Seguindo sem pilantragem

Manhã do dia 24 de janeiro de 2003, na altura do número 1800 da avenida Abrão de Morais, Zona Sul de São Paulo, ele levou sua mulher, Maria Dalva da Rocha Viana, ao ponto de ônibus. Na despedida, disse à esposa que iria ao Fórum Social Mundial de 2003, na cidade de Porto Alegre. Após entrar no carro, foi abordado por um traficante que disparou quatro vezes. Foi atingido com dois tiros na coluna vertebral, enquanto outros dois atingiram sua mandíbula e sua cabeça. Foi encontrado ao lado de seu carro, às 5h50 da manhã. Além das balas disparadas, ao seu lado, uma máscara preta. Chegou a ser reanimado por meia hora no Hospital São Paulo, mas devido ao estado considerado gravíssimo, não resistiu. As especulações sobre o assassinato apontam o envolvimento com o mundo do crime, como uma possível razão para o ocorrido. Seus amigos e familiares, no entanto, não concordam com essa hipótese, já que estava há uma década distante do crime. Ele nunca escondeu de ninguém seu envolvimento com os atos ilícitos no passado de sua vida. Este é capítulo final ou talvez o primeiro da história.

Sabotage, nome artístico de Mauro Mateus dos Santos (São Paulo, 13 de abril de 1973 — São Paulo, 24 de janeiro de 2003) foi um rapper e ator brasileiro. Pai de 3 filhos, nasceu na Zona Sul de São Paulo. Encontrou a saída da vida do crime no rap, após de ter sido gerente de tráfico. Entrou na música pois este era seu único e verdadeiro talento. Considerado uma lenda na Zona Sul, inspirou vários rappers como Rhossi, Pavilhão 9, além de ter ensinado ao titã Paulo Miklos, como ser um digno malandro para o filme ‘O Invasor’ de Beto Brent. Sabotage fez um disco solo: ‘Rap é Compromisso!’, e participou de outros projetos como o RZO e SP Funk. Participou de dois filmes, o já citado ‘O Invasor’ e o premiado ‘Carandiru’. Recebeu vários prêmios Hútus, o grande festival do rap no Nacional. Sabotage era o próprio compositor e cantor de suas músicas. Em toda sua carreira, compôs dezenas de canções e algumas delas se tornaram uma espécie de hino nos guetos do país, fazendo com que vários outros artistas usassem-nas como samples, colagens e scratches de seus trabalhos. Expressões como ‘respeito é pra quem tem’ e ‘rap é compromisso, não é viagem’, constantes de suas letras, viraram jargões adotados por todo Brasil.

A vida no crime

Durante a adolescência, Mauro foi interno da FEBEM e se tornou traficante na Zona Sul de São Paulo. Com a convivência junto ao crime na favela do Canão acabou sendo indiciado duas vezes em 1995, uma por porte ilegal de arma, outra por tráfico de drogas. No final de 1998, mudou-se para o complexo Vila da Paz, onde segundo a polícia montou um ponto de tráfico de drogas com o amigo Durval Xavier dos Santos, o Binho. Já existia nas proximidades outro ponto de tráfico, desencadeando uma guerra entre as facções, acirrada após os dois supostamente assassinarem Euclides Menzes Pessoa, chefe da facção rival, em 1999.

Após a morte de Euclides, Sirlei Menezes da Silva assumiu o grupo (que mais tarde seria acusado do assassinato de Sabotage). Sirlei indicou Nivaldo Pereira da Silva, conhecido como Caçapa, como segundo na hierarquia de sua quadrilha. No ano seguinte, Sabotage se mudou para a favela do Boqueirão com o intuito de fugir da guerra. Binho, seu parceiro de crime continuou no local, foi preso em 2002 e em 14 de outubro do mesmo ano foi morto no ‘Cadeião de Pinheiros 3’ por um acerto de contas. Em suposta vingança à morte de Binho, Sabotage teria executado Denivaldo Alves da Silva, conhecido como Vadão, segurança do traficante Sirlei, em 9 de janeiro de 2003. Em represália, 15 dias após a morte de Vadão, Sirlei, acompanhado de Bocão e o irmão de Vadão, seriam os autores do assassinato de Sabotage. Apenas um mês depois, Bocão foi morto.

O julgamento de Sirlei

O julgamento do assassino de Sabotage estava previsto para iniciar em 28 de abril de 2010, 7 anos e 3 meses após o acontecimento. Foi adiado para 12 de julho pela ausência de uma testemunha de acusação. O processo foi reiniciado na data prevista, então contando com todos os integrantes necessários. O julgamento durou dois dias, com Sirlei Menezes da Silva se defendendo das acusações negando culpa na morte de Sabotage, alegando torturas e colocando a culpa no Primeiro Comando da Capital, o PCC. A defesa questionou as provas e a conduta da polícia, obtendo como réplica a acusação de que Sirlei fez uma festa para comemorar o assassinato do ‘inimigo’. Em 13 de julho, o júri se reuniu para decidir o destino do réu. Às 18h00 o resultado se tornou público: Sirlei Menezes da Silva foi condenado a 14 anos de prisão.

Os próximos capítulos

Uma produtora paulista, chamada 13 Produções está trabalhando desde 2011 em um documentário sobre o rapper. O projeto foi financiado através do sistema de participação coletiva Catarse e será lançado em 2013 quando se completará 10 anos da morte de Sabotage.

Eu sou nota 5 e sem provoca alarde,
Nota 10 é Dina Di DJ Primo e Sabotage

Sabotage é homenageado na canção ‘Sucrilhos’, do rapper Criolo, ao lado de outros dois expoentes do rap nacional, todos falecidos. A cantora Dina Di faleceu por complicações decorrentes do parte de sua filha e Dj Primo de uma parada cardíaca decorrente de uma pneumonia.

Álbuns de estúdio

2000 – Rap é Compromisso!

Coletâneas

2002 – Uma Luz que Nunca Irá se Apagar
2008 – Rap é o Hino Que me Mantem Vivo

Principais Canções

  • Respeito é Pra Quem Tem
  • Um Bom Lugar
  • Rap é Compromisso!
  • No Brooklin
  • Mun-Rá
  • Cabeça de Nêgo
  • Na Zona Sul
  • Cocaína
  • País da Fome
  • País da Fome, Pt. II
  • Cigarro Mata
One Response to Seguindo sem pilantragem
  1. [...] Se você quiser conhecer mais sobre a vida deste grande nome do rap nacional, fiz um outro post com sua ... gelonegro.com.br/?p=6178

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