Chocolate

Faz muito tempo que eu conheço este filme, mas me recusava a alugá-lo pois podia jurar que o protagonista era Antonio Banderas. Talvez tinha esta sensação por este visual breguíssimo do Johnny Depp a la Latin Lover. Ao lado de Johnny Depp está a sensualíssima Julliet Binoche, que é certamente a encarnação do estereótipo que fazemos da mulher francesa. Sempre sensual, lasciva, libidinosa, provocante, permissiva, insinuante, sedutora, tudo 24 horas por dia. A cada palavra, um olhar, um movimento labial, um mistério no ar.

Sabe aquela lista de 10 personalidades que sua esposa ou seu esposo permitiria uma traição caso essa situação impossível pudesse acontecer? Pois bem, assista Chocolate e prepare-se para atualizar sua lista.

Sinopse

Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha Anouk(Victorie Thivisol), são as mais novas moradoras do vilarejo (fictício) de Lansquenet-Sous-Tannes no interior da França. Lá decidem abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana. Além da cidade possuir pouquíssimos moradores, a população não é muito receptiva com seus ‘forasteiros’ e vivem reprimidos sob um regime cristão que determina a postura e conduta de seus moradores. Quando Vianne decide não participar das missas locais, acaba se tornando automaticamente mal quista por parte dos moradores. Assim Vianne terá que conquistar cada morador, um a um, para que sua pequena loja de chocolates prospere.

Curiosidades

O vilarejo de Lansquenet-Sous-Tannes não existe de fato. As filmagens foram rodadas no pequeno vilarejo de Flavigny-sur-Ozerain na Borgonha, França e na Rue De L’Ancienne Poste em Beynac-et-Cazenac no rio Dordogne em Dordogne, na França. As cenas do rio foram feitas no lago Fonthill em Fonthill Bishop, Wiltshire, Inglaterra. As cenas internas no Shepperton Studios, em Surrey, Inglaterra.

A linda e fofa atriz infantil Victoire Thivisol, que antes de chocolate ganhou um prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza, pelo filme Ponette, só fez um único filme após Chocolate. ‘Les grands s’allongent par Terre’. Quando o filme foi lançado ela tinha 9 anos, hoje tem 21.

Ficha Técnica

Título Original … Chocolat
Origem … Inglaterra/França
Gênero … Romance
Duração .. 121 min
Lançamento … 2000
Direção … Lasse Hallström
Roteiro … Robert Nelson Jacobs

O filme é baseado no romance homônimo da escritora britânica Joanne Harris. É uma belíssimo filme, excelente para assistir a dois. Destaque para a belíssima atuação de Judi Dench, como sempre. De Alfred Molina no papel do chatíssimo e conservador Comte de Reynaud, além de Lena Olin no papel da doce desajustada Josephine Muscat. Da diva do cinema Leslie Caron e da eterna Trinity (trilogia Matrix), Carrie-Anne Moss.

Elenco

Juliette Binoche como Vianne Rocher
Victoire Thivisol como Anouk
Johnny Depp como Roux
Judi Dench como Armande Voizin
Alfred Molina como Comte de Reynaud
Leslie Caron como Madame Audel
Carrie-Anne Moss como Caroline Clairmont
Lena Olin como Josephine Muscat

Ps: Fiz uma lista de uns 26 filmes de acervo para locar. Em determinado momento, a proprietária da locadora me diz assim: Esse Chocolate não achei, serve este ‘Como Água para Chocolate’? O que você responderia diante de uma pergunta tão, tão, tão digamos inusitada?

Millennium – A Trilogia

O primeiro filme que assiste sobre a trilogia literária de Millennium foi a versão americana para o primeiro livro, dirigido pelo excelente David Fincher, simplesmente o cara que dirigiu Seven, Quero Ser John Malkovich, Clube da Luta, Zodíaco, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social. Com este título eu se quer sabia do que se tratava o filme. Aluguei por ter ouvido boas referências. Foi escrevendo a resenha do filme aqui no blog que acabei sabendo mais sobre o escritor sueco Stieg Larsson, que infelizmente faleceu com apenas 50 anos, sem acompanhar o sucesso mundial de seus livros, que foram lançados postumamente em 2005, 2006 e 2007.

Larsson teve os manuscritos da trilogia recusados por inúmeras editoras, até que Christopher MacLehose, de uma pequena editora chamada Quercus comprou os direitos de publicação na língua inglesa. Logo após a morte de Larsson em 2004, Alfred A. Knopf comprou os direitos para publicação em território norte-americano. Em maio de 2010 o livro já havia vendido 27 milhões de cópias. Mais cinco meses depois o número chegava a 46 milhões de cópias e em dezembro de 2011 eram 65 milhões de cópias. Em julho de 2010 Larsson foi o primeiro escritor a vender mais de 1 milhão de cópias para o Kindle. 

A trilogia é composta por

Millennium 1 – Os homens que não amavam as mulheres (Män som hatar kvinnor)
Millennium 2 – A menina que brincava com fogo (Flickan som lekte med elden)
Millennium 3 – A rainha do castelo de ar (Luftslottet som sprängdes)

Acabei encontrando duas informações importantes. A adaptação de Fincher na verdade veio depois de uma produção sueca. A versão de Fincher recebeu um nome diferente: ‘The Girl with the Dragon Tattoo’. Já o terceiro livro em tradução livre não seria ‘A Rainha do Castelo de Ar’, mas sim ‘O Castelo de Ar que Explodiu’. De bobeira, perdido na prateleira da locadora, estranhamente achei a versão sueca, de 2009, dirigida pelo dinamarquês Niels Arden Oplev. Infelizmente ele não deu continuidade a série, pois não concordou com os produtores que não queriam adaptar os dois últimos livros para o cinema e sim para a televisão (wtf?).

