Michel Teló mordeu a maçã do paraíso…

Há muito tempo eu queria escrever um artigo sobre o Michel Teló, que teria hoje, ares de profecia, demorei e agora se tornou apenas mais um relato fácil e provavelmente repetitivo e desnecessário.

Se alguém soube dar significado a expressão “bola da vez”, este foi o cara. Após emplacar um sucesso nacional com uma música rejeitada pelos próprios compositores Thiaguinho (Exaltasamba) e Rodriguinho (Ex-Travessos), no caso “Fugidinha”, então Teló ouviu uma versão de “Ai, se eu te pego”, cantada pela banda “Garota Safada” (uma das 350 versões já gravadas), que abriu um dos seus shows. Não existe qualquer possibilidade de tirar de Teló a capacidade de enxergar potencial comercial de uma música. Composta por Antônio Dyggs, em parceria com Sharon Acioly, acredite, a mesma do hit ‘Dança do Quadrado’, Teló resolveu fazer a sua versão da música.

Está em todos os sites, nas redes sociais, jornais e revistas pelo Brasil e mundo à fora, o sucesso de ‘Ai, se eu te pego’ chegou em todas as partes do mundo. Assim como eu inconsequentemente estou fazendo agora, milhares de pessoas teorizarão sobre como ele conseguiu alcançar este nível de “viralidade”. Publicitários e marketeiros transformarão Michel Teló em tema de estudo, teorias e cases. Facilmente explicarão como um fenômeno acontece, basta ligar os pontos, como fazia Steve Jobs, teorizando sobre sua vida e seus insights épicos.

Estranhamente ainda não vi ninguém fazer esta associação, que me parece a mais conveniente e óbvia. Mesmo não estando mais entre nós, o espólio de Jobs parece continuar produzindo virais no mundo da música, como fez com tantos e tantos músicos mundo a fora. Demorou, mas a iTunes chegou ao Brasil e com ela, Teló virou arquivo digital para ser comprado em qualquer parte do mundo, por meros $ 0,99.

O sucesso de Teló no Brasil é simples de explicar. Vamos começar por um ponto importante: Como músico, ele tem talento, uma voz agradável e moldou em onze anos à frente do Grupo Tradição, toda a desenvoltura e domínio de palco que Luan Santana levaria três reencarnações para aprender. Junte a isso uma conjuntura no cenário da música brasileira, favorável ao estilo musical que Teló faz e mais três decisões inteligentes ou oportunas que fez em sua vida:

1. Deixar o Grupo Tradição e expandir suas possibilidades musicais em uma carreira solo;
2. Gravar ‘Fugidinha’ quando os próprios compositores não tiveram coragem para isso;
3. Gravar ‘Aí, se eu te pego’, deixando de lado qualquer preconceito ou elitismo musical;

Tudo isso no entanto só foi possível provavelmente, porque a simplicidade e maturidade musical de Teló o impediram de fazer qualquer plano mais ambicioso. Como disse  Tico Sta Cruz sobre a notícia de Michel Teló ter mais downloads na europa do que Adele e ColdPlay:

a internet e a maneira de disseminar conteúdo definitivamente se estabeleceu como “ANARQUICA”, fora do CONTROLE e isso é o suficiente para ter minha admiração

Independente de todas as teorias que se façam sobre quem tem mais participação neste sucesso, nunca alcançado por outro artista brasileiro (em números), para mim não existe uma explicação melhor do que o acaso, que juntou a música, o artista, o talento, o estilo musical, o cenário nacional, os humoristas como ‘O Pânico’, Neymar, Cristiano Ronaldo, mas ainda assim, no grau maior de importância, não do fenômeno ou mérito, mas de viabilizador de tudo isso, por incrível que pareça, novamente está nosso saudoso:

Steve Jobs

Sem o iTunes, não existiria nenhuma possibilidade desta quebra de fronteiras. Não existiria nada além de um viral do Youtube.

Ps.: Não posso esquecer de outro detalhe. Não podemos esquecer de agradecer Roberto Leal, que apesar de ter inspirado o penúltimo corte de cabelo de Michel Teló, cortou seu cabelo mais moderninho e inspirou Teló a fazer o mesmo. Podem discordar desta teoria, mas eu tenho certeza que ela é verdadeira.

