O Homem que Mudou o Jogo

Brad Pitt definitivamente conseguiu ser maior que todo seu ‘apelo visual’. Quem nunca ouviu a expressão: ‘Não é um Brad Pitt…’. Depois de virar referência de beleza masculina, o cara conseguiu se tornar um ator surpreendentemente bom. Você poderia citar seus papéis no início da carreira em: ‘Quero Ser John Malkovich’, ‘Clube da Luta’ e ‘Snatch – Porcos e Diamantes’, mas são todas obras que estão acima do próprio elenco. Difícil é quando o ator se torna mais importante que o filme, é o momento de separar os meninos dos homens. Como se não bastasse ser um ator reconhecido, atuar em ótimas produções, casar com Angelina Jolie e ser referência mundial de beleza, o cara ainda ataca de produtor bem sucedido. Pitt esteve envolvido na produção de filmes como: Os Infiltrados, O Preço da Coragem, O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, Te Amarei para Sempre, o fenômeno Kick Ass, Comer Rezar Amar, A Árvore da Vida, O Homem que Mudou o Jogo e mais quatro filmes que ainda estão em fase de produção: Killing Them Softly (nos cinemas em 2012 – ator e produtor), Guerra Mundial Z (nos cinemas em 2013 – ator e produtor), The Normal Heart (nos cinemas em 2014 – produtor) e Twelve Years a Slave (produzido em 2013 – ator e produtor). Lembrando que tanto O Homem que Mudou o Jogo e Árvore da Vida levaram juntos a indicação ao Oscar de Melhor Filme.

Sinopse

Billy Beane (Brad Pitt) é o manager do time de baseball Oakland Athletics, cargo responsável pela montagem e contratação do time obedecendo o limite da folha de pagamento disponível. Até o ano de 2002, a relação entre folha de pagamento e resultado era diretamente proporcional. Um time com jogadores caros sempre despontavam como os melhores da competição, fadando os times com menor poder financeiro a ocupar as piores colocações da tabela. Com pouco dinheiro em caixa, Billy Beane resolve apostar todas as suas fichas na ideia aparentemente maluca do jovem economista Peter Brand (Jonah Hill), que conheceu em uma reunião com um dos investidores do time.  As ideias de Brand contrariavam o método tradicional de contratação de jogadores, levando em conta estatísticas matemáticas ao invés da relação ‘esperança + expectativa’ de experientes olheiros veteranos. Com um sofisticado programa de cruzamento de dados, ele fez com que o time com o menor orçamento da liga, ficasse entre as principais equipes do esporte durante o ano de 2002.

Ficha Técnica

Título Original … Moneyball
Gênero … Comédia Dramática
Duração … 133 min
Lançamento … 2011
Direção … Bennett Miller
Roteiro … Steven Zaillian e Aaron Sorkin
Produção … Brad Pitt
Nacionalidade … USA

Elenco

Brad Pitt como Billy Beane
Jonah Hill como Peter Brand
Philip Seymour Hoffman como Art Howe
Robin Wright como Sharon
Kathryn Morris como Tara Beane
Tammy Blanchard como Elizabeth Hatteberg
Olivia Dudley como Sharon (jovem)

Se já assistiu o filme, veja o restante do post na seção Spoilerando.

Spoilerando

Infelizmente o título do filme no Brasil já é um grande spoiler, como geralmente costuma ser. Até Granabol, seria melhor que ‘O Homem que Mudou o Jogo’. O filme que levou um indicação de melhor filme e atraiu ótimas críticas, também recebe comentários como este:

Chatíssimo. 133 minutos da ‘Filosofia das Estatísticas’

Poderia ser chato, se a história não fosse real. Moneyball (no original), mostra não apenas uma história fantástica de um cara que acreditou em uma boa ideia, mas também até onde você está disposto a ir por ela e qual o preço que você é capaz de pagar por acreditar em seu feeling. Além disso, o filme consegue mostrar de forma muito sutil os problemas pessoais de Billy Beane, sem os clichés chatíssimos do homem bem sucedido que após alcançar uma carreira de sucesso em sua profissão, larga tudo pelo amor de sua família, como se dinheiro não fizesse parte.

