2 Broke Girl$

Definitivamente a Warner vende muito mal esta série. Após assistir a primeira temporada completa, lançada em dvd em dezembro de 2012 no Brasil, pude comparar com as chamadas feitas pela Warner e certamente constatar que não escolheram bons trechos. A impressão que eu tinha da série era de duas garotas estereotipadas, com o típico humor exagerado de milhares de outras séries que nunca dão certo. No entanto, resolvi arriscar e para minha grata surpresa, arrisco a dizer que 2 Broke Girls é atualmente a série de humor mais interessante. Melhor que Two and a Half Men (após a saída de Charlie Sheen) e The Big Bang Theory.

Infelizmente a série está sendo muito pouco aproveitada no Brasil. Vejo inúmeras ações da Warner sobre The Big Bang Theory, Two and a Half Men e até Friends, que dispensa apresentações e promoções. Para quem ainda não conhece ou pegou a série pela metade e não se aprofundou no assunto, 2 Broke Girls como o nome sugere, tem como protagonistas duas mulheres, o que já é por si só um formato arriscado.

Max Black

Max Black (Kat Dennings) é uma garota da periferia de Nova Iorque, mais precisamente do bairro do Brooklyn. Ela mantém dois empregos: um como babá de uma socialite de Manhattan, que possui dois bebês que receberam o nome de Brad e Angelina, em uma ‘homenagem’ aos atores. O segundo como garçonete do restaurante Diner Williamsburg. Na sua infância pobre e difícil, não conheceu o pai e teve uma mãe relapsa, que nem ao menos lembrava o dia exato do nascimento de Max. Aos poucos podemos ir traçando o perfil de sua mãe, que muito provavelmente se envolveu com muitos homens, todos de personalidade questionável e muito provavelmente envolvida com álcool e drogas. Isso porque sua mãe não aparece na trama e não sei se ficou claro se ela ainda é viva ou não. Sua dura realidade de vida é confrontada com a chegada de Caroline Channing.

Caroline Channing

Caroline Channing (Beth Behrs) é filha de um ex-magnata dos negócios, que perdeu toda sua fortuna após ser preso por fraudes financeiras. Desmoralizada socialmente, todos os antigos ‘amigos’ lhe recusaram ajuda. Sem ter onde morar, já que é filha única e foi criada sozinha pelo pai que agora está na cadeia, em uma atitude de desespero Caroline procura emprego no restaurante onde Max trabalha. Elas acabam se tornando amigas e começam a usar suas diferentes origens para ajudar uma a outra. Caroline acredita que pode mudar a realidade financeira das duas investindo em um pequeno negócio, uma empresa de CupCakes, que Max já produz para vender no restaurante onde trabalham. Para isso ela planeja um investimento de US $ 250.000 para o início do empreendimento, compra de maquinários e outros investimentos necessários. As duas não possuem nenhum capital e baseado nisso a história toda se sustenta. Assim, no final de cada capítulo é mostrado o valor que elas conseguiram economizar, aumentando ou diminuindo muitas vezes, conforme os acontecimentos.

A beleza de Beth Behrs é óbvia, afinal faz o papel da garota bonita e rica. Mas Kat Dennings que aparece como o patinho feio da história, vai conquistando qualquer pessoa e se tornando a cada momento mais bonita. As duas nunca fizeram papéis relevantes até protagonizarem a série, mas parece que o reconhecimento enfim chegou para ambas, que estão excelentes na série e se completam de forma muito inteligente. Dennings já participou de mais de 10 longas e séries como Sex and the City, porém, sempre em pequenos papéis.

Elenco de Apoio

Earl (Garrett Morris): É o caixa no Diner Williamsburg, um negro, idoso e ex-músico de jazz. Max é muito próximo a ele, muitas vezes alegando que ela desejaria que ele fosse seu pai. Suas tiradas bem ao estilo ‘Todo Mundo Odeia o Chris’ (Everybody Hates Chris), com conotações sobre racismo e pobreza são impagáveis.

Oleg (Jonathan Kite): É um cozinheiro ucraniano no Diner Williamsburg. Ele é um pervertido sexual que está sempre contando piadas sexistas e passa o dia dando cantadas de mal gosto em Max e Caroline. Mais tarde, ele desenvolve uma atração por Sophie.

