Nove Rainhas – Filme

Após falar de O Filho da Noiva, não poderia deixar de falar de Nove Rainhas, já que assisti os dois no mesmo dia. Este era um dos dois filmes com o Ricardo Darín que mais procurei em locadoras e nunca encontrei, fui assistir através da Netflix. Nove Rainhas é dirigido por Fabián Bielinsky, que possui somente mais um filme na carreira além deste, se chama Aura e foi lançado em 2005.

Nove Rainhas é um thriller interessantíssimo, ao melhor estilo ‘Onze Homens e um Segredo’. O filme argentino traz o famoso plot twist. Em algum momento do filme, o qual não vou dizer qual é o filme muda completamente de perspectiva. Interessante ver um filme latino apostando em uma ideia como esta. O Brasil poderia beber desta fonte e tentar inovar um pouco no nosso cinema nacional.

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Marcos (Ricardo Darín) e Juan (Gastón Pauls) são dois picaretas dos mais ralés, mas acabam se unindo para tentar o grande golpe de suas vidas. Eles se conhecem durante a madrugada, após Juan tentar dar um golpe em uma balconista por duas vezes, quando Marcos o livra de ser preso. Apesar da erro bobo de Juan, Marcos enxerga um grande potencial no garoto, para participar de uma negociação milionária, envolvendo uma série de selos falsificados conhecidos como ‘Nove Rainhas’.

Ficha Técnica

Título Original … Nueve Reinas
Origem … Argentina
Gênero … Suspense Dramática
Duração .. 114 min
Lançamento … 2000
Direção … Fabian Bielinsky
Roteiro … Fabian Bielinsky

Elenco

Ricardo Darín como Marcos
Gaston Pauls como Juan
Leticia Bredice como Valeria
Ignasi Abadal como Vidal Gandolfo

O Filho da Noiva – Filme

Desde que conheci o ator argentino Ricardo Darín através do filme ‘Um Conto Chinês’, passei a correr atrás de toda sua filmografia. Infelizmente haviam dois filmes que eu queria muito assistir e que nunca encontrei em locadora. Um chamado ‘Nove Rainhas’ e o outro obviamente, ‘O Filho da Noiva’. Então, estou eu sozinho na casa da minha irmã, durante o primeiro mês que estava em Florianópolis e não é que na Netflix tinham exatamente os dois filmes? Praquê…

O filme é absolutamente emocionante, repleto de sutilezas e de fantásticas atuações. Darín é sempre um show a parte em qualquer filme que atua, coloca-lo ao lado de dois atores como Héctor Alterio e Norma Aleandro, fica impossível não chorar. Este trio fabuloso ainda é dirigido por Juan Jose Campanella, o mesmo diretor de “O Segredo dos Seus Olhos’, ‘O Mesmo Amor, a Mesma Chuva’. Se você não conhece os filmes, ambos com Darín como protagonista, posso acrescentar que Campanella simplesmente dirigiu episódios da série americana House e Law and Order SVU (Special Victims Unit), preciso dizer mais alguma coisa?

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Apesar das belíssimas e pontuais atuações, devo dizer que Norma Aleandro consegue estar em um nível acima do normal. Norma Aleandro interpreta Norma Belvedere, mãe de Rafael (Ricardo Darín), que foi diagnosticada com Alzheimer e passa seus dias em um asilo, onde é visitada diariamente por seu marido Nino (Héctor Alterio). Após a doença da mãe, Rafael assumiu o tradicional restaurante da família, em momentos economicamente difíceis na Argentina, onde precisa rebolar para se manter aberto, o que o impede de ter um bom relacionamento com toda sua família. Norma é certamente a mais convincente atuação de uma pessoa acometida do Alzheimer de todos os filmes que eu já vi com o mesmo tema. A instabilidade da sua memória não está apenas no ato de mostrar que esqueceu alguma coisa, mas na reação e nas feições dos momentos em que reconhece alguém querido e nos momentos que esquece de quem são, indo e vindo o tempo todo neste carrocel psicológico. Está ali, no olhar, no sorriso, na tristeza. Ela não precisa dizer que esqueceu, não precisa ficar com o olhar vago como se estivesse vegetando. Sutil, delicado e real.

