Lianne La Havas – O novo grande nome da música internacional

Lianne La Havas é uma sumidade (tenho usado muito essa palavra ultimamente). Eu arriscaria dizer, para tentar explicar o tamanho da sua importância para a música, que ela é uma mistura bem equalizada do timbre e potência vocal da Adele, com o swing e a musicalidade de Amy Winehouse.  Misturando soul e folk, o álbum de debut da jovem cantora de 24 anos, intitulado ‘Is Your Love Big Enough?’ é uma obra prima.

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A inexistência de um artigo em português na Wikipédia e a escassa lista de canções no site Letras.Mus, denota que ela ainda é pouquíssima conhecida dos brasileiros. Mas é apenas uma questão de tempo. Mesmo seu álbum ter sido lançado em 2012 e ter recebido no mesmo ano, o título de álbum do ano pela iTunes.

O início

Lianne La Havas (23 de agosto de 1989), nasceu Lianne Charlotte Barnes. É uma cantora, compositora e multi-instrumentista inglesa.

La Havas nasceu em Londres, Inglaterra, filha de pai grego e mãe jamaicana. Ela foi criada em Tooting e Streatham, ficando a maior parte de seu tempo com os avós após a separação de seus pais quando era criança. La Havas começou a cantar aos sete e cita diversos gostos musicais de seus pais como tendo a maior influência em sua música. Sua mãe tocou com Jill Scott e Mary J. Blige e seu pai, um talentoso multi-instrumentista, lhe ensinou o básico de guitarra e piano.

Lianne escreveu sua primeira canção aos 11 anos de idade, mas não aprendeu a tocar violão, o que só fez aos 18 anos. Lianne estudou arte na escola A-Level, mas deixou a faculdade para perseguir uma carreira na música em tempo integral. Apesar de ter nascido Lianne Barnes, seu nome artístico é uma adaptação derivada do sobrenome do seu pai grego, Henry Vlahavas = La Havas.

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Is Your Love Big Enough?

Antes do seu álbum de estreia, La Havas lançou um EP, Lost & Found, em 21 de outubro de 2011, que já contava com a participação do cantor americano Willy Mason.

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  1. Don’t Wake Me Up – La Havas e Matt Hales – 3:43
  2. Is Your Love Big Enough? – La Havas, Hales e Willy Mason – 3:22
  3. Lost & Found – La Havas e Hales – 4:28
  4. Au Cinéma – La Havas e Halee – 4:18
  5. No Room for Doubt (feat Willy Mason) – La Havas, Mason e Hales – 4:05
  6. Forget – La Havas – 3:52
  7. Age – La Havas e Hales – 2:43
  8. Elusive – Scott Matthews – 3:56
  9. Everything Everything – La Havas e Hales – 3:50
  10. Gone – La Havas e Hales – 4:25
  11. Tease Me – La Havas – 3:37
  12. They Could Be Wrong – La Havas e Hales – 3:21

Total: 45:31

A versão DELUXE da iTunes ainda traz como extra uma versão lindíssima para o clássico do Leonard Cohen ‘Hey, That’s no Way to Say Goodbye’, que eu conheci com o Renato Russo no álbum The Stonewall Celebration. Além disso temos ‘Arms of Danger’ e uma versão mega-ultra-power (muito melhor que a original) de ‘He Loves Me’ da cantora Jill Scott. Para finalizar, uma versão ao vivo, em Paris, de ‘Forget’ da própria La Havas.

Ps.: Thanks Lis, for Havas.

Drop Dead Skate Pro 2013 – Eduardo Dias

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Este final de semana tive uma oportunidade única, ir para Curitiba acompanhar o retorno em grande estilo do Drop Dead Skate Pro. Eu quero falar sobre o evento, mas quero falar ainda mais sobre este cara chamado Eduardo Dias. As minhas avaliações sobre isso, não se baseiam em números ou pesquisas aprofundadas sobre o assunto, apenas sobre minha experiência e percepção particular.

Desde moleque as formas gráficas já habitavam meu imaginário e uma das marcas que eu recordo nitidamente era a Drop Dead. Tanto tempo depois, jamais imaginaria conhecer pessoalmente o idealizador disso tudo. Veja se você me entende, mas a Drop é o tipo de coisa, que com nosso pensamento brasileiro acabamos definindo: Nem parece que é daqui, parece coisa gringa.