4 Responses to Michel Teló mordeu a maçã do paraíso…
  1. Ricardo

    Fala Jeff, tudo bem?
    Eu só tenho uma coisa a falar sobre essa música que virou sucesso, porcaria, e só faz sucesso pelo fato de a grande massa não ter mais nenhum senso crítico e aceitar qualquer coisa que vira modinha, parece que hoje as pessoas andam com o cérebro em standby, ta ai o funk como exemplo.

    Bem sempre tem aquela premissa antiga que fala que o que é bom pra mim pode não ser pro outro e vice-versa. Nesse caso o que eu acho ser uma porcaria, para muitos não é, mas convenhamos, essa musica em questão é pobre e podre, pobre culturalmente e podre em musicalidade.

    Pra não sair criticando o artista em si, eu já ouvi outras músicas de Michel Teló, não é o estilo que eu gosto, ouvi justamente pra não sair tacando pedra no que desconheço. Ele tem musicas mais elaboradas que isso e que expressa mais talento, mas essa musica da qual estamos discutindo em questão, o sucesso dela não tem nenhuma relação com o talento, pois se fosse só por essa música, talento em relação a musicalidade

  2. Ricardo

    (continuando… apertei enter sem querer) se fosse avaliar o talento do músico só por esta música, este seria quase nulo, pois é lixo isso, desculpe a expressão pesada. Mas como eu escutei outras musicas do artista, sei que ele pode fazer melhor que isso. Então o sucesso dela se da unicamente pelo fato da massa hoje não ter mais senso crítico algum, música de qualidade não faz mais sucesso, quanto mais idiota a letra e mais pornográfica (no caso de funks e afins) mais sucesso vai fazer.

    Michel Teló só se aproveitou disso, não teve nada de visionário como tenta passar a comparação com Steve Jobs, a comparação é meio que equivocada nesse caso. O cenário da musica atual e a receptividade do publico está favorável ao tipo de musica pobre que Michel Teló apresentou, ele não fez nada de diferente que outros já vem fazendo, só teve a sorte de virar rit. Steve Jobs foi um visionário e colocou no mercado produtos realmente inovadores, ele reinventou a maneira como a gente lida com a tecnologia e ela se integra ao nosso dia-dia.

    Ricardo,

    Gosto e compartilho sempre dos seus comentários, neste vou ter qu discordar um pouco. Eu não escrevi um texto para servir de advogado do Michel Teló, nem do estilo musical, nem de questões de cunho moral. A sociedade quer isso e não sou eu que vou impedir. Também deixei de me incomodar com o que quer ‘todo mundo’, porque quem aperta o play do meu player sou eu e lá não tem Michel Teló e isso não é nenhum motivo de orgulho ou pose, é só escolha mesmo. Nunca ouvi esse estilo musical, de música de duplo sentido, que é mais velho que mijar de pé. Pelo contrário, ironizei o fato de que agora, todos vão teorizar sobre o que não tem teoria, funciona no acaso e do acaso não se faz métricas.

    O que eu quis mostrar é que tudo isso aconteceu com a vinda do iTunes para o Brasil, que possibilitou a disponibilidade mundial de músicas nacionais. Por acaso, ele é quem estava em alta. Poderia ter acontecido com a Legião Urbana, caso isso tudo tivesse acontecido há 20 anos.

  3. Ricardo

    Olá Jeff, eu entendi bem o que você quis dizer com o texto, ficou mais claro agora.

    Quanto a não incomodar mais com o que quer todo mundo, você tem sorte se consegue lidar com isso, ou tem vizinhos muito educados, pq aqui onde eu moro me incomodo e muito, os vizinhos não se contentam em colocar só pra eles ouvirem, querem que toda a vizinhança ouça as porcarias que ele estão escutando, por isso me incomodo muito com o que os outros querem pois acabo tendo que ouvir de tabela, e não é sempre que to afim de colocar um fone no ouvido pra não ter que ouvir o que os vizinhos estão ouvido.

    O pior é que nem adianta conversar com os vizinhos, parecem que fazem mais ainda por pirraça, a educação aqui ta passando longe. Então me incomodo com o que os outros colocam no play pq quanto mais porcarias lançam, mais porcarias vou ter que ouvir por tabela, e é um tipo de doença isso pois a cidade inteira parece que só ouve porcaria, colocam aqueles sons que vale mais que o carro e sai cidade a fora com o volume nas alturas escutando porcaria, o que chamo aqui de síndrome do trio elétrico.

    Acho que vou me mudar é ai pra Timbó, pq aqui no Interior de SP tá complicado. 😛

  4. Andréia

    Excelente artigo!
    Oportunidade, tecnologia e talento= Sucesso!

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