A Partida

Apesar de receber o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009, não encontrei tantas referências a ele, como eu imaginaria encontrar. Aluguei este filme no ano passado e ele ficou guardado por todo este tempo. Confesso que sempre tive uma relutância em assistir filmes em línguas como o japonês e o chinês. Mas as críticas sobre o filme me encorajaram a tentar. Particularmente, achei bastante agradável e não me incomodou em nada, um filme onde não temos nenhuma identificação com o idioma.

A Partida (Okuribito) conta a história do jovem Daigo Kobayashi, recém-casado com a doce Mika, que usa da sua paciência e companherismo, para apoiar Daigo em suas tentativas na busca da realização de seu sonho maior, se tornar um músico profissional. Para isso ele compra um violoncelo em prestações e integra uma orquestra de música clássica. Infelizmente a orquestra acaba dissolvida e as dificuldades financeiras o obrigam a devolver o instrumento. Sem oportunidades ele retorna com Mika para sua cidade natal, onde herdou uma casa bastante simples, de sua mãe já falecida.

É difícil explicar quais os principais sentimentos que envolvem este filme, acredito que ele possa ter inúmeros significados diferentes, de pessoa para pessoa. A Partida é um filme que fala sobre a capacidade de aceitar nosso destino, que muitas vezes difere muito daquilo que imaginamos para nós. De como este mesmo destino é custurado ao longo de nossas vidas, em tramas que entrelaçam circunstâncias e o quanto a falta de dinheiro, pode fazer escolhas por nós. Também fala de preconceito da maneira mais pura, pelo ótica do desconhecimento, da desinformação, do desinteresse. Fala sobre a importância que todo nós possuímos, independente da importância que possa aparentar quando analisamos de forma supercial.

A Partida fala de nossos conflitos, de nossos sentimentos, de vida, de morte. Mas acredito que a cima de tudo, fala da dificuldade que temos de lidar com nós mesmos, nosso passado, nosso presente, família, sentimentos, sonhos, derrotas, recomeços. A Partida fala muito sobre resignação e fala das sutilidades que a vida caprichadamente nos revela.

Este filme me fez refletir sobre a minha dificuldade de aceitar a morte do meu pai e o quanto este sentimento interfere no que sou hoje. Talvez as cicatrizes sentimentais que este fato me deixou, sejam maiores do que eu mesmo poderia imaginar. Comecei a me questionar de que forma poderei entender isso.

Eu já conhecia Ryoko Hirosue de um filme francês/japonês que ela fez em 2001, Wassabi, ao lado de Jean Reno.

Ficha Técnica

título original … Okuribito
gênero … Drama
duração … 130min
ano de lançamento … 2008
distribuidora … Paris Filmes
direção … Yojiro Takita
roteiro … Kundo Koyama
música … Joe Hisaishi
fotografia … Takeshi Hamada
edição: Akimasa Kawashima

Elenco

Masahiro Motoki … Daigo Kobayashi
Tsutomu Yamazaki … Ikuei Sasaki
Ryoko Hirosue … Mika Kobayashi
Kazuko Yoshiyuki … Tsuyako Yamashita
Kimiko Yo … Yuriko Kamimura
Takashi Sasano … Shokichi Hirata

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