Ironias

Sempre acreditei possuir a capacidade de fazer tudo aquilo que pudesse imaginar.
Usar todos os meus talentos e habilidades, e quando faltasse talento e habilidade,
compensaria com esforço e determinação, simples assim.
E enquanto olhava ao meu redor, imaginando grandes feitos,
dignos de serem retratados em um belo livro de capa bonita,
com viagens ao redor do mundo, aventuras e paixões avassaladoras,
fui pego de surpresa pela única situação que não fui capaz de imaginar.
Imaginar que tudo poderia não passar justamente de simples imaginação.
Sem mandar recado, a respiração ficou mais difícil, uma angústia no peito e
toda a habilidade à qual treinei habilidosa e meticulosamente minha imaginação,
para os tais feitos fantásticos, tiveram a mesma habilidade, veja você,
de gerar sentimentos de medo, inseguranção e fraqueza.

Sempre acreditei que usaria todo este talento para um dia,
escrever um romance que estaria entre os mais vendidos,
de alguma lista importante de livros mais vendidos.
E então percebi que sentimentos podem funcionar como uma doença auto-imune.
Uma batalha de imaginações passaram a perturbar meus dias e até as noites de sono.

Quem escolheu sentir demais está predestinado a viver a vida alheia.
Abnegando uma vida tranquila para ver em tudo e todos um problema a ser consertado.
Mesmo que minimamente, mesmo que a moldura e a pintura sejam perfeitos,
você ainda irá perceber que o quadro está torto em relação ao chão.
Uma tentativa inútil de ser o grande salvador, o exemplo, o mártir.
Deus, porque me deste tanta ignorância.
Como todo super poder, você não pode usa-lo em seu próprio benefício.
É o dilema de todo super-herói, mas na vida real, ninguém pode voar ou usar uma capa.
O mundo é redondo, não é? Se fosse para ser reto, linear, sem curvas,
ele já deveria ter sido feito em um formato diferente, não achas?
Talvez seja essa uma das principais ironias divinas.

Acredite em mim, não há glória no martírio.
Para cada nome que você aprendeu em algum livro,
milhões de martírios anônimos já povoaram este planeta.
Quando você se incomoda com o mundo e com as pessoas, é inevitável,
elas passarão a se incomodar com você também.
Vão encontrar em você uma deficiência, uma aberração,
algo que precisa de forma imediata, fria e inconsequente, ser expurgado.

Será que fica tão difícil de entender?
Enquanto você luta para mudar as pessoas e suas visões distorcidas,
você se coloca na zona de risco, no raio de atuação de sua própria destruição.
Qualquer tentativa de ajudar alguém, exige que seja você mesmo,
quem irá apertar o botão que detonará a catarse.
Você não confiaria tamanha responsabilidade a outra pessoa.

Também não ficaria de fora do melhor da festa.
Assistindo todas as mudanças no olho do furação, de camarote.
O incrível e decisivo momento onde uma idéia muda sua direção.
O que são homens-bomba se não, a concretização material,
da crença literal de todo este sentimentalismo idiota?
A materialização da idéia que será o martírio que trará a elevação do espírito.

Você também é filho de Deus, mas você não é Jesus Cristo.
Você não foi colocado neste mundo para morrer pelos outros.
E se caso você não tenha reparado, nem mesmo o martírio de Cristo,
morto na cruz em troca de um bandido sanguinário foi capaz de convencer à todos.

Outra ironia divina. Está ali, simples e direto, escondido nas entrelinhas,
das histórias que você ouve desde criança.
Jesus Cristo não morreu na cruz para que o mundo,
fosse coberto de paz e boa aventurança. A mensagem é clara:
‘Ninguém é capaz de mundar o mundo com seu martírio’.
Assim como Jesus Cristo, você será lembrado por alguns,
vai ser ignorado por outros, vai ser até ironizado por outros,
que transformarão tudo em chacota.
Ganharão dinheiro com as suas palavras.
E assinarão com seus nomes, lhe tirando até a última possibilidade
de receber algum tipo de crédito por tudo que fez.
Até um dia em que ninguém lembrará mais.
Era a missão dele, ninguém disse que era a sua.

Ninguém disse que era a minha.

J.R. Wills
Trovador Templário

 

 

Leaves

Já começou o anoitecer.
O vento, forte e gélido,
tira aos poucos, as últimas folhas,
que insistiam em não cair.
Mas nada é tão frio agora,
quanto meu coração.
Minhas expectativas,
foram todas consumidas,
ao longo de anos de infelicidade.
Os breves momentos felizes,
não são capazes de manter viva,
a esperança em um futuro,
mais interessante.
Me apego a pequenas fagulhas
de sentimento, distribuidas em
doses pequenas,
imperceptíves.
Toda e qualquer tentativa,
de transcrever,
a falta de bons sentimentos,
não vão esconder ou
me afastar da triste realidade,
que eu mesmo construi,
com precisão cirurgica.
Fui incapaz,
de tomar uma atitude melhor.
Mal consigo mensurar,
o tamanho da minha fraqueza,
mas sei, o tamanho exato,
da vergonha que sinto de mim.
Num arremedo de sentimentos frívolos,
me sinto sufocado,
pela minha completa estagnação,
diante da derrota eminente.
Eu que sempre me senti forte,
agora, me sinto completamente
vulnerável ao julgamento alheio.
Queria ter a capacidade de refazer tudo,
tão diferente do que fiz,
mas não consigo acreditar,
mesmo se pudesse voltar o tempo,
que seria capaz de fazer algo melhor.
Talvez eu seja isso mesmo.
Alguém tão despresível,
que impeça, qualquer pessoa,
por mais solitária que esteja,
ver, em mim, uma possibilidade de felicidade.
Eu tenho muito desprezo,
por tudo que não tive capacidade de fazer,
pela ineficácia de dizer não.
Eu queria apenas fechar os olhos,
acordar em um lugar diferente, distante.
Queria não ser mais quem eu sou.
Por um breve instante…
…quem sabe para sempre.

