Alice Pt. 2 – Lewis Carroll

Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll , nasceu no povoado de Daresbury no condado de Cheshire na Inglaterra em 27 de janeiro de 1832. Dodgson foi matemático, escritor, diácono da igreja anglicana (religião cristã nascida na Inglaterra) e também fotógrafo, esta última ocupação muito polêmica.

Infância

Quando criança Dodgson brincava com marionetes e prestidigitação (magia ou ilusionismo), e durante a vida inteira gostava de fazer passes de mágica, especialmente para as crianças. Gostava de modelar um camundongo com um lenço e em seguida fazê-lo pular misteriosamente com a mão. Ensinava as crianças a fazer barquinhos de papel e também pistolas de papel que estalavam ao serem vibradas no ar. Interessou-se pela fotografia quando esta arte mal havia surgido, especializando-se em retratos de crianças e pessoas famosas e compondo suas imagens com notável habilidade e bom gosto.

Dodgson era apaixonado por vários tipos de jogos, tanto que inventou um grande número de enigmas, jogos matemáticos e de lógica. Gostava de teatro e era freqüentador de ópera, e manteve uma amizade por toda a vida com a atriz Ellen Terry.

Juventude

Durante sua juventude, Dodgson foi educado em casa. Tinha uma inteligência precoce. Aos 7 anos de idade lia livros complexos como “O Peregrino” (The Pilgrim’s Progress). Ele também sofria de uma gagueira – condição partilhada por seus irmãos. Aos doze anos ele foi mandado para uma pequena escola particular nas proximidades de Richmond. Mas em 1846, Dodgson mudou-se para Rugby School, onde ele era evidentemente menos feliz, fato que declarou posteriormente.

Oxford

Ele deixou Rugby no final de 1849 e depois de um intervalo que permanece inexplicado, em janeiro de 1851 volta a cidade de Oxford para estudar na universidade Christ Church, onde seu pai havia lecionado. Estando apenas 2 dias em Oxford foi chamado em casa pelo falecimento de sua mãe aos 47 anos.

Seu início de carreira acadêmica oscilava entre a promessa de um grande talentosoe momentos de total inexpressividade. Não estudava muito, mas era excepcionalmente talentoso e assim conquistou prêmios com facilidade. Em 1852 ele recebeu o primeiro prêmio de Honra ao Mérito e foi logo nomeado para uma bolsa de estudos, através de um velho amigo de seu pai, Canon Edward Pusey. No entanto, um pouco mais tarde, ele perdeu a importante bolsa de estudos após se confessar incapaz de se dedicar ao estudo. Mesmo assim, o seu talento como matemático ganhou o ‘Christ Church Mathematical Lectureship’, cargo que manteve por vinte e seis anos. O rendimento foi bom, mas o trabalho entediava. Muitos de seus alunos eram mais velhos e mais ricos do que ele, e quase todos eles eram desinteressados. No entanto, apesar da infelicidade inicial, Dodgson permaneceu na Christ Church, em várias ocupações até sua morte.

Aspectos Pessoais

Dodgson era uma jovem alto, esguio, tinha cabelos castanhos e olhos azuis acinzentados, considerado muito atraente. Mais tarde era descrito como um homem estranho que andava torto, talvez causado por uma lesão que teve no joelho. Quando criança por uma febre perdeu a audição de um ouvido. Também era bastante gago, problema que começou na infância e se estendeu por toda a vida. Por ter o hábito de usar referências reais para criar seus personagens, reza a lenda que o personagem ‘Dodo’ de ‘Alice no País das Maravilhas’ era inspirado em sua própria condição. Mais tarde ele confirmou que ‘Dodo’ era uma referência própria mas não em relação a gagueira.

Era bom em charadas, cantava consideravelmente bem e tinha grande habilidade como mímico e contador de histórias.

No período entre suas primeiras publicações e o sucesso de ‘Alice’, Dodgson começou a integrar a Irmandade Pré-Rafaelita, uma confraria de pintores, poetas e críticos. Um dos incentivadores da publicação de ‘Alice’ foi o escritor de contos infantis ‘George MacDonald’ que acabou se tornando uma espécie de mentor par ao lançamento do então iniciante escritor. Apesar de desconhecido do grande público, ‘George MacDonald’ serviu como inspiração para ninguém menos que ‘J.R.R. Tolkien’, escritor da saga ‘O Senhor dos Anéis’, que por sua vez serviu de inspiração para ‘J.K. Rohling’ da saga ‘Harry Potter’.

Nasce ‘Lewis Carroll’

Desde muito jovem Dodgson já escrevia poemas que eram publicados na revista da família Mischmasch, que depois era enviado para outras revistas, onde obteve um pequeno sucesso. Entre 1854 e 1856 seus trabalhos apareceram em publicações nacionais como The Comic Times e The Train.

Em 1856 ele publicou seu primeiro trabalho com o pseudônimo com o qual seria mundialmente famoso. Um poema romântico chamado ‘Solitude’ apareceu em ‘The Train’ com a assinatura de Lewis Carroll. Este pseudônimo foi uma brincadeira com seu nome real, Lewis foi era um anglicismo (tradução de um nome para outro idioma) de Ludovicus, o latim para Lutwidge. Carroll é um sobrenome irlandês semelhante ao nome Carolus, a forma em latim de se escrever Charles.

Alice

Foi então que em 1863, Georde Macdonald entrega o manuscrito inacabado de Dodgson para a editora Macmillan que gostou de imediato. Para ser lançado o manuscrito precisava de um título, foram sugeridos ‘Alice entre as fadas’ (Alice Among the Fairies) e ‘Alice e a Hora de Ouro’* (Alice’s Golden Hour*) que foram rejeitados.