Exatamente. Somente o primeiro filme foi produzido para cinema. Os próximos literalmente ‘sob nova direção’, foi dirigido por Daniel Alfredson, lançando as duas últimas adaptações em uma única produção de 180 minutos, dividido em uma minissérie de seis capítulos. Esta versão chegou a televisão sueca em julho de 2010. Com o sucesso mundial do primeiro filme, os produtores enfim se viram obrigados a adaptar o trabalho para cinema em novembro do mesmo ano. Assim chegou ao mercado a Millennium Trilogy Box. Foi por este motivo que de forma muito mal planejada, um dos melhores thrillers policiais que já vi nos últimos anos, chegou ao Brasil tudo ao mesmo tempo e está esquecido nas prateleiras. Restará as versões americanas de aproveitar melhor o sucesso que conseguiu com o primeiro filme.

De qualquer maneira, assisti os dois primeiros filmes na versão sueca e gostei bastante. O filme é estrelado por Michael Nyqvist como Mikael Blomkvist, diretor da Revista Millennium e Noomi Rapace como Lisbeth Salander, uma garota-problema de uns 20 anos, com muito conhecimento em tecnologia. 

Ficha Técnica – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Título Original … Män som hatar kvinnor
Origem … Suécia
Gênero … Policial
Duração .. 152 min
Lançamento … Fev/2009
Direção … Niels Arden Oplev
Roteiro … Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg

Ficha Técnica – A Menina que Brincava com Fogo

Título Original … Flickan som lekte med elden
Origem … Suécia
Gênero … Policial
Duração .. 129 min
Lançamento … Set/2009
Direção … Daniel Alfredson
Roteiro … Soren Staermose e Jon Mankell

Hoje aluguei o terceiro filme da série, assim que assistir volto aqui para contar mais. Se quiser ver o post da versão americana, clique aqui!

 

Precisamos falar sobre o Kevin

Poucos dias após assistir ‘Precisamos falar sobre o Kevin’, os Estados Unidos se vêem novamente diante de um massacre de civis durante a sessão de pré-estreia de Batman The Dark Knight Rises. O que uma coisa tem haver com outra? Tudo. O filme é uma adaptação do livro homônimo, escrito pela romancista e jornalista Lionel Shriver. Ironicamente, Shriver havia escrito sete romances antes de escrever ‘We Need to Talk About Kevin’ em 2003. Apesar do nome constumamente masculino: ‘Lionel’, ela nasceu Margaret Ann Shriver.

A adaptação para o cinema foi magestral. Lynne Ramsay tem apenas dois outros longas na sua carreira: ‘O Lixo e o Sonho’ (Ratcatcher de 1999) e  O Romance de Morvern Callar (Morvern Callar de 2002), mas parece que é só o começo de uma carreira muito promissora. Anote: Ramsay em um futuro breve estará entre as indicações de um Oscar. Falarei mais sobre ela na seção Spoilerando no finalzinho do post. É o segundo filme que assisto com Ezra Miller recentemente, o outro é Bastidores de um Casamento onde ele também faz um papel excelente, acho que o moleque promete.

Sinopse

Eva (Tilda Swinton) mora sozinha e teve sua casa e carro pintados de vermelho. Maltratada nas ruas, ela tenta recomeçar a vida com um novo emprego e vive temorosa, evitando as pessoas. O motivo desta situação vem de seu passado, da época em que era casada com Franklin (John C. Reilly), com quem teve dois filhos: Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller) e Lucy (Ursula Parker). Seu relacionamento com o primogênito, Kevin, sempre foi complicado, desde quando ele era bebê. Com o tempo a situação foi se agravando, mas mesmo conhecendo o filho muito bem, Eva jamais imaginaria do que ele seria capaz.

Ficha Técnica

Título Original … We Need to Talk About Kevin
Gênero … Drama
Duração … 110 min
Lançamento … 2011
Direção … Lynne Ramsay
Roteiro … Lynne Ramsay baseada no livro de Lionel Shriver
Nacionalidade … USA/Reino Unido

Elenco

Tilda Swinton como Eva
John C. Reilly como Franklin
Ezra Miller como Kevin adulto
Jasper Newell como Kevin criança

Como sempre, se você já viu o filme, continue o post e saiba mais sobre o filme e minhas opiniões particulares…

Spoilerando

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Tão Forte e Tão Perto

Custou para esse filme chegar nas minhas mãos. Não pude assisti-lo no cinema (na realidade não vejo um filme no cinema há mais de um ano), e quando deveria chegar na locadora, houve algum problema no distribuidor. Enfim pude computar mais um filme com Tom Hanks na minha lista de filmes assistidos. Vamos a ficha técnica toda e no fim você já sabe, se você assistiu o filme pode conferir a seção Spoilerando, onde comento minhas impressões pessoais sobre o filme e algumas curiosidades do fime.

Sinopse

Oskar Schell (Thomas Horn) é um garoto muito inteligente e apegado ao pai, Thomas (Tom Hanks), que adorava alimentar a capacidade imaginativa do filho, lhe dando missões que exigiam uma grande capacidade de encontrar pistas e desvendar mistérios. Thomas inventou para Oskar que Nova York possuia um sexto distrito, hoje desaparecido, que forçaria Oskar a sair de casa e falar com estranhos, uma das grandes dificuldades de Oskar, que possuia alguma suspeita de ser portador da síndrome de Asperger, condição que traz como característica uma alta capacidade intelectual, porém com dificuldades no convívio social. Thomas estava no World Trade Center no fatídico 11 de setembro de 2001, tendo falecido devido aos ataques terroristas. A perda do pai tem um poder devastador na vida de Oskar e de sua mãe, Linda (Sandra Bullock). Um ano após a morte de seu pai, Oskar teme perder as lembranças que tinha do seu pai e consegue enfrentar o medo de entrar em seu quarto para vasculhar o guarda-roupas dele, quebrando acidentalmente um pequeno vaso azul. Dentro um envelope com a inscrição ‘Black’ e dentro, uma misteriosa chave. Convencido que ela é parte de um enigma deixado pelo pai para que pudesse desvendar, Oskar inicia uma expedição pela cidade de Nova York, em busca de todos os habitantes que tenham o sobrenome Black.