Acompanhando este evento de perto, tive que reforçar essa iconoclastia tupiniquim. Eduardo Dias é um destes empresários que não pensa com cabeça de brasileiro. Olhar para trás e ligar os pontos que trouxeram a Drop até aqui é fácil, difícil é fazer o caminho que ele deve ter feito, abrir a clareira pela mata, caminhar por onde ninguém esteve, achar lógica onde ninguém é capaz ao menos de ver o óbvio e ainda assim fazer além. A história do skate nacional e da Drop Dead certamente se misturam, se completam e mais que isso, se explica. Sem a Drop, seria outra história, bem diferente e talvez com pouca coisa para contar.

O Drop Dead Skate Pro, realizado na Drop Dead Skatepark é algo que não vemos todos os dias. Hoje ficou mais fácil entender, após cases como a Red Bull, mas ainda assim, apesar dos exemplos estarem ai, são poucos os empresários que conseguem seguir o mesmo caminho. Porque no fundo não tem receita, essa capacidade nasce com o indivíduo. É uma mistura de coragem, inteligência e pura irresponsabilidade. Acima de tudo está o fazer acontecer, sem se importar muito bem como as coisas vão se viabilizar. E algo que fica nítido é que não tem miserê, se é para fazer, se faz bem feito. Não é porque a fonte jorra dinheiro não, é a capacidade de entender que nem tudo no mundo dos negócios é na base do toma lá dá cá. Por isso que a Drop está ai depois de tantos anos, entendendo que o que se planta hoje se colhe na eternidade. Sem pressa e com a sabedoria dos sábios.

O amor ao esporte obviamente explica grande parte desta dedicação. É o esporte sendo estimulado por quem viveu e vive sobre rodas. Nenhuma outra hipótese daria vida longa a esta vontade de dar continuidade a aquilo que se começa com o entusiasmo natural do ineditismo. Mas o que mais surpreende ao acompanhar este evento, a conhecer um pouco mais sobre a Drop Dead e principalmente ao Eduardo Dias é a simplicidade e generosidade que define o seu caráter.

Você percebe no tratamento com os skatistas, com o público, com a estrutura, com os detalhes do evento, com a atmosfera que é criada, com a valorização financeira dos atletas, com a qualidade do que rola no backstage, que nada é por acaso, que o nome Drop Dead não é forte porque comprou seu espaço, ele foi construído, ao longo dos anos, com respeito ao esporte e visionismo empreendedor. Não existe como não admirar este cara, pelo que fez e faz pelo skate nacional e pela sua capacidade de transformar uma paixão em negócio, para que este negócio financie a paixão. Este é o ciclo.

Para fechar com chave de ouro essa vibe fantástica e deixar o evento novamente na história do Skate Nacional, o Rei da Pista foi ninguém menos que Tiago Lemos, de Jaguariúna. O cara que chegou ao Drop Pro como amador, levou o primeiro lugar na prévia, conquistou o direito de competir entre os profissionais e no fim, superou os caras. Não poderia ter desfecho mais foda que este. O moleque deixou para trás nomes como Danilo do Rosário, o fantástico Carlos de Andrade o ‘Piolho’, o grande Rodil ‘Ferrugem’ e Lucas ‘Xaparral’.

Eu poderia falar por uma semana sobre este evento e a sensação de estar ali, mas é Drop Dead entende? Se não for bom com os caras, não poderá ser bom nunca.

Enya

Lembro nitidamente da sensação de ouvir a primeira vez uma canção da Enya. Era 1997, ano do lançamento de uma copilação da cantora, intitulada ‘Paint the Sky with Stars’. O nome já era sugestivo, mas a sensação de ouvir aquelas canções, que até hoje não possuem comparativo foi um verdadeiro plot twist musical. De onde vinham aquelas canções? Aquela voz que era difícil identificar? Que língua era aquela? Parecia algo celeste mesmo, como o nome docemente sugeria. Até hoje acho suas canções únicas e fantásticas, mesmo entendendo que aquela voz que ecoa como um coro, são camadas de vocais gravados pela própria Enya.