J.R.Wills

Identidade Revelada

Muitas pessoas que acompanham o blog acreditam que os textos mais ‘poéticos’ do site, escritos pelo ‘Trovador Templário’ fossem escrito por mim mesmo (Jeff), achavam qu eu era o Trovador Templário. Portanto o verdadeiro escritor por trás dos pensamentos do ‘Trovador Templário’ resolveu revelar sua identidade. Trata-se de um grande amigo chamado John Roald Wills (J.R.Wills). Agora fica mais fácil para as pessoas entenderem que não são meus os textos e que realmente existe a participação de outra pessoa aqui no blog.

Na realidade o blog é atualizado por mim e enquanto o Wills sempre me encaminhava os textos, com o pseudônimo ‘Trovador Templário’. Como diria Autran Dourado: “Eu era apenas a mão que escrevia”. Você vai continuar se divertindo e se emocionando com os textos do Wills, que tem uma forma bem particular de ver a vida e o cotidiano.

Fantasmas do passado

Se eu pudesse sentir novamente o seu amor
Sem que tudo escape rapidamente
Acabando sem cor como um filme antigo
Sem que eu volte a ver
Os fantasmas que eu mesmo criei

Na escuridão
Tentei ser forte
Mas os sentimentos mudam rápido
E os fantasmas do passado voltam
Para nunca te deixarem livre
Os fantasmas do passado
Nunca te deixam dormir

Se eu tivesse um momento de amor
Escreveria em um pequeno pedaço de papel
Para tudo voltar a ser como era antes
Riscando as partes que feriram meu coração
Assim ele buscaria de volta
Uma parte do herói que vivia em mim

Os heróis são fortes, mas também falham
E você não será o único coração partido
Porque o fim é difícil de aceitar

Eu mudei as minhas prioridades
Rasguei a minha lista de sonhos
E queimei dentro de mim o que perdi
Como naquele filme
Onde a cena mal começa
E você já sabe o fim

Dos bons sentimentos
Que restaram em mim
O amor é o primeiro que se foi
E  nunca mais poderei alcança-lo
Eu realmente não sei
O que exatamente deu errado

Mas meus sentimentos
Não terei de volta
Se eu pudesse viver
O que tenho em minha mente
Eu gostaria que fosse como um filme
Onde as lembranças
Não nos tragam sofrimento

E na escuridão
Eu seria forte
Sem mexer meus pés de lugar

Belas histórias são assim
Eu tentaria apenas entender
O que os sentimentos querem
E nunca falaria
De sentimentos ruins
Pegaria um caminho mais seguro
Mas nunca sabemos qual ele é

Eu não sei
O que está errado
Mas os sentimentos vem
Para nos levar de volta

Escrito por J.R.Wills

Saudade de mim…

Há poucos dias senti saudade de mim.
Da pessoa alegre que eu costumava ser.
Da boa companhia que me fazia.
Eu nunca me deixei abater pela tristeza.
Até quando eu tive meus motivos,
me  mantive firme em meu propósito de ser feliz.

Gostava de ficar calado ouvindo apenas os meus pensamentos.
Tinha sonhos ótimos para recordar.
Mas faz muito tempo que eu não tenho tempo para mim.
Dar a atenção que eu merecia ter por tudo que eu já fiz.

Simples como o tempo…

Todas as coisas mais importantes que eu gostaria de escrever aqui, passam pela minha cabeça enquanto estou muito longe disso tudo. Muitas vezes rondando as prateleiras do mercado, varrendo o chão, recolhendo a roupa do varal enquanto a chuva vai chegando de surpresa. A vida definitivamente não é tão bonita se não está em câmera lenta ou se ao fundo não tocar uma música incidental.

É tudo assim mesmo, sem grandes momentos especiais, cenas emocionantes, nem mesmo lágrimas, nem um pôr-do-sol daqueles que o dia vai saindo devagar, arrastado, quase como se quisesse ficar. Na verdade qualquer coisa bela que eu possa escrever ou conselho que eu possa dar estão distantes da realidade, no mundo real, não existem floreios, tudo passa a existir aqui, na escrita.

É onde escondemos as partes feias, aumentamos as glórias e dramatizamos nossa incapacidade de ser feliz de forma simples, tudo é mais intenso, menos quando é real. Ninguém quer escrever sobre seus verdadeiros erros, aquelas pequenas coisas que tirariam toda a graça, aquilo que nos torna normais demais. Aqui posso ser forte, posso ser belo, posso ser profundo, posso ser inteligente, tudo em exatas proporções.

Mas ainda não sendo exatamente como é, será para sempre, como sempre foi.
Eu, aqui, escrevendo todas as coisas que você já sabia, mas que precisou de um estranho para entender.
Aceite, entenda, reflita, sinta, seja, tente, lute, vença, está tudo dentro de você.

Um dia me conte como foi.

Autoria: J.R.Wills

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