Ficha Técnica

Título Original … Extremely Loud & Incredibly Close
Gênero … Drama
Duração … 106 min
Lançamento … 2011
Direção … Stephen Daldry
Roteiro … Eric Roth baseado no livro de Jonathan Safran Foer
Nacionalidade … USA

Elenco

Tom Hanks como Thomas Schell
Thomas Horn como Oskar Schell
Sandra Bullock como Linda Schell
Zoe Caldwell como Avó de Oskar
Dennis Hearn como Pastor
Paul Klementowicz como Mendigo
Julian Tepper como Deli Waiter
John Goodman como Stan o Porteiro
Max von Sydow como Inquilino

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A fantástica vida de Georges Méliès

Se você assistiu o filme ‘A Invenção de Hugo Cabret’ (Hugo), assim como eu, você deve ter se perguntado se Georges Méliès realmente existiu. Eu me fiz essa pergunta após apresentarem cenas do filme ‘A Viagem à Lua’ (FR: Le voyage dans la lune – EN: A Trip to the Moon). Como eu sabia que era um filme real e sendo George Méliès apresentado como diretor do filme, imaginei que se tratava de uma história verdadeira, apesar claro, do filme e do livro que inspirou o filme serem uma obra de ficção.

Georges Méliès nasceu em 8 de dezembro de 1861. Marie-Georges-Jean Méliès foi um ilusionista francês e cineasta famoso por liderar muitas evoluções técnicas e narrativas nos primórdios do cinema. Méliès foi um inovador prolífico (fértil) no uso de efeitos especiais. Méliès descobriu acidentalmente o truque parada (stop trick) em 1896 e foi um dos primeiros cineastas a utilizar exposições variadas (ISO ou ASA), lapso de tempo (time-lapse), efeito de dissolver (dissolve), além da pintura manual de filmes, feitos quadro a quadro (frame to frame). Todas estas técnicas foram apresentadas no filme.

Por causa de sua capacidade de manipular e aparentemente transformar a realidade através de cinematografia , Méliès é por vezes referido como o ‘Cinemagician’ número um. Dois de seus mais conhecidos filmes são ‘A Viagem à Lua’ (Le voyage dans la lune – 1902) e ‘A Viagem Impossível’ (Le voyage à travers l’impossible – 1904). Ambas as histórias envolvem estranhos, viagens surreais, um pouco ao estilo de JulioVerne e são considerados entre os mais importantes primeiros filmes de ficção científica, embora a sua abordagem é mais próxima do que hoje conhecemos como ‘Aventura Fantástica’. Méliès foi também um dos pioneiros do cinema de horror, que pode ser rastreada até sua ‘Le Manoir du Diable’ (1896).

Os primeiros anos e o Ilusionismo

Méliès nasceu em Paris e teve uma educação clássica na Liceu Louis-le-Grand, contrariando o preconceito que existia na época, de que cineastas eram analfabetos e incapazes de produzir arte. Ao 10 anos ele já produzia fantoches de papelão e marionetes durante a adolescência. Ele acabou se graduando no Liceu com o título dLe_Voyage_dans_la_lune

e  baccalauréat em 1880. Após os estudos porém, ele começou a trabalhar com seus irmãos na empresa de calçados da família, onde aprendeu a costurar. Cumpriu então três anos de serviço militar e depois foi enviado para Londres para trabalhar de balconista para um amigo da família.

Em Londres passou a frequentar o Egyptian Hall, dirigido pelo famoso ilusionista londrino John Nevil Maskelyne, onde se apaixonou pela mágica de palco. Ele voltou para Paris em 1885 com o desejo de esturar pintura, mas seu pai se recusou a apoia-lo financeiramente. No mesmo ano ele se recusou a casar com a cunhada de um dos seus irmãos e casou com Eugénie Genin, cujos familiares tinham deixado um considerável dote. Tiveram dois filhos: Georgette e Andre.

Enquanto trabalhava na fábrica da família, continuou sua paixão pela magia de palco participando de apresentações no Théâtre Robert-Houdin, fundado pelo famoso mago Jean Eugène Robert-Houdin. Ele também começou a ter aulas de magia com Emile Voisin, que lhe deu a oportunidade de realizar suas primeiras apresentações públicas, no Cabinet Fantastique of the Grévin Wax Museum e mais tarde, na Galerie Vivienne. Em 1888 seu pai se aposentou e Méliès vendeu sua parte nos negócios da família para os seus dois irmãos. Com o dinheiro da venda e do dote de sua esposa, ele comprou o Théàtre Robert-Houdin. Embora o teatro fosse excelente em equipamentos como luzes, alavancas, alçapões e vários autômatos, muitas das ilusões e truques disponíveis estavam defasadas e a resposta de público foi baixa, mesmo após as reformas iniciais de Méliès.

