Morte e vida de Charlie

Eu relutei para alugar este filme. Não é preconceito, mas levo muito em consideração as artes gráficas de um filme e Zac Efron já está com cara de galã na capa do filme, me lembrando muito os filmes baseados em livros de Nicholas Sparks. Me pareceu mais um filme com romance chato entre adolescentes. Vi este filme na prateleira da locadora por no mínimo um ano. Ontem resolvi alugar esquecendo qualquer argumento preconceituoso e machista, enfim. Vamos as informações técnicas e no fim, caso você já tenha visto o filme, pode ler minha seção spoilerando.

Sinopse

Charlie (Zac Efron) é muito próximo de seu irmão mais caçula Sam (Charlie Tahan). Abandonados pelo pai quando ainda eram crianças, Charlie assume o papel de irmão mais velho e pai de Sam. Charlie é um fenomenal iatista, recebendo inclusive uma bolsa integral para a faculdade. Em uma noite, quanto sua mãe é obrigada a trabalhar fora do horário, para conseguir levantar uma grana extra, Charlie precisa cuidar de Sam no dia em que foi convidado para uma festa com seus amigos de colegial. Ele decide sair e deixar Sam sozinho em casa, mas é pego fugindo escondido pelo irmão, que o obriga a deixá-lo na casa de um colega, para que possa então participar da festa. No meio do caminho, um acidente tira a vida de Sam e quase mata Charlie, que passa a ter o dom de ver pessoas que já morreram. Este dom terá uma motivação para acontecer e Charlie só entenderá o motivo de ter sobrevivido, muitos anos depois.

Ficha Técnica

Título Original … Charlie St. Cloud
Direção … Burr Steers
Lançamento … 2010
Nacionalidade … Canadá/USA
Gênero … Romance
Duração … 99 min

Elenco

Zac Efron como Charlie St. Cloud
Amanda Crew como Tess Carroll
Charlie Tahan como Sam St. Cloud
Donal Logue como Tink Weatherbee
Kim Basinger como Louise St. Cloud
Ray Liotta como Florio Ferrente

Já assistiu o filme? Então pode continuar a ler o restante.

Spoilerando

Infelizmente meu faro para filme ruim estava certo. Zac Efron parece ter se distanciado novamente da possibilidade de apagar o estereótipo de galã de High School Musical. Não sei se a culpa é do diretor ou do próprio ator, mas o lance de galã fica sempre em evidência, o que estraga a naturalidade da história. No momento do acidente violento que mata o irmão mais jovem, me empolguei com a ideia de que o filme seria corajoso e contaria uma história bonita. Apesar de críticas positivas sobre o trabalho de fotografia, para mim alguns momentos ficam tão artificiais que tiraram qualquer possibilidade de envolvimento com o filme.

O filme é baseado no livro do jornalista Ben Sherwood, que hoje é o atual presidente da ABC News. A todo momento a ideia de que a história poderia ser boa, não me saía da mente. Infelizmente a ideia era boa, mas a execução ficou devendo. O filme não consegue se posicionar, se é um romance ou se é um filme espírita. As cenas com o irmão, ao invés de algo mágico, tem um ar mórbido. A ideia de continuar conviver com o irmão morto no acidente, de um dom ou benção, passa a ser um fardo, já que para manter o irmão ‘neste plano’, Charlie precisa abdicar da sua vida, se tornando uma prisão psicológica, que em outro contexto poderia ajudar na história, mas não é o que acontece, em determinado momento já estava achando o personagem de Sam, um moleque chato e egoísta.

Quando Charlie conhece Tess (Amanda Crew) falei: to achando que essa guria tá morta. A cena em que Charlie e Tess transam em pleno cemitério, em meio aos túmulos, é no mínimo de gosto duvidoso, este tipo de prática é chamada de ‘coimetrofilia’ e certamente não fez muito sucesso com os espectadores, não é dos fetiches, o mais popular e aceito. Tirando a azedada que esse fato deu na história, a busca por Tess sendo guiada pela luz do irmão de Charlie que enfim desencarnou, é extremamente sem graça, parece uma cópia pirata da estrela de David.

Além de tudo, o filme mistura espiritismo com catolicismo, que confunde a interpretação, revelando uma falta de conhecimento do roteirista ou apenas falta de critério. No final, a cereja do bolo é o reecontro de Charlie e Tess, onde ela revela ter sonhos com ele e o olha com um ar meio safada, parecendo insinuar que sonhou que já transou com ele, quebrou o clima romântico.

Ps.: Se você tem entre 10 e 14 anos, quem sabe você não vai adorar este filme. Caso você seja fã de Crepúsculo, High School Music ou Malhação aposto que vai curtir.

 

 

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