Humberto Gessinger e os Mapas do Acaso

Ontem fomos a Blumenau/SC para participar de um encontro com o Humberto Gessinger eterno líder dos Engenheiros do Hawaii, atualmente tocando ao lado de Duca Leindecker (Cidadão Quem), no projeto intitulado ‘Pouca Vogal’. Paralelo ao projeto musical, Humberto tem percorrido o país divulgado seu mais recente livro, ‘Mapas do Acaso – 45 variações sobre um mesmo tempo’ que sucede ‘Pra ser Sincero – 123 variações sobre um mesmo tema’, lançado em 2009.

Como era de se esperar, as pouquíssimas cadeiras disponibilizadas pela organização não atenderam a 1/5 do público que compareceu, neste aspecto, as Livrarias Catarinense pecaram um tanto, mas digamos que isso fica alheio ao fato de promoverem o evento, o que é sempre tão raro em Blumenau e na nossa região. No fundo, todo o transtorno e reclamações só servem para dar ainda mais glamour de fama ao artista. Fui em outras noites de autógrafo e a facilidade de acesso tiram todo o clima.

Humberto garantiu atender todo mundo. Não sei precisar, mas acredito que ao menos umas 500 pessoas estavam na fila esperando por um autógrafo. Tinha de tudo, de bandeira do Grêmio, cds, antigos vinis, camiseta, livros e tudo que um fã pode trazer na tentantiva de provar ‘eu sou o mais fã de todos’. Teve quem se contentou com uma foto ou apenas um autógrafo no livro recém comprado.

Quando cheguei ao evento, brevemente atrasado, tenho a sorte de encontrar em meio a multidão, a sempre doce amiga Ve (@v_demarchi). Para minha surpresa, a filhota e o maridão, o Marcão (@MarcoDemarchi), meu amigão, tudo com ão, porque ele é grandão e com um grande coração, ostentavam um belo lugar na primeira fila de cadeiras, gentilmente eles me concederam um lugar para sentar, é ou não é sorte?

Minha mãe pediu ao intermediador do evento, um minuto para falar com o 1berto ao microfone, ele negou pois somente quem estava com as primeiras 25 senhas tiveram chance, minha mãe com a senha 190 e alguma coisa, passou longe. Mas sempre dizem que os últimos serão os primeiros. Ela foi sorteada para receber um vale presente da livraria, tascou o microfone da mão do intermediador do bate papo e contou sua história particular com Humberto e os Engenheiros do Hawaii, quando em 1990, ela pediu para sua amiga secreta, uma fita k7 da banda, ‘O Papa é Pop’ que trouxe aquela música que seria cantada por todas as idades, ‘Era um garoto que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones’. Quando ganhou o disco ela disse ter gritado: Uhuuuuuuuuu! Espantando todos os conservadores professores da sala. Para finalizar disse: ” – Não é para qualquer pessoa, reunir uma mulher de 55 anos e ao mesmo tempo diversas crianças pelo mesmo objetivo. Todo mundo aplaudiu o comentário com uma força diferente do restante do tempo, gritos e assobios encerrando o evento. Para você ver que determinação gera oportunidade. É só acreditar.

Quando me aproximei do Humberto, vem aquela sensação de nunca saber ao certo o que dizer, na tentativa inútil de tentar transformar em ‘Para sempre’ o que é somente ‘Por Enquanto’. Talvez ele mesmo tenha sugerido, que: ‘…se for para sempre, seja breve…’. Disse que não iria cobrar que tivesse alguma lembrança de mim, então expliquei que por cinco anos atendi a banda Cidadão Quem, a qual ele tem ligação através do Duca Leindecker, vocalista da banda e hoje, a parte vermelha do arco-íris de duas cores que compõe o Pouca Vogal. Fiz inclusive algumas coisas para o Pouca Vogal e continuo obviamente mantendo contato com o Duca, outro ídolo que virou um amigo, na medida do possível de nossas realidades tão distantes.

Ele mesmo disse, durante o bate papo, que será sempre uma relação desigual, a do fã e do seu ídolo. Não tem como mudar, e nem sei ao certo qual a importância de ela um dia ser igualitária. Talvez é justamente a utopia que a alimenta, o comum, o dia a dia, não é tão importante. Para minha surpresa ele me perguntou: “- Você é o Jeff Skas?”, completou dizendo ser muito legal me conhecer pessoalmente. Nós já havíamos nos esbarrados em momentos que ele nunca saberá, mas por diversas vezes estive no meio da multidão em shows por aí. E nem do nosso último encontro no camarim, antes do show em Indaial/SC.

A minha relação com o Engenheiros é longa. Envolve muitas fazes da minha vida, algumas ruins, que se fundem entre músicas que hoje, nem gosto mais de ouvir, como as músicas de Tchau! Radar que me lembra demais os primeiros meses após perder meu pai, em 2000. Mas que contrastam com ‘10.000 Destinos’ que eu ouvia no Discman que ganhei da minha recente namorada e ouvia no ônibus que me levava toda sexta-feira ao seu encontro, cerca de 40km de onde eu morava.

Quem não pode ir, pode acompanhar o vídeo que eu fiz:

 

2 Responses to Humberto Gessinger e os Mapas do Acaso
  1. Patricia Moraes Cabral

    Adorei, amo Humberto Gessinger, parabéns pelo vídeo!!! O Gelo Negro todo é bacana, gostei muito disso aki, obrigada beijos.

  2. Carlos

    Opa, tudo bem?
    Moro em Calgary no Canada e estou com dificuldade de comprar o livro Mapas do Acaso, pois nenhum site entrega aqui. O ideal seria e-book, mas estou com dificuldade de encontrar. Poderia me ajudar?

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