Ao longo dos próximos nove anos, Méliès criou pessoalmente mais de 30 novas ilusões que trouxeram mais comédia melodramática e glamour para as performances, além dos Sketchs que Méliès tinha visto em Londres, melhorando muito a resposta de público. Uma de suas ilusões conhecidos foi o ‘Recalcitrant Decapitated Man’, em que a cabeça de um professor é cortada no meio do seu discurso e continua falando até que ela seja restituída ao seu corpo.

Quando ele comprou o Théâtre Robert-Houdin também herdou o seu Chief Mechanic Eugène Calmels e a performer Jeanne d’Alcy, que se tornaria sua amante e depois sua segunda esposa. Embora correndo o teatro, Méliès também trabalhou como cartunista político para a jornal liberal La Griffe, que era editado pelo seu primo Adolphe. Como proprietário do Teatro Robert-Houdin, Méliès começou a trabalhar mais nos bastidores do que no palco. Sob sua liderança, ele atuou como diretor, produtor, escritor, cenografista e figurinista, bem como inventou muitos dos truques mágicos. Com a crescente popularidade do teatro, ele trouxe esses mágicos famosos como Buatier De Kolta, Duperrey e Raynaly ao teatro. Junto com truques de mágica, performances de fadas pantomimas, um autômato durante os intervalos, shows de lanterna mágica e efeitos especiais, tais como queda de neve e relâmpagos.

Em 1895, Méliès foi eleito presidente da Chambre Syndicale des Artistes Illusionistes.

O jovem cineasta

Méliès dirigiu ao todo 531 filmes entre os anos de 1896 e 1913, que variam entre curtas de um minuto e longas de 40 minutos. Na essência os filmes eram muito semelhantes ao que ele já fazia no palco, usando de recursos de mágica e truques para simular efeitos especiais.

Em 28 de dezembro de 1895 Méliès esteve presente na lendária primeira exibição pública dos irmãos Lumière (Lumière Brothers), no Grand Café em Paris. Méliès imediatamente ofereceu aos irmãos Lumière 10.000 francos por uma de suas câmeras, que se recusaram a vender, assim como eles haviam recusado ofertas muito maiores do Cera Grévin Museum e Folies Bergère. Méliès viajou para Londres para comprar vários filmes e um projetor de filme Animatograph do inventor Robert W. Paul. Em abril de 1896 o Théâtre Robert-Houdin iniciou a exibição de filmes como parte de suas performances diárias. Méliès usou o Animatograph como um guia para construir uma câmera de filme com a ajuda de Lucien Korsten e Reulos Lucien.

Eles foram capazes para construir uma câmera de trabalho usando peças de dos autômatos de Méliès e equipamentos de efeitos especiais usado em suas apresentações. No entanto o estoque filme cru e laboratórios de processamento de filmes ainda não estavam disponíveis em Paris. Méliès comprava filmes não perfurado em Londres e desenvolveu pessoalmente a imprimissão dos filmes através de inúmeras tentativas e erros. Em setembro de 1896, Korsten e Reulos patentearam o ‘Kinètographe Robert-Houdin’, um câmera-projetor de ferro fundindo, que Méliès se referiu como seu “moedor de café” e “metralhadora” por causa do barulho que fazia. Em 1897, a tecnologia perdeu espaço para melhores câmeras que foram colocadas à venda em Paris, levando Méliès a descartar sua própria câmera e comprar várias câmeras melhores feitas por Gaumont, Lumière e Pathé.

Os irmãos Lumière

Méliès começou a filmar seus primeiros filmes em maio 1896, peneiramento-os no Théâtre Robert-Houdin. No final de 1896 ele e Reulos fundaram a Star Company Film, com Lucien Korsten agindo como seu operador de câmera principal. Muitos dos seus primeiros filmes eram cópias e remakes de filmes dos Lumière Brothers, feitos para competir com os 2.000 clientes diários do Grand Café. Isto incluiu o seu primeiro filme Cartas de Baralho (Une partie de cartes), que é semelhante a um filme dos Lumière. No entanto, muitos de seus outros filmes iniciais eram voltados para a teatralidade e o espetáculo, como em ‘Uma Noite Terrível’ (Une nuit terrível), onde um hóspede de hotel é atacado por um percevejo gigante. Mas o mais importante, os irmãos Lumière haviam despachado os operadores de câmera para todo o mundo para documentar como etnográficos documentaristas, com a pretenção de que sua invenção seria muito importante para os estudos científicos e históricos.

A empresa Méliès Star-Film, por outro lado, foi mais orientada para ‘fairground clientele’ onde sua marca específica era a magia e a ilusão: a arte. Nestes primeiros filmes, Méliès começou a experimentar (e muitas vezes inventar), efeitos especiais que eram únicos para o cinema. Isso começou, de acordo com as memórias de Méliès, por um acidente, quando sua câmera parou de gravar no meio de um take e “um ônibus Madeleine-Bastille’ transformou-se em um carro fúnebre e mulheres transformaram-se em homens. O truque de substituição, chamado de stop-trick, tinha sido descoberto.

Este efeito de stop-trick já havia sido utilizado por Thomas Edison quando descreve uma decapitação em ‘A Execução de Maria Stuart’ (The Execution of Mary Stuart é um curta-metragem, produzido em 1895), no entanto, o efeitos de Méliè tinham um estilo único de efeitos visuais. Ele usou pela primeira vez estes efeitos em ‘Senhora de Fuga’ (Escamotage d’une Dame), na qual em seguida, por um truque de ilusionismo, onde uma pessoa desaparecia por meio de uma alçapão, substituida por um esqueleto, até que finalmente reaparece no palco.