O restante do filme eu não posso contar, mas acredite que é um dos filmes mais bonitos que já pude ver. Apesar de ser argentino, Campanella que já tem um Oscar na prateleira, é formado pela escola americana, então tenha certeza que é um filme muito bem produzido também. Se não falassem em espanhol, você jamais diria ser um filme feito no lado sul das américas.

Ficha Técnica

Título Original … El Hijo de la Novia
Origem … Argentina
Gênero … Drama
Duração .. 123 min
Lançamento … 2001
Direção … Juan José Campanella
Roteiro … Juan José Campanella

Elenco

Ricardo Darín como Rafael Belvedere
Héctor Alterio como Nino Belvedere
Norma Aleandro como Norma Belvedere
Eduardo Blanco como Juan Carlos

Educação

Educação é um filme que passou completamente despercebido por mim. Nunca ouvi falar deste filme, mesmo com três indicações ao Oscar. O filme fortalece minha teoria do quanto a Globo é preconceituosa. Foi exibido na madrugada de domingo para segunda. Eles nunca passam bons filmes em horários nobres, provavelmente acreditam que o povo só quer ver filme bobo e assim deixam filmes melhores para os boêmios intelectuais. Pesquisando agora as informações técnicas do filme, li uma crítica no site Adoro Cinema com uma nota baixíssima (1,5), talvez a mais baixa de um filme que já pesquisei no site. Mesmo com a nota baixa, o crítico elogiava a direção de Lone Scherfig (mesma diretora de ‘Um Dia’), além da excelente atuação de Carey Mulligan, que na ocasião ele profetizava ser uma atriz de um filme só. Errou, já que após ‘Educação’, ela protagonizou o ótimo ‘Drive’, fez uma boa atuação em ‘Não me Abandone Jamais’ e protagonizou um filme que ainda não vi, mas tem ótimas referências, chamado ‘Shame’.

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Sinopse

Jenny Carey (Carey Mulligan), tem 16 anos e vive com a família no subúrbio de Londres, na década de 60. Inteligente e bela, sofre com o tédio de seus dias de adolescente e aguarda impacientemente a chegada da vida adulta, marcada pela ida a faculdade. Seus pais alimentam o sonho de que ela vá estudar em Oxford, mas a moça se vê atraída por um outro tipo de vida. Quando conhece David (Peter Sarsgaard), um homem mais velho, na faixa dos trinta anos, galanteador e cosmopolita, passa a ver um mundo novo se abrir diante de si. Ele a leva a concertos de música clássica, a leilões de arte e a faz descobrir o glamour da noite, deixando-a em um dilema entre a vida formal a qual estava condenada qualquer mulher de sua década ou viver uma vida mais libertária, sem formalidades.

Opinião

O filme tem dois pontos bem fracos, o obviedade do caráter de David. Peter Sarsgaard não consegue esconder em momento algum que se trata de um grande mal caráter. O segundo ponto é certamente o final, simplório demais, óbvio demais, para um filme muito bom. Ainda assim, assistir o filme é muito bom para ver o carisma de Carey Mulligan em sua primeira protagonização. Educação mostra a capacidade visionária ou ao menos a sorte em apostar nesta atriz que até então só havia feito pontas sem qualquer destaque.

Ficha Técnica

Título Original … An Education
Origem … Estados Unidos / Reino Unido
Gênero … Drama
Duração .. 100 min
Lançamento … 2009 (Brasil  : Fev/2010)
Direção … Lone Scherfig
Roteiro … Lynn Barber e Nick Hornby

Elenco

Peter Sarsgaard como David
Carey Mulligan como Jenny
Alfred Molina como Jack
Emma Thompson como Headmistress
Sally Hawkins como Sarah
Rosamund Pike como Helen
Dominic Cooper como Danny
Olivia Williams como Miss Stubbs

Trilha Sonora

A trilha sonora traz ótimas canções, em especial, duas da diva francesa Juliette Greco.

