Di vida se…

Sabe aquela canção que você jura que foi escrita para você? Bom, ela nunca é totalmente precisa. Porque não é sobre você de fato. Então como disse Renato em ‘Marcianos invadem a Terra’:

“Se você quiser se divertir,
invente suas próprias canções”…

dividase

Acho que resolvi escrever um dia pois queria falar exatamente aquilo o que eu pensava e sentia. Não algo parecido ou próximo. Em 2006, criei o Gelo Negro, para guardar estes textos. Depois de perder vários outros entre hd’s estragados ou papéis esquecidos.

Passados quase 10 anos da primeira postagem, me questiono sobre a relevância daquilo que escrevemos. A responsabilidade de cada palavra sobre a influência que pode ter na vida de quem a lê.

Ler nunca foi algo tão ambíguo em nossa realidade. Gostamos muito de falar e escrever qualquer coisa em redes sociais, compartilhando nosso imediatismo e um certo vazio não assumido. Mas temos dificuldade de ouvir e ler o que os outros dizem. Nos interessa dizer, dizer, dizer e quando o outro se manifesta, não temos tempo, não temos ‘saco’. Por isso preferimos uma foto a um vídeo. Uma frase a um texto.

Faça um teste. Ao chegar em casa diga algo como:

“- Nossa, hoje meu dia foi terrível”.

É mais fácil você ouvir um: “O meu também foi péssimo”, que uma nova pergunta, gentil e singela com:

“- O que aconteceu?” ou ainda, um: “- Deite aqui, vamos ouvir aquela música que você gosta, enquanto lhe faço um carinho e você desabafa um pouco sobre o que aconteceu contigo”

Não sei a eficácia daqueles textos todos que dediquei dias e dias de minha vida, durante anos para escreve-los. Eles são distorcidos, desprezados, mal interpretados e ignorados na maior parte do tempo. Então me pergunto: Porque falar tanto? Porque pensar tanto? Qual propósito?

Quase nulo…

Em Fernão Capelo Gaivota, o best seller de Richard Bach, Fernão é uma gaivota que em termos moderninhos seria alguém ‘Think outside the box’…

Ele queria mais da vida, pois queria voar mais alto… Queria transbordar os limites impostos por seu bando e por sua natureza de gaivota… Grande parte das pessoas que referenciam este livro, se ancoram (só para ser irônico), na ideia de que Fernão Capelo Gaivota fala sobre desapego e liberdade…

Fala em saber lidar com a solidão. Sobre essa necessidade do desdobrar sobre si próprio, da importância de viver bem consigo mesmo. Fato que certamente distorcemos da maneira mais torta e sem sentido possível.

Para mim, qualquer tentativa de ser alguém melhor, serve única e exclusivamente para ser melhor para com aqueles que amo. Dedicar-se totalmente à alguém, seja um amigo ou um amor, não tem qualquer erro ou perda. Desde que essa entrega seja mútua.

Diz Bach em uma passagem: “Uma alma gêmea é alguém cujas fechaduras coincidem com nossas chaves e cujas chaves coincidem com nossas fechaduras. Quando nos sentimos seguros a ponto de abrir as fechaduras de nosso coração, surge o nosso eu mais verdadeiro e podemos ser completa e honradamente quem somos. Cada um descobre a melhor parte do outro”…

Fernão para muitos era uma gaivota de espírito livre, sem qualquer algo o alguém que o importe além de si mesmo.Para mim era uma gaivota que queria mais, não de si, mas de todos que amava. Liberdade não é solidão. Liberdade não é a falta de envolvimento e entrega. Liberdade é fazer o que se quer. Independentemente do que seja. Às vezes queremos a liberdade de nos prender a alguém, de ficar em um só lugar, em querer apenas uma única pessoa, por toda uma vida.

Está lá, perdido entre suas páginas:

“Amar é doar-se”….

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