Nove livros fresquinhos…

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Ontem consegui receber a caixa que a Editora Novo Conceito me mandou de presente. Na verdade os livros chegaram a quase um mês, mas foram para o meu antigo endereço. Vou ler com calma sobre cada um deles e conforme começo puder, vou falando mais sobre eles aqui no blog. Mas fiquei feliz demais de receber essa caixa enorme com nove livros dentro, botons, marcadores de página, cartazes e mais uma mochila super bacanuda.

Alice Pt. 2 – Lewis Carroll

Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll , nasceu no povoado de Daresbury no condado de Cheshire na Inglaterra em 27 de janeiro de 1832. Dodgson foi matemático, escritor, diácono da igreja anglicana (religião cristã nascida na Inglaterra) e também fotógrafo, esta última ocupação muito polêmica.

Infância

Quando criança Dodgson brincava com marionetes e prestidigitação (magia ou ilusionismo), e durante a vida inteira gostava de fazer passes de mágica, especialmente para as crianças. Gostava de modelar um camundongo com um lenço e em seguida fazê-lo pular misteriosamente com a mão. Ensinava as crianças a fazer barquinhos de papel e também pistolas de papel que estalavam ao serem vibradas no ar. Interessou-se pela fotografia quando esta arte mal havia surgido, especializando-se em retratos de crianças e pessoas famosas e compondo suas imagens com notável habilidade e bom gosto.

Dodgson era apaixonado por vários tipos de jogos, tanto que inventou um grande número de enigmas, jogos matemáticos e de lógica. Gostava de teatro e era freqüentador de ópera, e manteve uma amizade por toda a vida com a atriz Ellen Terry.

Juventude

Durante sua juventude, Dodgson foi educado em casa. Tinha uma inteligência precoce. Aos 7 anos de idade lia livros complexos como “O Peregrino” (The Pilgrim’s Progress). Ele também sofria de uma gagueira – condição partilhada por seus irmãos. Aos doze anos ele foi mandado para uma pequena escola particular nas proximidades de Richmond. Mas em 1846, Dodgson mudou-se para Rugby School, onde ele era evidentemente menos feliz, fato que declarou posteriormente.

Oxford

Ele deixou Rugby no final de 1849 e depois de um intervalo que permanece inexplicado, em janeiro de 1851 volta a cidade de Oxford para estudar na universidade Christ Church, onde seu pai havia lecionado. Estando apenas 2 dias em Oxford foi chamado em casa pelo falecimento de sua mãe aos 47 anos.

Seu início de carreira acadêmica oscilava entre a promessa de um grande talentosoe momentos de total inexpressividade. Não estudava muito, mas era excepcionalmente talentoso e assim conquistou prêmios com facilidade. Em 1852 ele recebeu o primeiro prêmio de Honra ao Mérito e foi logo nomeado para uma bolsa de estudos, através de um velho amigo de seu pai, Canon Edward Pusey. No entanto, um pouco mais tarde, ele perdeu a importante bolsa de estudos após se confessar incapaz de se dedicar ao estudo. Mesmo assim, o seu talento como matemático ganhou o ‘Christ Church Mathematical Lectureship’, cargo que manteve por vinte e seis anos. O rendimento foi bom, mas o trabalho entediava. Muitos de seus alunos eram mais velhos e mais ricos do que ele, e quase todos eles eram desinteressados. No entanto, apesar da infelicidade inicial, Dodgson permaneceu na Christ Church, em várias ocupações até sua morte.

Aspectos Pessoais

Dodgson era uma jovem alto, esguio, tinha cabelos castanhos e olhos azuis acinzentados, considerado muito atraente. Mais tarde era descrito como um homem estranho que andava torto, talvez causado por uma lesão que teve no joelho. Quando criança por uma febre perdeu a audição de um ouvido. Também era bastante gago, problema que começou na infância e se estendeu por toda a vida. Por ter o hábito de usar referências reais para criar seus personagens, reza a lenda que o personagem ‘Dodo’ de ‘Alice no País das Maravilhas’ era inspirado em sua própria condição. Mais tarde ele confirmou que ‘Dodo’ era uma referência própria mas não em relação a gagueira.

Era bom em charadas, cantava consideravelmente bem e tinha grande habilidade como mímico e contador de histórias.