Aliás, este recurso até onde eu sei, foi utilizado pela primeira vez no álbum ‘A Night of The Opera’, na icônica canção ‘Bohemian Rhapsody’, onde as vozes foram repetidas 80 vezes, dando a sensação de que o refrão era cantado por um coro de vozes. O que Enya faz em suas canções para trazer este ar de coro musical e automaticamente de algo celeste é exatamente o mesmo recurso. Não só as vozes são todas captadas por Enya, como a gravação de todos os instrumentos musicais. Enya conta no entanto com o apoio de Nicky Ryan, que produz os álbuns e de sua esposa Roma Ryan, que escreve as letras em várias línguas. Até hoje Enya já gravou em dez idiomas. O inglês consome a maior parte de suas canções, mas ela já gravou em galês, espanhol, francês, latin e até mesmo em línguas criadas por J.R.R. Tolkien. Ryan inclusive criou um idioma particular, conhecido como Loxian. O idioma é inspirado na língua dos Élfos, personagens contidos nas obras de J.R.R. Tolkien. Canções em Loxian foram gravadas no álbum Amarantine (2005), são elas: ‘Less Than a Pearl’, ‘The River Sings’ e ‘Water Shows the Hidden Heart’.

Mas foi ainda durante o lançamento de Paint the Sky with Stars que Enya cometeu certamente o maior (talvez único?), deslize da sua carreira. Ela foi convidada para compor a trilha sonora original de Titanic, porém recusou. Os fãs da Celine Dion agradecem, afinal catapultou Dion para o estrelato. Certamente perdeu a chance de um Oscar, já que Titanic levou todas as estatuetas das quais foi indicado.

1987: Enya / The Celts

Os primeiros registros da carreira de Enya são de 83, quando integrava uma banda com os outros 8 irmãos, todos músicos de mão cheia, assim como os pais e os tios. O primeiro álbum no entanto foi gravado em 1986 mas lançado somente em 1987, junto com o lançamento da série de televisão The Celts da BBC. Inclusive o álbum foi relançado em 1992 com o nome da série.

1988: Sucesso internacional e Watermark

Apesar do sucesso do primeiro álbum, a fama internacional começaria com Watermark, gravado em 1988. O hit mais importante do álbum era ‘Orinoco Flow’, que muitas vezes é creditado incorretamente como ‘Sail Away’. “Orinoco Flow”. O nome é uma referência ao Orinoco Studios (hoje Miloco Studios ), onde foi criada. A música foi TOP1 no Reino Unido, TOP2 na Alemanha e vendeu 11 milhões de cópias.

1991 – Shepherd Moons

Três anos após o lançamento de Watermark, Enya lança seu terceiro álbum, que vende 12 milhões de cópia e lhe rendeu seu primeiro Grammy Award. É até hoje seu sucesso mais duradouro, ficando 238 semanas na lista dos mais ouvidos da BILLBOARD. O álbum rendeu trilha para inúmeros filmes: L.A. Story (1991), A Revolta dos Brinquedos (Toys – 1992), Green Card – Passaporte para o Amor (Green Card – 1990), Um Sonho Distante (Far and Away – 1992), filme que aluguei recentemente para ver e A Época da Inocência (The Age of Innocence – 1993), filme de Martin Scorsese.

1992-1999: The Celts, The Memory Trees e Paint the Sky with Stars

Em 1992 a versão remasterizada do primeiro álbum de 87 é lançado. Quatro anos após Shepherd Moons, Enya lança um novo álbum de inéditas: ‘The Memory Trees’ (1995), seu primeiro álbum a chegar ao TOP10 nos Estados Unidos. Dois anos depois Paint the Sky with Stars traz uma ‘The Best Of’ com duas canções inéditas: ‘Paint the Sky with Stars’ e ‘Only If’.

2000-2004: A Day Without Rain

Cinco anos sem lançar um disco totalmente de inéditas, em 2000 chega o álbum ‘A Day Without Rain’, se tornando seu maior sucesso nos Estados Unidos, alcançando o TOP2 da BillBoard. O primeiro single ‘Only Time’ foi usado como trilha do filme Doce Novembro (Sweet November – 2001). A canção foi usada em diversas matérias, documentários e rádios que trataram sobre os ataques do 11 de Setembro de 2001. No mesmo ano, Enya grava ‘May it Be’ para nada menos que a trilha de ‘O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel’.

2005-2008: Amarantine e And Winter Came

Em novembro de 2005 é a vez de Amarantine. O álbum ganhou o Grammy Award 2997 de Melhor Álbum de New Age, o quarto Grammy de Enya. Em 2006, Enya lança vários álbuns com temas natalinos. Em 10 de outubro de 2006 ‘Sounds of the Season: The Enya Holiday Collection’ foi lançado contendo seis músicas. Este CD foi lançado apenas nos Estados Unidos em uma parceria exclusiva com a NBC. No final de novembro duas novas edições do Amarantine foram liberadas. No Reino Unido, foi reeditado como ‘Amarantine – Natal Edit’, contendo um segundo disco que trazia quatro novas músicas de Natal. Nos Estados Unidos ele foi lançado como ‘Amarantine – Deluxe Edition Collector’, trazendo três cartões postais e uma cópia do livro de Roma Ryan. Fãs canadenses puderam escolher entre a Edição Especial de Natal de Amarantine ou um EP intitulado Natal Secrets.

