nas composições, enfim. Além disso, acho que as músicas lançadas após a saída de Yuka, estão longe da qualidade que lançou a banda ao mainstream. Acabou o discurso fortemente político, o que foi resgatado pelo Yuka no seu projeto solo F.U.R.T.O (Frente Urbana de Trabalhos Organizados).

Depois de tantos anos ignorando as canções do O Rappa, estava voltando a Florianópolis neste último domingo e meu primo pegou o único cd de música que eu tinha no carro. Tive que ouvir rádio mesmo e depois de sintonizar todas elas, onde o sertanejo era unanimidade, achei uma rádio tocando algo melhorzinho. Foi então que ouvi uma belíssima canção no vocal inconfundível do Falcão. Tive aquela sensação: ‘que pena que deixei de ouvir O Rappa, perdi de conhecer essa canção antes’. Chegando em casa que soube que a canção na verdade é nova.

‘Anjos’ tem uma letra lindíssima e com frases excelentes como:

‘Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim’

‘Só que você sai em desvantagem se você não tem fé’

‘Te mostro um trecho e uma passagem de um livro antigo
Pra te provar e mostrar que a vida é linda
Dura, sofrida, carente em qualquer continente
Mas boa de se viver em qualquer lugar’

‘Podem até gritar, gritar, podem até barulho então fazer.
Ninguem vai te escutar se não tem fé, ninguem mais vai te ver’

‘A fé na vitória tem que ser inabalável’

Parece que O Rappa pode enfim ter encontrado um novo rumo.

Clipe

Anjos (Nunca Tem Fim)

Oh lord! Oh lord, Oh lord,
Oh Ohhh lord, lord, lord…

Em algum lugar, pra relaxar,
eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim.
Não tem fim. Éh!

Se você não aceitou o conselho, te respeito
Resolveu seguir ir atrás, cara e coragem
Só que você sai em desvantagem se
você não tem fé, se você não tem fé
Te mostro um trecho e uma passagem de um livro antigo
Pra te provar e mostrar que a vida é linda
Dura, sofrida, carente em qualquer continente
Mas boa de se viver em qualquer lugar. Éh!
Volte a brilhar, volte a brilhar!
Um vinho, um pão e uma reza, uma lua e
o sol sua vida portas abertas.

Refrão:
Em algum lugar, pra relaxar,
eu vou pedir pros anjos cantarem por mim
Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim.
Não tem fim.

Oh lord! Oh lord, Oh lord,
Oh Ohhh lord, lord, lord…
Laramace

Mostro um trecho e uma passagem de um livro antigo
Pra te provar e mostrar que a vida é linda
Dura ,sofrida, carente em qualquer continente
Mas boa de se viver em qualquer lugar

Podem até gritar, gritar, podem até barulho então fazer
Ninguem vai te escutar se não tem fé, ninguem mais vai te ver
Inclinar, seu olhar, sobre nós, e cuidar…
Inclinar, seu olhar, sobre nós, e cuidar…
Inclinar, seu olhar, sobre nós, e cuidar…
Inclinar, seu olhar, sobre nós, e cuidar…

Pra você pode ser…
(Pra você pode ser) Em algum lugar…
pra relaxar…(Pra você pode ser)…
eu vou pedir pros anjos cantarem por mim.
(Pra você pode ser)Pra quem tem fé a
vida nunca tem fim.(Pra você pode ser)
Não tem fim.

Pra você pode ser…pode ser
Nunca tem fim…(A fé na vitória tem que ser inabalável)
nunca tem fim…(A vitória tem que ser inabalável)

Oh lord…oh lord…oh lord….

Em algum lugar….pra relaxar…
eu vou pedir pros anjos cantarem por mim.
Pra quem tem fé, a vida nunca tem, ohhh, fim.

Em algum lugar….pra relaxar…
eu vou pedir pros anjos cantarem por mim.
Pra quem tem, quem tem, fé, fé, fé,
a vida nunca tem fim.

Uhhhh…a fé na vitória tem que ser inabalável…
Uhhhh…a fé na vitória tem que ser inabalável…
Uhhhh…
Uhhhh…

Welcome Back Michael

Eu sempre sonhei em vivenciar uma teoria conspiratória verdadeira. Sempre quis ver um anúncio bombástico tomando as televisões de todo o mundo. Um ataque alienígena ou Zumbi, saber que o Bin Laden está vivo, que o World Trade Center foi um plano do próprio governo americano, que o Elvis não morreu, que ninguém pousou na Lua, que Paul McCartney de fato morreu em um acidente de carro e que as músicas da Xuxa realmente possuem mensagens do capeta (se bem que essa é verdade e nem precisa tocar ao contrário). Vivemos cercados de teorias conspiratórias, mas que de fato nunca foram comprovadas.