Apenas uma Noite

Para falar deste filme, terei que recorrer novamente a seção ‘spoilerando’, onde eu comento tudo que achei do filme, no fim da postagem. Começar apenas com a indicação do filme não basta, precisa de um porém, um ‘ps’, um aposto, que só pode ser lido se você já assistiu o filme ou somente após assisti-lo. De qualquer forma, ‘Apenas uma Noite’, título que recebeu no Brasil, distorce a intenção original do título ‘Last Night’. Acredito que ‘Ontem a noite’ é uma expressão que faz muito mais sentido. Li algumas críticas do filme e talvez neste caso, o título além de ser um spoiler, conduz o expectador a outra linha de pensamento. Você concorda que o que você faz em ‘apenas uma noite’, nada tem a ver com o que você fez na noite passada. Apenas uma noite define um tempo, dá uma ponto final. O que você fez na noite passada, pode se repetir por uma vida inteira e talvez seja esta a grande reflexão do filme.

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‘Last Night’ traz Sam Worthington em uma atuação muito diferente dos filmes de ação/aventura como Avatar e Fúria de Titãs e apresenta o ator em uma temática completamente diferente, de onde ele se sai muito bem. Eva Mendes como sempre faz o papel da mulher irresistível que corromperia o mais fiel dos homens, mas também aparece inicialmente como uma mulher contida e sutil. Keira Knightley vem na sua zona de conforto, naquilo que ela sabe fazer bem. Guillaume Canet é a novidade para mim. Ator francês, certamente é o primeiro filme que assisto de sua filmografia. A direção é da estreante Massy Tadjedin, que já tinha uma experiência maior como roteirista. A bela trilha sonora é assinada por Clint Mansell, o experiente compositor que antes deste filme fez nada menos que a trilha de Cisne Negro (Black Swan).

Ficha Técnica

Título Original … Last Night
Origem … Estados Unidos / França
Gênero … Drama / Romance
Duração .. 93 min
Lançamento … 2012
Direção … Massy Tadjedin
Roteiro … Massy Tadjedin

Elenco

Keira Knightley como Joanna Reed
Sam Worthington como Michael Reed
Guillaume Canet como Alex Mann
Eva Mendes como Laura

Spoilerando

As críticas ao filme não são das melhores, mas lendo algumas delas, preciso discordar e elevar a nota do filme. Quando o assunto é traição, fidelidade, valores, dificilmente se encontra uma unanimidade de opiniões. Cada um possui sua visão particular do assunto e apresentar um situação digna de avaliações e interpretações é a proposta do filme. Sem mocinhos ou bandidos, sem julgamentos e punições, o filme deixa a cargo do expectador criar seus próprios julgamentos.

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Uma cena para sempre…

Hoje, estava baixando o cd de uma banda chamada ‘The Morning Benders‘ e uma de suas músicas me recordou muito ‘Philadelphia’, do Neil Young. Acabei lembrando do filme, acabei lembrando da cena. Cena que para mim é a mais bela do cinema mundial.

Tom Hanks é Andrew Beckett, um advogado jovem que se torna a grande aposta de um importante escritório de advocacia. Andrew no entanto descobre que é soro positivo ao mesmo tempo que é demitido inesperadamente.

Ele parte em busca de um advogado que aceite processar seus antigos patrões. Sua alegação é a demissão motivada pela discriminação causada pela sua doença e por descobrirem que Andrew é homossexual. Eram outros tempos, onde ser soro-positivo era ser fadado a uma morte social. Andrew procura o advogado Joe Miller (Denzel Washington), que faz propagandas na televisão onde diz atender casos que ninguém aceitaria. Ao saber que Andrew é soro positivo, Joe recusa a atende-lo. Após a saída de Andrew de seu escritório, Joe lava a mão com a qual cumprimentou Andrew e para piorar, chega a fazer um exame de sangue para ter certeza que não foi contaminado. Parece absurdo, mas era assim.