No período entre suas primeiras publicações e o sucesso de ‘Alice’, Dodgson começou a integrar a Irmandade Pré-Rafaelita, uma confraria de pintores, poetas e críticos. Um dos incentivadores da publicação de ‘Alice’ foi o escritor de contos infantis ‘George MacDonald’ que acabou se tornando uma espécie de mentor par ao lançamento do então iniciante escritor. Apesar de desconhecido do grande público, ‘George MacDonald’ serviu como inspiração para ninguém menos que ‘J.R.R. Tolkien’, escritor da saga ‘O Senhor dos Anéis’, que por sua vez serviu de inspiração para ‘J.K. Rohling’ da saga ‘Harry Potter’.

Nasce ‘Lewis Carroll’

Desde muito jovem Dodgson já escrevia poemas que eram publicados na revista da família Mischmasch, que depois era enviado para outras revistas, onde obteve um pequeno sucesso. Entre 1854 e 1856 seus trabalhos apareceram em publicações nacionais como The Comic Times e The Train.

Em 1856 ele publicou seu primeiro trabalho com o pseudônimo com o qual seria mundialmente famoso. Um poema romântico chamado ‘Solitude’ apareceu em ‘The Train’ com a assinatura de Lewis Carroll. Este pseudônimo foi uma brincadeira com seu nome real, Lewis foi era um anglicismo (tradução de um nome para outro idioma) de Ludovicus, o latim para Lutwidge. Carroll é um sobrenome irlandês semelhante ao nome Carolus, a forma em latim de se escrever Charles.

Alice

Foi então que em 1863, Georde Macdonald entrega o manuscrito inacabado de Dodgson para a editora Macmillan que gostou de imediato. Para ser lançado o manuscrito precisava de um título, foram sugeridos ‘Alice entre as fadas’ (Alice Among the Fairies) e ‘Alice e a Hora de Ouro’* (Alice’s Golden Hour*) que foram rejeitados.

* Hora de Ouro ou também chamada Hora Mágica é a primeira e a última hora da luz do dia, um breve momento do dia onde a luz se torna diferente, suave e mais difusa, muito usada para buscar um efeito especial em fotografia e cinema.

Após os títulos alternativos, o trabalho foi finalmente publicado como  ‘Alice no País das Maravilhas’ (Alice’s Adventures in Wonderland), em 1865, sob o pseudônimo de Lewis Carroll, que Dodgson tinha utilizado pela primeira vez cerca de nove anos antes.As ilustrações foram por John Tenniel , Dodgson, pensou evidentemente que agora por ter um livro publicado tinha as habilidades de um artista profissional.

Em 1871 Dodgson já era mundialmente famoso pelo pseudônimo de Lewis Carroll, passou a ganhar significativas quantias de dinheiro e receber cartas de milhares de fãs, mas parece que não surtiu muito efeito no sua vida pois preferia continuar como professor acadêmico.  Mesmo assim lança a continuação do primeiro livro, ‘Alice no País do Espelho’ (Through the Looking Glass And What Alice Found There) desta vez com um tom mais denso, talvez causado pelo momento triste de sua vida quando perdeu seu pai, o que o deixou em depressão por alguns anos.

A Última Grande Obra

Em 1876, Dodgson produziu o seu grande último trabalho, A Caça ao Snark , um fantástico “poema” absurdo, explorando as aventuras de um grupo bizarro de seres inadequados de formas diferentes, e um castor, que partiu para encontrar a criatura de mesmo nome. O pintor Dante Gabriel Rossetti supostamente tornou-se convencido de que o poema foi sobre ele.

Retrato de uma criança feito por Dodgson

A Pedofilia

Dodgson gostava de retratar meninas nuas em fotografias e desenhos. Declarou que seu intuito era somente artístico, que eram sempre feitos com o consentimento dos pais e que se notasse qualquer constrangimento ou infelicidade no olhar de uma das crianças, deixaria de faze-los para sempre. Também ordenou em seu testamento que todas as fortografias e desenhos fossem queimados para nunca criar qualquer constrangimento para as crianças retratadas no futuro. Mesmo assim, foi acusado em diversas obras postumas de ser pedófilo. Diversos livros tentam demonstrar que sua relação com as meninas não poderiam ser apenas pelo ato de retrata-las.

