Sobre café ou sobre a vida…

Ontem eu sai de casa decidido à comprar café.
Café mesmo e não esse pó preto que se vende nos mercados, que nem mesmo cheiro de café tem.
Duvida? Cheire um grão de café e logo depois um destes tijolos à vácuo.

Voilá…

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Afinal, o mínimo que a gente deveria esperar de um produto é que ele fosse de fato o que diz ser.

Perto de casa tem um mercado meio orgânico, meio vegano, meio cheio de gente muito distinta e de nariz empinado. Cheguei, me sentindo meio deslocado. Sempre me sinto assim em lugares meio pomposos. Os caras que atendem tem cara de modelo, são malhados e se vestem com camisetas descoladas de alguma grife de internet qualquer. Pedi um pacote e rapaz foi gentilmente dando uma belíssima explicação sobre o tipo de moagem (Não sabia que existia diferentes tipos de moagem. Para mim o café ou estava em grão ou estava em pó).

Falou da origem do café, no caso, do sul de Minas e dos toques de bombom (?) que o café trazia. Então ele me questionou: ‘Qual método você pretende utilizar?’

Perdi um pouco da vergonha e da sensação de ignorância e disse: O método: ‘saco de pano’. Ele deu uma risada… E continuei: Eu só quero tomar um café que tenha gosto de café. Peguei e fui embora. Ganhei um desconto, talvez pela sinceridade…

Esse mundo gourmet deixa tudo muito chato. Eu não quero ser barista para tomar café. Não quero ser sommelier para tomar um vinho. Eu nem gosto de cerveja, não quero saber se ela é uma Stout, Ale, Pilsen, Bock, Lager. Se eu beber um copo é apenas para te fazer companhia.

Eu só quero tomar um café que lembre da minha avó. Quando a tia Mafalda colhia café num pé que tínhamos em casa. Me interessa muito mais as piadas engraçadas do meu cunhado português e o quanto tudo fica ainda mais engraçado conforme as garrafas se esvaziam, do que saber se o vinho é Merlot ou Carbernet.

Me interessa muito mais a voz no outro lado da linha, que saber se você prefere iOS ou Android.

Se você tiver intolerância à lactose ou se é vegana, eu prepararia um jantar alternativo, apenas para você se sentir mais adequada. Porque importa muito mais a sua companhia do que quantas calorias tem naquele prato ou se não é aconselhável ingerir carboidratos depois das 18hs…

Desculpe se para mim, a felicidade mora na simplicidade daquilo que perdemos.

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