Em setembro de 1896, Méliès começou a construir um estúdio de cinema em sua propriedade em Montreuil, nos arredores de Paris. O edifício na fase principal foi feito inteiramente de paredes e tetos de vidro de modo a permitir à luz solar para exposição do filme e as suas dimensões eram idênticas aos do Théâtre Robert-Houdin. A propriedade também incluiu um galpão para camarins e um hangar para a construção de sets. Como as cores, muitas vezes de formas inesperadas fotografavam em filmes PB, todos os sets, figurinos e maquiagem dos atores foram coloridos em diferentes tons de cinza. Méliès descreveu o estúdio como ‘a união da oficina de fotografia (em suas proporções gigantescas) e do palco do teatro’.

Atores atuavam em frente a um background, inspirado pelas convenções da magia e do teatro musical. Para o restante de sua carreira no cinema que ele iria dividir seu tempo entre Montreuil e do Teatro Robert-Houdin, chegava ao estúdio às sete da manhã para dez horas produzindo sets e adereços. As cinco horas ele trocava de roupa e partia para Paris afim de estar no escritório teatro as seis horas para receber chamadas. Depois de um jantar rápido ele voltava ao teatro para a sessão das oito, durante o qual ele esboçou seus projetos definidos e depois voltova para Montreuil para dormir. Às sextas e sábados, ele gravava cenas preparadas durante a semana, enquanto domingos e feriados foram ocupadas com uma matinê de teatro, três exibições de filmes e uma apresentação da noite que durava até 23:30.

No total Méliès fez 78 filmes em 1896 e 53 em 1897. Nessa época ele havia coberto todos os gêneros de filme que ele continuaria a filmar para o resto de sua carreira. Entre eles, os documentários ao estilo Lumière, comédias, reconstruções históricas, dramas, truques mágicos e féeries (contos de fadas), que se tornaria seu gênero mais conhecido. Como os irmãos Lumière e Pathé, a Star-Films, também fez filmes pornográficos (lembrando que eram pornográficos para a época). O único filme que sobreviveu ao tempo traz a estrela Jeanne d’Alcy com um collant cor da pele, sendo banhada por sua empregada. Hoje em dia isso seria chamado de novela das seis.

Entre 1896 e 1900 Méliès fez também dez propagandas de produtos, tais como uísque, chocolate, cereais e para bebês. Em setembro de 1897 Méliès tentou virar o Théâtre Robert-Houdin em uma sala de cinema com menos espectáculos de magia e exibição de filmes durante todas as noites. Mas, ao final de dezembro de 1897, as exibições de filmes limitavam-se a noites de domingo apenas.

Méliès fez ‘apenas’ 30 filmes em 1898, mas seu trabalho foi se tornando mais ambicioso e elaborado. Seus filmes incluem a reconstrução histórica do naufrágio do USS Maine: ‘Divers no Trabalho do Naufrágio do Maine’ (Visite sous-marine du Maine), ‘The Famous Box Trick’(Illusions Fantasmagoriques), além de ‘The Astronomer’s Dream’ (La lune à un mètre). Ele também experimentou com superposição, onde filmou atores em um fundo preto, depois rebobinar o filme através da câmera e expôs o filme novamente para criar uma dupla exposição.

Méliès continuou a experimentar com efeitos especiais, em 1899, por exemplo, no início de filme de terror Cleópatra, que não é uma reconstrução histórica da rainha egípcia, mas sua múmia a ser ressuscitada em tempos modernos. Acreditava-se que o filme Cleópatra havia sido perdido, até que uma cópia foi descoberta em 2005 em Paris. Mais tarde naquele ano, Méliès fez o féerie (Fantasia Fantástica) Cinderela, com sete minutos de duração e 20 cenas, além de um elenco de mais de 35 pessoas, incluindo Bernon Bleuette como protagonista. O filme foi muito bem sucedido na Europa e nos Estados Unidos, tocando principalmente em feiras e salões de música. Distribuidores de filmes americanos, como Siegmund Lubin eram especialmente interessados por novos materiais, tanto para atrair o público com novos filmes, quanto para combater o monopólio crescente de Edison. Os filmes de Méliès foram particularmente populares e Cinderela era frequentemente exibido como uma atração de destaque até mesmo anos após seu lançamento nos Estados Unidos em dezembro de 1899. Esses cineastas norte-americanos como Thomas Edison estavam ressentidos com a concorrência de empresas estrangeiras e após o sucesso de Cinderela, tentou bloquear os filmes de Méliès de entrarem nos Estados Unidos, mas eles logo descobriram o processo de criação de filmes duplicando negativos. Méliès e outros, em seguida, estabeleceram o sindicato ‘Chambre Syndicale Cinématographiques des Editeurs’, como uma forma de defender-se nos mercados estrangeiros. Méliès foi feito o primeiro presidente do sindicato, servindo até 1912. O Teatro Robert-Houdin foi sede do grupo. Ao mesmo tempo, Méliès usou o sucesso financeiro de seus filmes para expandir o estúdio Montreuil, que lhe permitiu criar conjuntos ainda mais elaborados e acrescentou espaço de armazenamento para seu arquivo crescente de adereços, figurinos e outras recordações.

Sucesso Internacional

Em 1900 Méliès tinha feito 33 filmes. Em 1901 Méliès continuou produzindo filmes de sucesso e estava no auge de sua popularidade. Ele também fez o féerie de Chapeuzinho Vermelho (Le Petit Chaperon Rouge) e do Barba Azul (Barbe-Bleue), ambos baseados em histórias de Charles Perrault. O filme é um exemplo precoce da cruz de corte paralela (parallel cross-cutting) e combinação de cortes (match cuts), de personagens que se deslocam de um quarto para o outro. A Companhia Edison em 1902 produziu o filme João e o Pé de Feijão, dirigido por Edwin S. Porter, considerado uma versão americana inferior de vários filmes Méliès, particularmente Barba Azul (Barbe-Bleue). Em 1902, Méliès começou a experimentar o movimento de câmera para perspectiva, tentando criar a ilusão de personagens de tamanhos diferentes. Ele conseguiu esse efeito de avanço de câmera, permitindo que o operador de câmera pudesse ajustar o foco com precisão e para o ator para ajustar sua posição no quadro, conforme necessário. Ele iria aperfeiçoar este efeito ao longo dos anos, usando em seu filme mais conhecido e amado mais tarde nesse ano.