Ao sair do escritório, Andrew demonstra todo seu sofrimento e o sentimento de abandono, de solidão, de estar sendo enterrado vivo, vendo sua última tentativa se mostrar ineficaz. Além da expectativa cruel da morte eminente como era na época, suportar a discriminação de uma sociedade que chamava a AIDS de ‘Câncer Gay’. Infelizmente temos que reviver essa ignorância na imagem de pastores evangélicos.

É um dos mais belos filmes que já pude assistir, com uma das mais belas trilhas sonoras, ganhadora do Oscar® inclusive. Sem dúvida é o maior filme da filmografia de Tom Hanks.

Originalmente Publicado em 24 de dezembro de 2010 às 22:24

Somos tão jovens…

Que barulho é esse?
Esse barulho…é o FUTUUUUUROOOOO

Finalmente a história de Renato Russo virou filme e vai chegar as telonas. Não sei se conseguirei ser claro no que vou dizer, mas meu maior receio quanto ao filme é constatar se eles tiveram coragem suficiente para mostrar o quão tosco, idiota e genial foi a história de vida do Renato e da Legião Urbana. Genial me referindo ao que ele se tornou e tudo o que a Legião significou para uma geração inteira. Tosco e idiota para mostrar como esta história começou. Porque ninguém ali de fato sabia o que estava fazendo e as chances deste movimento virar nada eram muitas. Eu não sei se hoje em dia, a Legião conseguiria ser uma revolução no rock nacional e se tornar o que se tornou. O momento era propício e as pessoas estavam mais interessadas em música de conteúdo e muito distantes de Lek Lek’s da vida. Eu espero que eles não tentem transformar o Renato em um herói, em um messias. Gostaria de fato que ele fosse retratado de forma fiel, sem romancear, sem inventar, sem dar pesos maiores para fatos que não tinham esse peso todo e que terminem mostrando para as novas gerações que não viram a Legião em atuação, o quão especial foi esta banda e o quão bonita são as canções e as letras escritas pelo Renato. Que mostrem as mensagens interessantes que ele quis passar. Em resumo, queria uma história real, sem tentar redimir nada e sem tentar endeusar o Renato. Que mostre sua personalidade, com pés de barro, como ele mesmo se referiu certa vez. A escolha do ator eu gostei, pois acho que ele tem um ar de um ‘cara sensível’, de um cara que convence no papel de um cara gay, sem afetações. Espero que o filme aproveite nossa nova realidade, onde a liberdade de viver sua sexualidade é mais tolerada, em comparação a época em que o Renato teve coragem de assumir sua homossexualidade, assim como Freddie Mercury fez, posição que poderia vir e de fato veio, em detrimento do trabalho das bandas que lideraram. Eu não sou gay e nunca me importei de saber que ‘Vento no Litoral’, minha música preferida da Legião, foi escrita pelo Renato, para um namorado. A prova de que o amor entre dois homens e duas mulheres pode e é tão bonito quanto qualquer outra forma de amor. Talvez a minha tolerância, respeito e aceitação tenha vindo exatamente de saber que meu maior ídolo musical, era gay. Outra comprovação que ninguém vira gay por conviver com gays. Ao contrário, o único resíduo desta relação é a tolerância e o respeito. E o que mais precisamos no mundo além de respeito para todas as pessoas, em todos os aspectos, inclusive suas opções e/ou orientações sexuais. Por favor produtores, eu espero não me decepcionar, porque realmente torço para este filme. A escolha do título foi perfeita, trecho de ‘Tempo Perdido’, canção que estaria facilmente no meu TOP5 de canções da banda.

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Bom, como todo fã babaca, só o fato de ouvir a Legião dentro de um cinema, já vai ser FODA.

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