Cisne Negro – Enfim…

Demorei muito tempo para assistir Cisne Negro. Meu primeiro erro foi me deixar levar por algumas informações que li na época do lançamento nos cinemas. Li que Darren Aronofsky, diretor do filme, usava a mesma técnica de ‘Réquiem para um sonho’. Não lembro onde eu li, mas se trata de um filme um tanto angustiante e preferi não ir no cinema para assistir, com o receio de ser desconfortável de alguma maneira. Enfim o filme não tem nada disso, não é angustiante em nenhum momento. Depois aluguei o filme logo que chegou na locadora, fiz uma cópia e deixei ele maturando aqui, até encontrar o momento propício.

Estou começando a lidar melhor com minhas expectativas. Ao invés de assistir um filme pelo simples fato de ser um lançamento, prefiro esperar o momento em que ele fará mais sentido para mim. Você não tem aquela sensação onde pensa: Hoje queria assistir uma comédia. Hoje queria assistir um drama. É por aí…

Eu sou suspeito para falar da Natalie Portman pois crio uma empatia automática por qualquer filme que ela atue, vamos combinar, ela realmente é uma atriz incrível. Não deve ter sido em vão que ela levou o Oscar de melhor atriz. De uma forma muito reveladora para mim, Cisne Negro é incrivelmente profundo e sutil. Não quero estragar a história para quem ainda não viu o filme, mas certamente a história se desenrola diante da capacidade que nós mesmos temos de nos colocar limitações. Pelo medo, pelo perfeccionismo ou obsessão qualquer que interfere na ótica que possuímos sobre um determinado evento, desafio pessoal e diante da própria vida como um todo.

Eu me identifico muito com a Nina (Natalie Portman). Sou designer há 14 anos e não existe um dia que eu não me sinta inseguro quanto as minhas capacidades. Você pode até argumentar que essa insegurança pode ser benéfica, mas como tudo na vida, em equilíbrio. O velho ditado ‘A diferença entre o veneno e o remédio é a dose’, sempre me volta a mente. Em um determinado momento do filme, Thomas Leroy (Vincent Cassel ) diretor artístico da companhia, encaixa a peça fundamental de todo este complexo quebra-cabeça, dizendo para Nina que a única pessoa entre ela e seu sucesso era ela mesma.

Como todos os nossos desvios de personalidade, as causas se escondem no passado. A relação difícil com a mãe revela a origem dos fantasmas que assombram Nina. A mãe é uma ex-bailarina, um tanto frustrada, bastante obsessiva e que parece colocar sobre a filha, o peso da frustração que alimenta. Além de tudo, a falta de privacidade e de autonomia sobre a própria vida, parecem ter transformado Nina em uma pessoa com pouca experiência de vida e com uma personalidade muito retraida.

Podemos perceber o poder destrutivo que a superproteção pode causar na mente de uma pessoa. É incrível o poder devastador que infelizmente, os próprios pais podem causar em seus filhos. Cada ser humano é definitivamente único e precisa saber fazer suas próprias escolhas. A maior prova de amor que um pai pode dar, é abnegar de sonhos para seu filho. A diferença entre dar o peixe e ensinar a pescar. Por isso não é tão difícil presenciarmos tantos desvios de caráter.

O filme é realmente muito bom. Eu tinha feito um post antes do lançamento, que você pode ver aqui!

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