Em meados de 2007 Enya alegou ter vendido 80 milhões de álbuns. Um empresário americano cunhou o termo ‘Enyanomics’, para explicar a capacidade de Enya de vender milhões de discos sem ter que fazer performances ao vivo. Em 29 de junho de 2007, Enya recebeu um doutorado honorário da Universidade Nacional da Irlanda, em Galway. Pouco depois, em 10 de julho de 2007, Enya recebeu um doutorado honorário da Universidade de Ulster.

Em novembro de 2008 Enya lança ‘And Winter Came…’, junto com o clipe de ‘Trains and Winter Rains’. O álbum seguiu sua paixão pelo tema natalino.

2009-Atualmente: The Very Best of Enya e o oitavo álbum

The Very Best Of Enya foi lançado em 2009 e inclui a maioria de seus hits de 1987 a 2008, incluindo uma nova versão de ‘Aníron’, canção criada para ‘O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel’, em 2001. Em 2010, a cantora Rihanna usou trechos de ‘One By One’ em uma música de seu novo álbum. Em 2011, Enya deu uma entrevista onde declarou estar produzindo um novo álbum, que deverá ser gravado nos estúdios Abbey Road em Londres.

Vida Pessoal

Com Watermark Enya, como todos artistas ligados a temas nerds por assim dizer, místicos e mitológicos, passou a colecionar seus stalkers. Um deles invadiu o castelo onde vive, na Irlanda e atacou seus funcionários. Em 1996, em Dublin, um homem se esfaqueou após ser expulso do pub de seus pais. Ele havia sido visto andando com uma foto de Enya pendurado no pescoço. Em 2006 Enya já era a terceira artista mais rica da Irlanda e a 95ª pessoa mais rica do seu país.

Brit Marling

Brittany Heyworth ‘Brit’ Marling é minha mais recente paixão como atriz. Além de muito bonita é certamente um dos novos nomes que terão destaque no cinema mundial. Brit nasceu em 7 de Agosto de 1983 em Chicago, Illinois. É atriz, roteirista, produtora e diretora americana. O filme que me apresentou esta ótima atriz foi o belíssimo e enigmático ‘A Outra Terra’ (Another Earth).

Brit se formou na Universidade de Georgetown em 2005, com um diploma em economia. Seu nome é uma homenagem a sua bisavó norueguesa. Ela ganhou reconhecimento em 2004, com o documentário ‘Boxers and Ballerinas’ que ela co-escreveu com Mike Cahill e Shumaker Nicholas, além de co-dirigir com Mike Cahill. Brit Marling também co-escreveu e co-produziu e atuou nos dois filmes lançados em 2011: Sound of My Voice e Another Earth, já citado. Ambos apresentados no Festival de Cinema de Sundance 2011 , com Another Earth ganhando o Prêmio Alfred P. Sloan de Melhor Filme, concedido as produções que possuam ciência, tecnologia ou matemática como tema principal.

Apesar de ser lançado durante o Festival de Sundance 2011, Sound of My Voice chegou aos cinemas americanos somente em 2012. Não encontrei informações sobre a distribuição do filme aqui no Brasil. Poderemos ver muitas aparições de Brit daqui por diante. Ela vem ao lado de Richard Gere no filme ‘A Negociação’ (Arbitrage), ao lado de Robert Redford, Julie Christie e Susan Sarandon no filme ‘Sem Proteção’ (The Company You Keep) e ao lado de Ellen Page no longa ‘The East’, parece que ainda sem nome no Brasil.

Vale ficar atento a essa atriz.

