A Ordem dos Templários

Se você nunca ouviu falar dos Cavaleiros Templários, talvez tenha ouvido falar da música da Legião Urbana intitulada: “A Ordem dos Templários”.

A mais complexa, intrigante e enigmática história da Idade Média. Fundada oficialmente em Jerusalém, em 1118, por nove cavaleiros franceses, para defender os peregrinos cristãos na Terra Santa durante as Cruzadas. Eles se transformaram na mais poderosa Ordem Militar a serviço de Cristo. Varreram as terras da Europa. Acumularam riquezas incalculáveis. Mataram e Morreram em nome de Deus. Foram os maiores aliados da Igreja Católica. Traídos e mortos pela Santa Inquisição em uma das formas mais barbaras já praticadas.

A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (em latim “Pauperes commilitones Christi Templique Solomonici”), vulgarmente conhecida como Ordem dos Templários ou Ordem do Templo (em francês “Ordre du Temple” ou “Les Templiers”), foi uma das mais famosas Ordens Militares de Cavalaria. A organização existiu por cerca de dois séculos na Idade Média, fundada no rescaldo da Primeira Cruzada de 1096, com o propósito original de assegurar a segurança dos muitos cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista.

Oficialmente aprovada pela Igreja Católica em torno de 1129, a Ordem tornou-se uma das favoritas da caridade em toda a cristandade, e cresceu rapidamente quer em membros quer em poder. Os cavaleiros templários, em seus característicos mantos brancos com a cruz vermelha, estavam entre as mais qualificadas unidades de combate nas Cruzadas. Os membros não-combatentes da Ordem geriam uma vasta infra-estrutura econômica em toda Cristandade, inovando em técnicas financeiras que constituíam o embrião de um sistema bancário, e erguendo muitas fortificações por toda a Europa e a Terra Santa.

O sucesso dos Templários esteve estreitamente vinculado ao das Cruzadas. Quando a Terra Santa foi perdida, o apoio à Ordem reduziu-se. Rumores acerca da cerimónia de iniciação secreta dos Templários criaram desconfianças, e o rei Filipe IV de França, profundamente endividado com a Ordem, começou a pressionar o Papa Clemente V a tomar medidas contra eles. Em 1307, muitos dos membros da Ordem em França foram detidos, torturados até darem falsas confissões, e então, serem queimados em estacas.

Em 1312, o Papa Clemente, sob contínua pressão do rei Filipe, dissolveu a Ordem. O súbito desaparecimento da maior parte da infra-estrutura europeia da Ordem deu origem a especulações e lendas, que têm mantido o nome dos Templários vivo até aos nossos dias.

O Código da Vinci

No livro de Dan Brown, a Ordem dos Templários é altamente retratada, mostrando toda sua forma de organização e poder histórico, sendo creditado a eles o segredo sobre o Santo Graal. Sendo o livro, coube aos Cavaleiros escoltarem Maria Madalena pela Terra Santa com o intuito de proteger sua gravidez de uma filha de Jesus Cristo. O fim da Ordem é explicada quando integrantes da Ordem revelam o segredo máximo da Ordem para a Igreja Católica em troca altos cargos no Vaticano. Porém, todos são traídos e mortos pela igreja católica em uma Sexta-Feira, dia 13. Daí viria o estígma da ‘Sexta Feira 13’ ser considerado um dia negativo.

A História Real

A Ordem fundada por Hugo de Payens após a Primeira Cruzada, em 1119, com a finalidade de defender a Terra Santa dos ataques dos maometanos, mantendo os reinos cristãos que as Cruzadas haviam fundado no Oriente.

Os seus membros faziam voto de pobreza e seu símbolo passou a ser um cavalo montado por dois cavaleiros.
Em decorrência do local de sua sede (no local onde existira o Templo de Salomão, em Jerusalém) do voto de pobreza e da fé em Cristo surgiu o nome “Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”.

A regra dessa ordem religiosa de monges guerreiros (militar) foi escrita por São Bernardo. A sua divisa foi extraída do Livro dos Salmos: “Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam” (Sl 115,1) que significa

“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Vosso nome dai a glória”.

