Diversão cognitiva

Assim, somente como exercício mental ou talvez por puro divertimento cognitivo, gosto de imaginar situações que nunca aconteceram e nunca acontecerão.

Conhece a máxima: ‘Se conselho fosse bom, não se dava’? Pois bem, você pode cobrar por ele e chamar de coaching.

Nada contra esta nova profissão, mas de alguma forma, acredito que este aconselhamento, com predominância em cunho profissional, pula etapas importantes, principalmente a revolução criativa que criamos diante do fracasso. Questionando um profissional da Forbes especializado em bilionários, na busca de encontrar pontos semelhantes entre todos eles, um dado importante: Todos colecionam várias histórias de fracassos até encontrar o que lhes levou ao caminho da fortuna.

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Fico imaginando como seria, Steve Jobs e Steve Wozniak em um grupo de coaching em busca de lucidar a possibilidade de criar um computador pessoal.

Assim como em pirâmides ou se preferirem: ‘marketing multinível’, o coach tem essa imagem da pessoa bem sucedida, bem resolvida, vendendo sucesso em forma de conselho. Como se fosse um espelho de vitória: olhe para mim e tente ser como eu sou. Em coaching exclusivo para mulheres, isso parece ainda mais evidente. São sempre mulheres bonitas, bem maquiadas, impecavelmente vestidas, com ótima oratória e certamente com muito conhecimento em retórica. Numa espécie de sofista avant-garde.

É tão eficaz e covarde como tomar vitamina em cápsula ao invés de fazer uma reeducação alimentar que contemple todas as suas necessidades funcionais. Radicalismo talvez? Sim, sempre. Pois postergar a falha e o erro é sem dúvida covardia.

Rodrigo Amarante escreveu em “I’m ready”: …o erro é onde a sorte está. Belo título aliás.

O mundo caminha tão caótico, corremos atrás de algo que não sabemos bem o que é, nos perdemos entre tantos querer, sem saber os porquês. Vamos acumulando, lá na frente a gente resolve para o que servirá. Será?

Talvez precisássemos de um Organic Coaching. Alguém preocupado em direcionar as pessoas a uma vida equilibrada entre trabalho, realização pessoal, família, amores, sustentabilidade, assistência social. Alguém que lhe induzisse a encontrar este caminho equilibrado entre como nos dedicamos ao que realmente importa. E o que realmente importa? Não sabemos. E como Alice, perdida em que direção seguir, seguimos qualquer caminho, afinal, todos eles servem para quem não sabe onde quer chegar.

Como acendemos a luz do coach, se não sabemos de verdade para onde devemos apontar o foco?

Mas como esperar isso de um profissional que lhe conduz a encontrar respostas, para perguntas que passam longe disso? Afinal, temos essa ideia estranha e enraizada que o dinheiro é solução para muitas coisas. E ele até consegue ser. Mas em tudo aquilo que ele não possui validade alguma, no fim acaba fazendo com que ele seja irrelevante e frágil.

Como escreveram meus queridos Tiago Iorc e Humberto Gessinger Oficial na belíssima ‘Alexandria’:

“Gente demais, com tempo demais, falando demais, alto demais. Vamos atrás de um pouco de paz. A gente queima todo dia, 1.000 bibliotecas de Alexandria. A gente teima e antes temia. Já não sabe mais o que sabia.Então, vá procurar o que caiu da mão. Refazer sozinho o caminho olhando pro chão…”

Não sei, mas tenho a impressão que se Henry Ford tivesse procurado um coach, estaríamos fazendo melhoramento genético em busca de cavalos mais rápidos, ao invés de andarmos de carro. Grande parte das obras de arte e das canções nunca teriam sido criadas, pois teriam sido aconselhados à desenvolver algo mais rentável e estável.

Nem muito ao céu, nem muito à terra. Talvez, mais ‘à mar’…

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