Em maio de 1902 Méliès fez o seu filme mais famoso, ‘Viagem à Lua’ (EN: A Trip to the Moon – FR: Le Voyage dans la lune). O filme inclui a célebre cena em que uma nave espacial atinge o homem na lua exatamente no olho, obra vagamente baseado em Da Terra à Lua de Julio Verne e ‘Os Primeiros Homens na Lua’ de HG Wells. No retorno da lua, os astronautas pousam no oceano, onde um tanque de peixes sobrepostos criava a ilusão do fundo do oceano (esta cena é mostrada em ‘A Invenção de Hugo Cabret’). Aos 14 minutos, ele foi o mais longo filme de Méliès até aquele momento e teve o custo de 10.000 francos para ser produzido. O filme foi um enorme sucesso na França e em todo o mundo e Méliès vendeu cópias tanto em preto e branco, quanto coloridas versões feitas à mão. O filme fez Méliès famoso nos Estados Unidos, onde os produtores como Thomas Edison, Siegmund Lubin e Carl Laemmle tinham cópias piratas ilegais e fizeram grandes quantias de dinheiro. Este pirataria forçou Méliès a abrir um escritório da Star Films em Nova York.

Enorme sucesso Méliès, em 1902 continuou com seus três outros grandes produções daquele ano. Méliès fez o féeries ‘As Viagens de Gulliver’, com base no romance de Jonathan Swift e Robinson Crusoé, baseado no romance de Daniel Defoe. Em 1903 Méliès fez Fairyland: Um Reino das Fadas. Méliès continuou o ano aperfeiçoando muitos de seus efeitos de câmera. Ele terminou o ano com um outro filme baseado na lenda de Faust. O filme é vagamente baseado em uma ópera de Hector Berlioz, mas dedica menos atenção para a história e muito mais para os efeitos especiais que representam uma turnê no inferno. Em 1904 ele fez uma sequência: Faust e Marguerite (Faust er Marguerite). Desta vez, o filme foi baseado em uma ópera de Charles Gounod.

Sua maior produção de 1904 foi ‘A viagem impossível’, um filme semelhante a ‘A Viagem à Lua’ sobre uma expedição ao redor do mundo, desta vez a viagem leva os personagem ao Sol. O filme com 24 minutos de duração foi um sucesso.

O declínio

Em 1907 Méliès criou três novas ilusões para o palco e executou-os no Théâtre Robert-Houdin. Ele também fez dezenove filmes, incluindo uma paródia de Julio Verne para 20.000 Léguas Submarinas e uma versão curta de Hamlet. Críticos de cinema apontam o ano de 1907 como o ano em que trabalho Méliès começou a declinar com a repetição de velhas fórmulas por um lado e uma imitação insistente de novas tendências no outro.

Em 1908, Thomas Edison criou a Motion Picture Patents, empresa como uma forma de controlar a indústria cinematográfica nos Estados Unidos e Europa. As empresas que aderiram à conglomerado foram Edison, Biograph, Vitagraph, Essanay, Selig, Lubin, Kalem, Americana Pathé e a Star Company de Méliès, com Edison na qualidade de presidente do coletivo. Filmes da Star foram obrigados a fornecer o MPPC com 1000 metros de filme por semana e Méliès fez 68 filmes neste ano, a fim de cumprir a obrigação. Gaston Méliès também criou o Méliès Manufacturing Company, seu próprio estúdio em Chicago, para ajudar o irmão a cumprir as obrigações exigidas por Edison. No entanto, Gaston não produziu nenhum filme em 1908. Méliès fez naquele ano, um de seus filmes mais ambiciosos: ‘A Humanidade Através dos Séculos’ (La Civilisation à travers les âges). Este filme narra a história pessimista dos seres humanos de Caim e Abel para a Conferência de Paz de Haia de 1907. O filme foi mal sucedido, mas Méliès sentia orgulhoso dele ao longo de sua vida.

No início de 1909 Méliès parou de fazer filmes e, em fevereiro, ele presidiu a primeira reunião do Congresso Internacional de Cineastas em Paris. Como outros, ele estava descontente com o monopólio que Edison tinha criado e quis revidar. Os resultados da reunião foram um acordo para não vender mais filmes, mas apenas arrendá-los por quatro meses de contrato, apenas alugar filmes para os membros de sua própria organização e adotar uma contagem de perfuração padronizada em todos os filmes.

Méliès retornou ao cinema no outono de 1909, no mesmo momento em que Gaston Méliès, seu irmão, havia mudado a ‘Méliès Manufacturing Company’ para Fort Lee em Nova Jersey, onde produziu três filmes naquele ano. Em 1910, Gaston montou um estúdio chamado ‘Star Ranch Films’ em San Antonio no Texas, onde começou a produzir filmes de faroeste. Em 1911 Gaston tinha renomeado a empresa ‘Star Ranch Films’ para ‘Star Films American Wildwest Productions’ e abriu um estúdio no sul da Califórnia. Ele produziu mais de 130 filmes entre 1910 e 1912 e era o principal fornecedor de filmes da Star Company para a empresa de Thomas Edison. Entre 1910 e 1912, Georges Méliès produziu apenas 20 filmes. Méliès fez 14 filmes em 1910, incluindo Ilusões lunáticos (Les Illusions fantaisistes), nos quais ele executa um truque de mágica no palco. Méliès começou a passar mais tempo no Théâtre Robert-Houdin e criou uma nova apresentação teatral chamada Spiritualist Phenomena. Mais tarde naquele ano, a Star Films assinou um acordo com a Companhia de Cinema Gaumont para distribuir todos os seus filmes.