Seguindo sem pilantragem

Manhã do dia 24 de janeiro de 2003, na altura do número 1800 da avenida Abrão de Morais, Zona Sul de São Paulo, ele levou sua mulher, Maria Dalva da Rocha Viana, ao ponto de ônibus. Na despedida, disse à esposa que iria ao Fórum Social Mundial de 2003, na cidade de Porto Alegre. Após entrar no carro, foi abordado por um traficante que disparou quatro vezes. Foi atingido com dois tiros na coluna vertebral, enquanto outros dois atingiram sua mandíbula e sua cabeça. Foi encontrado ao lado de seu carro, às 5h50 da manhã. Além das balas disparadas, ao seu lado, uma máscara preta. Chegou a ser reanimado por meia hora no Hospital São Paulo, mas devido ao estado considerado gravíssimo, não resistiu. As especulações sobre o assassinato apontam o envolvimento com o mundo do crime, como uma possível razão para o ocorrido. Seus amigos e familiares, no entanto, não concordam com essa hipótese, já que estava há uma década distante do crime. Ele nunca escondeu de ninguém seu envolvimento com os atos ilícitos no passado de sua vida. Este é capítulo final ou talvez o primeiro da história.

Sabotage, nome artístico de Mauro Mateus dos Santos (São Paulo, 13 de abril de 1973 — São Paulo, 24 de janeiro de 2003) foi um rapper e ator brasileiro. Pai de 3 filhos, nasceu na Zona Sul de São Paulo. Encontrou a saída da vida do crime no rap, após de ter sido gerente de tráfico. Entrou na música pois este era seu único e verdadeiro talento. Considerado uma lenda na Zona Sul, inspirou vários rappers como Rhossi, Pavilhão 9, além de ter ensinado ao titã Paulo Miklos, como ser um digno malandro para o filme ‘O Invasor’ de Beto Brent. Sabotage fez um disco solo: ‘Rap é Compromisso!’, e participou de outros projetos como o RZO e SP Funk. Participou de dois filmes, o já citado ‘O Invasor’ e o premiado ‘Carandiru’. Recebeu vários prêmios Hútus, o grande festival do rap no Nacional. Sabotage era o próprio compositor e cantor de suas músicas. Em toda sua carreira, compôs dezenas de canções e algumas delas se tornaram uma espécie de hino nos guetos do país, fazendo com que vários outros artistas usassem-nas como samples, colagens e scratches de seus trabalhos. Expressões como ‘respeito é pra quem tem’ e ‘rap é compromisso, não é viagem’, constantes de suas letras, viraram jargões adotados por todo Brasil.

A vida no crime

Durante a adolescência, Mauro foi interno da FEBEM e se tornou traficante na Zona Sul de São Paulo. Com a convivência junto ao crime na favela do Canão acabou sendo indiciado duas vezes em 1995, uma por porte ilegal de arma, outra por tráfico de drogas. No final de 1998, mudou-se para o complexo Vila da Paz, onde segundo a polícia montou um ponto de tráfico de drogas com o amigo Durval Xavier dos Santos, o Binho. Já existia nas proximidades outro ponto de tráfico, desencadeando uma guerra entre as facções, acirrada após os dois supostamente assassinarem Euclides Menzes Pessoa, chefe da facção rival, em 1999.

Após a morte de Euclides, Sirlei Menezes da Silva assumiu o grupo (que mais tarde seria acusado do assassinato de Sabotage). Sirlei indicou Nivaldo Pereira da Silva, conhecido como Caçapa, como segundo na hierarquia de sua quadrilha. No ano seguinte, Sabotage se mudou para a favela do Boqueirão com o intuito de fugir da guerra. Binho, seu parceiro de crime continuou no local, foi preso em 2002 e em 14 de outubro do mesmo ano foi morto no ‘Cadeião de Pinheiros 3’ por um acerto de contas. Em suposta vingança à morte de Binho, Sabotage teria executado Denivaldo Alves da Silva, conhecido como Vadão, segurança do traficante Sirlei, em 9 de janeiro de 2003. Em represália, 15 dias após a morte de Vadão, Sirlei, acompanhado de Bocão e o irmão de Vadão, seriam os autores do assassinato de Sabotage. Apenas um mês depois, Bocão foi morto.

O julgamento de Sirlei

O julgamento do assassino de Sabotage estava previsto para iniciar em 28 de abril de 2010, 7 anos e 3 meses após o acontecimento. Foi adiado para 12 de julho pela ausência de uma testemunha de acusação. O processo foi reiniciado na data prevista, então contando com todos os integrantes necessários. O julgamento durou dois dias, com Sirlei Menezes da Silva se defendendo das acusações negando culpa na morte de Sabotage, alegando torturas e colocando a culpa no Primeiro Comando da Capital, o PCC. A defesa questionou as provas e a conduta da polícia, obtendo como réplica a acusação de que Sirlei fez uma festa para comemorar o assassinato do ‘inimigo’. Em 13 de julho, o júri se reuniu para decidir o destino do réu. Às 18h00 o resultado se tornou público: Sirlei Menezes da Silva foi condenado a 14 anos de prisão.