Porém, novos estudiosos (Hugues Lebailly e Karoline Leach) começam a acreditar que Dodgson não era pedófilo, tentando classificar seus retratos no movimento conhecido como ‘Victorian Child Cult’ que retratava a criança como a forma mais sublime da pureza. Dodgson vivenciou justamente a Era Vitoriana* onde este tipo de obra era bastante comum entre diversos artistas que não apresentavam nenhum tipo de comportamente pedófilo, era realmente um tipo de manifestação artística. Tanto que estas obram eram usadas até para produzir cartões postais.

Um dos motivos que podem ter distorcido a história e ter colocado Dodgson como pedófilo por muitos autores seria o fato de 4 diários de sua autoria terem desaparecido. Segundo Lebailly e Leach os diários não retratavam contados íntimos com meninas, mas orgias com mulheres adultas e principalmente casadas, o que teria feito com que sua família para preservar sua reputação teria suprimido estes registros. Um detalhe é fato, Dodgson só começou a ser acusado de pedofilia depois de sua morte.

Este fato de sua vida ainda é motivo de discordâncias e não existe uma avaliação definitiva do que foi verdade.

* A Era Vitoriana no Reino Unido foi o período do reinado da Rainha Vitória, em meados do Século XIX, a partir de Junho de 1837 a Janeiro de 1901.

Outras Obras

– Uma história confusa(A Tangled Tale)
– Alice no País das Maravilhas (Alice’s Adventures in Wonderland)
– Fatos* (Facts)
– Ele pensou ter visto um Elefante* (He thought he saw an elephant)
– Rima?  E Razão?* (Rhyme? And Reason?) – Também publicado como ‘Phantasmagoria’
– Problemas de Travesseiro* (Pillow Problems)
– Silvia e Bruno (Sylvie and Bruno)
– Silvia e Bruno Obras Escolhidas (Sylvie and Bruno Concluded)
– A Caça ao Snark (The Hunting of the Snark)
– Três Pores-do-Sol e Outros Poemas* (Three Sunsets and Other Poems)
– Alice no País do Espelho (Through the Looking-Glass, and What Alice Found There) – Incluindo ‘Jabberwocky’ e ‘A Morsa eo Carpinteiro’** (The Walrus and the Carpenter)
– O que a tartaruga disse a Aquiles* (What the Tortoise Said to Achilles)

* Títulos apenas traduzidos do original, não encontrei fontes do nome que foram lançados no Brasil.
** Foi incluído no 11º livro da série ‘Desventuras em Série’ composta por 13 livros. Os três primeiros deram origem ao filme.

Alice Pt. 1 – O Livro de Lewis Carroll

A história de Alice

“As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” (Alice’s Adventures in Wonderland) também é abreviado apenas como Alice in Wonderland é a obra mais conhecida do professor de matemática inglês Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudónimo de Lewis Carroll, publicado em 4 de julho de 1865. Hoje é considerado uma das mais importantes histórias infantis do gênero literário nonsense ou o surrealismo.

O livro conta a história de uma menina chamada Alice, que após seguir um coelho apressado para encontrar sua toca, cai em um grande buraco omde é transporta para um lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas (uma característica que humaniza objetos inanimados como uma flor, uma árvore, uma casa), revelando uma lógica do absurdo característica dos nossos sonhos.

Lewis Carrol faz alusões satíricas na história de Alice, usando características de seus amigos e seus desafetos para criar as personalidades de alguns personagens (J.K. Rohling também usou este recurso nas obras de Harry Potter). Ele também faz paródias de poemas infantis muito populares na Inglaterra durante o século XIX. Além de usar referências linguísticas e matemáticas frequentes, através de enigmas que contribuíram para seu sucesso. Alice é um livro que possui mais de uma interpretação, pois contém dois livros em um só: um para crianças e outro para adultos.

O conto que virou livro

“Alice no País das Maravilhas” nasceu por acaso no dia 04 de julho de 1862 quando Charles Lutwidge Dodgson (Lewis Carroll), passeava pelo rio Tâmisa em um pequeno barco a remo, na companhia de um amigo e três irmãs: Lorina Charlotte, Edith Mary e Alice Pleasance Liddell. Carrol resolveu contar uma história improvisada para passar o tempo durante os 5km de viagem.

