O Espetacular Homem-Aranha

Confesso que baseado na trilogia tosquíssima protagonizada por Tobey Maguire eu definitivamente não me empolguei de sair de casa e ir até o cinema para ter uma nova decepção. Não sou um entendedor de HQs, não sei quanto a trilogia foi fiel aos quadrinhos, mas Tobey Maguire não convence no papel de Homem-Aranha. O amor platônico que mantém pela Mary Jane (Kirsten Dunst) é muito chato, meloso, infundado. Entendo que na maioria dos super-heróis, o personagem é sempre um pacato cidadão, bobão que tem sua revanche do mundo e da vida após se tornar alguém com super-poderes, mas descredibiliza ele como alguém que você gostaria de ser.  Eu não queria ser um super-herói que alimenta uma paixão por uma garota bem sem graça que nem me dá bola, além de ser capacho de um chefe explorador. Todo o restante da história me parece sem fundamento, superficial e desproposital. Mas minha maior cisma é que Tobey Maguire tem cara de babaca e não consegue deixar de parecer babaca mesmo tendo super-poderes. Já reparou naquela pessoa com cara de nerd que de repente tentam parecer super-descoladas, mudam a roupa, mudam o cabelo, mas continuam com cara de idiota? Não sei precisar o que é, mas a pessoa não leva jeito para ser descolada. Mas existem algumas pessoas, que conseguem caminhar entre estes dois mundos, como tão brilhantemente fazia ‘Christopher Reeve’ no papel de Superman. Todo mundo questiona: Como ninguém o reconhecia só porque penteava o cabelo e tirava o óculos? Na realidade, não é isso. O ponto chave é que ninguém poderia conceber a ideia de que aquele pacato e boboca jornalista salvava o planeta nas horas vagas.

O ‘Espetacular Homem-Aranha’ no entando conseguiu achar um cara assim. Andrew Garfield consegue parecer babaca e super-herói ao mesmo tempo. Requisito extremamente importante para alguém que queira vivenciar um personagem de HQ. O roteiro do filme foi muito inteligente. Todos os acontecimentos possuem um motivo para existirem e vão se somando para fechar o ciclo ao final do filme. Não estão lá por acaso e nem acontecem sem explicação. Um detalhe simples: Por que alguém que descobre sofrer uma mutação genética sai pela cidade com uma máscara? Por que o Homem-Aranha usa um colã ao invés de alguma armadura? E para acabar de vez com a trilogia do xarope do Maguire, neste filme ele pega a mocinha muito bem interpretada pela gatíssima Emma Stone. Muito superior a fraquíssima Kirsten Dunst. Emma Stone já emplacou a protagonização de três ótimos filmes: ‘O Espetacular Homen-Aranha’, ‘Histórias Cruzadas’ e ‘A Mentira’. O efeitos são muito bons, mas é justamente por ser uma história muito mais calcada na realidade que o filme funciona, igualmente como fizeram com a trilogia de Batman. Marc Webb como diretor começou com 2 pés direitos nas telonas. Fez o bem sucedido ‘(500) dias com ela’ e agora dirigiu com maestria este reboot. Colocar Rhys Ifans no papel do inimigo do Homem-Aranha foi outra jogada de mestre. Gostei realmente do filme, acredito que facilmente ele pode acompanhar Batman e Homen de Ferro nas boas produções sobre super-heróis.

 

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