Postman’s Park

O Postman’s Park (Parque do Carteiro), é chamado assim pois se localiza exatamente em frente ao ex-escritório da General Post Office (GPO), antiga companhia responsável pelo serviço de correspondências em Londres. O parque se localiza no centro de Londres, próximo a St Paul’s Cathedral (Catedral de São Paulo). É neste parque que se localiza o Memorial to Heroic Self Sacrifice (Memorial do Sacrifício Heróico), mostrado em cenas do filme CLOSER Perto Demais, além de um memorial no exato lugar onde foi colocada a cabeça decapitada de William Wallace, o herói escocês relatado no premiado Coração Valente.

A história do parque

O Postman’s Park é delimitado pelas ruas Little Britain, Aldersgate, Edward King e do antigo escritório da GPO.  É um dos maiores parques da ‘Cidade de Londres’, a cidade murada que originou a Londres atual. A falta de espaço para enterros na época, devido a grandes epidemias, fez com que ao invés de serem enterrados normalmente, os corpos apenas eram colocados sobre o chão e assim recebiam terra por cima. O parque foi construído no local destes antigos cemitérios e por isso o Postman’s Park fica em uma área mais elevada de terra, do que as ruas que o rodeiam.

Inaugurado em 1880 no local da antiga igreja e cemitério St Botolph’s Aldersgate, ele se expandiu ao longo de vinte anos, para incorporar os cemitérios adjacentes.

Em 05 de setembro de 1887, uma carta foi publicada no The Times, escrita pelo pintor e escultor George Frederic Watts, que sugeria a idéia da criação de um memorial para pessoas comuns que perderam suas vidas em algum ato heróico. Diferente dos memoriais de heróis de guerra ou de heróis da humanidade, sua intenção era mostrar atos heróicos de pessoas totalmente desconhecidas. Na carta ele citou o casa de uma babá, Alice Ayres que salvou três crianças de um incêndio e que após sofrer uma queda no incêndio perdeu sua vida. Mais tarde a história de Alice foi corrigida, na verdade as crianças eram suas sobrinhas, ela salvou as três do incêndio na casa de sua irmã. Sua irmã e seu cunhado, também morreram no incêndio, tentando salvar o quarto filho que só foi encontrado depois, escondido dentro de um cofre.

Após o apoio de parte da população e a indiferença da outra parte, sobre a necessidade de financiar o projeto, a proposta foi levada em consideração. O plano original de Watts era criar pequenos memoriais, pílulas como chamavam, contando a história de 120 heróis anônimos, distribuidos em uma sequência de 4 azulejos, sendo 24 azulejos por linha, em 5 linhas de azulejos.

Em 30 de julho de 1900 o memorial foi inaugurado no Postmans’s Park, contando com 4 memoriais. Até 1902 mais nove foram produzidos, entre eles o de Alice Ayres, a pedido de Watts. Os 13 heróis desconhecidos vieram de uma coleção de recortes de jornais que Watts colecionou por muito tempo. Quase dois anos depois, em 01 de julho de 1904, Watts faleceu aos 87 anos. Dez dias após sua morte, Mary Watts, sua esposa, escreveu ao comitê responsável pelo memorial, afirmando que pretendia completar o projeto de seu marido e se ofereceu para selecionar inicialmente 35 nomes das listas de Watts. Ela escolheu somente 11 nomes para completar a primeira linha de memoriais, pois era o capital que ela tinha para produzir.

Em 13 de dezembro de 1905, os 11 azulejos foram colocados completando a primeira linha. Depois disso, o comite resolveu concluir a segunda linha e selecionou mais 24 nomes, sendo 22 da lista de Watts. Todos estes pequenos memoriais eram criados pelo artista em cerâmica, William de Morgan, que após os primeiros 24 azulejos, passou a cobrar muito caro pelos seus trabalhos, inviabilizando o projeto. Mary Watts procurou diversas empresas, mas não encontravam ninguém que sabia produzir este tipo de material, quando encontraram, os resultados não ficaram como o esperado e foram colocados sem qualquer cerimônia.

Em 1905 o comite do memorial disse a Mary Watts que os custos para continuar o projeto eram inviáveis e Mary então se comprometeu sozinha a levantar fundos para completar os 120 nomes, porém em 1910 ela comunicou o comitê que não encontrou condições para dar continuidade ao projeto e a conclusão das últimas três linhas foram abandonadas. Após a Primeira Guerra Mundial, o memorial foi restaurado das avarias causadas durante a guerra e foram colocados mais 3 azulejos em homenagem a policiais que morreram salvando outras pessoas durante um bombardeiro à Londres, também de forma heróica. Em 1931 um azulejo em homenagem ao estudante Herbert Maconoghu foi acrescentado.

Existiu ainda uma audiência pública para levantar fundos para a conclusão do espaço, mas não teve uma resposta positiva da população e os fundos levantados não foram suficientes para realizar a conclusão do projeto. Em 1938, com a morte de Mary Watts o memorial foi abandonado definitivamente, com apenas 52 dos 120 nomes desejados por Watts em seu projeto original. A idéia caiu no esquecimento e somente após 78 anos, em 2009 um novo azulejo foi acrescentado e até hoje o memorial está incompleto.

O Memorial do Sacrifício Heróico ficou esquecido por muito tempo, mas teve uma nova ascensão ao ser mostrado em diversas cenas do filme CLOSER, que você conhece bem. Quem me lembrou deste parque foi uma amiga que mora na Inglaterra e que recentemente conheceu o lugar.

 

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