Doces desconhecidos…

Eu nunca fui o cara mais popular da escola, mas também nunca fui o babaca da turma. Ninguém me jogava papel, clips ou borrachinha e nunca me colaram chiclets no cabelo. Mas também nunca fiz sucesso com as meninas ou liderei algum grupo. No fundo sempre gostei de ser assim, caminhando pela tangente, nem incomodando e nem sendo incomodado. Eu tinha um diálogo com a galera mais popular e nunca desprezei alguém que acumulava uma certa rejeição.

O mundo que cada dia me parece mais estranho, tem aumentado cada da mais esta distância que separa populares de anônimos. A internet infelizmente caminha a passos largos nesta direção triste. Cada dia mais, pessoas se comunicam menos com quem não é muito popular. Em blogs de grande acesso, não é difícil encontrar internautas se estapiando para ser ‘o primeiro comentário’. Também não é difícil encontrar ‘exércitos particulares’ de talifãs, defendendo a todo custo, seus vlogueiros, blogueiros e twitteiros famosos. Na contramão daqueles que só dão valor para celebridades, estão os hipsters, que em resumo são iconoclastas por excelência. Querem ser pioneiros em tudo, ouvir música que ninguém ouve, usar roupas que ninguém usa, seguir pessoas que ninguém segue, acessar blogs que ninguém acessa.

Nem uma coisa nem outra. Quanto mais você quantifica algo, menos valor você dá para a qualidade, que de fato é o que importa. Existem milhares de blogs por aí, com poucos acessos, mas de extrema relevância. Isso não significa que aquilo que é popular não tem conteúdo. Sempre falei de tudo aqui no blog, de Lady Gaga a um cantor de algum país que você nunca ouviu falar. Falo do que gosto indiferente de sua popularidade. Outro fenômeno estranho nesta mesma linha de pensamento, é esta dificuldade das pessoas se manifestarem, de participarem, de tomarem para si.

Se eu acesso um blog que gosto, já me sinto íntimo, me sinto parte, me sinto no direito de me manifestar, de coração aberto, falando bem ou mal, o que importa é a interação. Muitos blogueiros fecham seus sites por esta falta de retorno, esta comunicação unilateral. Por isso sites com grande número de acessos possuem mais motivações para existirem, se autoalimenta. Além do diálogo que se estabelece, entram patrocinadores, entram amigos, entram colaboradores, fica tudo mais fácil.

Hoje entrei no Google Analytics e procurei sites que falaram do Gelo Negro, para que eu pudesse retribuir a gentileza e tentar de alguma forma, criar um diálogo, criar um vínculo. O primeiro site, que recebi alguns acessos de retorno, foi da blogueira Taryne Zottino.

Tary tem 20 anos, está se formando em jornalismo e mora em Mato Grosso do SUL (em capslock, por gentileza). A Tary queria no entando, ser Dorothy, cantar Somewhere over in the rainbow e viver em mundo menos saturado. O fato de gostar de Friends e Legião Urbana, poderia classificar de forma irresponsável que ela é uma pessoa legal, mas já aprendi na vida que gosto não define caráter. Então só a conhecendo pessoalmente para saber de fato quem é Tary. O que posso garantir é que se trata de uma pessoa inteligente, de bom gosto e articulada, características que vão lhe ajudar na profissão.

Infelizmente com ela eu pisei na bola, fui fazer uma ‘crítica’, justamente de Mallu Magalhães, que ela deve gostar bastante, fato comprovado pela frase ‘eu tenho a alegria como dom’, eternizada no layout do seu blog. Mas, novamente Tary mostrou outra qualidade, é uma pessoa com bastante discernimento, mesmo assim indicou meu site para as pessoas que acessam o site dela, gesto extremamente gentil de sua parte. Detesto quem evita o conflito, detesto pessoas que querem amigos genéricos, que gostam exatamente das mesmas coisas.

Conviver com alguém diferente de mim, só pode ser útil para me ajudar a ser alguém diferente também. Mudar só é possível quando nos confrontamos com as diferenças.

docesrodopios.blogspot.com.br

O outro blog que eu acessei foi Julho Agridoce, do blogueiro Diego, de 21 anos. Diego é certamente melhor que eu para inventar nomes de blogs, layouts e bio’s. Sua autobiografia é muito melhor do que a minha. Diego assim como eu, fala sobre coisas da sua vida, fotografia, design, música e milhares de outras coisas boas. Dizer que ele tem bom gosto seria imprudência e preconceito meu, gosto é gosto, o dele é parecido com o meu, o que automaticamente já cria uma empatia. Enquanto Tary chegou a mim pela Mallu Magalhães, que é bastante conhecida, Diego veio atrás das canções da Clarice Falcão, uma deliciosa cantora indie, que apesar de ser atriz, ter feito novela na Globo, ter uma série no Multishow, ter feito vídeo para o Felipe Neto, ter ganho um concurso do Youtube e ser filha de escritores e produtores famosos, ainda se mantém simples e fora da grande mídia.

Viu, prova de que eu falo sobre qualquer assunto, bem ou mal, mas sempre de coração, verdadeiro e sem segundas intenções, simples apenas, como tudo deveria continuar a ser, sem tantas afetações. Acessem os sites, se você gosta do Gelo Negro e se eles também gostaram ao ponto de citar em seus sites, devem ser pessoas bacanas.

julhoagridoce.blogspot.com.br

2 Responses to Doces desconhecidos…
  1. Diego

    Estou procurando palavras pra agradecer os elogios mas vai ser difícil digitalizar tamanha alegria, muito obrigado por ter visitado o blog e por mandar o link! Grande abraço, Jeff.

  2. Tary

    Poxa, Jeff! Que post mais querido! Fiquei muito contente com a indicação e com os elogios, de verdade. Eu realmente adorei conhecer o Gelo Negro e indicá-lo no meu blog foi um prazer. Acho que mais pessoas deveriam conhecer esse espaço tão bem escrito.

    E, imagine, claro que não pisou na bola comigo, hahaha! Gostei dessa nova fase da Mallu e adorei a música nova, mas concordo com vários elementos daquela sua crítica. Enfim, não vou me alongar. Muito obrigada mesmo =)

    Beijos =*

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *