E eu que pensava que não ia me apaixonar…

Apesar dos vlogs mais acessados do país serem uma chatice de tamanho intangível, de vez em quando aparecem ideias bacanas. Uma destas ideias, ‘simples’ e original como toda boa ideia deve ser, surgiu há três meses apenas. O vlog ‘Marcelinho lendo contos eróticos’, traz um menininho maroto que invade o computador dos outros para ler contos de humor eróticos. Acompanhe o último vídeo lançado esta semana:

Marcelinho é uma produção da Alta Cúpula, criação do Erik Gustavo, o cara por traz da câmera dos vídeos do Ronald Rios, que começou com seus vídeos em formato de vlog, com uma temática de gosto duvidoso. Já dizia uma velha canção dos Titãs: ‘as ideias estão no chão, você tropeça e acha a solução’. Depois de uma sequência de vídeos fracos, sem muita graça, protagonizados pelo Ronald Rios, bastou o cara parar no CQC para Erik ter uma ideia genial sem seu antigo protagonista. O primeiro vídeo protagonizado por Marcelinho, disparou o contador dos vídeos que não ultrapassavam a casa dos 130.000 views, para nada menos que 1.400.000 views.

Não tem como ficar sério com a leitura de textos eróticos, naturalmente patéticos, feitas por um fantoche com voz de criança e com uma ótima rapidez de raciocínio. Erik teve esta grande ideia após tanto tempo produzindo material para a internet. Não o conheço e espero não estar sendo injusto, mas talvez a ida de Ronald Rios para o CQC e um provável afastamento da produção de conteúdo, era a solução disfarçada de problema, necessário para que Erik se encontrasse, buscando em si mesmo uma solução.

O mais genial da ideia é que não importa quantas vezes você assista o mesmo vídeo é impossível não se estragar de rir com a leitura e os comentários sagazes de Marcelinho. De uma coisa eu tenho certeza, se a Ana Maria Braga trocasse o Louro José pelo maroto Marcelinho, o resultado seria no mínimo interessante. Talvez o programa fosse retirado do ar, mas deixaria certamente nossas manhãs mais animadas (sem trocadilhos).

Sem querer ser injusto com o Ronald Rios, mas parabéns ao Erik pela ideia. O mais engraçado é que eu tive uma ideia semelhante há uns dois anos. Queria criar um personagem, exatamente igual ao Marcelinho, que ensinaria aulas de Photoshop na internet, já que eu não gostaria de aparecer no vídeo e se fosse apenas narrado, seria entediante. Nunca coloquei em prática, achei que somente eu acharia graça nisso. Claro que não teria a graça dos contos eróticos do Marcelinho, mas é a prova de que ideias existem para serem colocadas em prática e não esqueça: possuem prazo de validade para acontecer, se você deixa passar a oportunidade, já era.

Atualizando

 

Para miiiiiiiiinha alegria

Ontem tive uma ótima surpresa, chegou de São Paulo, mais precisamente de Osasco, um envelope com o seguinte rementente: Banda Êxodos. Para quem não sabe, a Êxodos foi a primeira banda de rock gospel do país, iniciando a carreira em 1970 e encerrando suas atividades em 1977, lamentavelmente por falta de apoio e aceitação de lideranças religiosas. Eram outros tempos e rock e igreja não caminhavam de mãos dadas. Fiquei muito feliz por inúmeras razões, primeiramente o privilégio de receber um álbum raro e importante como este, segundo pela gentileza tão incomum nos dias de hoje em receber esse cd da própria banda e em terceiro lugar, eu nunca recebo nada por causa do Gelo Negro, então é sempre bacana ter algum retorno positivo.

Este álbum, o único gravado pela banda, traz a famigerada canção “Galhos Secos”, que apesar de ser extremamente conhecida na comunidade evangélica, a qual não faço parte, ficou popularmente conhecida após o vídeo “Para nossa alegria”. Indepentende das ideias que giram em torno do vídeo, de uma forma estranha ou não, a canção se tornou conhecida em todo o país, após décadas de seu lançamento. Não dizem que Deus escreve certo por linhas tortas?

No entanto, o que mais me deixou feliz em todo este processo, foi enxergar nos remanescentes da banda Êxodos, um sentimento genuíno de benevolência, de fé e de compaixão. Enquanto muitas pessoas tentariam aproveitar o sucesso midiático da canção, eles escolheram uma postura extremamente passiva. O que tiver de ser, será. Certamente o sucesso do vídeo ‘Para nossa alegria’ irá se desfazer no tempo, talvez o sucesso popular da canção, também se desfaça junto, mas cumprindo a sua missão de tantos anos, ela deixará pelo caminho algumas pessoas modificadas.

Eu que nunca tive algo para conversar com meu tio que é evangélico, pude por algumas horas falar sobre como esta canção foi importante em sua vida. Nós que temos realidades de vidas tão diferentes, que nunca conseguimos achar um assunto em comum, por um dia falamos sobre nós. Obrigado banda Êxodos, especialmente ao Edson por seus emails extremamente gentis e a delicadeza e nobreza de espírito de me mandar este presente que guardarei com carinho.

Para transformar esse momento em algo mais especial, o Gelo Negro recebeu um espaço na lista de links do site oficial da banda.