Han Lee (Matthew Moy): É o dono do restaurante. Ele é asiático, muito baixinho, o que faz com que ninguém o leve a sério, sendo constantemente alvo de piadas envolvendo seu tamanho e falta de conhecimento da cultura americana, da qual ele tenta desesperadamente se adaptar.

Sophie Kaczynski (Jennifer Coolidge): É uma senhora polonesa que se muda para o apartamento de cima de Max. Ela é proprietária de uma empresa de limpeza que Max e Caroline, por vezes trabalharam e é o objeto de desejo de Oleg. Jennifer faz o mesmo papel que faz em todos os filmes e séries que participa, uma jovem senhora, tentando se passar por uma garota, todo botocada, com uma prótese de silicone, roupas e maquiagem exageradas.

Fica a dica para você que nunca viu a série. Pegar a primeira temporada em dvd (3 discos) ou blu-ray (2 discos) e acompanhar a segunda que está passando na Warner.

Two and a Half Men com Ashton Kutcher

Está aí uma das estreias mais esperadas dos últimos anos. A mais famosa série de humor em atividade traz uma grande mudança, Two and a Half Men que colecionou infinitos fãs desde que estreou em fevereiro de 2003, agora experimenta a saída do seu protagonista, Charles “Charlie” Francis Harper, interpretado por Charlie Sheen. Não por acaso que o nome do personagem e do ator são iguais. Imitando a ficção, na vida real Charlie Sheen enfrenta todos os problemas que seu personagem. Na série ele não usa drogas (apesar de já ter dado uns tapa no cigarrinho do capeta), mas sem dúvida se trata de um bêbado inveterado e muito mulherengo.

Se você chegou de Marte há poucas semanas, Charlie Sheen foi demitido da série após oito temporadas de muito sucesso. A série chegou a alcançar os 17 milhões de expectadores durante sua segunda temporada, caindo para 12 milhões na última. Charlie Sheen começou a ter problemas com a Warner Bros. por culpa de suas repetidas internações e a dificuldade de manter o bom relacionamento com o produtor da série, Chuck Lorre.

Na queda de braço entre Sheen x Lorre, o produtor que também é responsável por The Big Bang Theory e Mike & Molly facilmente levou a melhor. Sheen se sentiu insubstituível, enquanto a Warner e Chuck Lorre acharam o contrário. Suspenderam a oitava temporada da série em seu capítulo 16, enquanto normalmente tinham 24 episódios.

A dúvida que quase fundiu a cuca dos fãs ficou entre o encerramento da série e a substituição do ator, algo que parecia pouco provável, mas que se confirmou com a convocação de Ashton Kutcher. Até Hugh Grant estava cotado para o papel. Com a confirmação da entrada de Ashton Kutcher as opiniões ficaram divididas. Eu particularmente, prefiro ficar do lado da Warner Bros., vi uma entrevista do Charlie Sheen após sua demissão e deu medo, o cara literalmente surtou.

Apesar de poucas pessoas apostarem na retomada do sucesso da série, não podemos esquecer que o próprio Charlie Sheen já passou por esta situação, quando substituiu Michael J. Fox em Spin City. Fox fez as quatro primeiras temporadas e Sheen fez a quinta e a sexta. A versão com Sheen passava na Globo, durante a madrugada, de 2002 a 2004.

Para quem não gostou da substituição de Sheen por Kutcher, a explicação é simples. As multas contratuais que a Warner teria que pagar para todos os canais que transmitem a série em todo o mundo, além dos contratos já assinados com elenco, seria muito mais custoso que manter a série no ar, nem que seja por apenas mais uma temporada.

Particularmente, acredito que eles são competentes para fazer a coisa dar certo. Kutcher já é conhecido pelo mesmo humor irônico que Sheen também faz e a transição entre os atores foi bem bolada. Para sacanear Sheen, seu personagem vai morrer tragicamente e em seu enterro estarão todas as ex-namoradas de Charlie, que convenhamos, dá para lotar qualquer cemitério.

A estreia já tem data marcada, dia 18, próximo domingo. Isso obviamente pela CBS, no Brasil existe um delay que eu não sei precisar de quanto tempo que é, mas não deve ser grande coisa. Agora é só esperar para ver se conseguiremos esquecer os Charlies.

Vou confessar que a abertura ficou um pouco estranha, a mudança da voz grave de Sheen para essa aí do Kutcher não deu muita credibilidade, rs rs rs…