TED

Quando estive em Curitiba para a tarde de autógrafos dos livros ‘Branca dos Mortos’ e ‘Independência ou Mortos’, me senti o Pato Donald saindo de casa para jogar golf. Em resumo minha viagem foi basicamente isso:

Nos restou passear pelos shoppings, ver alguns filmes e depois ficar com um resfriado que está me matando desde que voltei. Aproveitei para ver o famigerado e polêmico TED. Já desconfiava que não acharia tanta graça no filme, pois não curto muito humor escrotizado. Tanto que os momentos em que o filme mais tirou risadas de mim, foram nas brincadeiras mais simples. Ver um urso fumando maconha e cheirando cocaína definitivamente não me faz rir. Sindo a mesma sensação quando assisto Pânico na TV. Nunca acho graça das bizarrices, acho que eles são mais divertidos nas brincadeiras mais ingênuas. Toda a vez que o Pânico tenta se parecer com Jackass, fracassa.

O filme tem dois pontos fracos, o primeiro fica por conta da interpretação da Mila Kunis, que sinceramente não consegue me convencer em nenhum dos filmes que assisti com ela. Ela está para mim no mesmo patamar da Angelina Jolie, são muitas caras e bocas, você não consegue vê-la como uma mulher comum, parece sempre estar olhando para uma bela mulher, que distoa da história. De alguma forma, sua presença deixa tudo inverídico. Muito provavelmente esta deve ser uma percepção pessoal, mas ainda assim, me incomoda.

O segundo ponto fraco do filme é o roteiro. A ideia do filme é muito boa e poderia gerar inúmeras piadas engraçadíssimas, mas a produção é do diretor estreante em cinema Seth MacFarlane, conhecido pela série de animação ‘Uma Família da Pesada’, que eu particularmente não consigo achar graça alguma. Já assisti inúmeros capítulos e este humor absurdo não desce. Um tipo de humor muito difundido no Brasil entre comediantes como Danilo Gentili e Rafinha Bastos, que usam de iconoclastia e comentários constrangedores (por vezes até discriminatórios), para arrancar risadas, o que inevitavelmente acaba causando mais constrangimento que graça. Se você pensar, é um humor infantil por parte de quem o cria e não de quem o vê. A sensação que eu tenho algumas vezes, quando vejo determinadas piadas do Danilo e do Rafinha é exatamente esta, a de que eles não cresceram e acham a maior graça em falar cu e pinto.

Não sei qual a importância icônica que este ursinho tem nos Estados Unidos, mas no Brasil ele não recebe o mesmo efeito iconoclasta de um personagem da nossa infância. Uma versão brasileira com o Peposo e a Peposa seria muito engraçado. O filme é engraçado, sim, algumas vezes, poderia ser muito mais, tinha potencial para isso. È o tipo de comédia que agrada muiiiiita gente, então não se influencie pelas minhas críticas. Não me arrependi de ver o filme, apenas minha expectativa era maior diante de tanta polêmica.

É o típico humor 8 ou 80, que cria críticas extremamente positivas e extremamente negativas. No site Adoro Cinema ele levou 5 estrelas do Jornal do Brasil e 1 estrela do Zero Hora. Concordo com aqueles que dizem que o roteiro é fraco, já que não existe um grande desenvolvimento da história e a tentativa de fazer rir pelo absurdo, pela anarquia, é um apelo muito forçado. Quem assiste o filme com mais critério vai sair do cinema igualzinho a mim. Não sai aborrecido, mas também não sai fazendo grandes comentários.

 

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