* Hora de Ouro ou também chamada Hora Mágica é a primeira e a última hora da luz do dia, um breve momento do dia onde a luz se torna diferente, suave e mais difusa, muito usada para buscar um efeito especial em fotografia e cinema.

Após os títulos alternativos, o trabalho foi finalmente publicado como  ‘Alice no País das Maravilhas’ (Alice’s Adventures in Wonderland), em 1865, sob o pseudônimo de Lewis Carroll, que Dodgson tinha utilizado pela primeira vez cerca de nove anos antes.As ilustrações foram por John Tenniel , Dodgson, pensou evidentemente que agora por ter um livro publicado tinha as habilidades de um artista profissional.

Em 1871 Dodgson já era mundialmente famoso pelo pseudônimo de Lewis Carroll, passou a ganhar significativas quantias de dinheiro e receber cartas de milhares de fãs, mas parece que não surtiu muito efeito no sua vida pois preferia continuar como professor acadêmico.  Mesmo assim lança a continuação do primeiro livro, ‘Alice no País do Espelho’ (Through the Looking Glass And What Alice Found There) desta vez com um tom mais denso, talvez causado pelo momento triste de sua vida quando perdeu seu pai, o que o deixou em depressão por alguns anos.

A Última Grande Obra

Em 1876, Dodgson produziu o seu grande último trabalho, A Caça ao Snark , um fantástico “poema” absurdo, explorando as aventuras de um grupo bizarro de seres inadequados de formas diferentes, e um castor, que partiu para encontrar a criatura de mesmo nome. O pintor Dante Gabriel Rossetti supostamente tornou-se convencido de que o poema foi sobre ele.

Retrato de uma criança feito por Dodgson

A Pedofilia

Dodgson gostava de retratar meninas nuas em fotografias e desenhos. Declarou que seu intuito era somente artístico, que eram sempre feitos com o consentimento dos pais e que se notasse qualquer constrangimento ou infelicidade no olhar de uma das crianças, deixaria de faze-los para sempre. Também ordenou em seu testamento que todas as fortografias e desenhos fossem queimados para nunca criar qualquer constrangimento para as crianças retratadas no futuro. Mesmo assim, foi acusado em diversas obras postumas de ser pedófilo. Diversos livros tentam demonstrar que sua relação com as meninas não poderiam ser apenas pelo ato de retrata-las.

Porém, novos estudiosos (Hugues Lebailly e Karoline Leach) começam a acreditar que Dodgson não era pedófilo, tentando classificar seus retratos no movimento conhecido como ‘Victorian Child Cult’ que retratava a criança como a forma mais sublime da pureza. Dodgson vivenciou justamente a Era Vitoriana* onde este tipo de obra era bastante comum entre diversos artistas que não apresentavam nenhum tipo de comportamente pedófilo, era realmente um tipo de manifestação artística. Tanto que estas obram eram usadas até para produzir cartões postais.

Um dos motivos que podem ter distorcido a história e ter colocado Dodgson como pedófilo por muitos autores seria o fato de 4 diários de sua autoria terem desaparecido. Segundo Lebailly e Leach os diários não retratavam contados íntimos com meninas, mas orgias com mulheres adultas e principalmente casadas, o que teria feito com que sua família para preservar sua reputação teria suprimido estes registros. Um detalhe é fato, Dodgson só começou a ser acusado de pedofilia depois de sua morte.

Este fato de sua vida ainda é motivo de discordâncias e não existe uma avaliação definitiva do que foi verdade.

* A Era Vitoriana no Reino Unido foi o período do reinado da Rainha Vitória, em meados do Século XIX, a partir de Junho de 1837 a Janeiro de 1901.

Outras Obras

– Uma história confusa(A Tangled Tale)
– Alice no País das Maravilhas (Alice’s Adventures in Wonderland)
– Fatos* (Facts)
– Ele pensou ter visto um Elefante* (He thought he saw an elephant)
– Rima?  E Razão?* (Rhyme? And Reason?) – Também publicado como ‘Phantasmagoria’
– Problemas de Travesseiro* (Pillow Problems)
– Silvia e Bruno (Sylvie and Bruno)
– Silvia e Bruno Obras Escolhidas (Sylvie and Bruno Concluded)
– A Caça ao Snark (The Hunting of the Snark)
– Três Pores-do-Sol e Outros Poemas* (Three Sunsets and Other Poems)
– Alice no País do Espelho (Through the Looking-Glass, and What Alice Found There) – Incluindo ‘Jabberwocky’ e ‘A Morsa eo Carpinteiro’** (The Walrus and the Carpenter)
– O que a tartaruga disse a Aquiles* (What the Tortoise Said to Achilles)

* Títulos apenas traduzidos do original, não encontrei fontes do nome que foram lançados no Brasil.
** Foi incluído no 11º livro da série ‘Desventuras em Série’ composta por 13 livros. Os três primeiros deram origem ao filme.

3 Responses to Alice Pt. 2 – Lewis Carroll
  1. Vanessa

    Nossa!!!
    Quanta coisa sobre o Lewis carroll, não sabia que ele tinha outras obras!
    Obrigado pelo email me dando o aviso sobre o novo post.
    Vou sempre ficar de olho agora para ler as outras
    partes 😀
    Ah e parabéns pela pesquisa sobre o autor.
    Bjus

  2. Helena

    Para mim ele era um pedófilo safado,sim!
    Poderia ser enrustido,mas que era,era!

  3. José

    E o Michael Jackson pode ser pedófilo né ????

    Pra ser pedófilo tem que ser rico como ele e pagar 40 milhões de dólares para o garoto que ele seduziu e estuprou daí idiotas como a HELENA aí não falam nada devem até idolatrar Rei do Pop Pedófilo
    Ele podia porque era Rico ?? Preto ?? e Viado ???
    Daí pode né

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