O seu crescimento vertiginoso, ao mesmo tempo que ganhava grande prestígio na Europa, deveu-se ao grande fervor religioso e à sua incrível força militar. Os Papas guardaram a ordem acolhendo-a sob sua imediata proteção, excluindo qualquer intervenção de qualquer outra jurisdição fosse ela secular ou episcopal. Não foram menos importantes também os benefícios temporais que tal ordem recebeu dos soberanos da Europa.

O poder da Ordem tornou-se tão grande que, em 1139 o papa Inocêncio II emitiu um documento declarando que os templários não deviam obediência a nenhum poder secular ou eclesiástico, apenas ao próprio papa.

Um contemporâneo (Jacques de Vitry) descreve os Templários como “Leões de guerra e cordeiros no lar;  rudes cavaleiros no campo de batalha, monges piedosos na capela; temidos pelos inimigos de Cristo, a suavidade para com Seus amigos”.

Levando uma forma de vida austera não tinham medo de morrer para defender os cristãos que iam em peregrinação a Terra Santa. Como exército nunca foram muito numerosos aproximadamente não passavam de 400 cavaleiros em Jerusalém no auge da ordem, mesmo assim foram conhecidos como o terror dos maometanos (Maometano era o termo designado para o que hoje são chamados Muçulmanos. O povo seguidor dos ensinamentos do profeta Maomé, que habitam a região conhecida como Islã. Também eram chamados de Sarracenos e Mouros).

O poder como ameaça

Com o passar do tempo a ordem ficou riquíssima e muito poderosa, ganharam enorme poder político, militar e econômico, o que acabou permitindo estabelecer uma rede de grande influência no continente.

Também começaram a ser admitidas na ordem, devido à necessidade de contingente, pessoas que não atendiam aos critérios que eram levados em conta no início. Logo, o fervor cristão, a vida austera e a vontade de defender os cristãos da morte deixaram de ser as motivações principais dos cavaleiros templários.

Felipe IV pensou em apropriar-se dos bens dos Templários, e por isso havia posto em andamento uma estratégia de descrédito, acusando-os de heresia. A perseguição aos templários começou em 1307, quando o rei da França, acusou os templários de heresia e imoralidade.

No dia 13 de Outubro de 1307 (sexta-feira) o rei obrigou o comparecimento de todos os templários da França. Os templários foram encarcerados em masmorras e submetidos a torturas para se declararem culpados de heresia, no pergaminho redigido após a investigação dos interrogatórios, no castelo de Chinon, no qual Felipe IV da França (Felipe, o Belo) havia prendido ilicitamente o último grão-mestre do Templo e alguns altos dignitários da Ordem.

O Pergaminho de Chinon atesta que o Papa Clemente V absolveu os templários, das acusações de heresia, evidenciando, assim, que a queda histórica da Ordem deu-se por causa da perda de sua missão e de razões de oportunismo político.

Da perda de sua missão o que caracterizou não mais uma vida austera como no inicio da ordem se aproveitou o Rei Felipe IV, o Belo, para se apoderar dos bens da Ordem, acusando-a de ter se corrompido. Ele encarcerou os Superiores dos Templários, e, depois de um processo iníquo, os fez queimar vivos, pois obtivera deles confissões sob tortura, que eram consideradas nulas pelas leis da Igreja e da Inquisição Concílio de Concílio de Vienne (França) em 1311 e Concílio regional de Narbona (França) em 1243.

A Sentença do Papa Clemente V a Ordem

A ata de Chinon declara que os Templários não dissolvidos, mas absolvidos, suscitou a reação da monarquia francesa, tanto que obrigou Clemente V à ambígua discussão sancionada em 1312, durante o Concílio de Vienne, com a bula Vox in Excelso, na qual declarava que o processo não havia comprovado a acusação de heresia.

Ao declarar que o processo não tinha comprovado a acusação de heresia, Clemente V suspendeu a Ordem dos Templários mediante uma sentença não definitiva, sem dissolvê-la, para impedir um cisma com a França, reintegrando os altos dignitários Templários e sua riqueza na comunhão da Igreja.