Quando assisti ‘This is It’, a sensação que eu tive foi nítida: Michael Jackson não morreu. Não sei se gostaria de acreditar nisso diante das circunstâncias da sua morte, justamente dias antes de seu retorno aos palcos de forma triunfante, deixando essa sensação de algo inacabado, injusto ou se realmente seria fantástico vivenciar este tipo de situação.

Recentemente a banda Daft Punk lançou um novo single com o sugestivo título ‘Get Lucky’. A música repleta de sintetizadores, no melhor estilo Disco anos 70/80, tem uma vibe que lembra e muito, as músicas de Michael Jackson, misturando Pop, Rhythm and Blues, Rock, Funk e Soul. Enfim, música boa, baladinha boa, com o bom vocal do rapper Pharrell e a guitarra do mestre Nile Rodgers. Confere aí:

Influências do rei do pop? Sim, certamente. Até surgirem algumas referências mais diretas. Presta atenção nas capas dos álbuns ‘Random Access Memories’ do Daft Punk e a capa do icônico ‘Thriller’ do Michael.

daft

Coincidência? Referência? Homenagem? Pode ser, provavelmente seja tudo isso. A coisa começa a ficar estranha, quando ‘alguém’, pegou a música original e alterou o tom da voz, segundo meu amigo Gabriel Reinert, o termo técnico para isso é ‘Pitch‘ e voilá, que voz aparece na canção? Não sei se isso foi intencional, se é só coincidência? Sei não, daria tudo para ser o próprio Michael Jackson ‘voltando a vida’, revelando que tudo não passou de uma grande estratégia comercial ou coisa do tipo. Vale lembrar que Mr. Michael é o artista que mais faturou com suas músicas, cerca de US $ 7 bilhões, sendo que US $ 1 bilhão foi arrecadado somente após suas ‘morte’. Para quem estava meio falido, não seria nada mal. Vai Michael, aparece aí…

Confere a música com a alteração no Pitch e tome suas conclusões:

Solitária – A Banda Mais Bonita da Cidade

Ontem a Banda Mais Bonita da Cidade publicou o clipe de sua canção ‘Solitária’, gravada em seu álbum de debut. A canção é bastante interessante, nos traz a velha e infinita reflexão sobre o amor. Nossa dificuldade humana de ser auto-suficiente sem ser um eremita social e nem mesmo saber dosar a carência ao ponto de não conseguir ser feliz sem depender de alguém para completar tudo o que lhe falta.

O amor é geralmente mais tragédia e decepção do que de fato uma saída para a falta de alguma coisa. Queremos e não queremos o tempo inteiro. Sem excessões, somos todos bipolares sentimentais.

O poema muito bonito declamado ao fim do clipe é de L.F. Leprevost.

Balbucios de blues

extravagâncias, amantes, dívidas
separações, alegações de incesto
morte por febre se você quer
ser um guitarrista do Iron Maiden
se você quer ser um guitarrista do
Iron Maiden tem que carregar
consigo um Lord Byron
tem que ser antigo como são
antigas a bactéria, a chaga de Cristo e
tudo o mais que a medicina não deu cabo
de teu motor valvulado, corrosivo e
perecível você tem que extirpar cadeados de
lamentos, cruz e sacrifícios
você tem que ser teu próprio
pronto socorro, da selvageria que é
a vida, do osso quando arrebentam
pancadarias na arquibancada
uma taça feita de crânio, as perfurações
as úlceras, as lesões, as ofensas
as injurias, os agravos se você quer ser
um guitarrista do Iron Maiden
se você quer ser um guitarrista do
Iron Maiden tem que saber que
não é invulnerável, que vão te fazer a
corte e os cortes, nunca as suturas
você é antigo na dor
faz de sangrias coaguladas teu pranto
você colocou as mãos na labareda
deu as mãos de bandeja à palmatória
você cometeu haraquiri
e o show ainda nem chegou na metade.

(l. f. leprevost)

Ps.: Soube ao ver no Facebook da minha amiga Natalie Ribeiro

Antony and the Johnsons – Cut the World

Eu ainda não conhecia este grupo, mas fiquei absolutamente apaixonado pela canção ‘Cut the World’, que dá nome ao novo álbum do ‘Antony and the Johnsons’. O grupo está na estrada desde 1998 e é integrado pelo cantor Antony Hegarty e seus músicos de apoio, obviamente ‘Os Johnsons’. Certamente eu terei que fazer uma postagem especialmente sobre ele, contando mais sobre seu trabalho, sua carreira e os álbuns que já lançou. Cut the World foi lançado agora mesmo, há 3 dias, no dia 07 de agosto. A canção vai te contaminando aos poucos e quando você menos percebe, está ouvindo ela no repeat. Hoje, estava exausto, acordei após dormir umas quatro horas e não consegui mais dormir. Deitei na cama, apaguei todas as luzes da casa e liguei o clipe no último volume. Tem quase um efeito de purificação, de exorção, de catarse.

