Closer – Filme e Trilha
abril 2nd, 2011 by Jeff, under especial, filmes, musica, trilha sonora. 1 Comment

Foi exatamente, nos passos em camera lenta, com o cabelo vermelho, curto e desarrumado, não mais que sua roupa, andando sem rumo, contrastando entre alinhados ingleses que seguem firmes e constantes para seus ofícios, que ela surgiu. Com um sorriso sarcástico, de canto de boca, como se soubesse o que lhe esperava. Apesar do tempo passar igual para todos, apesar dos passos seguirem o mesmo ritmo e direção, os seus pensamentos certamente não seguim o mesmo padrão cronológico imposto.
‘Olá Estranho’…
Foi assim, desta forma, que me apaixonei pela primeira vez por ela, primeira, pois não seria a única.
Sensações
Alice é definitivamente uma mulher diferente. Uma fórmula resultante do que seria uma americana hippie vivendo no velho mundo, certamente em busca de experiências menos consumistas, menos blasè. Os cabelos vermelhos mal pintados, parte natural, pontas coloridas, talvez pintados com papel crepom. Sustentando um sorriso bobo, diante do frio, da fome e da dor. Poucos instantes denotam que os pesos do mundo, passam despercebidos em sua mente. Apesar de Alice tomar emprestado o corpo, a beleza e a interpretação de Natalie Portman, é uma personagem com vida própria, Alice certamente existe, fora das telas do cinema, em algum lugar qualquer. Alice é o tipo de mulher para se ter como amiga - descolada e desencanada – que vai falará sobre coisas que outras mulheres não falariam, mas cuidado, você corre o sério risco de cometer um único erro imperdoável: apaixonar-se. Alice é naturalmente envolvente e sensível, mas seu coração percorre caminhos que o seu, jamais poderá entender.

Closer é um filme difícil. Disfarçado na beleza plástica dos protagonistas (Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen), trata de um assunto maior do que a traição tão evidenciada neste quarteto amoroso. Closer como o nome sugere, é uma visão supermacro no destino destas quatro pessoas: a quebra de paradigmas, de ideologias, de orgulhos. Fala de escolhas: erradas, certas ou apenas a constatação da completa inexistência de consciência na relação entre intenção vs ação vs consequência.
Closer fala de fragilidades, de tentação, de mentiras, de erros, mas fala particularmente a estranheza da natureza humana. Quando Alice chama Dan de ‘estranho’, nos primeiros minutos do filme, está na verdade definindo a verdadeira forma com a qual as pessoas criam suas convicções, todas baseadas na estranheza. A estranheza que nos une pelo encantamento do desconhecido e a mesma estranheza que nos distancia quando nossos conhecidos se mostram estranhos novamente. Paradoxal? Se pensarmos um pouco, veremos que no fundo a vida é um eterno ciclo, que termina exatamente e ironicamente no ponto de partida.
O filme mostra claramente isso, nossa forma ‘não linear’ de viver, eternamente intercalando entre começos e fins, idas e vindas, ganhos e perdas, altos e baixos. Apesar de termos a sensação que a vida é uma estrada com começo e fim, ou ainda uma escada onde você tenta alcançar o degrau mais alto que conseguir, no fundo a vida tem articulações bem diferentes e pouco simétricas, por vezes pouco lógica. Se você enxerga a vida de forma reta, verá Closer apenas como um filme onde quatro pessoas transam, traem e perdem o respeito próprio. Talvez até seja, mas você certamente perderá a chance de entender que um dia poderá estar na mesma situação.
Talvez uma das maiores injustiças do Oscar tenha sido o de não premiar Natalie Portman como atriz coadjuvante em 2005 por este filme.
O filme

No filme, Alice Ayres (Natalie Portman) é uma jovem de 20 anos que se tornou stripper implicitamente por falta de escolha, por sobrevivência. Recém chegada a Londres, a jovem americana conhece Dan Woolf (Jude Law), quando se vêem pela primeira vez, caminhando em direções opostas. Dan é um escritor aspirante, sem nenhum trabalho significativo. O máximo que ele chegou da escrita se limita a seção de obtuários de um jornal local, ocupação que exerce para poder se sustentar. Alice olha na direção errada e acaba sendo atropelada (obviamente por não estar acostumada com a mão inglesa, rs). Dan socorre Alice, que abre os olhos e declara: ‘Hello, stranger’. Eles vão ao hospital, ela é atendida e liberada, os dois ainda estranhos, acabam fazendo um pequeno tour pelas ruas próximas.
O filme salta um ano em suas vidas, quando Dan segue para um sessão de fotos que ilustrará um livro que escreveu baseado na vida real de Alice, já que neste tempo eles mantiveram um relacionamento. No livro porém, Alice recebe o pseudônimo de Jane Jones. A fotógrafa é a não menos sedutora Anna Cameron (Julia Roberts). Eles se beijam durante a sessão e na sequência Alice chega ao estúdio. Ela percebe o constrangimento pouco disfarçado entre eles e acaba indo ao banheiro, enquanto Dan tenta convencer Anna a ter um outro encontro.
Alice ouve tudo e pede para ser fotografada por Anna, mas pede que Dan as deixe sós. Enquanto é fotografada, Alice revela às lágrimas que ouviu a conversa entre os dois. Este episódio mudaria para sempre a vida dos três, principalmente com o aparecimento nada convencional de Larry Gray (Clive Owen), um dermatologista que conhece Dan em um chat de sexo, enquanto Dan se passa por Anna e acaba marcando um encontro entre os dois, sem saber as consequências que sua brincadeira teria em sua própria vida.

Trilha Sonora
Não estou recordado, mas acredito que seja um dos poucos filmes, onde a trilha sonora inteira é na verdade um disco. A música tema do filme, ‘The Blower’s Daughter’ é certamente o que dá o tom do filme: denso, misterioso, melancólico, triste por vezes. As músicas são do cd ‘O’ do cantor irlandês Damien Rice, que tem uma história de vida interessante. Eu falei dele aqui, em um post escrito há 3 anos. Neste post você encontra o download do cd ‘O’ e portanto, as músicas do filme.
Perfil e Fotos




Ficha Técnica
Título Original … Closer
Gênero … Drama
Duração … 100 min
Lançamento … 2004
Lançamento BR … 2005
Estúdio: Icarus Productions / John Calley Productions / Avenue Pictures Productions
Distribuidora: Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment / Buena Vista International
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Patrick Marber, baseado em peça teatral de Patrick Marber
Produção: Cary Brokaw, John Calley, Robert Fox, Mike Nichols e Scott Rudin
Fotografia: Stephen Goldblatt
Figurino: Ann Roth
Edição: John Bloom e Antonia Van Dermellan
Premiações
OSCAR
Melhor Ator Coadjuvante – Clive Owen (indicado)
Melhor Atriz Coadjuvante – Natalie Portman (indicada)
GLOBO DE OURO
Melhor Ator Coadjuvante – Clive Owen (ganhou)
Melhor Atriz Coadjuvante – Natalie Portman (ganhou)
Melhor Filme – Drama (indicado)
Melhor Diretor – Mike Nichols (indicado)
Melhor Roteiro (indicado)
BAFTA
Melhor Ator Coadjuvante – Clive Owen (ganhou)
Melhor Atriz Coadjuvante – Natalie Portman (indicada)
Melhor Roteiro Adaptado (indicado)





RUBENS JUNIOR on julho 17th, 2012
Post maravilhoso, para um belo filme.