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Pai

agosto 12th, 2012 by , under especial. No Comments


Hoje fazem doze ‘Dias dos Pais’ sem o meu, o que faz você imaginar que necessariamente a data perdeu bastante importância para mim. Posso estar errado, mas comemorar o ‘Dia dos Pais’ com um avô ou um tio, nunca me fez muito sentido, afinal este é um dia para se dedicar a relação pessoal entre pai e filho, que necessariamente é única e intransferível.

Minha relação com meu avô é de avô e neto, minha relação com meus tios, é de tio e sobrinho. Hoje pude ver no Facebook, diversas fotos de filhos e seus pais. Fotos recentes ou antigas, que me fez lembrar do quanto este gesto simples, muitas vezes negado, parece tão gigante na sua impossibilidade.

E por mais que eu tentasse lhe convencer desta importância é inerente a nós humanos, só entende-la de fato, quando se sente na pele. Não existe um simulador de sentimentos e ninguém nem mesmo é capaz de imaginar como é esta ausência. Que não se resume ao dia de hoje, mas a tudo o que deixamos de viver juntos.

Quando meu pai nos deixou há doze anos, uma grande parte da minha história não aconteceu. Muitas coisas deixaram de existir junto com ele. E por mais que isso pareça um texto melancólico e inapropriado para um dia feliz, você não sabe a satisfação que eu tenho em conseguir viver sem a sua presença, o que parecia impossível há doze anos e hoje me mostra como somos capazes de superar qualquer coisa, qualquer mesmo.

Tudo na vida passa, coisas boas e ruins, não é mesmo? Elas passam, nós passamos e este ciclo que por momentos parece tão longo e por outros tão curto é a constatação simples de que não é um ciclo com começo e fim, prefiro acreditar em nossa infinitude. Se você não quer acreditar e ter fé, deixamos os sentimentalismos bobos de lado e vamos falar de lógica.

Qual razão haveria em qualquer batalha se todo final terminasse na perda? Que propósito teríamos em uma existência finita? Pronto acabou? Pobre de você, amigo lógico e limitado. Para mim, meu pai nunca foi, sempre esteve, ainda é e sempre será. Aqui, lá ou ali, não importa.

Meu pai não está aqui para ler um recado em meu blog, nem para fazer uma foto ao meu lado, que provavelmente eu ou ele recusaríamos em fazer, mas ao menos isso pode te lembrar do quanto esta relação que você possui agora: carnal, vívida, real e material é limitada e breve.

Aproveite ao máximo, porquê não importa quanto tempo ela dure, será sempre curta demais.

Mural de Recados

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