Eu sempre acreditei com toda a força do meu espírito, que qualquer tipo de manifestação artística tem por obrigação causar algum tipo de afetação. Quando você coloca na balança o que é bom e o que é ruim, talvez este seja o ponto determinante. Você pode ser afetado profundamente com uma canção do sertanejo como ‘Romaria’. Qualquer tentativa de avaliação de canções do gênero ‘sertanejo universitário’, comete um grande equívoco quando se limita a tentar provar se é bom ou ruim. Na verdade é tudo música, mas nem toda música é uma manifestação de arte, em alguns casos é apenas entretenimento. Nenhuma destas canções tem aplicação em lhe transformar ou lhe questionar, servem apenas como um passatempo, geralmente para embalar momentos onde o clima de superficialidade precisa ser mantido para favorecer relações instantâneas. E é assim que é, sem questionamentos sobre qualidade musical, sem reflexões inúteis ou qualquer coisa que valha.

O clipe de Cut the World traz ninguém menos que Willem Dafoe e a belíssima atriz holandesa Carice van Houten, que você pode ter visto em ‘Operação Valquíria’, ótimo filme por sinal. O clipe faz uso de um recurso muito interessante, que nos causa como seres humanos, uma confusão sentimental, unindo uma cena forte e angustiante com uma bela canção, nos jogando em um turbilhão estranho de sentimentos de contemplação e repulsa. É confuso, perturbador e de uma maneira bastante complexa, muito bonito. Como eles sabiamente resumiram: Quiet and Violent…

Clipe

Keyframes

Mariô Quaiô

Demorou mas a primeira bola fora do Criolo chegou, justamente tentando fazer o que já estava escrito que não deveria ser feito. O novo clipe na canção ‘Mariô’ caiu no mesmo erro do Emicida com ‘Zica, Vai Lá’. Se você já escutou a expressão: ‘Não se mexe em time que está ganhando’, se prepare porque eu vou usa-la.

Os comentários no Youtube resumem bem a realidade do clipe. Nada tem haver com nada, ninguém soube explicar e quem tentou piorou. Os efeitos especiais além de estarem anos luz atrás do que já nos acostumamos a ver em qualquer filmeco americano, não tem nenhuma utilidade na história. Apesar de uma fotografia interessante em algumas cenas, o clipe de Mariô é um amontoado de captações sem qualquer significado interessante. Uma música com uma temática tão simples e original, merecia um clipe simples e original. Muito longe do que foi produzido em ‘Subirusdoistiozin’, ‘Freguês da Meia-Noite’ e ‘Que Bloco é Esse?’, não entendi a motivação do Criolo em ir tão longe do seu trabalho.

Apesar da interpretação do Criolo nas cenas ser muito bacana, na pós-produção é que nata quaiô. Subirusdoistiozin por exemplo, mostra a periferia de São Paulo, em duas linhas de tempo, nos remetendo a infância e um saudosismo de memórias de outra época. Sem contar que a história faz valer o seu título, já que subir é gíria para morte. Não, não estou querendo explicar gíria, só para constar.

Em Freguês da Meia-Noite, outro belo clipe, com todo o clima da canção: cabaré, paixão, drogas, crime, prostituição, cafetão, malandro, máfia, ciúmes, traição e obviamente, belas cenas sensuais. Com o Ilê Aiyê, nada mais justo que o reduto do grupo afro lá na Bahia, com o batizado de Criolo acontecendo de fato.

Agora, alguém por favor, me explica o que aconteceu com o Criolo. Pelo amor, volta para a Terra Criolo. Queremos ver São Paulo, queremos ver periferia, queremos ver arte e não essa bobagem tecnológica digna de Mutantes da Record.

O que mais me entristeceu em tudo isso foi constatar a alienação dos fãs do Criolo, achando realmente que essa baboseira tem alguma coisa de sensacional. Me desculpe os mais empolgados, mas este não é o Criolo que eu virei fã, esta não é uma faceta do Criolo que eu realmente admiraria. Prefiro muito mais o vídeo amador da poesia ‘Lantejoula’ que toda essa bobagem e efeitos.

Prefiro acreditar que o Criolo fez seu papel, mas que os culpados por deixarem o leite ferver e transbordar da panela, foi a equipe de produção.

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