O filme nos traz inúmeros questionamentos e pontos chaves na vida de Beane, começando pela carreira mal sucedida como esportista, a tentativa ineficaz de tentar se manter competitivo como manager em uma realidade onde o dinheiro está acima de qualquer convicção e princípio, a capacidade de perceber que Peter Brand era um talento não reconhecido, usando seu feeling para os negócios fora das linhas do baseball. Quem enxergar o filme sem muito entusiasmo talvez não tenha percebido que os ingredientes para uma boa história estão todos ali, sem provocar muito alarde, contado a história sem maquiagem e sem o glamour que a vida real não possui.

O pulo do gato de Beane e Brand não estava apenas em avaliar estatísticas de forma crua e direta, mas cruzar informações que passavam despercebidas por qualquer entendido no esporte, fatos que isoladamente não faziam sentido, mas que dentro de uma ideia fechada se completavam como um quebra-cabeça. Este fato fica evidente quando colocam um rebatedor talentoso esquecido pelos grandes times após inúmeras contusões, deixando-o fazer o que ainda tinha capacidade de fazer: correr, afinal o problema era com seu braço e não com suas pernas. Mas quem apostaria nisso? O mesmo que futuramente garantiria um recorde para o time, ironicamente rebatendo uma bola marcando um home run.

Para Beane e Brand importava o resultado da competição inteira e não apenas o espetáculo de um jogo ou uma jogada espetacular isolada, que somente uma estrela no esporte seria capaz de produzir. Pode parecer que o que Beane e Brand fizeram não se trata de nenhum grande feito, o famoso jogo feio em busca de resultado, isso se você olhar tudo de forma muito rasa, mas o método criado por eles ia muito além da contratação de jogadores, o que seria a função do manager. Existia uma lógica a ser seguida, lógica que só pode ser aplicada quando Beane demitiu ou negociou todos o bons jogadores que restavam no time e que o técnico insistia em escalar, contratiando os planos da dupla.

Além da bem sucedida estratégia, eles conseguiram quebrar um rígido paradigma no esporte (que se aplica a inúmeros outros negócios), mudando de fato as ‘regras do jogo’. Não do jogo em si, mas do jogo financeiro que existe por traz do esporte, os jogos de poder. Muito interessante ver a tentativa de Beane de produzir aquele ‘discurso-mágico-de-vestiário’ que transforma o time derrotado em campeão, como em qualquer filme cliché de esporte. ‘Vamos lá, nós podemos’… É, essa história só funciona na ficção. É bonito ver a relação de Beane com sua filha, que aliás canta a música The Show da cantora Leika. Tudo suave, sem mostrar a garotinha revoltada que não respeita o pai que dedicou parte da vida para o esporte renegando a família.

O ponto alto do filme fica por conta da recusa de Beane de aceitar o convite do gigante Red Sox, mostrando que suas convicções não eram apenas circunstanciais, ou seja, ele não foi atrás de uma solução apenas por estar no lado oposto, mas por realmente acreditar que alguns jogadores ganham muito mais que merecem, criando uma discrepância gigante entre atletas que dividem o mesmo campo e muitas vezes o mesmo lado do campo.

Se você avaliar por esse lado, quanto dos resultados alcançados pelo Neymar foram conquistados de forma totalmente individual? Quantos dependeram de um bom passe? Quantos dependeram de uma falha do goleiro ou da zaga? Quantos dependeram de sorte? Basta analisar a incapacidade do jogador continuar a ser brilhante durante o jogo do Santos contra o Barcelona. Prova que quando todas as variáveis foram anuladas, o talento pessoal do Neymar ficou praticamente nulo. Será que ele vale o que ganha? Pense nisso…

Ótimo filme, ótima história, gostei das sutilezas.

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