O conto cheio de fantasias e personagens absurdos agradou a todos. A história imprevista deu origem em 26 de Novembro de 1864 a um manuscrito intitulado “Alice Debaixo da Terra” (Alice’s Adventures Underground) que Charles L. Dodgson entregou de presente a Alice Pleasance Liddell.

Mais tarde, influenciado tanto pelos seus amigos como pelo seu mentor George MacDonald (também escritor de literatura infantil), decidiu transformar o manuscrito em livro e mudou a versão original, aumentando de 18 mil palavras para 35 mil, acrescentando personagens importantes como o Gato de Cheshire e do Chapeleiro Maluco.

Publicação

Assim, no dia 4 de Julho de 1865 (precisamente três anos após a viagem), a história de Dodgson foi publicada na forma como é conhecida hoje, com ilustrações de John Tenniel. Porém a tiragem inicial de dois mil exemplares foi removida das prateleiras devido a reclamações do ilustrador sobre a qualidade da impressão. A segunda tiragem, ostentando a data de 1866, ainda que tenha sido impressa em dezembro de 1865, esgotou-se nas vendas rapidamente, tornando-se um grande sucesso, tendo sido lida por Oscar Wilde e pela Rainha Vitória. Na vida do autor, o livro rendeu cerca de 180 mil cópias. Foi traduzida para mais de 125 línguas e só na língua inglesa teve mais de 100 edições.

Em 1998, a primeira impressão do livro, aquela rejeitada pelo ilustrador, foi leiloada por 1,5 milhão de dólares americanos. Algumas impressões desta obra contém tanto “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, como também a sua sequência “Alice no Outro Lado do Espelho”.

Alice no País do Espelho

Alice no País do Espelho (Through the Looking-Glass, and What Alice Found There), é a sequência de “Alice no País das Maravilhas”. O livro foi escrito em 1871 e não faz referências ao livro anterior, apesar de usar personagens em comum e manter a mesma temática. Uma das principais diferenças é que a primeira história se passa no verão de 4 de julho enquanto este se passa seis meses depois, no inverno de 4 de novembro.

Enquanto no primeiro livro é muito utilizado distorções de tamanho, neste livro a dinâmica são as frequentes mudanças no tempo e espaço. O primeiro livro usa o Jogo de Cartas como inspiração para os personagens e este usa o Xadrez.

De Volta para Casa

Tudo é pelo acaso. Ao contrário do que muitas vezes pensamos, o acaso é aquilo que conduz nossas vidas, ligam os pontos chaves que vão mudando a direção rumo ao nosso futuro, nos levando para lugares e situações que não imaginávamos e não planejamos. O acaso é totalmente contrário a estagnação, só se molha quem sai na chuva, só apanha quem dá a cara a tapa, só vive quem se entrega ao desconhecido. E nestes acasos da vida hoje resolvi acessar a lista de livros da Editora Novo Conceito. Queria escolher um livro novo para me fazer companhia. Jogue a primeira pedra quem nunca comprou um livro pela capa. Eu comprei todos.

Escrever é algo tão mágico e encantador, exige dedicação e resiliência, nada mais justo que a capa de um livro consiga sintetizar toda sua beleza. Talvez seja apenas a visão de quem viveu de arte durante toda sua vida, talvez seja uma tese relevante. Impossível não ser atraído pela bela capa de ‘De Volta para Casa’. Obviamente que tanto na capa do livro, no frasco do perfume e no encantamento de uma mulher, a estética pode ser convite mas não garante o envolvimento e a permanência. Depois de saltar ao olhos, precisa falar ao coração.

E foi lendo o prefácio de ‘De Volta para Casa’ que o acaso novamente me pregou estas peças do destino. Não estou dizendo que a história deste livro repete a minha própria vivência, mas por diversos momentos elas se cruzam.

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Cassie Madison sai da cidade de Walton, na Geórgia, para Nova York. A mudança na verdade é uma fuga dos recentes acontecimentos de sua vida, quando fica sabendo que a própria irmã, Harriet, e seu grande amor, Joe, se envolvem em um relacionamento amoroso e vão se casar. Já em Manhattan, assim como toda pessoa que tenta esquecer algo do passado, sua tentativa é se reinventar, dedicar-se a carreira e de quebra perder o sotaque do interior. Nesta tentativa de apagar o passado de traição e lidar com uma família que nunca lhe deu o devido valor.