Os próximos capítulos

Uma produtora paulista, chamada 13 Produções está trabalhando desde 2011 em um documentário sobre o rapper. O projeto foi financiado através do sistema de participação coletiva Catarse e será lançado em 2013 quando se completará 10 anos da morte de Sabotage.

Eu sou nota 5 e sem provoca alarde,
Nota 10 é Dina Di DJ Primo e Sabotage

Sabotage é homenageado na canção ‘Sucrilhos’, do rapper Criolo, ao lado de outros dois expoentes do rap nacional, todos falecidos. A cantora Dina Di faleceu por complicações decorrentes do parte de sua filha e Dj Primo de uma parada cardíaca decorrente de uma pneumonia.

Álbuns de estúdio

2000 – Rap é Compromisso!

Coletâneas

2002 – Uma Luz que Nunca Irá se Apagar
2008 – Rap é o Hino Que me Mantem Vivo

Principais Canções

  • Respeito é Pra Quem Tem
  • Um Bom Lugar
  • Rap é Compromisso!
  • No Brooklin
  • Mun-Rá
  • Cabeça de Nêgo
  • Na Zona Sul
  • Cocaína
  • País da Fome
  • País da Fome, Pt. II
  • Cigarro Mata

Ray LaMontagne

Raymond “Ray” Charles Jack LaMontagne é quase um eremita, vive com a esposa e dois filhos em uma fazenda no oeste de Massachusetts e raramente concede entrevistas. Ray LaMontagne nasceu em Nashua, New Hampshire em 1973. Passou a infância e adolescência pouco preocupado com os estudos, preferia passar o tempo lendo livros de fantasia e desenhando personagens de Dungeons & Dragons. Assim que terminou os estudos, mudou-se para Lewinston, no estado americano do Maine, onde foi trabalhar em uma fábrica de sapatos.

Ray resolveu deixar o emprego e se dedicar a vida de cantor e compositor após ouvir o álbum ‘Manassas’ de Stephen Stills (álbum clássico do estilo folk). Em 1999 ele arrumou um emprego como tutor, uma espécie de professor particular. Passou a escrever algumas canções e juntou dez para serem gravadas em um álbum demo que enviou a diversos lugares. Nesta época Ray foi apresentado a um executivo de negócios que lhe introduziu na Chrysalis Music Publishing, onde gravou um álbum que depois foi vendido para a RCA Records nos EUA e para a Echos Records no Reino Unido.

O primeiro álbum porém, saiu em 2004, pela RCA Records. “Trouble” traz a belíssima canção ‘All the Wild Horses’, que fez parte da trilha do filme ‘Os Garotos estão de Volta’, por onde acabei conhecendo o trabalho do Ray LaMontagne, apesar de eu já ter ouvido suas canções em outros filmes, mas que passou despercebido. Depois de ‘Trouble’ vieram ‘Till the Sun Turns Black’ em 2006, ‘Gossip in the Grain’ em 2008 e God Willin and the Creek Don’t Rise em 2010, álbum que lhe rendeu duas indicações ao Grammy, onde ele levou o prêmio de melhor álbum de folk contemporâneo.

Suas canções são figuras carimbadas em séries americanas. Do segundo álbum, ‘Till the Sun Turns Black’ foi incluída na trilha de E.R. em 2006, já ‘Lesson Learned’ e ‘No You’ foram incluídas na série One Tree Hill. A canção ‘Be Here Now’ no entanto foi incluída em dois filmes: ‘Longe Dela’ (Away from Her), filme que já citei aqui no site e ‘Vestida para Casar’ (27 Dresses). A mesma canção foi incluída em episódios das séries: Bones e Conver Affairs.

‘You Are the Best Thing’, canção do terceiro álbum, fez parte da trilha de ‘Eu te amo, Cara’ (I Love You, Man), uma comédia super bacana, vale a dica. Depois a canção fez parte novamente da série One Tree Hill. ‘Sarah’ fez parte de um episódio de House, ‘Let It Be Me’ foi incluída em episódio de Parenthood, posteriormente incluída na trilha sonora da série. A mesma canção também embalou um episódio de Criminal Minds.

Do último álbum foram estraídas as canções ‘Empty’, para ser trilha de um episódio de Law & Order : Criminal Intent e para embalar os créditos finais do filme Conspiração Americana (The Conspirator).

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