O outono de 1910

No outono de 1910 Méliès fez um acordo com Charles Pathé que acabaria por destruir a sua carreira cinematográfica. Méliès aceita uma grande quantidade de dinheiro para produzir filmes e em troca Frères Pathé distribuiria e reservava o direito de editar esses filmes. Pathé também arrendou as escrituras, tanto da casa de Méliès como do Montreuil Studio como parte do negócio. Méliès começou imediatamente a produção de filmes mais elaborados e entre os sete filmes que ele produziu em 1911, apesar da extravagância dessas féeries, que tinham sido extremamente populares dez anos antes, ambos os filmes foram grandes fracassos financeiros.

Em 1912 Méliès continuou a fazer filmes ambiciosos, mais notavelmente com o féerie ‘Conquista do Pólo’ (Conquête du pôle). Embora inspirado por esses últimos eventos da vida real como Robert Peary da expedição ao Pólo Norte em 1909 e da expedição ao Pólo Sul de Roald Amundsenem em 1911, o filme também incluíam elementos fantásticos. O filme também tem elementos da obra ‘As Verdadeiras Aventuras do Capitão Hatteras’ (EN: Adventures of Captain Hatteras – FR: Voyages et aventures du capitaine Hatteras), de Julio Verne. Muitas vezes é dito ser o terceiro filme da trilogia de Méliès, após ‘A viagem à Lua e ‘A viagem impossível’. Infelizmente os filmes não foram bem sucedidos financeiramente e Pathé decidiu exercer seu direito de editar filmes. Um dos últimos Méliès de féeries foi ‘Cinderela e o Sapatinho de Cristal’, uma releitura de 54 minutos da lenda de Cinderela, com o uso de profundidade de campo e ao ar livre ao invés de cenários teatrais. Novamente um fracasso financeiro. Depois de circunstâncias semelhantes com outros filmes, Méliès quebrou seu contrato com Pathé. Enquanto isso, Gaston Méliès tinha levado sua família e uma equipe de filmagem com mais de 20 pessoas para o Taiti, no verão de 1912. Para o resto do ano e também em 1913, ele viajou por todo o Pacífico Sul e na Ásia, e enviou de imagens de volta para seu filho em Nova York. Mas o filme foi danificado e inutilizado. Gaston não era mais capaz de cumprir as obrigação da empresa de Thomas Edison. Até o final de suas viagens, Gaston Méliès havia perdido US 50.000 e teve que vender a filial americana de filmes para a Vitagraph Studios.

Gaston finalmente voltou para a Europa e morreu em 1915. Ele e Georges Méliès nunca falaram um com o outro novamente. Quando Méliès rompeu seu contrato com a Pathé, em 1913, ele foi condenado a para pagar todo o dinheiro que devia à empresa. Mas uma moratória que foi declarada quando a Primeira Guerra Mundial começou em 1914 impediu de Pathé legalmente reapossar sua casa e o estúdio de Montreuil. No entanto, Méliès estava falido e incapaz de continuar a fazer filmes. Em suas memórias, ele atribui a sua própria incapacidade de se adaptar com o sistema de locação dos filmes com as companhias de Pathé e outros, as equivocadas decisões financeiras de seu irmão Gaston e os horrores da Primeira Guerra Mundial como os principais motivos que ele parou de fazer filmes. A crise final em 1913 foi a morte da primeira esposa de Méliès, Eugénie Genin em maio, deixando-o a guarda do seu filho Andre de 12 anos. Devido à guerra, o Théâtre Robert-Houdin foi fechado por um ano e Méliès deixou Paris com seus dois filhos durante vários anos. Em 1917 o exército francês transformou o edifício principal, seu estúdio em Montreuil em um hospital para soldados feridos. Também durante a guerra, o exército francês confiscou mais de 400 filmes originais d o catálogo da Star Films para derretê-los e recuperar sua celulóide e resíduos de prata. Entre outros recursos, o exército usou as matérias-primas dos filmes de Méliès para fazer saltos para sapatos. Em 1923, o Théâtre Robert-Houdin foi demolido, a fim de reconstruir o Boulevard Haussmann.

Naquele mesmo ano, Pathé foi finalmente capaz de assumir a Star Company e o estúdio Montreuil. Num acesso de raiva, Méliès pessoalmente queimou todos os aspectos negativos de seus filmes que ele tinha guardado no estúdio Montreuil, assim como a maioria dos cenários e figurinos. Como resultado, muitos de seus filmes não existem mais. No entanto, pouco mais de 200 filmes de Méliès foram preservados e estão disponíveis em DVD desde dezembro de 2011.

O fim injusto

Depois de serem expulsos do negócio, Méliès desapareceu da vida pública. Por meados de 1920 ele tinha uma humilde fonte de sustento como um doce vendedor de brinquedos na estação de Montparnasse, em Paris, com a ajuda dos fundos recolhidos por outros cineastas. Em 1925 casou-se com o sua antiga amante Jeanne d’Alcy e viveram juntos em Paris com a jovem neta de Méliès: Madeleine Malthête-Méliès. No final dos anos 1920, vários jornalistas começaram pesquisas sobre o trabalho de sua vida, criando um novo interesse por nele. Como o seu prestígio começou a crescer no mundo do cinema, ele recebeu mais reconhecimento e em dezembro de 1929 uma retrospectiva de gala de seu trabalho foi realizada na Salle Pleyel. Em suas memórias, Méliès disse que no evento ele viveu um dos momentos mais brilhantes da sua vida.