O destino lhe reserva outra provação e o passado vem lhe buscar, quando um telefonema de sua irmã traz de volta o que ela acreditava que poderia esquecer. Com o pai doente, ela é obrigada a fazer o que ninguém espera neste momento, fazer a viagem de volta ao passado e as lembranças. Enquanto arruma as malas seu medo era que o pai morresse sem que ela pudesse estar com ele, mas ao mesmo tempo precisa enfrentar o convívio com a família de propaganda de margarina que sua irmã Harriet e Joe construíram.

De volta a Walton, Cassie percebe os conflitos sentimentais que precisa organizar na sua cabeça. O amor necessário pelos sobrinhos e as lembranças felizes de um passado anterior aquele que a fez ir embora. A cidadezinha, a infância. Se dividindo entre rancor e esperança, velhas e queridas lembranças, mágoas insustentáveis, o destino arrumará uma forma de aproximá-la do que realmente importa: o verdadeiro amor.

Aceitar o fim daquilo que gostaríamos que fosse e conviver com uma realidade diferente daquela que fantasiamos é sem dúvida uma provação que pode lhe mostrar do que você é feito e pelo que seu coração é movido. Esquecer é sempre difícil, em muitos momentos impossível, onde a única saída pode ser a aceitação de que tudo na vida caminha entre expectativas e decepções. Como não comandamos nossos corações de forma muito exata, constante e coerente, entregamos-nos todos ao acaso, na esperança de que ele nos traga entendimento e libertação. O que geralmente se traduz em felicidade.

Não sei você, mas preciso desesperadamente saber como Cassie resolverá este conflito dentro de si mesma e constatar o quanto a vida pode imitar a arte e vice-versa.

Ficha Técnica

Autora … Karen White
Titulo Original … Falling Home
Selo: Novo Conceito (BR)
Ano: 2013 (BR)
Edição: 1
Páginas … 448
Preço Sugerido … R$ 34.90
Classificação … Ficção
Tema … DRAMA

Karen White

‘De Volta para Casa’ é escrito por Karen White (New York Times Bestselling Author). Karen está no seu 16º romance. Karen tinha dois sonhos desde muito jovem, ser escritora ou ser Scarlett O’Hara. Apesar do seu amor pela escrita ter nascido ainda na infância, Karen optou por uma carreira profissional formal e somente no ano 2000 resolveu se dedicar ao seu sonho. Ela vive perto de Atlanta, na Georgia, com o marido, dois filhos e Quincy, seu cãozinho. Apesar de viver nos Estados Unidos, passou uma boa parte de sua vida em Londres. ‘Falling Home’ no original, foi escrito em 2010, pelas informações que encontrei e chegou ao Brasil através da Editora Novo Conceito.

Facebook, Infos e Onde Comprar

Quer fazer parte da fanpage do livro e trocar suas impressões sobre o livro com outros leitores? Acho uma ideia bem interessante #fiKdiK. Você pode acessar a página oficial de pré-lançamento do livro no site da Editora Novo Conceito. Lá você consegue baixar um capítulo do livro e já consegue sentir um pouco da narrativa.

Para comprar o livro, a Saraiva está com uma promoção. Do preço sugerido de R$ 34,90 que consta no site, lá está por R$ 27,90 (baratex) – link para compra online.

Book Trailer

Ps: Este post possui links de conteúdos externos, caso tenha algum link quebrado, deixe um recado e me ajude a atualizar.

Conversa de Botas Batidas

Que interessante, após tanto tempo de total torpor, até pensei ser incapaz de produzir uma lágrima que assim fosse. Então sento aqui e pesquisando pelo poema que foi acrescentado a canção ‘Conversa de Botas Batidas’, em uma versão da original dos Los Hermanos, cantada agora por Cícero, no projeto Re-Trato, novamente esbarro com Drummond. Estranho como a vida me parece levar sempre para os mesmos lugares, pessoas e sentimentos. De repente vem aquela cisma inexplicada e estranha, que se revela íntima e particular.