O Pergaminho de Chinon declara que o Papa Clemente V absolveu os templários, das acusações de heresia, mostrando assim, que o Pontífice não considerou a ordem como sendo herege (conforme se especulava). E que deu a absolvição ao último grã-mestre dos Templários, Jacques DeMolay, e aos cavaleiros da Ordem. O Pontífice ainda permitiu a eles “receber os sacramentos cristãos e serem acompanhados por um capelão” até os últimos momentos de sua vida quando foram executados pela Inquisição Católica com uma morte exemplar. Esta “morte exemplar” determinada pela Inquisição era a morte na fogueira, após longos períodos de tortura física e psicológica. Esta foi uma das mais cruéis formas de execução da Idade Média. Os cavaleiros não foram queimados vivos nas chamas ardentes. Segundo dados históricos, eles foram queimados lentamente em brasas, numa forma parecida com a “defumação”.

O Fim da Ordem

A destruição da Ordem do Templo propiciou ao Rei francês não apenas os tesouros imensos da Ordem (que estabelecera o início do sistema bancário), mas também a eliminação do exército da Igreja, o que o tornava senhor rei absoluto, na França.

Nos demais países a riqueza da ordem ficou com a Igreja Católica.

Antes de ser queimado vivo em 1314, Jacques de Molay teria intimado o Rei Felipe e o Papa Clemente V a comparecer ao julgamento de Deus. E que Felipe e seus descentes teriam algum revés letal.

De fato o rei Felipe veio a falecer no mesmo ano de 1314, assim como o Papa Clemente V.
Nos catorze anos seguintes, os três filhos do rei, que seriam seus sucessores no trono, faleceram, encerrando a linhagem direta de 300 anos dos reis Capetianos (Capet), levando muitos a crer que a dinastia fora amaldiçoad
a – daí o nome “Os Reis Malditos” (Les Rois Maudits). De Molay teria desafiado o rei e o Papa a encontrá-lo novamente diante do julgamento de Deus antes que o atual ano terminasse – apesar de esta frase não constar em relatos modernos da execução de Jacques de Molay. Felipe e Clemente V de fato morreram ainda no ano de 1314. Esta série de eventos formam a base de Les Rois Maudits (Os Reis Malditos), uma série de livros históricos de Maurice Druon. Ironicamente, o Rei Luis XVI era um descendente de Felipe e sua neta Rainha Joana II de Navarre. Quando a cabeça do rei Luis XVI caiu na cesta da guilhotina, um homem não identificado se aproximara. Mergulhou a mão no sangue do monarca, sacudindo-a no ar e gritara: “Jacques DeMolay, fostes vingado!”

A Maçonaria e os Templários

O fato de nunca ter havido uma oportunidade de acesso aos documentos originais dos julgamentos contra os templários motivou o surgimento de muitos livros e filmes, com grande repercussão pública, porém, sem nenhum embasamento histórico. Por este mesmo motivo, muitas sociedades secretas, como a Maçonaria, se proclamam “herdeiras” dos templários.

A obra, publicada pela Biblioteca Vaticana: “Processus contra templários”, restaura a verdade histórica sobre Os Cavaleiros da Ordem do Templo, conhecidos como templários, cuja existência e posterior desaparecimento foram motivo de numerosas especulações e lendas.

Os Pergaminho de Chinon são relativos ao processo contra os templários, realizados sob o pontificado do Papa Clemente V, cujos originais são conservados no Arquivo Secreto do Vaticano. O principal valor da publicação reside na perfeita reprodução dos documentos originais do citado processo e nos textos críticos que acompanham o volume; explicam como e por que o pontífice Clemente V absolveu os Templários da acusação de heresia e suspendeu a Ordem sem dissolvê-la, reintegrando os altos dignitários Templários e a própria Ordem na comunhão da Igreja.

Mais recentemente

Em 2007 o Vaticano lançou uma obra inédita sobre a Ordem. Composta por 799 exemplares numerados, intitulada: “Processo Contra Templários”.

Os documentos, até agora considerados secretos de um dos grandes julgamentos da história, que condenou ao fim os Cavaleiros Templários, passaram a ser vendidos em edição bilíngüe ( italiano e inglês).

O preço equivalente a mais de R$ 15 mil, no entanto, não é nada acessível para a maioria dos interessados no assunto e até mesmo para as bibliotecas especializadas.

O livro integra a série “Exemplaria Praetios”, a publicação mais valiosa do Arquivo Secreto do Vaticano, e conta com todo o luxo de detalhes nas reproduções: uso de pergaminho, selos dourados e documentos de grande importância histórica.

One Response to A Ordem dos Templários
  1. wiliandm

    Que a alma e espirito do último grão Mestre seja levada nos corações de cada Demolay no mundo…

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