Eventualmente Georges Méliès foi premiado com o Légion d’honneur (Legião de Honra), que foi apresentado a ele em 1931 por Louis Lumière. Lumière mesmo disse que Méliès foi o ‘criador do espetáculo cinematográfico’. No entanto, a enorme quantidade de elogios que estava recebendo não ajudaram no seu sustento ou diminuiram sua pobreza. Em uma carta escrita para o cineasta francês Eugène Lauste, Méliès escreveu:

…felizmente eu sou forte e tenho boa saúde. Mas é difícil trabalhar 14 horas por dia sem receber os meus domingos ou feriados, em uma caixa de gelo no inverno e um forno no verão.

Em 1932, a Sociedade Cinema arranjou um lugar para Méliès, sua neta Madeleine e Jeanne d’Alcy no La Maison du Retrait du Cinéma, uma casa de repouso para aposentados da indústria cinematográfica em Orly. Méliès ficou muito aliviado ao ser admitido na instituição e escreveu a um jornalista norte-americano:

…minha melhor satisfação em tudo é ter certeza de não ficar um dia sem pão e casa.

Em Orly, Méliès trabalhou com vários diretores mais jovens em roteiros para filmes que nunca acabaram sendo feitas. Estes incluíram uma nova versão do Barão de Münchhausen com Hans Richter e um filme que era para ser intitulado ‘O Fantasma da Metro (Le Fantôme du métro), com Henri Langlois, Georges Franju, Marcel Carné e Prévert Jacques. Ele também atuou em uns poucos anúncios com Prévert em seus últimos anos. Langlois e Franju conheceu Méliès, em 1935, com René Clair e em 1936 alugou um prédio abandonado na propriedade da casa de repouso Orly para armazenar sua coleção de cópias de filmes. Eles então confiaram a chave da construção para Méliès que se tornou o primeiro conservador do que viria a ser a Cinémathèque Française. Embora ele nunca foi capaz de fazer outro filme a partir de 1913 ou encenar uma outra performance teatral depois de 1923, ele continuou a desenhar, escrever e assessorar jovens admiradores de cinema e teatro até o final de sua vida.

No final de 1937 Méliès tinha ficado muito doente e Langlois arranjou-lhe para ser admitido no Hospital Léopold Bellan em Paris. Langlois tinha se tornado próximo dele. Ele e Franju o visitaram pouco antes de sua morte. Quando eles chegaram, Méliès mostrou-lhes um dos seus últimos desenhos de uma garrafa de champanhe com a rolha estalando e borbulhando. Ele então disse-lhes:

Laugh, my friends. Laugh with me, laugh for me, because I dream your dreams
Riam, meus amigos. Riam comigo, riam para mim, porque eu sonho seus sonhos

Méliès morreu de câncer em 21 de Janeiro de 1938 – poucas horas após o falecimento de Émile Cohl outro francês grande pioneiro do cinema. Méliès foi sepultado no cemitério Père Lachaise.

 

A Invenção de Hugo Cabret

Hugo Cabret sem dúvida é um filme que eu deveria ter visto em 3D em uma tela de cinema bem gigante, infelizmente deixei passar. A beleza do filme é tamanha que em diversos momentos o filme parece um longa de animação. Mesmo assistindo o filme em 2D, fica evidente como o filme foi especialmente produzido para ser visto em 3D. Sacha Baron Cohen está irreconhecível no papel do Inspetor da Estação, quem não ficar atento esquece que ele protagonizou os filmes Borat e Bruno. Chloë Moretz continua me apaixonando como atriz, você não demora 10 segundos para criar uma simpatia com a personagem. Dirigido por ninguém menos que o mestre Martin Scorsese (Ilha do Medo, Os Infiltrados, Gangues de Nova York, Os Bons Companheiros, Taxi Driver). Pela primeira vez o Brasil foi mais inteligente no título do filme, ‘A Invenção de Hugo Cabret’ é a tradução literal do livro infantil The Invention Of Hugo Cabret, escrito por Brian Selznick.

Sinopse

Paris, anos 30. Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um órfão que vive escondido nas paredes da estação de trem. Ele guarda consigo um robô quebrado, deixado por seu pai (Jude Law). Um dia, ao fugir do inspetor (Sacha Baron Cohen), ele conhece Isabelle (Chloë Moretz), uma jovem com quem faz amizade. Logo Hugo descobre que ela tem uma chave com o fecho em forma de coração, exatamente do mesmo tamanho da fechadura existente no robô. O robô volta então a funcionar, levando a dupla a tentar resolver um mistério mágico.

Ficha Técnica

Título Original … Hugo
Gênero … Aventura Dramática
Duração … 126 min
Lançamento … 2012
Direção … Martin Scorsese
Roteiro … John Logan (baseado na obra de Brian Selznick)
Produção … Johnny Depp
Nacionalidade … USA

Elenco

Ben Kingsley como Papa Georges / Georges Méliès
Sacha Baron Cohen como Station inspector
Asa Butterfield como Hugo Cabret
Jude Law como Pai de Hugo Cabret
Chloë Grace Moretz como Isabelle
Ray Winstone como Tio Claude
Emily Mortimer como Lisette
Helen McCrory como Mama Jeanne
Christopher Lee como Monsieur Labisse

Se assistiu o filme, pode continuar no post e ver minha opinião sobre o filme, além de algumas curiosidades que possam ter ficado.

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