Desde que li um poema de Drummond, há algum tempo, corri por semanas, meses e livrarias em busca do seu livro ‘Confissões de Minas’. Ao mesmo tempo que ouvi esta versão pela primeira vez. Nem poderia desconfiar que se tratava novamente ele, além da curiosidade de quem seria o seu locutor. Quem melhor que o próprio? O poema se chama ‘Memória’ e diz mais ou menos assim:

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Não sei se sou capaz de entender o real sentido das palavras de Drummond, mas de alguma maneira elas me afetam, mais que profundamente: em definitivo. A junção do poema à uma canção tão contemporânea, mostra não só sua beleza e relevância, mas a capacidade de Drummond de ser atemporal. Lindo também é seu título da canção: ‘Conversa de Botas Batidas’. Gosto de músicas com nomes que não sejam retiradas de um trecho dela, mas que sintetizem o sentido do que o compositor quer dizer.

Bonito o trecho que diz assim:

A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida

Não sei você, mas tantas vezes achei que Deus esqueceu de mim. Tantas vezes quando ouvi alguém dizer isso, pedi para que não repetisse. Talvez ele não tenha ouvido da primeira vez e tudo ficaria bem. Nossa pior herança do cristianismo: acreditar em um Deus vingativo, mesmo sabendo que a maior característica de um ser supremo é o perdão.

Fica a eterna dúvida proposta:

Quem é maior que o amor?

Um Olhar do Paraíso

Este filme tem um importante ‘cartão de visitas’. Foi dirigido por ninguém menos que Peter Jackson, diretor da trilogia ‘O Senhor dos Anéis’.

‘Um Olhar do Paraíso’ é o último filme de Jackson antes do lançamento da trilogia ‘O Hobbit’. A obra, uma adaptação para o cinema do romance homônimo da escritora Alice Sebold. No Brasil recebeu o nome de ‘Uma Vida Interrompida’. Tanto no lançamento literário e cinematográfico não tiveram ‘coragem’ de usar uma tradução literal que seria algo como ‘Os Amáveis Ossos’. Toda a história tem uma densidade muito grande, abrandada pela percepção de um pós-vida. Em momentos o filme chega a parecer uma obra espírita, porém agrega uma grande parte de drama policial.

Infelizmente as traduções feitas no Brasil, tiram esta dualidade da obra e a agressividade e densidade da história e da escrita de Alice Sebold que por muitas vezes soa como algo mórbido. A representação do céu no entando não fica evidente, ao menos no filme, já que a protagonista está em uma espécie de limbo, onde ainda tenta voltar a vida, inconformada com sua morte. Este é o núcleo do romance, uma menina de 14 anos que é estuprada e morta, sendo que ela é a narradora da sua própria vida e consequentemente de sua morte. Alice Sebold tem uma característica muito específica de escrever, tratando de um assunto bastante denso, porém de forma muito poética, figurativa, simbólica e fantasiosa.

Para você gostar do filme, precisa estar preparado para uma história nova, algo que caminha por inúmeras vertentes diferentes. Se você é muito preso(a) a formatos clássicos de filme, se possui restrições religiosas ou alguma necessidade de explicações mais fundamentalistas, talvez você não goste do filme.

No papel da protagonista Susie, está a talentosa Saoirse Ronan que eu já havia elogiado pela atuação no filme Hanna. Saoirse Ronan é uma jovem atriz muito comedida nas suas atuações. Não é o típico talento precoce que está em uma obra porque sabe chorar com facilidade ou coisas do tipo. As diferentes atuações nestes filmes completamente diferentes entre si, prova que é uma atriz com muitos recursos e que provavelmente se tornará um dos grandes nomes de uma nova geração.

Além da jovem atriz, o filme traz atores conhecido do público:  Mark Wahlberg é o pai de Susie, Jack Salmon. Stanley Tucci está irreconhecível no papel do estuprador e assassino George Harvey. Rachel Weisz está perfeita no papel de Abigail Salmon, mãe de Susie e Susan Sarandon é a avó. Para completar a família, as irmãs na vida real Lynn e Rose McIver interpretam a irmã Lindsey Salmon, pois existe uma passagem de tempo na história.

Falar mais do filme é dar spoiler, portanto nem colocarei uma sinopse. Assista, recomendo e volte para dizer se eu estava certo.

 

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