Doces desconhecidos…

Eu nunca fui o cara mais popular da escola, mas também nunca fui o babaca da turma. Ninguém me jogava papel, clips ou borrachinha e nunca me colaram chiclets no cabelo. Mas também nunca fiz sucesso com as meninas ou liderei algum grupo. No fundo sempre gostei de ser assim, caminhando pela tangente, nem incomodando e nem sendo incomodado. Eu tinha um diálogo com a galera mais popular e nunca desprezei alguém que acumulava uma certa rejeição.

O mundo que cada dia me parece mais estranho, tem aumentado cada da mais esta distância que separa populares de anônimos. A internet infelizmente caminha a passos largos nesta direção triste. Cada dia mais, pessoas se comunicam menos com quem não é muito popular. Em blogs de grande acesso, não é difícil encontrar internautas se estapiando para ser ‘o primeiro comentário’. Também não é difícil encontrar ‘exércitos particulares’ de talifãs, defendendo a todo custo, seus vlogueiros, blogueiros e twitteiros famosos. Na contramão daqueles que só dão valor para celebridades, estão os hipsters, que em resumo são iconoclastas por excelência. Querem ser pioneiros em tudo, ouvir música que ninguém ouve, usar roupas que ninguém usa, seguir pessoas que ninguém segue, acessar blogs que ninguém acessa.

Nem uma coisa nem outra. Quanto mais você quantifica algo, menos valor você dá para a qualidade, que de fato é o que importa. Existem milhares de blogs por aí, com poucos acessos, mas de extrema relevância. Isso não significa que aquilo que é popular não tem conteúdo. Sempre falei de tudo aqui no blog, de Lady Gaga a um cantor de algum país que você nunca ouviu falar. Falo do que gosto indiferente de sua popularidade. Outro fenômeno estranho nesta mesma linha de pensamento, é esta dificuldade das pessoas se manifestarem, de participarem, de tomarem para si.

Se eu acesso um blog que gosto, já me sinto íntimo, me sinto parte, me sinto no direito de me manifestar, de coração aberto, falando bem ou mal, o que importa é a interação. Muitos blogueiros fecham seus sites por esta falta de retorno, esta comunicação unilateral. Por isso sites com grande número de acessos possuem mais motivações para existirem, se autoalimenta. Além do diálogo que se estabelece, entram patrocinadores, entram amigos, entram colaboradores, fica tudo mais fácil.

Hoje entrei no Google Analytics e procurei sites que falaram do Gelo Negro, para que eu pudesse retribuir a gentileza e tentar de alguma forma, criar um diálogo, criar um vínculo. O primeiro site, que recebi alguns acessos de retorno, foi da blogueira Taryne Zottino.

Tary tem 20 anos, está se formando em jornalismo e mora em Mato Grosso do SUL (em capslock, por gentileza). A Tary queria no entando, ser Dorothy, cantar Somewhere over in the rainbow e viver em mundo menos saturado. O fato de gostar de Friends e Legião Urbana, poderia classificar de forma irresponsável que ela é uma pessoa legal, mas já aprendi na vida que gosto não define caráter. Então só a conhecendo pessoalmente para saber de fato quem é Tary. O que posso garantir é que se trata de uma pessoa inteligente, de bom gosto e articulada, características que vão lhe ajudar na profissão.

Infelizmente com ela eu pisei na bola, fui fazer uma ‘crítica’, justamente de Mallu Magalhães, que ela deve gostar bastante, fato comprovado pela frase ‘eu tenho a alegria como dom’, eternizada no layout do seu blog. Mas, novamente Tary mostrou outra qualidade, é uma pessoa com bastante discernimento, mesmo assim indicou meu site para as pessoas que acessam o site dela, gesto extremamente gentil de sua parte. Detesto quem evita o conflito, detesto pessoas que querem amigos genéricos, que gostam exatamente das mesmas coisas.

Conviver com alguém diferente de mim, só pode ser útil para me ajudar a ser alguém diferente também. Mudar só é possível quando nos confrontamos com as diferenças.

docesrodopios.blogspot.com.br

O outro blog que eu acessei foi Julho Agridoce, do blogueiro Diego, de 21 anos. Diego é certamente melhor que eu para inventar nomes de blogs, layouts e bio’s. Sua autobiografia é muito melhor do que a minha. Diego assim como eu, fala sobre coisas da sua vida, fotografia, design, música e milhares de outras coisas boas. Dizer que ele tem bom gosto seria imprudência e preconceito meu, gosto é gosto, o dele é parecido com o meu, o que automaticamente já cria uma empatia. Enquanto Tary chegou a mim pela Mallu Magalhães, que é bastante conhecida, Diego veio atrás das canções da Clarice Falcão, uma deliciosa cantora indie, que apesar de ser atriz, ter feito novela na Globo, ter uma série no Multishow, ter feito vídeo para o Felipe Neto, ter ganho um concurso do Youtube e ser filha de escritores e produtores famosos, ainda se mantém simples e fora da grande mídia.

Viu, prova de que eu falo sobre qualquer assunto, bem ou mal, mas sempre de coração, verdadeiro e sem segundas intenções, simples apenas, como tudo deveria continuar a ser, sem tantas afetações. Acessem os sites, se você gosta do Gelo Negro e se eles também gostaram ao ponto de citar em seus sites, devem ser pessoas bacanas.

julhoagridoce.blogspot.com.br